5.4 Hovudfunn
5.4.2 Periode 2: 2001 til 2005
Meu primeiro contato com a Libras ocorreu em 2009, em um curso oferecido por uma escola especializada. Era organizado para acontecer semanalmente, por duas horas e meia e totalizar 30 horas.
A turma era composta por cerca de quinze professores das instâncias Estaduais e Municipais. Nosso professor era surdo, mas havia o apoio de uma profissional intérprete para que houvesse comunicação entre nós.
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No primeiro dia de aula, o professor nos ensinou a representar nosso nome em datilologia e também nos atribuiu um sinal. Esse sinal serve para fazer referência à pessoa, sem necessidade de realizar a datilologia. Ainda no primeiro dia de aula, o professor dividiu o quadro, que era grande, em quatro partes e escreveu muitas palavras entre as divisões. Copiamos e atentamente assistimos à sinalização de cada uma delas para repeti-las várias vezes. Entre os vocábulos, havia cumprimentos e palavras relacionadas ao contexto escolar, como aluno, professor, caderno, caneta, entre outras.
Depois da aula, a orientação do professor era de que repetíssemos em casa, olhando para o espelho, os sinais aprendidos no curso. Mas quando eu chegava em casa, já havia esquecido pelo menos a metade deles. Não somente eu esquecia, como a maioria de meus colegas professores que faziam o mesmo curso relatavam que esqueciam também. Dessa forma, na semana seguinte, o professor precisava retomar todo o vocabulário. Era muito cansativo para todos. Entretanto ninguém questionava.
Quando percebi que eu havia aprendido apenas saudações como: bom dia, boa tarde e boa noite, dizer meu nome e sinal e sinalizar poucas palavras, desisti do curso. Assim também ocorreu com a maioria de meus colegas.
Desisti desse curso, mas não de aprender a língua. Então, matriculei-me em um Centro Estadual de Línguas para aprender a Libras. A professora também era surda, mas dessa vez não havia intérprete. Diferentemente do primeiro, a sala era cheia, cerca de 30 pessoas mais ou menos. Mas a didática era a mesma. Repetição de sinais a partir de listas de palavras da Língua Portuguesa, orientação para treino em casa e memorização.
Mas um dia, a professora chegou atrasada e nós, cursistas, estávamos muito agitados, conversando. Ela aguardou por um tempo até que todos estivessem olhando para ela. Então, ela contou-nos, em Libras, que o ônibus que a conduzia ao trabalho havia quebrado e por isso ela chegara atrasada.Enquanto explicava, duas colegas começaram a conversar. A professora ficou nervosa e brigou conosco em Libras, disse que tínhamos que estudar e não ficar conversando, brincando, que não era hora nem lugar... Depois de se acalmar, começamos a aula de repetição de vocabulário.
Na saída do curso, eu conversava com algumas pessoas sobre o nervosismo da professora e o fato da nossa compreensão do que ela nos falou. Para mim, aquele momento havia sido o melhor de todas aulas. Momento em que a professora usou sinais
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contextualizados, expressões conforme o que estava sentindo. Não era como algo mecânico, sem sentido e sem nexo com o real.
Na aula seguinte, tudo voltou a ser como antes. A professora sinalizava e nós, cursistas, repetíamos. Isso do início ao fim da aula.
Permaneci neste curso por cerca de três meses. Mas deixei de frequentá-lo pelo fato de que eu poderia repetir vocabulário utilizando o dicionário de Libras disponível online (Figura14):
Figura 14Dicionário de Libras
Fonte: Disponível em: http://www.acessobrasil.org.br/libras/
Passei por uma terceira experiência em curso de Libras com duas professoras: uma surda e outra ouvinte. Nessa experiência também havia repetição de vocabulário sinalizado. No início das aulas, recebemos uma apostila com os sinais que seriam aprendidos. Mas eu considerava difícil compreender um sinal no papel, pois a Libras não é nem um pouco estática e o papel não me permitia ver o movimento, a orientação do sinal, entre outros aspectos.
Nesse curso, as professoras também incluíram algumas poucas sentenças em Libras, mas após muitas repetições de vocabulário. Esse curso eu também abandonei, por perceber que não conseguia memorizar o vocabulário e o que havia memorizado não me possibilitava comunicação com uma amiga surda que eu encontrava algumas vezes.
Já a quarta experiência de aprender Libras aconteceu no ano de 2014, em um curso a distância de 180 horas, oferecido a professores da Educação Básica pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU.
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Nele, além de ler muitos textos sobre a surdez e Educação de surdos, a cada lição tínhamos acesso a um glossário em que eram apresentados os sinais que apareceriam nos vídeos de maneira contextualizada. O primeiro vídeo apresentava uma situação de comunicação em sinais, mas com legenda: o surdo no banco, entrevista de trabalho, na escola, conversando com um amigo sobre o vestibular, entre outras. Posteriormente, outra situação, sem legenda, algumas vezes com alguma alteração, mas que não dificultava o entendimento.
Considero que essa experiência foi um pouco mais interessante, visto que não havia somente repetição de vocabulário descontextualizado. Mas ainda é possível questionar sobre a situação real, considerando-se que uma situação criada se diferencia da situação real.
Cabe ressaltar que não sou daquelas pessoas que acreditam que para ser fluente na utilização de uma língua é necessário aprender com um falante nativo, mas defendo a aprendizagem a partir da utilização de situações reais de emprego da língua.
Depois dessa experiência, passei a pesquisar vídeos em Libras na Internet: músicas, poesias, vídeoaulas de Libras, entre outros. Nessas videoaulas, percebi uma diversidade de materiais: há aulas para repetição de vocabulário descontextualizado, há outras que trabalham a língua a partir de sentenças. Mas o que considero interessante é o fato de selecionar o que quero assistir e aprender sem sair de casa e sem a necessidade de exercícios repetitivos.
Também acesso vídeos que os meus amigos surdos postam no Facebook. Desses vídeos, muitas vezes eu consigo compreender o sentido da mensagem. Não consigo ainda fazer uma tradução simultânea, mas esse nem é meu objetivo, pois não pretendo tornar-me intérprete de Libras, pois entendo que nem todas as pessoas que sabem uma língua sabem desenvolver o trabalho de tradutores dessa língua. Existe formação específica para tradução.
O contexto do surdo parece semelhante. Há profissionais que optam por trabalhar a tradução Libras/Português, Português/Libras e buscam formação para desenvolver esse trabalho. Há outros que optam por trabalhar o ensino de Libras, assim sendo atuam ensinando a Língua Brasileira de Sinais para surdos ou ouvintes ou ainda, no processo educacional de pessoas surdas. Na falta de formação específica, há um exame de certificação que marca bem essa diferença, o Exame para certificar proficiência no ensino da Libras e o exame para certificar proficiência na tradução e interpretação da Libras/Língua Portuguesa denominado Prolibras29.
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De acordo com minha experiência prático-profissional, esse exame é realizado pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos em parceria com o Ministério da Educação e a Universidade Federal de Santa Catarina.
Até aqui, narrei minhas experiências de aprender Libras em cursos. A partir de agora, conto a experiência de chegar ao contexto do surdo com pouco conhecimento e aprender um pouco mais da Língua, mas em situações reais.