4. Findings and analysis - Narratives about the environment
4.4. Power in the narratives
Essas formas de racismo se manifestam por meio de preconceitos, discriminações e segrega- ções. O preconceito é essencialmente um pré-julgamento que fazemos dos outros, por ignorân- cia ou por não mantermos ainidades valorativas em relação à determinada pessoa ou grupo social, ou ainda por uma atitude intencional de afastamento e menosprezo pelo outro. Trata-se de uma atitude prévia muitas vezes construída a partir de estereótipos e generalizações diante da alteridade - o “negro”, o “nordestino”, o “pobre”, o “imigrante” de outro país, entre outros. O preconceito pode ser visto como uma atitude produzida a partir de estigmas, rótulos cons- truídos coletivamente em determinadas conigurações de poder entre aqueles que se sentem “de
Quando o preconceito produz distinções e hierarquias entre superiores e inferiores, melhores e piores, incluídos e excluídos chamamos de discriminação. A discriminação racial produz e legitima desigualdades raciais por meio de complexas hierarquias simbólicas que podem ser, em parte, compreendidas psicologicamente pelas atitudes de alta ou baixa autoestima dos indivíduos pertencentes a determinados grupos sociais.
A discriminação, como uma classiicação daquele que detêm poder, pode gerar a negação de identidades estigmatizadas, silêncios, mas também resistências capazes de inverter a relação de poder. Um exemplo de incorporação do estigma são os afrodescendentes que não gostam de serem negros ou buscam esconder essa classiicação racial por meio da ideologia do bran- queamento. Já uma forma de resistência que altera relações de poder são os afro-brasileiros que airmam orgulhosamente a sua negritude.
Quando a discriminação cria espaços sociais de separação cultural, política e jurídica, zonas exclusivas para brancos e negros, chamamos de segregação, como no caso do apartheid da África do Sul e as separações legais que existiam nos Estados Unidos antes das lutas pelos di- reitos civis nas décadas de 1960 e 1970.
SAIBA MAIS
Livro: MUNANGA, Kabengele. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. In: BRANDÃO, André A. Programa de educação sobre o negro na sociedade brasileira. Niterói, RJ: UFF, 2004.
Site http://www.criola.org.br/
Música: Racismo é burrice, de Gabriel, o pensador.
Filme documentário: Apartheid, disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=QsWB16FW7Zc
Lugar: Museu da Imagem e do Som (MIS).
3. Considerações inais
Os racismos têm, portanto, suas histórias, deinições e transformações. Eles se manifestam de forma diferente em distintas sociedades nacionais e em períodos históricos variados. O racis- mo brasileiro não é igual ao racismo norte-americano ou sul-africano. Por outro lado, nem tudo pode ser chamado de racismo. Ele é uma ideologia de poder que se manifesta por meio de escalas hierárquicas de valores e concepções de mundo traduzidas em marcadores raciais e étnicos. Os negros subordinados que buscam produzir um discurso de contrapoder em relação aos brancos dominantes não são a rigor racistas, estão na verdade buscando mudar a balança de poder, rompendo com assimetrias entre negros e brancos em uma determinada sociedade. Por im, a raça parece ser uma determinação biológica, mas na verdade é uma construção so- cial e política. Ela tem uma história, sentidos diferentes nos contextos nacionais e nos períodos
históricos. Discutir a questão racial no campo acadêmico hoje é pensá-la como um campo de luta. Uma peleja entre os intelectuais que airmam, com base na genética contemporânea, que não há raças humanas e os pesquisadores que veem as raças ou relações raciais como formas de classiicações sociais e como campo de luta por airmação das identidades afrodescenden- tes, negras, indígenas, entre outras. (GUIMARÃES, 2002).
Referências bibliográicas
CASTORIADIS, Cornelius. Relexiones en torno al racismo. ESTUDIOS. Filosofía-historia- -letras,1987.Disponível: http://biblioteca.itam.mx/estudios/estudio/estudio09/sec_3.html, acesso 18/11/2014.
ELIAS, Norbert; SCOTSON, John L. Os Estabelecidos e os Outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
GUIMARÃES, Antonio Sérgio. Classes, raças e democracia. São Paulo; Editora 34, 2002. LÉVI-STRAUSS, C. Raça e História. In: Antropologia Estrutural II. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1976.
MACAGNO, Lorenzo. Genealogia do racismo. In: O dilema multicultural. Curitiba: GRAPHIA/ Editora da UFPR, 2014.
MUNANGA, Kabengele. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. Cadernos Penesb (Programa de Educação Sobre o Negro na Sociedade brasileira). UFF, Rio de Janeiro, nº 5, p. 15 – 34, 2004.
QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org.). Colonialidade do saber: eurocentrismo e Ciências Sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005.
RODRIGUES, Elisa. Raça e controle social no pensamento de Nina Rodrigues. Revista Múl- tiplas Leituras, n. 2, vol. 2, 2009, p. 81-107. Disponível em: ile:///C:/educa%C3%A7%- C3%A3o%20racismo%20e%20antirracismo/nina%20rodrigues, acesso em 11 de novembro de 2014.
SINHORETTO, Jacqueline (coord.). Desigualdade Racial e Segurança Pública em São Paulo: Letalidade policial e prisões em lagrante. UFSCAR, 2 de abril de 2014, disponível em: http:// www.ufscar.br/gevac/wp-content/uploads/Sum%C3%A1rio-Executivo_FINAL_01.04.2014. pdf, acesso em 11 de maio de 2015.
Unidade 3 – Racismo no Brasil
Objetivos: Reletir sobre as manifestações do racismo no Brasil e as formas de combatê-lo.
Olá cursist@s!
Caro(a) cursista, agora que você já sabe um pouco sobre o signiicado histórico do racismo no mundo moderno, é chegada a hora de pensarmos nas manifestações do racismo no Brasil. Alguns autores chegam, inclusive, a apontar uma certa singularidade do nosso racismo, às vezes chamado de “racismo à brasileira” ou “racismo cordial”. Você se considera uma pessoa racista? Conhece alguma pessoa racista? Já presenciou alguma atitude racista na escola, tra- balho, momentos de lazer, lugares de consumo ou outro ambiente social? Se considera por convicção um(a) antirracista que combate toda e qualquer atitude racista de seus colegas, amigos, professores ou pais?