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Os Vedores da Fazenda remontam pelo menos à segunda dinastia e eram os altos funcionários da Casa Real responsáveis pela gestão do património da Casa e da Fazenda da Casa Real405. No entanto, ao tempo de D. Carlos, o Vedor apenas desempenhou funções nas cerimónias da corte.

Ao longo da Monarquia Constitucional, encabeçou o cortejo da abertura real das Cortes juntamente com o Mestre-Sala e o Porteiro-mor, empunhando os bastões que constituíam as suas insígnias, sendo por isso designados como Oficiais da Cana406.

399 Programa para o cerimonial da inauguração do Reinado de Sua Majestade o Senhor D. Luís I, 12 de

Dezembro de 1861, Colecção oficial da Legislação Portugueza (…), Anno de 1861, p. 463.

400 Programa para o cerimonial da inauguração do Reinado de Sua Majestade o Senhor D. Pedro V, 7 de

Setembro de 1855, Colleção oficial da Legislação Portugueza, (…) ano de 1855, pp. 312-314.

401 Ofício do Ministério do Reino ao Porteiro-mor, relativamente à festividade do dia de Reis, 1891 e

1894, IANTT, Ministério do Reino, Livro 899, fol. 259 e 263.

402 Ofício do Ministério do Reino ao Porteiro-mor, relativamente à festividade do coração de Jesus, 1890-

1893, IANTT, Ministério do Reino, Livro 899, fol. 257v. a 263v.

403 Ofício do Ministério do Reino ao Porteiro-mor, relativamente à festividade de Nossa Senhora da

Conceição, 1890-1894, IANTT, Ministério do Reino, Livro 899, fol. 258v a 264v.

404 Ofício do Ministério do Reino ao Porteiro-mor, relativamente à Função da entrega da Rosa de Ouro, 4

de Julho de 1892, IANTT, Ministério do Reino, Livro 899, fol. 261

405 Vide Glossário, Anexos.

406 Programa para a sessão Real da Aberturas das Cortes Gerais e extraordinárias da Nação Portuguesa, de

Esteve presente também nas sucessivas cerimónias de aclamação de D. Pedro V407, D. Luís408 e D. Carlos409, acompanhando também o cortejo e ocupando um dos degraus do trono, embora não tenha figurado na aclamação de D. João VI. Relativamente aos casamentos e funerais, a sua presença não é evidenciada.

1.13. Aio

A existência deste ofício esteve circunscrita a um período muito reduzido, entre 1898 e 1902. Ao Aio competia a “grande missão de preparar um Rei para a conservação de Portugal”410, de o tornar “um Homem para o Futuro”411. Cabia-lhe a orientação dos estudos do Príncipes Real, nomeadamente a escolha dos professores e demais funcionários412 e a vigilância das lições ministradas413 ou mesmo a direcção de outras414. Tinha como vencimento a quantia de 200$000 mensais, que se igualava ao do Mordomo-mor, sendo um dos poucos ofícios-mores remunerados. De todos os ofícios- mores que não eram Grandes Cargos, as suas funções eram as únicas que não se cingiam às cerimónias da corte, mas antes constituíam um serviço efectivo e quotidiano, que implicava uma proximidade de facto à Família Real.

Finalmente, não nos debruçaremos sobre os restantes ofícios-mores, por duas razões essenciais. Apesar de serem mencionados nos anuários, uns encontravam-se vagos e sem indicação de titular que o desempenhasse (Monteiro-mor, Trinchante-mor, Esmoler-mor e Camareiro-mor) e outros completamente esvaziados de funções, pois embora surjam mencionados na documentação relativa a cerimónias da corte, não

oitava série, p. 456; Programa da Sessão Real da abertura das Cortes, 24 de Dezembro de 1898; Programa da Sessão Real da abertura das Cortes, 24 de Dezembro de 1900; Programa da Sessão Real da abertura das Cortes, 26 de Maio de 1906, ASSL, Mordomia, maço 33, nº 7, 10 e 13.

407 Programa para o cerimonial da inauguração do Reinado de Sua Majestade o Senhor D. Pedro V, 7 de

Setembro de 1855, Colleção oficial da Legislação Portugueza, (…) ano de 1855, p. 311-312.

408 Programa para o cerimonial da inauguração do Reinado de Sua Majestade o Senhor D. Luís I, 12 de

Dezembro de 1861, Colecção oficial da Legislação Portugueza (…), Anno de 1861, p. 463.

409 Programa da Cerimónia da Aclamação de D. Carlos, O Século, 18 de Dezembro de 1889, pp. 1 e 2. 410 Carta de D. Isabel Saldanha da Gama para sua irmã Teresa Saldanha da Gama, Cascais, 10 de

Novembro de 1898, AP, carta 343.

411 Carta de D. Isabel Saldanha da Gama para a sua sobrinha Luísa, s.l., 22 de Novembro de 1898, AP,

carta 344.

412 Carta de D. Isabel Saldanha da Gama para sua irmã Teresa Saldanha da Gama, Lisboa, 28 de

Dezembro de 1898, AP, carta 346.

413 Carta de D. Isabel Saldanha da Gama para sua irmã Teresa Saldanha da Gama, Lisboa, 26 de Abril de

1899, AP, carta 356.

414 Carta de D. Isabel Saldanha da Gama para sua irmã Teresa Saldanha da Gama, Vila Viçosa, 19 de

desempenham qualquer papel específico (Aposentador-mor, Armeiro e Armador-mores; Copeiro-mor, Couteiro-mor, Almotacé-mor, Correio-mor)415.

Convém, no entanto, fazer algumas ressalvas antes de prosseguirmos. O ofício de Almotacé-mor foi extinto por decreto de 3 de Dezembro de 1832416, tendo subsistido após essa data como honorífico417, tal como acontecera com o de Correio-mor, extinto ainda durante o Antigo Regime, por decreto de 18 de Janeiro de 1797 e pelo alvará de 15 de Março do mesmo ano418.

Por outro lado, grande parte destes cargos possuía funções exclusivas a nível do cerimonial, pelo menos desde finais do século XVIII, a saber: o Esmoler-mor, o Monteiro-mor, o Camareiro-mor, o Copeiro-mor e o Trinchante-mor419. Apenas dois ofícios desempenhavam funções para lá das rituais, durante o Antigo Regime. Durante o reinado de D. Pedro II, o Aposentador-mor era ainda responsável pelo alojamento do Rei fora do Palácio420 e durante o de D. Maria I, o Couteiro-mor estava encarregado da limpeza e zelo dos pinhais das propriedades régias421.

Passemos então à análise dos restantes ofícios superiores da Monarquia e que estavam em contacto directo e quotidiano com a Família Real e que correspondiam aos serviços relacionados com a Real Câmara, a Casa da Rainha e o Quarto dos Infantes.