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Pour une poétique labéenne : quelques caractéristiques des Euvres

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3 L’amour au féminin : pour une poétique labéenne

3.2 Pour une poétique labéenne : quelques caractéristiques des Euvres

pesquisa e professores qualificados, contribui no acesso ao capital cultural e linguístico. Na aculturação de capital no meio universitário, agregam-se valores, principalmente quando o curso frequentado pelo aluno é da área da saúde, engenharia e tecnologia. Nas classes sub- representadas pelas famílias menos favorecidas, a entrada e permanência do filho na universidade representa uma mais valia e uma porta de melhores condições de um futuro, seja no contributo para a família ou para o estudante, que de alguma forma pode desligar-se da família de origem, buscando, de modo particular, uma vida isolada de sua origem. Por que via o aluno acedeu, na sua entrada na Universidade, foi uma das perguntas de partida que utilizamos para entender o processo dos capitais adquiridos pelos estudantes em nossa pesquisa. Entender o tipo de avaliação a que se submeteu como: vestibular tradicional ou ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio), porque ocorre que, em algumas Universidades pelo País, o vestibular tradicional é visto como um bicho de sete cabeças, difícil, especulativo, tradicional, meritocrático, etc. Há quem afirme haver dúvidas sobre o processo de avaliação e escolha dos candidatos, mas nas pesquisas apresentadas sobre o perfil do aluno dos vestibulares tradicionais, em sua maioria são advindos de escolas particulares de boa reputação (escolas confessionais, grandes grupos empresariais na área da educação e outros), assim uma das formas que utilizamos para conhecer os tipos de capitais apresentado por cada estudante, foi através destes modelos de perguntas inquiridas. Desta forma foi possível testar as hipóteses dos capitais aculturado, adquirido e herdado. Quando a resposta aparece através do ENEM podemos concluir que, em sua maioria, são alunos advindos de escolas públicas de pouca reputação. Claro que, entre elas, há as que melhor desempenho tem diante dos Rankings educacionais, partindo do pressuposto sobre o ensino e educação gratuita, estas são as que melhor oferecem e as que melhor dispõem a sociedade e ao aluno um ensino adequado.

172 Na prática, a observação e a leitura dos capitais na vida de cada aluno estudante, passa pelo inquérito respondido por todos os participantes. Em suma, o que analisamos passo a passo nas respostas dos inquiridos na aquisição ou na transposição de capitais através das redes de relações ou capitais herdados pelas famílias ou núcleo familiar são os processos de causalidades que estes indivíduos obtiveram no momento de aquisição ou não dos capitais. Importante ressaltarmos que o inquérito aplicado, procura identificar em cada questão o grau de capital de cada individuo participante, como exemplo: o tipo de escola em que o aluno finalizou ou concluiu o ensino médio, é tão importante como primordial. É proposital sabermos qual é o tipo de escola que o estudante frequentou para concluir o ensino médio, principalmente se a conclusão deu-se em escolas públicas de bairros ou privadas nos grandes centros. Caso este aluno apresente um certificado de conclusão de ensino médio de escola de bairro periférico, este aluno apresentará no decorrer do seu percurso estudantil universitário um déficit social em sua aprendizagem, terá que desempenhar os estudos por mais tempo, aprender as deficiências atribuídas no ensino médio e atualizar os estudos atuais em sua formação de carreira.

Em nossa tese a relação de causalidade passa por assimetrias e simetrias entre indivíduos de diferentes classes, idades, sexo e posições sociais, onde a observação do sucesso (acesso ao ensino superior) também é um meio de análise e entendimento. Qual o estímulo encontrado na influência da escolha do curso e da profissão? Através do status (capital social, cultural e econômico), sexo (capital simbólico) e situação financeira (capital econômico) o acesso ao ensino superior torna-se mais fácil a entrada em uma universidade?

As políticas sociais de inclusão e acesso ao ensino superior proporcionaram mudanças familiares na vida de cada individuo em diferentes contextos, seja no acesso a leitura e conhecimento variado, na procura de trabalho especializado, nos valores éticos, sociais e políticos da sociedade e na participação ativa da vida universitária dentro e fora dela. Tendo as questões de partida explicitamente esclarecidas na metodologia permitiu prosseguir com a recolha de informações dos capitais adquiridos pelos estudantes durante e depois do acesso ao ensino superior pelas políticas publicas e sociais.

