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Etikk og investering: Ei instrumentell tilnærming

2.2 Etikk og investering

2.2.2 Etikk og investering: Ei instrumentell tilnærming

Considero importante iniciar minha descrição dos procedimentos para análise dos textos de campo a partir do pensamento de Boff (1997), pois os sentidos compostos da experiência vivida por mim e meus participantes de pesquisa foram marcados por nossas experiências pessoais e por minhas experiências pessoais e profissionais. É importante também destacar que o leitor desta tese poderá compor sentidos diferentes daqueles que serão aqui narrados. Boff (1997) considera que:

Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. Sendo assim, fica evidente que cada leitor é coautor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita (BOFF, 1997, p. 9 - 10).

Boff (1997, p.9) ressalta que ―todo ponto de vista é a vista de um ponto.‖ Essa afirmativa me leva à compreensão de que meus participantes e eu compomos sentidos de uma dada maneira,

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porque somos quem somos, estamos envolvidos em histórias pessoais e profissionais em contextos específicos, usamos lentes diferentes que nos permitem olhar para a experiência de maneira muito particular, subjetiva. Na leitura do texto de pesquisa, também pode ocorrer o mesmo, cada um lê o texto com os olhos ou as lentes que tem e interpreta a partir de onde seus pés pisam.

Na mesma linha de pensamento, Ely, Vinz, Downing, Anzul (2001) sugerem a composição de sentidos assumindo a interpretação como o resultado da interação entre textos de campo e a intervenção das nossas experiências pessoais e profissionais. De acordo com Ely, Vinz, Downing, Anzul (2001), sentidos podem ser compostos a partir da leitura e releitura dos textos de campo, pensamento e compreensão sobre eles, sua escrita, reescrita, exposição e discussão em grupos de apoio, tendo como base o espaço tridimensional e os movimentos da pesquisa narrativa.

Na composição de sentidos, passei por todos esses processos, quando expus e discuti com o grupo de apoio (GPNEP)7 os textos de campo e de pesquisa para elaboração da versão final desta tese. Ely, Vinz, Downing, Anzul (2001) relatam que ler e discutir os sentidos compostos em grupos de suporte possibilita perspectivas diferentes, ou seja, a não limitação a uma visão única, buscando auxílio para compor outros sentidos que poderiam levar a outras recontagens. Segundo as autoras, é importante que as histórias sejam reconhecidas como passíveis de ocorrer no contexto estudado. Nesta pesquisa, esse procedimento ocorreu durante os seminários de orientação, os estudos do GPNEP, os exames de qualificação e, também nos momentos em que as histórias foram compartilhadas com os participantes de pesquisa.

Dessa forma, percebe-se, conforme Telles (1999), que a composição de sentidos na Pesquisa Narrativa não é tarefa somente para o pesquisador, mas para um conjunto de pares interessados (professoras participantes, alunos participantes, coordenadores e administradores da instituição educacional). Assim sendo, a Pesquisa Narrativa abre espaço para a construção do conhecimento, da subjetividade, não só do pesquisador, mas também dos participantes, pois a composição de sentidos na pesquisa narrativa ocorre sempre em relação às experiências vividas, aos alunos, aos professores, ao diretor da instituição pesquisada, entre outros.

Escolhi compartilhar os sentidos compostos da experiência que vivi com meus alunos surdos na forma de histórias. Elas, conforme Ely, Vinz, Downing, Anzul (2001), são um entre

7Grupo de Pesquisa Narrativa e Educação de Professores, coordenado pela Profª Drª Dilma Maria de Mello, da Universidade Federal de Uberlândia.

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outros possíveis caminhos para análise da experiência na pesquisa narrativa: poesia, teatro, resumo, síntese, diálogos, entre outros. As autoras destacam que a composição de sentidos pode ser comparada a um trabalho artesanal de esculpir o barro com os dedos, assumindo a subjetividade, a singularidade nesse processo. Ely, Vinz, Downing, Anzul (2001) destacam que a subjetividade também diz respeito à elaboração dos textos de campo que, conforme as autoras, não são documentos impessoais, são na verdade moldadas pelos olhos do pesquisador, o que implica maneiras pelas quais pessoas individualmente veem o mundo e de que forma interpretam o que veem. Conforme as autoras:

Os sentidos que fazemos dos nossos projetos de pesquisa são filtrados pelas nossas crenças, atitudes e experiências prévias e também posições teóricas formais e informais que compreendemos e em que acreditamos (ELY, VINS, DOWNING, ANZUL, 2001, p. 38- minha tradução)8.

