3.6. Applications for capacitive proximity sensors
3.6.2. Benchmarking scores for capcitive proximity sensors
1. Caracterizar os jovens do campo egressos do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra do Município de Bragança.
2. Analisar as imagens e os sentidos que compõem as Representações Sociais de jovens egressos do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra do Município de Bragança sobre a sua condição juvenil.
3. Destacar as objetivações e ancoragens que constituem as Representações Sociais de jovens egressos do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra do Município de Bragança sobre a condição juvenil dos jovens do campo
4. Relacionar as Representações Sociais de jovens egressos do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra do Município de Bragança sobre a sua condição juvenil com a proposta nacional de Inclusão social da juventude do campo.
1.3 - OS FIOS QUE ENTRELAÇAM O PROBLEMA DE PESQUISA COM O CAMPO TEÓRICO DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS.
Diante do desafio de estudar a juventude do campo no Município de Bragança, com o objetivo de analisar o processo de construção das Representações Sociais de jovens egressos do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra do Município de Bragança sobre a condição juvenil dos jovens do campo e suas relações com a proposta nacional de inclusão social da juventude do campo, implementada em nível local pelo Programa, buscamos um referencial que nos permitisse delimitar o que chamávamos de condição juvenil.
A partir dos estudos de Groppo (2004,2010) assumimos a ideia de que a condição juvenil se configura a partir de uma relação entre sociedade versus indivíduos e grupos juvenis. Destacamos que se trata de uma relação dialética, ou seja, fundada numa contradição entre o movimento da exclusão/inclusão. Dito de outro modo, a condição juvenil é dialética porque está assentada sobre uma relação de contradição entre sociedades e juventudes.
Esta contradição se expressa tanto em ações de institucionalização das demandas da juventude13 do campo que ocorreram nos últimos 10 anos, quanto nas
trajetórias de grupos juvenis, oscilando no duplo movimento que envolve inclusão
versus exclusão, de diferentes maneiras, em função das diferenças sociais e de
parâmetros concretos como: o lugar de pertencimento, a organização familiar, a educação, o trabalho, o lazer, entre outros elementos.
Neste sentido precisávamos de um referencial teórico metodológico que nos permitisse analisar os processos psicossociais que estruturam os pensamentos e as ações dos jovens egressos do PROJOVEM Campo Saberes da Terra em culturas específicas, na dialética da exclusão/inclusão. Essa busca nos levou a identificar a abordagem processual de Mocovici e Jodelet, como um campo teórico-metodológico propício à nossa pesquisa, visto que, segundo Nascimento (2014), o conhecimento do senso comum é fundamental para entender as formas de pensamento que dirigem e justificam as condutas e práticas sociais .
Para Moscovici (1978), os sistemas simbólicos, entre os quais a própria representação, produzem sentido às percepções e às experiências vivenciadas em determinados contextos culturais. Deste modo, podemos dizer que a Teoria das Representações Sociais defende a tese da coexistência de saberes, e que as diferenças dependem dos sujeitos e de seus pertencimentos, na partilha do objeto a ser representado, nas razões e nas funções da própria representação.
As diferenças acima, que correspondem à pluralidade de racionalidades múltiplas dos sujeitos, e às aplicações de saberes no contexto sociocultural de quem 13
Assumimos o conceito de Institucionalização utilizado por Moreira (2010). O referido autor trata a institucionalização como o processo pelo qual se introduz, nas ações do Governo, os problemas da condição juvenil. Esse processo se realiza por meio de eventos, num movimento político de fortalecimento dos organismos juvenis, para que os mesmos passem a ter mais condições e autoridade de influenciar nas políticas setoriais do governo. Neste sentido podemos dizer que a Institucionalização passa pelo reconhecimento dos problemas e pela elaboração de políticas publicas para a solução dos problemas juvenis, tendo o jovem como coparticipe deste processo. No caso da Juventude como um todo observamos nos últimos 10 anos um intenso processo voltado para o reconhecimento da juventude brasileira. Neste reconhecimento se criou a Secretaria Nacional de Juventude e o Conselho Nacional de Juventude, que possibilitaram, no dialogo com os movimentos sociais da juventude, a construção da Política Nacional de Inclusão Social, que envolve o PROJOVEM (2005); a aprovação da PEC da Juventude no Congresso Nacional (2010); e a aprovação do Estatuto da Juventude, no Senado Federal, em 16 de abril de 2013. Entretanto, ressaltamos que as especificidades da Juventude do campo são tratadas como ações transversais nas políticas da juventude.
as produz, vai conferir às Representações Sociais, como descreve Jovchelovitch (2008), o caráter dinâmico necessário à análise que desejamos imprimir aos estudos das juventudes do campo.