Para localizar os capitais entre as questões do questionário, criamos o que chamamos de Medidas do habitus, localizamos as questões em uma tabela, identificamos e relacionamos o valor de capital observado em cada questão. Desta forma, fica mais claro o que cada questão sugere como valor de um capital, ver tabela 5.3 (Medidas DO HABITUS).37 Introduzimos o termo medidas do habitus para caracterizarmos, conforme as questões de nosso questionário, os

habitus cultivados e os habitus adquiridos, ou melhor, a relação que o individuo ou grupo de

37 As “medidas do habitus”, neste trabalho, designam mapeamentos sincrónicos de manifestações das culturas encontradas no individuo ou grupo de individuos, neste caso a família/campo de origem e o campo de acolhimento, ou seja, antes e depois do acesso ao ensino superior.

173 indivíduos tem com sua cultura (sendo ela a cultural local ou a cultura adquirida pela família). O

habitus cultivado pelo individuo ou grupo é carregado como herança familiar, pode ser

cultivado dentro e fora do meio familiar e envolve trocas de ganhos e proveitos nas relações inter e extrassocial e econômica. Neste caso, os capitais abordados por Bourdieu são: o Capital Social, o Capital Simbólico, o Capital Econômico, o Capital Cultural e o Capital Linguístico. O que aqui chamamos “as medidas” do habitus, é a identificação e mapeamento sincrônico (em

cross section, na terminologia anglo-saxônica) dos capitais herdados pelas classes e frações de

classe, uma maneira encontrada de entender as transmissões culturais: “os investimentos aplicados na carreira escolar dos filhos viriam integrar-se no sistema das estratégias de reprodução, estratégias mais ou menos compatíveis e mais ou menos rentáveis conforme o tipo de capital a transmitir, e pelas quais cada geração esforça-se por transmitir à seguinte os privilégios que detém... vale dizer, os melhores estabelecimentos e as melhores seções”. São privilégios estabelecidos e rentáveis para estas famílias, aliás, comuns na sociedade brasileira que porfia por estabelecer um modelo de sistema neoliberal, na sequência do protecionismo e concentração de propriedade fundiária e financeira tradicional.

Um dos objetivos dos questionários a ministrar é recolher dados para uma análise exploratória da situação que precede e que decorre do percurso do aluno (estudante universitário) e do seu grupo familiar antes e depois da entrada na universidade através do programa político social o Prouni. Visa também analisar e comparar estes percursos com os de outros alunos da rede pública, relativamente ao acesso e à herança familiar do habitus. Os

habitus podem sobreviver durante várias gerações. Com ajuda da tecnologia, livros impressos,

jornais, revistas, cinema e teatro, entre outros meios (recentemente os softwares de comunicação, por exemplo, grupos fechados em facebook, twiter, instagram e linkedin), os

habitus são produzidos, contados, escritos e divulgados e as famílias “herdeiras” cultivam com

saudosas lembranças os movimentos dos habitus antecedentes. Desta forma, os filhos destas famílias herdeiras do habitus antecedente, fortalecem seus laços através dos capitais herdados. Algo similar se passa, hoje em dia, com a pequena burguesia e classes ascendentes, de forma mais ampliada do que era possível tradicionalmente, beneficiando também da generalização do acesso e uso de ferramentas informáticas e de comunicação a baixo custo. Estes igualmente reproduzem seus habitus por esses meios informáticos, entretanto vulgarizados.

O estilo de vida das famílias e dos estudantes que almejam uma formação superior de qualidade e especializada para o mercado de trabalho, passa pelas mudanças sociais (alimentares, visitas a museus, amigos, atividade sociais, ambientes tradicionais e comportamentos), investimentos culturais (intercâmbios, cursos de línguas, desportos, leituras, músicas, programas televisivos e informação) e heranças familiares (etnia, sexo, tipo de escola, tipo de residência, associação cívica e ocupação dos pais). Os estudantes sentem as dificuldades

174 durante e depois da inclusão e do ingresso no universo e campo universitário, deparam-se com diferentes capitais de grupos (área de curso, hierarquia professoral e administrativa, sinergias empresarias e acessos sociais), capitais individuais (poder econômico, conhecimento cultural, capacidades linguísticas e formação inicial) e capitais familiares (poder econômico, conhecimento cultural, capacidades linguísticas, ocupação e etnia).

