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M ETODOLOGISKE OVERVEIELSER - E TIKK , RELIABILITET OG VALIDITET

Enquanto alguns relatos descrevem componentes necessários de satisfação conjugal, outros indicam os dinamismos subjacentes. Em alguns relatos emerge a diferença entre os relacionamentos atuais e os do passado e das respectivas posições do homem e da mulher na conjugalidade atual.

De acordo com resultados encontrados por Diniz (2005) e Jablonsky (1994), a família moderna está dando lugar à família pluralista que tem como principal característica a aceitação e a convivência com diferentes arranjos conjugais, não tradicionais, mais flexíveis e igualitários e consequentemente menos permanentes.

...Acredito que o casamento falido é o do modelo antigo: homem hétero, porco chauvinista, provedor, proprietário, infiel e mulher Amélia. Mas existem N variações desse tipo. O de morar em casas separadas, o relacionamento aberto, da divisão de tarefas e contas da casa. Doentio é viver ilusões, projeções do nosso inconsciente achando que tal pessoa te completa, e etc. Mas se relacionar é saudável. Seja de que forma for. (Isadora). Quando eu me casei... e isso faz muiiiiiiiiiiitos anos, casamento era a única alternativa que tínhamos, para construir uma família, ficar ao lado do homem que amávamos, ou a gente achava que amava... e sair de casa...um bando de meninas ingênuas, que na sua maioria casava com o primeiro namorado, achava que tudo era pecado inclusive o sexo. Passamos por casamentos longos, sofridos na sua maioria. Hoje, essas

mesmas mulheres que amadureceram por dentro e por fora, têm outra visão de relacionamento. E estão influenciando suas filhas e seus filhos, com exemplos, conselhos, etc. (Lúcia).

Se eu sinto falta do romantismo dos vinte anos? É lógico que sim (todas as mulheres, o sentem) vamos ser eternamente aquelas adolescentes românticas sonhando com o príncipe

encantado, nós mulheres temos que ter consciência de que deixamos um fardo muito pesado para eles, deve ser muito frustrante não conseguir realizar todos os nossos anseios, desejos, e sonhos, enfim somos muito exigentes não é mesmo???? (Júlia).

Privilegia-se uma relação de equidade de gênero,

Casamento não é só um ser burro de carga e o outro domestica, alias isso é passado, as coisas são compartilhadas, um lava os pratos o outro as roupas um faz a comida o outro varre a sala etc, essa historia de que a mulher tem que cuidar da casa e o homem trabalhar fora é antiga e sem graça. (Antonio).

Mas também se assinala a veleidade de alguns relacionamentos, ressaltando a demanda do compromisso com a relação ou sua inexistência. De acordo com a lógica do consumo, segundo Bauman (2001) e Castells (2000), e nossos participantes o apontam, os relacionamentos interpessoais se tornam cada vez mais efêmeros e descartáveis.

Para mim o casamento é um projeto de vida a dois, ou mais, quando se pretende ter filhos. E é de longo prazo. Pois exige mesmo entrega, sintonia, afinidade e muito amor. Não dá para querer desistir ao menor conflito, nas pequenas diferenças de opinião, só porque está mais fácil de conhecer outras pessoas. A fila anda, rapidamente, mas também faz com que não mais dispensemos o tempo necessário para conhecer e conviver com uma pessoa que nos interessa. E isto acaba precipitando relações que talvez não fossem dar em nada. (Luiza).

Não há formulas ou receitas prontas em relacionamento, por mais que elas vendam livros e revistas. O que conta mesmo é a vontade de acertar. Sem ela, nada acontece. Mas as pessoas vivem com medo de apostar, querem certificado de garantia, como se relação fosse produto de consumo. (Carol).

Privilegiam-se o relacionamento puro, o projeto comum, a equidade de gênero e as responsabilidades compartilhadas que, segundo Giddens (1993), são as bases para o desenvolvimento da intimidade e da satisfação amorosa.

Minha concepção de um relacionamento conjugal (e é assim que vivemos o nosso) é de uma união de iguais, em que cada um seja uma pessoa completa e independente, sem que nenhum dos dois dependa do outro em nenhum aspecto, sendo livres e autônomos, mas que, por opção e desejo, resolveu compartilhar suas vidas, para proveito mútuo, amparo, carinho, amizade, companheirismo, empreendimentos comuns, alegria recíproca, amor, sexo, enfim, para a felicidade mútua.

Em nossa relação não existe a mínima noção de propriedade ou suserania e vassalagem. Cada um é livre e desimpedido, mas preservamos o amor, a fidelidade, a admiração e o respeito mútuos, não por obrigação, por gosto. (Amadeus).

