4.2. Processing methods
4.2.5. Physiological signals in frequency- and time-domain
A relação entre a juventude do campo e o capitalismo é repleta de contradições e movimentos, maiores inclusive que as vividas pelos jovens urbanos. É desproporcional a correlação de forças que existe entre a juventude, os processos de organização dos trabalhadores do campo e o sistema capitalista. Porém, é necessário notar que a condição e a situação juvenil do campo transformam-se junto ao processo de constituição do sistema agrário.
Para Fernandes (2004), a percepção dos interesses diferentes entre juventudes e juventudes do campo ressalta as relações conflituosas, nas quais tanto os jovens do campo produzem adaptação/resistência no espaço político. Isto significa dizer que estes jovens assumem posições que reconfiguram não apenas as dinâmicas do sistema produtivo capitalista, mas a si mesmos, como sujeitos de direitos e de pertencimento ao campo.
Se analisarmos este cenário à luz do referencial teórico de Sousa Santos (2003), inferimos que as relações conflituosas vivenciadas pelas juventudes do campo [que hoje articulam políticas de igualdade às políticas de mudanças da condição juvenil, numa perspectiva inclusiva] trazem à tona, os elementos do embate travado nas zonas de contato27. Dito de outra forma, colocamo-nos diante
da ideia de que a categoria juventude do campo historicamente assumiu uma luta pluralista pela igualdade intercultural28, que na prática tem significado, por um lado que os grupos de jovens mais vulneráveis não tem conseguido que seus interesses sejam representados com facilidade no sistema político, por outro lado, que os movimentos sociais constituintes da democracia participativa da própria juventude 29, tem propiciado a inserção de temáticas, até então ignoradas, no cenário político nacional.
Assim, estabelecendo um paralelo ao que Sousa Santos (2007) chamou de relação entre regulação e emancipação e relação entre subjetividade e cidadania, podemos dizer que a juventude do campo no Brasil vive dentro do espaço de construções de políticas para juventude, cujas orientações, tais como as dirigidas à regulação da cultura juvenil e da própria concepção de campo, correspondem às aspirações de realização de inclusão social desses jovens, como sujeitos de direitos.
Dentro desta perspectiva, ao analisar a categoria Juventude do Campo como sujeitos de direitos, nos processos conflituosos e de lutas pluralistas, Castro (2008) aponta que nas distintas formas de organização da juventude do campo e nas organizações e movimentos sociais, dois aspectos são centrais: a) As juventudes do campo como uma identidade política aglutinou demandas sociais específicas e 27[...] zonas de contato são campos sociais em que diferentes mundos normativos da vida se
encontram e defrontam [...] diferentes culturas jurídicas que se defrontam de modos altamente assimétricos [...] propícias à experimentação e à inovação cultural e normativa. (SOUSA SANTOS 2003; p. 43- 44)
28 Sousa Santos (2003) trata da problemática da igualdade e dos direitos humanos, em um mundo marcado por uma globalização neoliberal excludente, e as questões da diferença e do multiculturalismo, em tempos de uma mundialização com pretensões monoculturais. [...]um multiculturalismo aberto e interativo, que acentua a interculturalidade, por considerá-la a mais adequada para a construção de sociedades, democráticas e inclusivas, que articulem políticas de igualdade com políticas de identidade.
29 Para Sousa Santos e Avritzer ( 2003) todos os casos de democracia estudados iniciam-se com uma tentativa de disputa pelo significado de determinadas práticas políticas, por uma ampliação da gramática social e da incorporação de novos atores ou de novos temas na política.
estruturais, com objetivo às mudanças na realidade do campo brasileiro, e, demarcou o seu lugar, tanto no debate sobre a própria juventude, quanto seu lugar nos movimentos sociais do campo; e b) A juventude do campo como identidade pessoal é acionada relacionalmente em oposição a “velhos” e “adultos”, nos processos de disputa pelos espaços de decisão, nas organizações sociais, seja nos movimentos, seja nas suas famílias.
Estes dois aspectos implicam dizer que a categoria juventude do campo se relaciona, a reconfiguração da condição e situação dos sujeitos do campo, assumindo as práticas, as reivindicações e as bandeiras de luta dos movimentos sociais do campo (MST, CPT, ED DO CAMPO, entre outros), esses jovens também formulam novas questões e, consequentemente constroem um repertório de ações que (re)significam a sua condição e situação juvenil do campo, passando, então, a apresentarem demandas especificas desse grupo social30.
Neste processo de construções da condição juvenil do campo, se de um lado eles conseguem apresentar demandas especificas à sociedade, que lhes permitem sair da invisibilidade para o reconhecimento social da existência de uma categoria: juventude do campo, por outro lado, como demarca Sousa Santos (2003) o processo de regulação-emancipação do Estado filtra essas demandas e constrói programas e/ou políticas públicas para atendê-los, ou seja, o Estado tem elaborado mecanismos para enfrentar os desafios apresentados por estas juventudes, no intuito de facilitar o processo de transição e integração da juventude ao mundo adulto.
Esse processo no Brasil foi identificado por Abad (2003) em quatro períodos: de controle social, de enfrentamento da pobreza, de inserção laboral, e, por último, as ações voltadas para a Inclusão social. Em nossa análise esses períodos estão 30 No Brasil as demandas para as políticas públicas para a juventude do campo foram apresentadas
para a Secretaria Nacional de Juventude – SNJ, por uma pluralidade de movimentos do campo: sindicais, camponeses, de jovens mulheres rurais e da agricultura familiar. Por sua vez, a Secretaria Nacional da Juventude constituiu um Grupo de Trabalho de Políticas Públicas para a Juventude Rural (GTPPJR) com a participação de ministérios, identificados como relevantes para a construção de uma Política Nacional para a Juventude Rural PNJR, e de representantes da sociedade civil, tanto os mais estruturados quanto aqueles em processo de articulação nacional, como as juventudes quilombola e o Movimento da Educação do Campo.
intimamente, relacionados aos desafios postos ao Estado, a partir da representação que se construiu socialmente e no meio acadêmico, sobre a Juventude, conforme o quadro 5:
QUADRO 5 - COMPARAÇÕES ENTRE AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE A