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Le problème de l’apparence fragmentée des Euvres

In document « Penser quelque folie » (sider 58-61)

3 L’amour au féminin : pour une poétique labéenne

3.1 Existe-t-il une poétique labéenne ?

3.1.2 Le problème de l’apparence fragmentée des Euvres

as maiores e as principais Instituições de Ensino Superior do Estado. As escolhidas para nossa pesquisa e investigação da tese foram: as IES públicas e privadas, entre as primeiras a Universidade Federal do Maranhão e a Universidade Estadual do Maranhão e, na rede particular, a Universidade CEUMA, a Faculdade Santa Terezinha e o Instituto de Ensino Superior Franciscano e demais Faculdades menores caracterizadas como privadas, que disponibilizaram sua base de dados de alunos beneficiados e matriculados pelas políticas públicas e sociais de acesso ao ensino superior (Prouni, FIES, Lei de Cotas) do Governo Federal Brasileiro e os não beneficiados. Outro motivo para a escolha do local foi pela maior concentração na capital de estudantes universitários com bolsas dos programas políticos e sociais de acesso ao ensino superior, em comparação com os restantes Municípios do Estado, devido à falta de investimentos por parte do governo federal e estadual nesses municípios, apesar de a quase totalidade do território do Estado ser região pobre e com poucos benefícios.

A escolha das Instituições de ensino superior mencionadas acima para objeto da pesquisa de campo sobre o habitus e o modo de reprodução dos capitais, partiu da premissa, fundada em pesquisa bibliográfica, de que existe ainda no Brasil uma forte distribuição desigual das chances escolares segundo a origem social e os poderes simbólicos e econômicos, e isto acontecia mais ainda no Maranhão, o qual, sendo um dos Estados menos desenvolvidos da Federação, constitui um caso extremo. Grande parte dos estudantes universitários da rede pública são alunos advindos das escolas particulares de ensino médio (uma fala observada por outros autores), mesmo com uma percentagem pequena de alunos vindos da rede pública por meio da Lei de Cota e Enem. Os alunos das redes particulares de ensino médio apresentam um

167 número bem maior de matriculados em comparação aos alunos da rede pública, as universidades pública, tanto federal como estadual, recebem por ano um número bem significativo de alunos oriundos das redes privadas de ensino médio. Mesmo com apoio das políticas públicas de acesso, o número de alunos advindos do ensino público médio estadual e municipal são muito escassos se levarmos em consideração o número de escolas da rede pública.

A procura pela rede privada de ensino superior advém em sua maioria dos alunos das escolas públicas, apesar do número bem maior de cursos oferecidos pelas Universidades Públicas. As IES (Instituição de Ensino Superior) particulares recebem uma quantidade bem representativa de alunos das redes públicas e trabalhadores-adultos e estudantes trabalhadores, aposentados e sênior, que desejam uma formação superior como status, relacionamento social e cultural, e permanência na função de trabalho, um upgrade no currículo continuo (atualização e renovação de aprendizagem). O campo de pesquisa e os alunos universitários escolhidos pelos programas sociais constituem elementos importantes para o acesso às informações necessárias a obter através das respostas ao nosso questionário.

Para justificar a escolha das IES cujos alunos foram inquiridos, fazemos notar que o sucesso da pesquisa de campo, já para não mencionar a resposta às questões de pesquisa e a própria escrita e abordagem da tese, requerem que observemos e entendamos in loco o processo seletivo de acesso ao curso e a universidade por parte dos alunos, tais visto pelo nosso objeto de pesquisa (os alunos beneficiários dos programas sociais Prouni, FIES e afins), e compreendamos o processo de seleção ativa por parte das IESs envolvidas. De acordo com a quase totalidade dos autores brasileiros de referência se verifica por parte das universidades públicas federais e estaduais um esforço de sobre seleção de candidatos e no acesso predominariam os melhor preparados pelas escolas privadas. Sendo assim, teríamos a oportunidade de verificar manifestações de interesse por parte dos alunos e das universidades na estruturação e nos processos estruturantes do habitus e averiguar se os programas públicos nacionais facilitadores de acesso para os menos favorecidos conseguem superar a reprodução do

habitus observada e demonstrada por Bourdieu para as sociedades que estudou, ou se, pelo

contrário se tornaram um novo mecanismo de reprodução, inapercebido como tal por aquelas mesmas camadas de população às quais alegadamente os governos pretenderam abrir caminhos para ascensão cultural, econômica e social ou, ainda, se encontraríamos uma situação intermédia.

Vale notar que ao ponderarmos a escolha das Instituições e do Local de pesquisa e investigação da tese, a capital do Estado do Maranhão, São Luis, foi-nos dado perceber que, conforme o PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios) contínuo do 3º trimestre de 2016, entre a população trabalhadora menos qualificada e aquela com responsabilidades

168 administrativas e técnica mais qualificada há uma parte significativa que trabalha nos órgãos Federais, Estaduais e Municipais ou seja, na administração pública, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, agricultura, transporte e outros e que estes são representantes do poder e da reprodução do Estado nas relações sociais, e ao mesmo tempo exercem papéis de reprodutores dos déficits de capitais nas populações desprovidas pelos órgãos estatais. De alguma forma, os burocratas são corresponsáveis, enquanto executantes, pelas faltas e falhas das classes subtraídas dos habitus dominantes.

