5.4 Hovudfunn
5.4.4 Periode 4: 2011 til 2016
Para o trabalho com o gênero perfil, a proposta foi a seguinte SD: Quadro 6 SD do gênero perfil
Oficinas Atividades Conteúdos
Oficina 1 – 1 aula Levantamento do conhecimento prévio sobre o gênero a ser trabalhado.
O que o aluno já sabe e o que é relevante saber sobre o gênero. Oficina 2 – 4 aulas Contato com textos autênticos (o
gênero que circula socialmente). - Aspectos discursivos e estruturais (características) do gênero, leitura com
compreensão. Oficina 3 – 4 aulas Exploração de aspectos
discursivos e linguísticos de forma contextualizada.
Questões de vocabulário, estrutura linguística, condições de produção.
Oficina 4 – 4 aulas Produção. Produção escrita do gênero.
Para o trabalho com o gênero perfil, decidi não levar um modelo. Assim, os alunos poderiam buscar o que fosse do interesse deles.
Na primeira aula com o gênero, escrevi a palavra perfil no quadro e perguntei quem conhecia a palavra, qual era o significado dela. Como ninguém apontou um sentido para a palavra, convidei os alunos para o laboratório, que já estava reservado para nossa aula.
No laboratório, expliquei que iria trabalhar com o ―gênero perfil‖. Solicitei que fizessem uma pesquisa sobre o gênero no Google. Nesse momento, percebi que nem todos os alunos eram familiarizados com o uso do computador para pesquisar. Assim sendo, permiti que os mais experientes ajudassem os outros e, junto à intérprete, eu fui apoiando conforme as necessidades: como ligar, busca pelo navegador, entre outros.
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Apresentei três questões para apoiá-los em suas buscas: ―O que é um perfil?‖ ―Como é que se elabora um perfil?‖ ―Onde encontramos perfis?‖ Foi assim que surgiu a proposta de criar o perfil no Facebook:
Figura 21Busca por perfil
Disponível em: https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=perfil Maria José: _Quero construir meu Facebook!
Maria Aparecida: _O que é?
Clarice: _Você cria o seu e pode ter amigos, conversar, ver fotos. Minha prima tem.
Maria Aparecida: _Eu também quero.
Judith: _Calma! Não sei se a gente pode. Preciso perguntar primeiro para a supervisora. (Nota de campo, 10/03/10)
Deixei os alunos com a intérprete, solicitei que continuassem a pesquisa e saí da sala para procurar a supervisora para relatar sobre o ocorrido e questionar sobre a possibilidade. Ela considerou interessante, mas explicou que eu deveria conversar com a diretora, se ela permitisse tudo bem, poderíamos realizar o trabalho. Mas admitiu que talvez não fosse possível porque o Facebooké geralmente visto como entretenimento. Fui à sala da diretora e relatei sobre o interesse dos alunos em relação à criação do perfil, falei das possibilidades de leitura que eles poderiam realizar, das postagens que necessitavam da escrita. A diretora permitiu. Assim sendo, voltei para a sala e o trabalho continuou.
Judith: _O que precisamos primeiro para criar o perfil? Vamos procurar no Google. Abaixo as ilustrações de duas das telas que surgiram na busca:
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Figura 22 Busca por perfil Facebook no Google.
Disponível em: https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=perfil+Facebook
Figura 23Perfil Facebook.
Disponível em: https://pt-br.Facebook.com/editarperfil
Maria Aparecida: _Não consigo!
Maria José: _Eu ajudo! Você precisa ter e-mail. Você tem? Maria Aparecida: _Não!
Maria José: _ Então vamos criar um e-mail, hotmail.
Durante a aula, os alunos foram-se ajudando entre si, somente interferi quando solicitavam. Pedi que eles criassem o perfil e lessem os perfis dos colegas.
