2.2 K OMPLEKSITETEN I LEDELSE
2.2.3 Posisjonsmakt og lederlegitimitet gjennom styring og autoritet
relacionamentos conjugais/amorosos contemporâneos.
Não estão apresentados todos os relatos porque alguns são extremamente semelhantes, mas sua integralidade encontra-se no “Anexo 1” no final deste estudo. A pergunta a qual se refere o relato é apontada de modo a facilitar a compreensão do contexto.
1- COMPONENTES NECESSÁRIOS PARA UM
RELACIONAMENTO CONJUGAL/AMOROSO
SATISFATÓRIO.
Os componentes citados nos relatos obtidos remetem a lista desenvolvida por Kaslow & Hammerschmidt (1992), utilizada nos trabalhos de
pesquisas realizadas por Sharlin, Kaslow e Hammerschmidt (2000) e Norgren (2002), indicando como os respondentes consideram que uma relação satisfatória é complexa e multideterminada. A tabela 1, a seguir, exibe a frequência simples dos componentes associados à satisfação conjugal, verificados na soma de todos os nossos 28 relatos, utilizando-se no máximo cinco componentes por relato.
Componentes Frequência Respeito mútuo 12 Amor 11 Cumplicidade 10 Satisfação sexual 5 Compreensão e paciência 5 Consenso 5 Expressão de afeto 5
Disposição para compromisso e adaptação 5
Relacionamento igualitário 4
Evitar repetição e tédio 4
Comunicação 4
Segurança econômica 3
Valores e interesses compartilhados 3
Encorajamento mútuo 3
Permitir o desenvolvimento individual um do outro 3
Coesão 3
Confiança 2
Bom-humor 2
Empatia 2
Respeitar a independência um do outro 2
Divisão de tarefas 2
Fidelidade 2
Complementaridade 1
Maturidade 1
Atmosfera feliz 1
Sensibilidade e consideração pelas necessidades do outro 1
Honestidade 1
Tabela 1: Componentes de satisfação conjugal, encontrados nos 28 relatos, classificados em ordem decrescente.
Destacamos que da mesma forma que Norgren (2002) e Andrade e Dela Coleta (2003), encontramos entre os componentes mais citados o amor e o respeito mútuo, porém, enquanto em suas respostas, a confiança e a compreensão foram os mais ressaltados, entre nossas respondentes, a cumplicidade ocupou este lugar.
Os depoimentos a seguir expressam uma amostra dos textos nos quais apenas são indicados componentes de um relacionamento satisfatório. Entre os componentes citados emergem aspectos que se referem a sentimentos, variáveis pessoais e relacionais.
(O que mantêm uma relação a dois, satisfatória?) Confiança, bom humor, criatividade, iniciativa, capacidade para se colocar no lugar do outro, flexibilidade, coragem e espírito de equipe. E muito AMOR, pois ele é a base de tudo. (Maitê).
“São muitos os fatores. Maturidade é essencial aos amantes. Depois vem respeito mutuo, equilíbrio emocional de ambas as partes, tesão (manter sempre a chama acesa), sentimento verdadeiro (existem muitos relacionamentos que são mantidos por medo de ficar só, acomodação, etc.), independência financeira e emocional (Estar com o outro, não por uma
necessidade, mais sim porque quer estar), Admiração ( O brilho no olho, quando um fala ou relata algo referente ao outro)” (Lara).
Mesmo quando se descrevem relacionamentos que se romperam ou podem ser considerados insatisfatórios, podemos identificar componentes que, na ausência, contribuem para o rompimento e, se estivessem presentes, sustentariam um relacionamento com qualidade. Resultado também encontrado na pesquisa realizada por Machado (2007), na qual a falta de diálogo foi uma das queixas encontradas, denunciando a dificuldade em administrar o conteúdo a ser comunicado e a forma de fazê-lo. Esta autora concluiu que não basta apenas agir de modo positivo (com níveis de satisfação altos), é preciso também evitar que os comportamentos negativos (descritores de insatisfação) sejam altos, prejudicando a relação.
(o que faltou?)...mas a falta de diálogo acho que é a pior parte.
Sinto que faltou ele me colocar na vida dele como algo importante assim como seus amigos, trabalho e militância. (Lia).
Faltou eu estar totalmente envolvida na relação. Faltou o olhar dele sobre mim. Faltou amor e desejo. Faltou a lembrança fiel de momentos maravilhosos passados juntos e não só a
lembrança dos piores...Faltou AMOR. Esta é a palavra que abre todas as portas! Faltou eu, ele e o amor...A relação então
pereceu! (Fernanda).
Faltou confiança, respeito e amor próprio, separar doí pra caramba, você pensa que vai morrer, mas não morre não, ninguém nunca morreu de amor e o que cura o sofrimento??? Um novo amor aí já viu começa tudo de novo!!! (Nina).
Embora o amor seja fundamental (base de tudo) e Norgren (2002) o
cita existindo tanto nos casais satisfeitos como nos insatisfeitos, em nossos depoimentos o amor não é visto como suficiente para sustentar uma relação conjugal/amorosa satisfatória.
... não precisa estar preso a um ideal de relação e sim enquanto o amor durar. Por outro lado, não inovar, como a amiga antes de mim falou bem e simplesmente fazer a fila andar, pode ser um sinal de pouca capacidade de vínculo, de entrega. Há sim é que se presentificar na relação. Talvez a única coisa que
garanta algum resultado em termos de satisfação, seja de longa ou curta duração. (Riks).
