5.4 Hva er privat og hva er offentlig?
5.4.1 Personlig informasjon som valuta
É do senso comum que as civilizações ocidentais retêm uma marca histórica, a invenção da escrita, sendo talvez o marco mais relevante da história da humanidade. Tendo começado a ser registada há mais de 5000 anos (Ávila, 2008: 43), inventou-se o primeiro sistema de escrita, na Mesopotâmia; no século XV a.C., surgiu o alfabeto fenício arcaico (constituído por vinte e dois signos); no século VIII a.C., o alfabeto grego, composto por vinte e quatro sons vocálicos e consonânticos, sendo este alfabeto que deu origem ao alfabeto latino que, devido à expansão do Império Romano, predominou em todo o mundo ocidental.
Numa primeira abordagem, podemos entender a escrita como a oposição à linguagem oral. O resultado final da escrita é, de certa forma, o produto consequente de um processo a conjugação de diversas competências, sendo a comunicação verbal o meio que o homem utiliza, para transmitir conhecimentos, integrados em diferentes âmbitos do saber, acumulados de geração em geração e colocados ao dispor das gerações vindouras. Assim, numa primeira abordagem, a escrita é uma representação gráfica do pensamento, utilizada por aqueles que utilizam o mesmo código linguístico e, de acordo com Sim-Sim (1998:21), ela “é o processo ativo de troca de informação que envolve a codificação (ou formulação), a transmissão e a descodificação (ou compreensão) de uma mensagem entre dois, ou mais, intervenientes”. Por outras palavras e, atendendo ao esquema da comunicação de Jakobson, são elementos nucleares do ato educativo, onde intervêm várias figuras, emissor, recetor e a mensagem, conjugados com os restantes elementos que estabelecem o funcionamento da comunicação: o código, o canal e o contexto. Para que a comunicação linguística seja viável, há necessidade de um emissor, o sujeito que transmita uma mensagem, que produz frases, e de um recetor, o interlocutor, aquele que descodifica a mensagem. Neste âmbito, segundo Rebelo e Atalaia (2000:19), comunicar linguisticamente significa, portanto, transformar os conceitos dos falantes em sinais de um código, aceite pela comunidade onde se vive, e que são interpretados pelos ouvintes. O aparecimento da escrita veio alterar a vida do homem, do seu discurso, do pensamento. Vigotsky (1978) considera que “a escrita não representa diretamente o mundo e a vida, constitui uma representação da fala: a escrita é o desenho da fala ou uma álgebra da linguagem oral. Ao ser dominada, a linguagem escrita torna-se um novo modo direto de representação, complementar da fala” (Niza et alii, 2011)81. Barbeiro (1993) considera que o ato de escrever implica um conjunto de métodos, organizados, iniciando-se no desenho das letras, organização de frases e terminando na escrita do texto.
Utilizar a linguagem escrita refere-se, unicamente, à sua aceção verbal: atenção auditiva, oratória, leitura e redação, aspetos, querendo isto dizer que a forma de
81 Baseámo-nos no Guião de Implementação do Português do Ensino Básico, organizado por Ivone Niza,
José Segura e Irene Mota, onde se pretende alertar a classe docente para a necessidade de investimento sério no desenvolvimento da competência de escritas nos alunos do 1º ciclo do ensino básico, por serem eles que vão adquirir e/ou desenvolver este saber e que se for bem sedimentado e alicerçado podemos estar a contribuir para uma geração de excelência, em termos de competências de literacia.
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comunicação mais elaborada é a que se processa através da linguagem verbal, que, no entender de Antão (1994), cria o mais perfeito sistema jamais concebido que conduz ao plano criativo do raciocínio lógico. Amor (2001) considera que a aquisição de uma língua é feita de forma intuitiva, implícita e íntima, com um objetivo funcional e influenciada socialmente. Contudo, Sim-Sim (1995) caracteriza a aquisição como uma apropriação subconsciente de um sistema linguístico pelo contacto natural, sem ter existido um contacto formal, a criança fala porque ouve falar e age por imitação e só mais tarde tomará consciência de que existem regras gramaticais e terá a noção do erro ortográfico82. Neste caso, é essencial o papel de um adulto que conduza o ensino formal. Neste item da aprendizagem, Amor (2001) destaca, ainda, que a aprendizagem de uma língua é feita de forma consciente, reflexiva e explícita, sendo o discurso produzido alvo de um exigente controlo normativo. Por seu turno, Sim-Sim (1995) caracteriza a aprendizagem como uma apropriação de um sistema linguístico, com recurso ao ensino formal, que abrange a explicação e a análise do ensinado/aprendido.