O questionário compreendia um conjunto de questões sobre os hábitos de leitura e a leitura dos últimos dias de jornais, semanários e periódicos, a audiência do rádio e da televisão, o nível de vida, o equipamento do domicílio, o estilo de vida (férias, esportes, consumo), a vida profissional (congressos, viagens, almoços de negócios), as práticas culturais, bem como as principais informações de base (nível de estudos, renda, porte da residência, etc.). Bourdieu (2007, p. 478).

Tínhamos uma perspectiva de análise dos capitais e habitus que supostamente poderíamos encontrar nos dois ambientes universitário, IES públicas e privadas. É constatado, de acordo com as pesquisas e análises realizado por outros investigadores, que o êxito escolar de acesso ao ensino superior público tem como estratégia o ensino médio privado, por sua vez os estudantes das IES privadas, quase que em sua maioria, são oriundos de escolas de ensino médio público. Fato este que nos coloca de frente as abordagens de nossa pesquisa e análise, dos capitais, habitus e o acesso ao ensino superior por meio das políticas públicas sociais. A trajetória escolar, o curso, a Instituição, as preferências musicais, leituras, os ambientes sociais e cívicos, a família, ocupação dos pais, o rendimento, tipo de residências e práticas escolares, são exemplos de dados e medidas estruturantes, do inquérito apurado entre os estudantes de nossa pesquisa.

Medidas do Capital Económico

As respostas às seguintes perguntas do questionário permitiram-nos caracterizar aproximadamente o capital econômico do estudante respondente e da sua família. Esta nossa afirmação baseia-se nas referências seguintes, relativamente às perguntas também a seguir indicadas e em reflexão própria e debate com colegas.

Dados recolhidos sobre o estudante: Q1.8 – Situação empregatícia atual Q2 – Se tem filhos e número de filhos. Q3 – Coesão familiar

Q7 – Tipos de bolsa/financiamento ou auxílio. Q23 – Situação financeira dos pais.

Q24 – Tipo de residência familiar.

Q26 e Q27 – Sem o Prouni (Universidade) estaria fazendo o que? Ter formação superior é diferenciador na procura de trabalho?

175 Dados recolhidos no questionário sobre a família do estudante:

Q03 – Nº. de trabalhadores e contribuintes no núcleo familiar. Q 06 e Q 08 – Ocupações do Pai e Mãe.

Tabela 5.3 – Medidas do Habitus

Q1.8 (Situação empregatícia atual) e Q3 (Coesão familiar):

- Em outros, a necessidade do diploma surge do projeto de vida do próprio trabalhador, sem que o emprego atual o tenha exigido. Andrade e Sposito (1989, p. 7).

- O estudo da evolução das demandas e ofertas de emprego permite ter uma ideia, sem dúvida, totalmente parcial e imperfeita, da defasagem entre as aspirações dos agentes e os empregos que lhes são, efetivamente, propostos: assim, observa-se que, de setembro de 1958 a setembro de 1967, o número dos que procuravam emprego com idade inferior a 18 anos tinha praticamente triplicado, enquanto o número de ofertas de emprego havia permanecido estacionário. Bourdieu (2007, p. 518).

- A mobilização familiar é voltada, em primeiro lugar, para a sobrevivência, e é graças ao rendimento coletivo do grupo, decorrente do trabalho de seus integrantes, que este tenta assegurar suas necessidades básicas. A participação dos filhos no trabalho, para um número significativo deles, teve lugar ainda na infância. Essa inserção acontece geralmente nos serviços domésticos, para as meninas, tomando conta da casa quando a mãe trabalha fora, ou em ocupações como babás ou empregadas domésticas. Para os meninos, as atividades são bem mais variadas, na maioria das vezes ligadas aos serviços de ajudante de pedreiro, pintor, limpeza de terrenos, comércio ambulante, etc. Nogueira (2011, p. 26).

Q2 (Se tem filhos e número de filhos?).

- Ao limitar a família a um pequeno número de filhos, quando não é ao filho único, nos quais se concentram todas as expectativas e os esforços, o pequeno-burguês obedece apenas ao sistema de restrições implicado em sua ambição: por ser incapaz de aumentar a renda, é obrigado a restringir a despesa, ou seja, o número de consumidores. Bourdieu (2007, p. 317). - Mas, procedendo desse modo, ele se conforma, por acréscimo, com a representação dominante da fecundidade legítima, ou seja, subordinada aos imperativos da reprodução social: o controle da natalidade é uma forma - sem dúvida, a forma elementar - de numerus

clausus. O pequeno-burguês é um proletário que se faz pequeno para tornar-se burguês.