Exige-se a valorização das diferenças e respeito à própria individualidade (história de vida, valores) e a do outro. Andrade e Dela Coleta (2003) confirmaram a hipótese da internalidade relacionada à satisfação. Caillé (1994) aborda com muita clareza situações como as relatadas a seguir em seu livro “Um e outro são três – o casal se autorrevela”, no qual os cônjuges são criadores e criaturas na relação. Féres-Carneiro (1998) diz que o casal contemporâneo é confrontado o tempo todo por duas forças paradoxais: os ideais individualistas estimulando a autonomia dos cônjuges e a necessidade de vivenciar a conjugalidade, a realidade comum do casal, os desejos e projetos conjugais.

Hoje em dia está complicado, mas fiz o tópico porque os parâmetros de vivencia estão diferentes, os valores tb. Nas palavras ficam bem, mas no convívio ou em um novo relacionamento não sei. São duas pessoas diferentes com histórias diferentes, mas o básico é não sufocar, esta linha é meu lema..rs. E o amor a base..e vamos tocando pra frente... (Helena).

Sou ateu e minha mulher é católica. Isto não impede que nos amemos profundamente e, até não sendo mais jovens, sejamos, mesmo, apaixonados um pelo outro. Cada um respeita a concepção do outro e não procura impingir a sua, nem tampouco exigir que o outro mude, apesar de procurar argumentar a favor de sua posição de um modo respeitoso e amoroso, pensando no bem e na felicidade do outro. (Amadeus). A idealização é para mim um dos maiores venenos, juntamente

com a intolerância são os venenos de uma relação...Somos criados a sonhar com o "viveram felizes para sempre" nós mulheres ainda mais...perseguimos inconscientemente o estereótipo do príncipe / princesa encantado e ao nos

depararmos numa relação, percebemos que a vida a dois não é um mar de rosas e para ser, depende do esforço de ambos, que o príncipe/princesa não é tão perfeito como imaginamos, possuem defeitos, tem opiniões divergentes das nossas, gostos e necessidades que não as nossas e ai...o que fazer? Precisamos entender que a relação tem que ser construída dia-a-dia com tolerância, compreensão, respeito pela individualidade de cada um e claro , amor..entender que o outro não é uma

personificação dos nossos sonhos, mas um ser humano. (Mariana).

Respeitar a maneira de cada pessoa ser, é o caminho, creio eu. Respeitar e deixar cada indivíduo pensar como um indivíduo no singular para que ele não perca a personalidade e consiga um resultado no plural. Individualidade e respeito. (Carla).

O respeito às individualidades exige a capacidade de reflexão indicando, novamente, como Giddens (1993), que o indivíduo contemporâneo tem como consequência a demanda de regular o próprio comportamento e enfrentar a solidão da falta de parâmetros externos, inclusive para detalhar a sua própria felicidade.

É preciso prestar atenção nos sinais que o parceiro envia, nas

palavras. A gente tem que descontrair-se da gente. E ter a cabeça aberta o suficiente para saber que mudar de opinião ou fazer concessão não significa comprometer a individualidade, mas uma atitude corajosa de quem não se acha o centro do mundo. (Carol).

O respeito à individualidade implica em investimento na conjugalidade. Desta feita, o casal contemporâneo convive com o paradoxo da convivência dos ideais individualistas, que estimulam a autonomia e a satisfação de cada um, com a necessidade de vivenciar a conjugalidade (COSTA, 1999 e FÉRES- CARNEIRO, 1998).

Não existe nada ideal no mundo amigo. Se esperar isso, vai se dar muito mal. Casamento depende de muito amor, de ceder muito, de não ceder no que te anula como pessoa, é ser

cúmplice, torcedor, ter paciência, enfim... amar é muito difícil. O amor não basta para um casamento dar certo - sou a prova viva disto. Compromisso - consigo mesmo, com ela e com o casamento de vocês.. isso sim - vai te ajudar a superar obstáculos. E mesmo que os supere.. talvez ela não consiga o mesmo. Enfim amigo.. só o tempo vai te dizer. Faça o melhor que puder e não desista nos primeiros momentos... Pense que você e ela são seres humanos, com desejos e histórias de vida diferentes... e boa sorte!! (Ana).

A comunicação, o diálogo é o que permite a negociação das diferenças. Nos relatos a seguir, nos parece que o respeito mútuo é o princípio direcionador para a abertura do canal de comunicação. Na visão de Giddens (1993), sem respeito, os ouvidos ficam surdos e as atitudes ficam amarguradas.

As pessoas se unem, se casam, mas não é dois em um. É 1 + 1 = 2.

Quero dizer que a individualidade de cada um deve ser respeitada.

Cada um na sua. Eu não posso pensar, agir, etc e tal, com a cabeça do outro.

Tentar conversar com ele. O diálogo é um caminho interessante. Nunca o ofenda, nem a família dele, nem a religião dele.

(Fátima).