Martins (1996) considera que a aprendizagem da leitura e da escrita deve ser concebida como um processo de apropriação contínuo, que se começa a desenvolver muito precocemente e, não apenas quando existe ensino formal. Já Mata (2008) defende que as sucessivas investigações mostram que as crianças desenvolvem diferentes conhecimentos sobre a linguagem escrita, mesmo antes de estes lhes serem ensinados, sendo uma característica inata. O desenvolvimento da escrita acontece através da interação delas com outras crianças e com adultos, seja em situações formais ou não formais, o que origina o aparecimento de conceções e de conhecimentos sobre a mesma. A mesma autora refere que o momento preponderante para que a criança desenvolva os primeiros passos no processo de aquisição precoce da escrita é no jardim-de-infância, por ser o momento que completa o estádio de desenvolvimento intelectual83 da criança mais preparado para tal. Na mesma linha de pensamento da autora, crianças que desde cedo veem os outros ler e escrever, irão adotar essas práticas84, interiorizam que a leitura e a escrita é uma tarefa que deverão executar. Nesta perpetiva, desde cedo tomarão consciência que os seus conhecimentos sobre as funções
82 O erro é visto como processo natural da aprendizagem, através do qual o aprendente testa
continuadamente as várias hipóteses (Germain, 1993).
83 O desenvolvimento intelectual da criança é algo visível e que deve ser alvo de constante atenção por
parte de pais e educadores, nunca descurando os pequenos contactos e manifestações verbais, ou gestuais, desenvolvidas por parte da criança, Período sensorial-moral (período infantil), dos 0-18 meses existem manifestações tácteis e clara sensibilidade à voz humana, o culminar são, talvez as primeiras manifestações de intenções comunicativas, aos seis meses, que se desenvolverão, estando o bebé a pronunciar as primeiras palavras com algum sentido aos dezoito meses; o Período da 1ª infância, da
inteligência representativa, dos 18 meses a 3-4 anos, destaca-se sobretudo a capacidade imaginativa,
como atividade mental, pelo que o jogo seja fundamental para se poder desenvolver o sistema fonológico da criança; o Período da 2ª infância, da inteligência pré-operatória, dos 3-4 anos aos 6-7
anos, é o período das grandes descobertas significativas da criança, que deve ser constantemente
acompanhada e “vigiada”, em termos linguísticos, nesta fase constrói as suas estruturas sintáticas basilares, culmina com a entrada na escola e com a aquisição das regras sintáticas e semânticas; o
Período da 3ª infância, da inteligência operatória, dos 6-7anos aos 10-11anos, nesta fase a criança faz
associações, dissociações, interliga, realiza operações mentais sem recurso a outros materiais, em termos linguísticos adquire cada vez mais vocabulário, algum bastante requintado numa tentativa de aperfeiçoamento; no Período da pré-adolescência, dos 10-11anos aos 14-15 anos, faz deduções a aduções partindo de simples formulações verbais.
84 Atendendo aos ensinamentos de Sausurre que entende a linguagem verbal como uma capacidade inata
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da leitura e escrita se vão estruturando e tornando-se cada vez mais complexos, descobrindo a verdadeira função da linguagem escrita.
Atualmente, a escrita adquiriu estatuto social: escrever bem é sinónimo de competências sociais e de integração na sociedade. Barbeiro (2007) advoga que a escrita e o domínio da ortografia revelam a capacidade que o indivíduo tem em operar num sistema complexo, conduzindo a num nível mais elevado e de distância da realidade. Porém, revela bastante do grau de literacia de um indivíduo, já que a um maior nível de instrução e contato com as estratégias de leitura corresponderá um maior domínio da escrita/ ortografia, logo um fraco domínio das regras de ortografia será sinónimo de um fraco rendimento escolar. A aprendizagem da escrita é gradual e construtiva, pois quanto mais de lê, melhor se escreve e, quanto maior for o contacto com a linguagem escrita, maiores serão as probabilidades de interiorizar e compreender as normas ortográficas.