Consideramos que nossa amostra da população em estudo, apesar de não aleatória foi razoavelmente significativa por ter sido sistemática e termos acedido a todos os estudantes que se dispuseram a responder das escolas, cursos e classes a que nos foi dado acesso. Abordamos os estudantes dos penúltimos e últimos períodos de cada curso ofertado pelas instituições em investigação. Podemos declarar que, ao finalizarmos os inquéritos, dado o universo de nossa amostra, nos surpreendeu o grau de penetração conseguido nesse universo, ou seja o elevado número e percentagem de alunos participantes, pois atingimos praticamente todos os estudantes que estavam dentro do ambiente universitário (fizemos repetidas visitas a cada instituição e nas segundas e terceiras visitas buscámos abordar os que não tivessem estado presentes nas visitas anteriores. Por isso o inquérito não pôde ser anónimo, mas apenas confidencial. Assim alcançou-se uma adesão e um número bem maior de respostas do que esperávamos. Na verdade, nossa amostra tornou-se quase um censo, pelo número de estudantes inquiridos conforme o número total de alunos matriculados e ativos nas Instituições de Ensino Superior. Razoavelmente o número de concludentes por turma e de cursos no momento da aplicação do inquérito encontra-se em torno de 15 a 35 alunos por turma, mas não são raros os casos de 1 a 10 alunos por turma, principalmente na rede federal e estadual de ensino superior.

Nossa base de dados foi inserida no programa IBM SPSS Statistics, onde buscamos analisar as variáveis e as correlações que existem entre os diversos capitais do habitus. Entretanto quase toda a nossa base de informação e interpretação dos dados analisados são de cunho qualitativo (variáveis categóricas ou ordinais) o que obrigou ao uso de estatísticas descritivas e análises não paramétricas, mesmo utilizando um questionário com perguntas em escala de Likert que apresenta formas de séries de cinco respostas entre as quais o inquirido deve escolher a que melhor o identifica sua resposta, pode ser representada da seguinte forma: concorda totalmente, concorda, sem opinião, discorda, discorda totalmente, ou por pontuação 5 para mais importante e 1 menos importante. Sendo assim logo após a questão escolhida foi efetuado um tratamento dos dados que varia de modo consecutivo: +2, +1, 0, -1, -2 ou utilizando pontuações de 1 a 5. Foi necessário observar e prestar bastante atenção quando a proposição era negativa. Nestas situações, a pontuação atribuída deve ser invertida conforme indicação dos autores dos manuais de referência estudados, como Marôco (2014).

169 Para identificarmos, nos indivíduos inquiridos, o privilégio máximo e o privilégio mínimo do habitus, por herança ou habitus adquirido, utilizamos meios, dentro das perguntas, que pudessem identificar o grau de valor atribuído a cada individuo através das perguntas respondidas por eles conforme a justificação dos meios sociais, culturais, linguísticos e econômico para estas situações. Na metodologia utilizada por Bourdieu e Passeron, encontramos características que definissem o valor máximo e valor mínimo para cada situação de aquisição, gosto e herança comportamental do grupo ou individuo. Podemos destacar um exemplo explanado pelo autor Campenhoudt (2001, p. 164) sobre a metodologia utilizada por Bourdieu, ao explicar e interpretar a metodologia e os meios utilizados por Bourdieu para definir e estruturar o sistema habitus, “por exemplo, pais que utilizam uma parte do seu dinheiro (capital econômico) a fim de permitir que os filhos façam estudos superiores (capital cultural), eventualmente mesmo no estrangeiro. Em retorno, um diploma procurado (capital cultural) abrirá o acesso a um emprego bem remunerado (capital econômico)”. Neste caso as famílias beneficiadas pelo Estado, Sociedade e Sistema econômico, cultural, simbólico e linguístico, estabelecem valores e importância e crédito e também restrições ao conjunto de procedimentos, trajetórias de ascensão e acessibilidade de estilo de vida nomeadamente por elas estandardizado, a vida de luxo e mordomias, são vividas somente por elas e autorizada pelos os grupos que por elas fazem parte. Por eles são classificados os estilos de música que devem ser ouvidos e denominados como cultura, as formas de arte, os modelos de trabalho, as preferências estéticas, as vestimentas, comidas, opiniões políticas, práticas esportivas, tipos de livros, tipos de programas televisivos e informação e crenças filosóficas e outros. Estas questões foram colocadas em análise, como forma de entender os habitus de cada individuo e grupos pertencentes. De fato é por meio das famílias e empresas beneficiadas que o universo estudantil cria suas estratégias e modelos de formação e trabalho (graduação, escolas e gestão), depois são reforçados e refinados pela sociedade dirigente. Bourdieu (2007, p. 176) analisando os modos de vida e os habitus reproduzidos por diversas classes trabalhadoras, descreve suas práticas, identificando o que é visto como “de classe” e “fora de classe”, “distinto” e “não distinto”.

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