Na mesma perspectiva, Connelly e Clandinin (2000) acrescentam que, na Pesquisa Narrativa, a composição de sentidos é permeada por nossos conhecimentos prático-pessoais e nossos conhecimentos prático-profissionais, conforme Connelly e Clandinin (2000).

Mello (2005, 2012) considera que essa subjetividade pode provocar, em muitos pesquisadores escritores, a preocupação de que suas interpretações possam ser vistas como invenções, fábulas ou mentiras, como indica Van-Manem (1990). Ely, Vins, Dowing e Anzul acrescentam que a possibilidade de ver o conhecimento construído a partir de várias instâncias, ou seja, várias perspectivas pelas quais organizamos a composição e interpretação dos textos de campo, de certa forma, torna mais brandas as críticas em relação as nossas interpretações.

Inspirada em Ely, Vinz, Downing, Anzul (2001), Mello (2004, 2012) relata que a Pesquisa Narrativa atrai e contempla uma diversidade de ângulos pelos quais podemos interpretar os textos de campo. No mesmo trabalho, a autora registra:

[...] diante de tantas possibilidades, fazer escolhas faz parte do processo de composição de significados. A cada escrita e reescrita, volta aos dados, discussão em grupo, escolha do tipo de texto a ser escrito, por exemplo, o pesquisador tem a oportunidade de refletir e rever suas interpretações. O processo de composição de sentidos provoca uma reflexão profunda e contínua, pela qual o pesquisador não só compreende e interpreta o material documentário de sua pesquisa, como também questiona e reflete sobre sua vida, seu papel como pesquisador e sua forma de ver o mundo (MELLO, 2004, p. 106).

8 The meanings we make from our research projects are filtered through our beliefs, attitudes, and previous experiences as well as through both the formal and informal theoretical positions we understand or believe in.

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Assim sendo, a composição de sentidos não vem do texto para o leitor, mas, como toda leitura, vem do leitor para o texto. De acordo com Mello (2004, 2012), quando eu componho, há uma composição do ―eu‖ diante do fenômeno, isso significa que outras pessoas poderiam compor sentidos diferentemente de mim, mesmo vivendo uma mesma experiência, com os mesmos participantes e no mesmo contexto. Cada pessoa tem uma história envolvendo seu próprio ser e são essas histórias que fazem com que cada uma olhe para algo que o outro talvez não olhe.

Nesse sentido, vale também ressaltar as considerações de Larrosa (2002) sobre a experiência, já que, como pesquisadores narrativos, compomos sentidos da experiência. Conforme o autor, a experiência é singular, por isso ―produz diferenças, heterogeneidade e pluralidades‖ (LARROSA, 2002, p. 28).

Busquei também em Koch e Elias (2006) um referencial para refletir um pouco mais sobre a composição de sentido na relação autor-leitor durante o processo de leitura. As autoras ressaltam que o sentido de um texto é composto na interação texto-autor-leitor e não algo preexistente a essa interação. Baseadas em Solé (2003), Koch e Elias (2006) acrescentam que se espera que o leitor assuma uma postura ativa diante da informação, que processe, critique, contradiga, avalie, desfrute ou resista, mas que dê sentido ao que lê.

Além das pesquisas de Koch e Elias (2006), considero relevante, na atualidade, trazer para essa discussão, autores que tratam da produção de sentidos9, como Kalantzis e Cope (2012), por exemplo. Mesmo que esses autores estejam discutindo letramentos, Kalantzis e Cope (2012) destacam a pluralidade de modos de se produzir sentido, dependendo do contexto e das formas de expressão, cada vez mais multimodais.

Neste capítulo, descrevi o percurso teórico metodológico que escolhi trilhar para desenvolver esta tese. Teci explicações sobre a pesquisa narrativa com base nas teorias Connelly; Clandinin (1988, 1998, 1999, 2006) e Clandinin; Connelly (1995, 2000, 2004, 2007, 2007). Descrevi o contexto escolhido para viver a experiência e também apresentei a descrição de minhas participantes. Apresentei os instrumentos utilizados para compor os textos de campo e a maneira pela qual esses textos tornaram-se texto de pesquisa. No próximo capítulo, apresento meu referencial teórico para que o leitor possa observar sob quais lentes teóricas eu discuto o tema desta tese e também possa compor sentidos desse meu estudo.

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