Bourdieu (2007, 317).

Q7 (De que tipos de bolsa/financiamento ou auxílio beneficia?).

- Por outro lado, diferentemente dos alunos de quadros superiores que têm resultados melhores que os estudantes de todas as outras categorias quando eles provêm de liceus e os mais fracos quando provêm de colégios, os filhos de artesãos e comerciantes mantêm-se na última fila, quer tenham feito seus estudos num estabelecimento público ou privado. Bourdieu (2008, p. 98, nota de rodapé nº. 4).

- Em suma, os investimentos aplicados na carreira escolar dos filhos viriam a integrar-se no sistema das estratégias de reprodução, estratégias mais ou menos compatíveis e mais ou menos rentáveis conforme o tipo de capital a transmitir, e pelas quais cada geração esforça-se por transmitir à seguinte os privilégios que detém. Bourdieu (2007, p. 311).

- Isto porque o financiamento para uma instituição seria baseado no número de estudantes e de pacientes seria baseado no número de estudantes e de pacientes que escolhia utilizar os

176 seus serviços. Os críticos atacaram afirmando que os "mercados internos" dentro dos serviços públicos conduziriam a uma baixa qualidade de serviços e a um sistema estratificado de fornecimento de serviços, em vez de proteger o valor de serviços iguais para todos os cidadãos. Giddens (2001, p. 340).

Q23 (Situação financeira dos pais.).

- O capital econômico refere-se às condições financeiras, patrimoniais e de renda de cada sujeito e de sua família, sendo um tipo de capital que pode interferir diretamente na opinião e expectativa de cada sujeito, uma vez que as esperanças subjetivas são perpassadas e circunscritas por determinadas condições objetivas. Faria & Silva (2009, p. 82).

- Esse custo relativo é definido pela relação entre os recursos à disposição da família e os investimentos monetários ou não que ela deve consentir para reproduzir, através da descendência, sua posição - dinamicamente definida - na estrutura social, ou seja, para realizar o futuro que lhe está destinado, proporcionando aos filhos os meios de realizar as ambições efetivas que forma para eles. Bourdieu (2007, p. 311).

Q24 (Tipo de residência familiar.).

- As tomadas de posição, objetiva e subjetivamente, estéticas - por exemplo, a cosmética corporal, o vestuário ou a decoração de uma casa - constituem outras tantas oportunidades de experimentar ou afirmar a posição ocupada no espaço social como lugar a assegurar ou distanciamento a manter. É evidente que nem todas as classes sociais estão preparadas e são levadas, em condições semelhantes, a entrar no jogo das recusas que rejeitam outras recusas, das superações que superam outras superações; além disso, as estratégias que visam transformar as disposições fundamentais de um estilo de vida em sistema de princípios estéticos, as diferenças objetivas em distinções eletivas, as opções passivas, constituídas em exterioridade pela lógica das relações distintivas, em tomadas de posição conscientes e eletivas, em opções estéticas, estão, de fato, reservadas aos membros da classe dominante e, até mesmo, à mais elevada burguesia, ou aos inventores e profissionais da "estilização da vida" que são os artistas - aliás, os únicos em condições de transformar sua arte de viver em uma das belas artes. Bourdieu (2007, p. 57).

- Quando se observa o nível de escolaridade dos ancestrais, deparamos com apenas uma avó que cultivava o hábito da leitura e redigia um dicionário da língua portuguesa, cujos manuscritos se encontram, ainda, de posse dos familiares. Essas famílias têm casa própria, não vivenciando, portanto, aquela preocupação constante e desestabilizadora para os meios populares. Nogueira (2011, p. 64).

Q26 (Sem o Prouni (Universidade) estaria fazendo o que?) e Q27 (Ter formação superior é diferenciador na procura de trabalho?).

- A mesma tendência se observa para os titulares de um diploma superior ao baclauréat na faixa etária de 25 a 34 anos, cujas oportunidades, em 1968 - relativamente a 1962 -, eram maiores de se tornarem professores primários ou técnicos e, nitidamente, menores de se tornarem quadros superiores da administração, engenheiros ou membros das profissões liberais. Bourdieu (2007, p. 125).

