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DEL IV: EMPIRI OG ANALYSE

6. Analyse for utredningens formål

6.1 Utvikling av styringssystemet og ledelsesfokuset i Coloplast

6.1.4 People Cycle

Esta aplicação didática teve como objetivo proporcionar uma sequência de situações de aprendizagem, de modo a conduzir o aluno, reflexivamente, a apreender a organização sintática de enunciados com o marcador gustar (estrutura inversa/ergativa).

Como se tratava de uma turma de jovens (1º e 2º períodos – LETRAS), escolhemos a música “Me gustas tú”, de Manu Chao para esta atividade. Induzimos os alunos para que a escutassem duas vezes. Após um preâmbulo, no qual demos e recebemos informações gerais sobre o cantor e o contexto, conduzimos uma reflexão sobre o funcionamento do verbo

gustar. Nesse momento, sintetizamos peculiaridades semânticas e sintáticas sobre essa marca linguística.

Após uma sessão com vídeo e acompanhamento com a letra da música, perguntamos se haviam detectado algum “estranhamento” de ordem gramatical (sintática). Ao que, imediatamente, citaram os enunciados me gustan los aviones – me gustas tú (a não concordância do sujeito com o verbo/estrutura inversa-ergativa).

Perguntamos se eles poderiam associar gustar com outros verbos já conhecidos na língua espanhola, e, assim, citaram hablar/ trabajar/... e imediatamente entendemos o motivo que confirmava o “estranhamento” inicial, pois as citadas marcas linguísticas já haviam sido estudadas e, ao correlacionar yo hablo, tú hablas, él habla [...] com gustar, logicamente, o uso seria *yo gusto, *tú gustas, *él gusta [...]. A comparação foi feita com verbos regulares. Baseados em seus parcos conhecimentos, associaram a construção atípica das frases da música a um desconhecimento da norma culta da língua espanhola por parte do autor.

A música apresentada foi escolhida, propositalmente, por já sabermos tratar-se de um

hit conhecido pela faixa etária com a qual estávamos trabalhando e, principalmente, porque, ao contrário do que disseram os alunos, a estrutura do verbo gustar que nela aparece é fiel à norma padrão da língua espanhola, além de conter ocorrências de uso coloquial que os instrumentos linguísticos (gramáticas e dicionários) não registram. Ou seja, com essa música os alunos poderiam conhecer um número variado de ocorrências do marcador gustar e, até mesmo chegar ao ponto de, somente com as frases desse texto, elaborar uma “regra” para sistematizar o uso do citado verbo.

Porém, como todas as evidências apontavam para que se perpetuasse a ideia de que havia “erros” gramaticais na letra da canção e, como isso também já era esperado, apresentamos a música “Me gustan los estudiantes”, de Violeta Parra, e a poesia “Me gustas

cuando callas”, de Pablo Neruda, dedicando, obviamente, alguns momentos às biografias

desses chilenos ilustres.

Solicitamos aos alunos que lessem, com atenção, os textos apresentados e comparassem os usos do verbo gustar, previamente, destacados. Não tratamos de estrutura ou de regras gramaticais, pois nossa intenção era que eles detectassem similaridades entre as ocorrências escolhidas. Orientamos para que trabalhassem individualmente. Ao apresentarmos a poesia “Me gustas cuando callas”, de Pablo Neruda, pedimos, inicialmente, que eles a lessem em voz alta e, após isso, fizemos comentários sobre o léxico.

A seguir, transcrevemos os aludidos textos trabalhados com o grupo: MÚSICA

Me Gustas Tú

(Manu Chao)

Composição: "Próxima Estación : Esperanza"

¿Qué horas son mi corazón? Te lo dije muy clarito

Doce de la noche en la Habana, Cuba Once de la noche en San Salvador, El Salvador

Once de la noche en Managua, Nicaragua

Me gustan los aviones, me gustas tú. Me gusta viajar, me gustas tú. Me gusta la mañana, me gustas tú. Me gusta el viento, me gustas tú. Me gusta soñar, me gustas tú. Me gusta la mar, me gustas tú. ¿Qué voy a hacer?, je ne sais pas. ¿Qué voy a hacer?, je ne sais plus. ¿Qué voy a hacer?, je suis perdu. ¿Qué horas son?, mi corazón. Me gusta la moto, me gustas tú. Me gusta correr, me gustas tú. Me gusta la lluvia, me gustas tú. Me gusta volver, me gustas tú. Me gusta la iguana, me gustas tú. Me gusta colombiana, me gustas tú. Me gusta la montaña, me gustas tú. Me gusta la noche, me gustas tú. Doce y un minuto

Me gusta la cena, me gustas tú. Me gusta la vecina, me gustas tú. Radio reloj

Me gusta su cocina, me gustas tú. Una de la mañana

Me gusta camelar, me gustas tú. Me gusta la guitarra, me gustas tú.

Me gusta el reggae, me gustas tú. Me gusta la canela, me gustas tú. Me gusta el fuego, me gustas tú. Me gusta menear, me gustas tú. Me gusta la Coruña, me gustas tú. Me gusta Malasaña, me gustas tú. Me gusta la castaña, me gustas tú. Me gusta Guatemala, me gustas tú.