Depois de criarem a conta, eles foram adicionando os colegas, os professores da escola, a diretora, visitavam a página uns dos outros, adicionavam também outras pessoas conhecidas. Alguns alunos demoraram a entender que se não estavam em um computador pessoal não tinham foto para colocar no perfil, outros buscavam imagens no Orkut para postar no Facebook.
Adverti os alunos sobre as informações que podem ou não ser compartilhadas no perfil de uma rede social, por exemplo, sobre o fato de não ser interessante compartilhar o número do telefone celular, expliquei sobre questões de configurações de privacidade, a fim de controlar quem pode ou não acessar informações pessoais do perfil. Também os alertei sobre
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a prática comum de postar o que a pessoa está fazendo, onde e com quem. Compartilhei com os alunos um fato ocorrido com uma família que viajou e postou no Facebook quando ainda saía de casa. No retorno, a casa estava vazia, sem móveis, sem nada e os ladrões ainda agradeceram, escrevendo no espelho de um dos banheiros da casa um agradecimento pela notícia da viagem no Facebook.
Avaliando o processo, considero que eles deram pouca atenção ao preenchimento do próprio perfil e leitura do perfil do outro, mas a atividade envolveu várias aprendizagens: criar a conta do e-mail para quem ainda não tinha, criar conta no Facebook, ler e preencher as informações necessárias para isso, adicionar os colegas, visitar outras páginas, postar fotos, entre outras. Até viver essa experiência, eu talvez não elaborasse um plano de aula pensando no Facebook. Isso porque eu não conseguia percebê-lo como possibilidade de aprendizagem; na minha concepção, ele servia apenas para diversão, passatempo.
No mesmo dia, a diretora me procurou e relatou que visitou o perfil dos alunos que a adicionaram e deixou um recado para eles, para incentivá-los a ler. Desde então, percebi que meus alunos não mais deixaram de usar o Facebook. Até os mais tímidos começaram a fazer postagens e comentar postagens dos outros. Muitos criaram uma segunda conta pelo fato de terem esquecido a senha da primeira. Hoje, os alunos surdos fazem postagens de vídeos em Libras e raramente os amigos também surdos deixam de curtir e/ou comentar em Língua Portuguesa.
Depois que os perfis no Facebookficaram prontos, coloquei os alunos em contato com um perfil profissional e fiz alguns questionamentos:
Judith: _Como é o texto do perfil? É curto, longo? Como é? Mara: _Pergunta e você só responde.
Judith: _Que tipo de pergunta? Mara: _Nome, idade, trabalho, escola.
Judith:_ As informações solicitadas direcionam a elaboração do perfil. Agora, vocês vão ver como é um perfil profissional. Um currículo, por exemplo, é um perfil profissional. Nele informamos: nome, data de nascimento, telefone para contato ou e-mail, escolaridade (formação), experiência profissional (trabalhos que já realizamos).
Um dos alunos me interrompeu para dizer que queria trabalhar,que precisava de ganhar dinheiro.Eu falei para o aluno que trabalhar era importante mesmo e que então, ele iriagostar da nossa próxima atividade que era preencher um perfil profissional em forma de formulário. (Nota de campo, 10/03/10) Nessa proposta de atividade, percebi que os alunos não sabiam informações que eu considerava básicas, como o nome da mãe, endereço, número do telefone residencial e, ainda,
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que eles não tinham documentos pessoais: CPF, RG, carteira de estudante, carteira de trabalho.
Solicitei como tarefa que eles trouxessem o nome dos pais, endereço completo (nome da rua, número da casa, bairro, CEP da rua) e número do telefone residencial para que pudessem preencher um perfil profissional.
Foram duas produções escritas para a proposta de SD utilizando o gênero perfil: a elaboração do perfil no Facebooke o preenchimento do perfil profissional, mesmo incompleto devido à falta de informações sobre documentos pessoais, por exemplo. A partir dessa experiência, percebi a necessidade de trabalhar com os alunos sobre como tirar os documentos pessoais.