- A conquista de um cargo por agentes que, sendo dotados de diplomas diferentes daqueles exibidos pelos ocupantes habituais, introduzem em sua relação com o cargo, considerado na sua definição técnica e social, determinadas aptidões, disposições e exigências desconhecidas,

177 acarreta necessariamente transformações do cargo: entre aquelas que se observam quando os recém-chegados são portadores de diplomas de ensino superior... Bourdieu (2007, p. 143). - Além disso, algumas mulheres que não conseguiram encontrar emprego após terem terminado o curso superior, trabalham numa casa de massagens ou são acompanhantes, enquanto procuram outras oportunidades de emprego. Giddens (2008, p. 135).

- A origem social influencia a probabilidade de uma pessoa prosseguir a sua aprendizagem até ao ensino superior. Giddens (2008, p. 506).

- A sra. B., 48, cujos pais eram produtores agrícolas em uma pequena propriedade no departamento de Lot, trabalha, há quase 20 anos, no Hospital Saint-Louis, em Paris; ela "gostava muito da escola "e teria desejado ser professora primária, mas foi obrigada a interromper os estudos um ano-depois da obtenção do certificado de estudos por "falta de recursos" dos pais. Bourdieu (2007, p. 304).

Q36 (Ocupação atual do estudante.).

– O aumento das matrículas nos cursos noturnos permite avaliar outra faceta importante das transformações no curso superior, como a presença de um alunado mais velho, já incorporado ao mercado de trabalho, para quem a qualificação profissional significa a oportunidade de avanço na hierarquia das empresas onde trabalha, ou a possibilidade de vir a procurar ocupação melhor de acordo com a nova habilitação. Nogueira (2011, p. 103).

- As mudanças nas relações de produção não alteram as relações de trabalho simplesmente (...) ela é concomitante com outros tipos de transformações das quais, na perspectiva da teoria do valor, a queda na qualidade do ensino, está associada, primeiro, à formação de um exército de reserva de trabalhadores de nível universitário e, segundo, à alienação deste trabalhador, no sentido tal que ao exercer o seu ofício o profissional perde inteiramente a capacidade de controle que até então detinha sobre o seu processo de trabalho. Almeida (2012, p. 163). - É assim que, para os jovens oriundos da classe operária, a passagem pelo ensino secundário e pelo estatuto ambíguo de "estudante", provisoriamente liberado das necessidades do mundo do trabalho, tem o efeito de introduzir falhas na dialética das aspirações e das oportunidades que induziam a aceitar, às vezes, com solicitude (como acontecia com os filhos de mineiros que identificavam sua entrada no estatuto de homem adulto com a descida à mina), quase sempre como algo evidente, o destino social. Bourdieu (2007, p. 136).

- Essas estratégias para o ingresso dos filhos no mercado de trabalho e as autorizações que a acompanham fazem parte do capital cultural de famílias de um segmento das camadas médias, para as quais a divisão etária do trabalho funda-se em princípios que, justamente por estarem implícitos, não são enunciados de modo claro. Nogueira (2011, p. 110).

Fam. Q03 (Nº. de trabalhadores e contribuintes no núcleo familiar.).

– ‘Endogamia social’. Assim, considerando que, por um lado, um grupo depende tanto menos completamente do capital escolar, para sua reprodução, quanto mais rico é seu capital econômico, e que, por outro, o rendimento econômico e social do capital escolar depende do capital econômico e social que pode ser posto a seu serviço, as estratégias escolares (e, de modo mais geral, o conjunto das estratégias educativas, inclusive as domesticas) dependem não só do capital cultural possuído – um dos fatores determinantes do êxito escolar e, por conseguinte, da propensão ao investimento escolar – mas do peso relativo do capital cultural na estrutura do patrimônio e, portanto, não podem ser isoladas do conjunto das estratégias conscientes ou inconscientes pelas quais os grupos tentam manter ou melhorar sua posição na estrutura social. Bourdieu (2007, p. 121).

178 - A entrada das mulheres no mundo do emprego assalariado teve um impacto significativo no rendimento dos agregados familiares. Todavia, este impacto tem sido sentido de forma desigual e pode estar a conduzir a uma acentuação das divisões de classe entre agregados familiares. Giddens (2008, p. 301).

- O capital econômico refere-se às condições financeiras, patrimoniais e de renda de cada sujeito e de sua família, sendo um tipo de capital que pode interferir diretamente na opinião e expectativa de cada sujeito, uma vez que as esperanças subjetivas são perpassadas e

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