MÚSICA

Me gustan los estudiantes (Violeta Parra) ¡Que vivan los estudiantes, jardín de las alegrías! Son aves que no se asustan de animal ni policía, y no le asustan las balas ni el ladrar de la jauría. Caramba y zamba la cosa, ¡que viva la astronomía! ¡Que vivan los estudiantes que rugen como los vientos cuando les meten al oído sotanas o regimientos. Pajarillos libertarios, igual que los elementos. Caramba y zamba la cosa ¡vivan los experimentos! Me gustan los estudiantes porque son la levadura del pan que saldrá del horno con toda su sabrosura, para la boca del pobre que come con amargura. Caramba y zamba la cosa ¡viva la literatura! Me gustan los estudiantes porque levantan el pecho cuando le dicen harina sabiéndose que es afrecho, y no hacen el sordomudo cuando se presenta el hecho. Caramba y zamba la cosa ¡el código del derecho!

POESÍA

Me gustas cuando callas

(Pablo Neruda)

Me gustas cuando callas porque estás como ausente, y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.

Parece que los ojos se te hubieran volado y parece que un beso te cerrara la boca. Como todas las cosas están llenas de mi alma emerges de las cosas, llena del alma mía. Mariposa de sueño, te pareces a mi alma, y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante. Y estás como quejándote, mariposa en arrullo. Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza: déjame que me calle con el silencio tuyo. Déjame que te hable también con tu silencio claro como una lámpada, simple como un anillo. Eres como la noche, callada y constelada. Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo. Me gustas cuando callas porque estás como ausente. Distante y dolorosa como sí hubieras muerto. Una palabra entonces, una sonrisa bastan. Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

Na sequência, solicitamos que os aprendizes comparassem os textos quanto ao emprego (funcionamento) do verbo gustar. Eles detectaram a citada “inversão” da estrutura e, também, perceberam e verbalizaram que havia sempre um pronome pessoal contíguo ao verbo. Como eles já conheciam os verbos llamarse e dedicarse (pronominais), que geralmente aparecem nas primeiras lições do método comunicativo usado no curso, novamente, fizemos

alusão às formas verbais e eles puderam recordar-se de que, com os citados verbos, também são usados os pronomes pessoais átonos me – te – se – nos – os – se.

Percebemos que esse seria o momento propício para explicitarmos algumas particularidades sintáticas do verbo gustar, já que, quanto à semântica, havia poucas dificuldades; porém, não queríamos usar uma terminologia gramatical, especificamente, como complemento direto/indireto, sujeito, etc. No entanto, era necessário explicar a “estrutura inversa” (ergativa) desse marcador e, nesse sentido, demos andamento a uma sequência reflexiva.

Solicitamos que observassem as formas do verbo que apareciam nas músicas e poesia, assim como, os respectivos referentes. Então, eles destacaram:

la mañana

el viento

la montaña

Me gusta la moto (referente em singular)

(verbo singular) viajar

la lluvia

Me gustan los aviones (referente em plural)

(verbo plural) los estudiantes

Nas várias tentativas de criar uma “regra”, intuitivamente, eles manifestaram ter entendido, no caso das frases das músicas e da poesia, que sempre há alguém que gosta de algo ou de alguém, isto é, alguma coisa é objeto de agrado para alguém. Tal entendimento nos remeteu à proposição de Kerbrat-Orecchioni (1997,p.131), para quem uma das possibilidades de análise semântica para o verbo gustar seria considerar a sequência a “x le gusta y”. Então, procuramos aperfeiçoar as ideias esboçadas e trabalhamos com a seguinte estrutura:

A ALGUIEN GUSTAR ALGO /ALGUIEN

(termo localizador) (relator) (termo localizado)

X r Y

Considerando a sequência “a X le gusta Y”, e o quadro teórico culioliano, explicamos que no caso específico do verbo gustar, no sentido de agradar, X é orientado em relação a Y e Y é orientado em relação a r. A concordância do verbo é feita com o 2º argumento, ou seja, ocorre a tematização de Y que é considerado ponto de referência ou a origem do sentimento/emoção expressado por gustar. Assim, explica-se de acordo com a TOPE, a estrutura inversa ou ergativa de enunciados que envolvem esse marcador. Numa

tentativa de simplificar essa explicação para os aprendizes, os estagiários sugeriram que o trabalho fosse feito com situações de aprendizagem que utilizassem representações figurativas (LANGACKER,1987; DUCARD,2009), objetivando ilustrar qual é o termo de partida e sua afinidade com o relator gustar. Conforme percebemos na sequência:

x Me gusta la moto

x Me gustan los aviones

x Me gustan los estudiantes

x Me gustas tú

Em seguida, pedimos que os alunos observassem se todas as frases com o verbo

gustar, tanto da música quanto das poesias, realmente se enquadravam nas explicações dadas. Eles responderam, afirmativamente, e verbalizaram que Me gustas tú, título da música e expressão repetida várias vezes no refrão, assim como Me gustas cuando callas, no poema de Pablo Neruda, também poderiam ser explicados pelo mecanismo “X r Y”.

Solicitamos então que tentassem entender o sentido dessas duas frases (Me gustas tú/

Me gustas cuando callas). Após discussões e reflexões em conjunto, considerando os contextos dessas ocorrências linguísticas, os aprendizes chegaram ao consenso de que, em ambos os casos, pessoas parecem ser muito atrativas ou exercerem uma grande atração sobre outras, o que vem a corroborar as características da modalidade apreciativa na perspectiva da TOPE. Uso, geralmente, não enfatizado nos instrumentos linguísticos consultados, porém corrente, conforme textos apresentados.

Após o término dessa sessão com o verbo gustar, repetimos com o grupo a atividade aplicada antes desses momentos de reflexão (texto retratando gostos de opiniões), e o resultado, como atestam os textos que reproduzimos em anexo, foi positivo.