Moreira (2012), subsidiado pelo campo da Teoria das Representações Sociais, ao explicar o processo de construção social da realidade do mundo humano14 e de suas culturas, a partir da superação da dualidade indivíduo e sociedade, reafirma que o processo dinâmico ocorre por meio de duas ações que se entrecruzam: a primeira diz respeito às percepções dos sentidos corpóreos dos humanos com seus semelhantes, que refletem também suas relações com os fenômenos e eventos da natureza; a segunda, por sua vez, corresponde às construções imaginárias do mundo, capacitadas pelos processos mentais e interacionais, que constituem seus sistemas simbólicos de representação do mundo em tempos sócio-históricos do presente, contendo, portanto, passado e futuro.
Assim, destacamos que o ato de representar configura-se como dinâmico, porque o processo “constitutivo de realidade”, que envolve passado, presente e futuro, nos permite compreender que as Representações Sociais são construídas e reconstruídas nas relações experimentadas e vivenciadas pelos sentidos corpóreos, situados no mundo sociocultural, como nos diz Nascimento (2014), a representação é também uma forma de percepção e interpretação da realidade.
Denise Jodelet (1986), uma das seguidoras teóricas de Moscovici15, analisou o campo simbólico das Representações Sociais como um fenômeno inscrito na história, nas relações materiais, na vida social, na qual a subjetividade reivindica seu lugar, ou seja, como uma forma de conhecimento socialmente elaborado e
14As Representações Sociais, na formulação de Moscovici (1978, p. 26-27), não são passíveis de ser
reduzidas a “simulacros ou resíduos intelectuais sem relação alguma com o comportamento criador”. Isto significa dizer que elas possuem uma “função constitutiva da realidade” denominada experiência.
15 Como anuncia Almeida (2009) a teoria RS conheceu vários desdobramentos. Especificamente no
Brasil, observa-se uma maior inserção de três grandes pesquisadores, com suas respectivas abordagens – Abric, Doise e Jodelet –, todos eles discípulos de Moscovici , mas que representam diferentes formas de enfocar e investigar as representações, tendo cada um deles trazido uma contribuição particular para o desenvolvimento da TRS, sem contudo serem antagônicas dada a matriz inicial encontra-se pautada no referencial conceitual de Moscovici.
partilhado e que tem como objetivo prático servir à construção de uma realidade comum, a um conjunto social.
Partindo do exposto acima, consideramos para este estudo quatro elementos centrais para pensarmos o processo que constitui as Representações Sociais dos jovens do campo: 1) que o seu caráter é dinâmico; 2) que reflete a percepção e a compreensão sociocultural de quem as produz; 3) que se situa na base da relação entre os sujeitos que as constroem e as suas culturas; 4) que se modifica e provoca mudanças.
Ao tomarmos esses quatro elementos do processo das Representações Sociais, dirigimos nossa atenção neste estudo ao que Marková (2008, p. 471) intitulou de “linha epistemológica de partida” para a teoria das Representações Sociais, ou seja, estamos diante de uma relação de triangularidade [triangularity]16, na relação entre o Eu-Outro e Objeto, que nos permitirá visualizar a lógica do problema de nosso estudo no campo teórico metodológico das Representações Sociais.
Assim, diante do nosso problema de estudo - o processo de construção das Representações Sociais de Jovens egressos do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra do Município de Bragança, sobre a sua condição juvenil do campo e suas relações com a proposta nacional de inclusão social da juventude do campo, implementada em nível local pelo referido Programa - circunscrevemos a triangularidade deste estudo onde o EU corresponde ao Jovem do campo do Município de Bragança egresso do Programa PROJOVEM Campo Saberes da Terra; as Representações Sociais sobre a condição Juvenil é o nosso OBJETO de estudo; e a Proposta de Inclusão Social da Juventude de Campo corresponde o lugar do OUTRO, que oportuniza situações que levem o jovem a problematizar a sua condição juvenil do campo, conforme apresentamos na figura 1:
16 Esta relação triangular que se estabelece a troca simbólica onde o Eu e o Outro constroem os
sentidos do mundo que lhes é comum, numa dinâmica dialética que coloca a atividade humana voltada para o “mundo do outro” (MARKOVÁ, 2003, p. 126). A existência se dá na comunicação, onde somos para o outro e, através do outro, para nós mesmos. Esta perspectiva altera inclusive o sentido corrente para o eu, pois vê o Eu como existindo somente na relação com o Outro, nunca isolado; o Eu e o Outro se constroem e se definem na troca. O que nos permitirá falar de um sujeito coletivo