Estou casada faz bastante tempo (33 anos), gosto de me manter casada, gosto de rotina, acordar junto, dormir junto, passar sábados domingos, feriados, férias juntos, dividir problemas,
buscar alternativas, enfim os problemas do dia a dia, o romantismo não pinta sempre, não vivemos mais o amor de Romeu e Julieta, mas ficaram muitas coisas boas, cumplicidade, carinho, respeito. (Júlia.).
Nos nossos relatos, a cumplicidade é o terceiro componente de maior frequência, ela aparece explícita em 10 relatos, descrita como proteção, apoio mútuo no enfrentamento de crises, mas provavelmente também do cotidiano, e como o aspecto central da construção conjugal, do trabalho a dois, resultado do processo dinâmico da interação do casal.
Estou casado há dez anos e estamos juntos faz mais de vinte anos. Então acho que posso lhe dizer algo sobre o assunto. Mulher ideal não existe, assim como não existe homem ideal. Casamento é muito mais do que amor e fidelidade. É
cumplicidade, é ser complementar, não espelho e muito respeito e compreensão. Cuidado cara! Para não colocar muita
expectativa num par ideal. Isto fatalmente o decepcionará. (Otávio).
(O que mantém uma relação a dois, satisfatória?) Eu vejo um casal (numa relação) como duas pessoas, abraçadas, em pé sobre um poste muito alto num dia de ventania: se não houver cumplicidade ambos se machucam. E o amor? Existe? SIM! Claro que existe! É quando a gente acorda de manhã e acha aquele cabelo desarrumado e o rosto cheio de marcas da fronha do travesseiro uma visão maravilhosa. (Kadu).
Embora a falta de alguns componentes possam ter dado parâmetros para compreendermos quais são os mais necessários para um relacionamento satisfatório, outros se referem às faltas que ressaltam a dificuldade de reflexão sobre a responsabilidade individual na qualidade da relação. O outro é culpabilizado pela falta, mesmo quando se fala de algo que é relacional, como o diálogo.
(O que faltou?) Dialogo!!!!ele era uma pessoa muito racional, somente a opinião dele é que importava e o resto que se dane!!!!Aqueles que acham que o mundo tem que se adaptar a ele!!!!! (Karen).
acho que diálogo, cumplicidade e principalmente fidelidade da parte dele....(Isadora)
Decepções ao longo do tempo. Birras e infantilidades,
inflexibilidade, dois pesos duas medidas, hostilidade quanto a minha família, não saber jogar limpo, chiliquinhos.
verdade aquele ser humano com quem você esta se
relacionando. E a cada "pequeno" fato deste, você começa a se questionar: é com essa pessoa mesmo que eu quero continuar me relacionando? Até que chega o ponto no qual você bota na balança: Devo continuar por quê? ... e devo separar porque? ....Quando a balança pesa mais para a direita aí você sabe que o melhor é separar. Parece simples, mas é complicadíssimo! (João)
Mas outros se referem à sua parte na dança relacional, responsabilizando-se pela falta de comprometimento. Aparece o reconhecimento de que a construção da conjugalidade falhou na adaptação às mudanças do cotidiano,
(o que faltou?) Faltou em mim percepção em reconhecer que ela não era obrigada a me dar a felicidade, nem eu a ela, a nossa felicidade deveria ser somada e dividida entre nós dois (agora três), faltou EU ver os MEUS defeitos. Aqui só vi relatos do que o outro fez ou deixou de fazer, claro que minha esposa fez muita coisa, que pra mim era abominável, mas e para ela? era? não? Bom ela nem esta aqui para se defender, então vou só expor minha opinião! Amor, compreensão, cumplicidade,
dedicação, carinho e respeito... isto tudo dei o que tinha, e, recebi o que ela pode me dar, se não foi o suficiente aí já depende das expectativas criadas, da espera do tal retorno emocional, da compensação que algumas pessoas acham que deva existir, das palavras ditas em horas inadequadas, das fantasias, dos problemas financeiros (já que quando a miséria bate na porta o amor saí pela janela), da falta de diálogo e tale coisa e coisa e tale.(Alberto).
Compreendemos com a construção desta categoria, que a concepção de satisfação conjugal passa pelas exigências relativas ao respeito mútuo e amor, no entanto, não são percebidas como suficientes para a sustentação e manutenção da satisfação na relação. Entendemos que a cumplicidade se destaca nos nossos relatos como um fator estruturante para o desenvolvimento da intimidade. Sob a ótica de Giddens (1993) a intimidade funciona como mecanismo de sustentação do laço intercomunicativo e afetivo dos parceiros, frente às vicissitudes no decorrer da conjugalidade. Percebemos, assim, que ela se consolida em um fator estruturante da relação, da mesma forma, ela foi destacada nos trabalhos pesquisados nestes últimos oito anos (NORGREN, 2002; NORGREN ET AL, 2004; VILLA, 2005; PERLIN E DINIZ, 2005; PERLIN, 2006; MACHADO, 2007).
Em síntese, além do caráter multidimensional e de fatores determinantes para a qualidade da relação (o contexto de inserção do casal, os recursos pessoais, habilidades sociais e os processos adaptativos), o desenvolvimento da intimidade parece emergir como necessário para sustentar e manter a satisfação conjugal.
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