Assim, considero que, se um de dois cônjuges intenta qualquer coação ao outro, de qualquer ordem, esta relação está

deteriorada e, se não houver uma conversa franca para que tudo seja restabelecido em bases simétricas, é preferível que seja desfeita, porque nenhuma razão justifica levar uma vida infeliz em um relacionamento insatisfatório. (Amadeus).

A relação é dinâmica e os parceiros devem mudar ao longo do tempo, acompanhando-se (ou não) na mudança. Segundo estudo feito por Norgren, Souza, Kaslow e outros (2004) e Figueiredo (2005), a satisfação e a felicidade nas relações conjugais referem-se a um contínuo aprendizado e compromisso que se perpetua pela vida do casal. Como bem ilustra Andolfi (2002), a manutenção e a percepção da satisfação conjugal mudam ao longo do tempo de acordo com a demanda social e familiar e nos acordos conjugais.

... Fico triste quando vejo nos casais todas essas virtudes num inicio do relacionamento e com 2, 3 anos vejo esse mesmo casal não terem mais essa sintonia, não vibrarem mais na mesma freqüência. Aí me pergunto; Onde eles falharam? No convívio? Na administração dos problemas? (Lara).

Havia amor. Havia companheirismo. Havia confiança. Éramos como unha e carne, feitos um para o outro, mas o tempo transforma as pessoas, e nos quase 12 anos que passamos juntos houve uma diferença muito grande em evolução pessoal: enquanto eu sempre trabalhando, estudando, me atualizando, cuidando de minha saúde e me cercando de responsabilidades cada vez maiores, ela, apesar de ter tido as mesmas

oportunidades, nunca as aproveitou, tornando-se dentro de 10 anos uma pessoa desleixada, hipocondríaca, morbidamente obesa, depressiva e arrogante, que não cumpria ao menos uma parte de suas obrigações no lar (o qual já não merecia mais esse nome), não tinha apetite sexual e criava caso pelos

menores motivos, nossas discussões tornando-se cada vez mais freqüente e amarga. Nossa relação decaiu de marido/esposa para algo semelhante a irmãos e depois para algo como pai e filha. Logicamente, com toda essa série de "estímulos" fui perdendo gradualmente o interesse pela relação, preferindo

fazer hora no trabalho ou com amigos para poder ter um pouco de paz ao invés de voltar pra casa, e ignorando-a ao menor sinal de discussão, para evitar maiores estresses. Por amá-la de verdade, eu demorei a perceber que as coisas não mudariam, mas finalmente dei um basta em tudo. (José).

Vamos ser honestos: ninguém aguenta a mesma mulher ou marido por trinta anos com a mesma roupa, o mesmo batom, com os mesmos amigos, com as mesmas piadas. Se você se divorciasse, certamente trocaria tudo, que é justamente um dos prazeres da separação. (...) Isso obviamente custa caro e muitas uniões se esfacelam porque o casal se recusa a pagar esses pequenos custos necessários para renovar um casamento. Mas, se você se separar, sua nova esposa vai querer novos filhos, novos móveis, novas roupas, e você ainda terá a pensão dos filhos do casamento anterior. Não existe essa tal "estabilidade do casamento", nem ela deveria ser almejada. O mundo muda, e você também. A melhor estratégia para salvar um casamento não é manter uma "relação estável", mas saber mudar junto. Todo cônjuge precisa evoluir, estudar, aprimorar-se. Você faz isso constantemente no trabalho, por que não fazer na própria família? Portanto, descubra o novo homem ou a nova mulher que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando descobrir um novo e interessante par. (...) É necessário casar-se de novo, mas tente fazê-lo sempre com o mesmo par. (Catarina).

O fato é que as mudanças ocorridas impactaram o dia a dia das pessoas, exigindo constantes revisões de modelos e de significados para estas relações. A premissa básica atual se resume em “juntos, mas não misturados”. As relações conjugais/amorosas contemporâneas são como bem ilustra Giddens (1993): um contrato móvel, aberto a negociações.

No decorrer destes últimos anos a literatura científica começou a demonstrar um maior interesse pelo tema satisfação conjugal (trabalhos relatados neste estudo), assim como a mídia de forma geral. Destacamos uma revista nacional e uma espanhola. A revista Veja (edição 2179, ano 43, n.º 34, de 25 de agosto de 2010), cujo tema da capa é: “Casar faz bem – O casamento hoje dá mais trabalho, mas trás mais satisfação”. A reportagem se refere ao casamento como a instituição mais antiga da história da sociedade e também a que mais se transformou nas últimas décadas. Encarada com clareza ela pode ser uma imensa fonte de satisfação e felicidade. A revista de psicologia Mente

Tres diz “a decir verdade, no existen parejas inadecuadas sino aprendizajes por hacer”, pensamos que nossos participantes bem sabem disso.