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3.6. Applications for capacitive proximity sensors

3.6.1. Benchmark weights

Ausência da cidadania e do direito Concessão dos direitos legais

• Capacitação dos indivíduos, grupos e comunidades para uma condição considerada ideal;

• Prega a igualdade de oportunidades, para que a ascensão social seja pautada no esforço e capacidades individuais de cada sujeito;

Decorre das contradições da sociedade globalizada • Dialética da exclusão/inclusão • A inclusão se constitui nas negociações de sentidos e choque de interesses

• Implantação de movimentos ou projetos que lutem contra as irregularidades sociais;

• Prega os conflitos sociais e as disputas de poder.

• Processo de diferenciação e hierarquização das diferenças, configurando como estratégia sutil de regulações das relações de poder, quer como resistência, quer como dominação.

FONTE: SÍNTESE ELABORADA PELA AUTORA DESTE ESTUDO A PARTIR SAWAIA (1999), LEAL (2004 ).

É interessante destacar que os autores dessa categoria concordam que a exclusão é uma injustiça social. Entretanto, destacam que a forma como a sociedade e os grupos sociais representam a sua origem geram atitudes sociais diferenciadas, para lidar com os processos de exclusão social, como vimos no quadro acima.

Assim, para autores como Fernandes (2003, 2004), a inclusão da juventude do campo se constitui como inclusão-excludente. O argumento é de que o movimento de inclusão contribui para reafirmar a exclusão, ou seja, na medida em que o desenvolvimento do campo, numa perspectiva capitalista, reforça a condição desigual entre os indivíduos, apresenta como uma ação caritativa em benevolência a grupos minoritários.

Entretanto, pensar a inclusão a partir dos processos de negociação significa, como nos diz Arroyo (2003), compreender que os processos de humanização construídos pelos movimentos sociais ocorrem na medida em que os sujeitos do processo aproximam o problema a partir de interrogações que estão em sua origem:

[...] os sujeitos em movimento repõem as grandes interrogações que alimentaram a teoria da formação humana. Eles trazem a escola e as diversas experiências de educação não formal ao cerne do educativo: aos sujeitos sociais e seus dramáticos processos de

produção-formação humana. Reeducam as teorias pedagógicas, as humanizam ou as aproximam nas grandes interrogações que estão em sua origem. Pedagogia como acompanhamento das possibilidades de sermos humanos, de realização do humano possível que há na infância e em cada ser humano. (ARROYO,2003, p.9)

Na citação acima podemos dizer que os sujeitos, ao problematizarem a sua condição humana se afirmam como sujeitos de decisão, ou seja, na medida em que os jovens se veem excluídos reivindicam por sua inclusão. Dito de outra forma é no conflito dialético entre a exclusão e inclusão que os jovens interrogam-se sobre as possibilidades e limites da condição juvenil no campo.

Enfim, mesmo reconhecendo que a produção acadêmica ainda é pequena, a partir da (re)leitura das Teses e Dissertações que tiveram como foco de seus estudos as Juventudes do campo/juventude camponesa, podemos inferir que as representações predominantes nas últimas produções foram ancoradas no sentido e significado de que os jovens do campo passaram a ser reconhecidos como

sujeitos de direitos: a) Sujeitos com construções identitárias específicas, diferente

de outros jovens, por conta de sua condição juvenil diferenciada, marcada pelo seu território; b) Sujeitos que conquistaram o direito de ser reconhecidos nas políticas públicas para o financiamento ao crédito e para a educação; c) Sujeitos coletivos cujos problemas que enfrentam são, antes de tudo, problemas enfrentados pela pequena produção familiar, em suas múltiplas formas de reprodução, condições de vida e produção de cultura; d) Sujeitos vistos como uma categoria-chave para a reprodução social do campo; e e) Sujeitos que, ao se colocarem frente aos conflitos e tensões de exclusão/inclusão, afirmam-se como sujeitos de decisão.

Assim, a partir da síntese que apresentamos, podemos dizer que a leitura contínua das Teses e Dissertações nos colocou diante da certeza de que a juventude do campo não pode ser analisada sob as mesmas lentes que utilizamos para as juventudes urbanas. Caso contrário, ampliam-se as condições de exclusão social. Imersos nos cenários de exclusão e nos processos históricos e sociais de transformação do campo, o reconhecimento do jovem do campo enquanto sujeito histórico e social, gerou a necessidade da inclusão social, a partir de um jogo de

interesses e disputas de concepções sobre o próprio campo e sobre a os sentidos e significados que envolvem as construções das propostas de inclusão.

Neste sentido o cenário de implementação da proposta da inclusão social, em nível local, foi considerado como um dos motivadores da investigação dos processos de construção das Representações Sociais dos jovens do Município de Bragança sobre as condições juvenis do campo, na perspectiva de avançar no que a maioria das pesquisas apresentava como resultado: que sobre as condições de vulnerabilidade da existência da juventude camponesa os jovens se firmavam como sujeitos de decisão, ou seja, sujeitos que deveriam ser incluídos socialmente. Dito de outra forma nosso interesse se voltava não para o problema da exclusão social, mas para os processos psicossociais construídos nas tentativas de inclusão social da juventude do campo.

Enfim, os estudos e as vivências como professora, pesquisadora e integrante de grupos que estudam a juventude do campo, nos colocaram diante da dialética da inclusão/exclusão social, mais especificamente aos processos psicossociais dos jovens do campo na materialidade desse confronto, ou seja, no movimento no qual os jovens se interrogam sobre as possibilidades e limites de serem do campo.

Assim, os significados construídos pelos jovens sobre a condição juvenil em sua relação com o campo, a partir da vivência da materialização da proposta nacional de inclusão social da juventude, implementada no Município de Bragança, podem se constituir em trilhas para compreendermos as possibilidades e limites de ser jovem do campo na Amazônia Paraense.

Expostos esses elementos compreendemos que a pesquisa proposta no estudo de nossa Tese assume relevância acadêmica e social, na medida em que possibilitará uma melhor compreensão sobre as juventudes do campo, ao relacionar a realidade da juventude do Município de Bragança ao debate nacional da inclusão social da juventude do campo e as implicações das (re)configurações das juventudes na Amazônia.

1.2 - O ENCONTRO COM O PROBLEMA DE PESQUISA NA CONSTRUÇÃO DO