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DEL II: TEORETISKE BEGREPER OG GRUNNLAG FOR ANALYSE

3. Teoretisk grunnlag for analyse

3.2 Ledelse

Com base em Dowty (1972) e Géis (1973) (apud MELIS et al 2003,p.4), podemos inferir que os verbos de estado anímico ou verbos psicológicos, cujos representantes têm por propriedade essencial denotar estados emocionais como gustar, temer, aburrirse, doler ,

molestar em língua espanhola, geralmente, estão envolvidos com dois argumentos: o experienciador e o estímulo. O primeiro, faz referência a um ser “prototipicamente humano” que sente ou é afetado pela emoção emanada do verbo; o segundo, remete à entidade relacionada com a emoção. Sobre essa categoria linguística, Melis (1999,p.50) diz serem verbos que denotam “um processo de afetação psicológica no qual figuram o ser animado que sofre o processo, conhecido como ‘experienciador’, e a entidade externa que suscita o processo no experienciador, a qual chamarei aqui o ‘estímulo’ ”.

Vendler (1967), no que concerne à característica temporal – aspecto – classifica os verbos em quatro categorias semânticas: verbos de atividade (jogar); verbos de realização ou resultado (escrever uma carta); verbos pontuais (ganhar um prêmio) e verbos de estado (amar). Essa classificação – noção de “estado” e “evento” – está relacionada ao aspecto lexical [AKTIONSART – modo de ação verbal (CULIOLI,1999a,p.147)]. Na essência, trata- se, particularmente, das qualidades (especificações) temporais peculiares à situação expressada por um verbo ou predicado. De acordo com Elene de Miguel:

Com o termo evento faz-se alusão a qualquer tipo de ‘situação’ ou ‘acontecimento’ denotado por um predicado. Evento é usado como termo neutro tanto com relação a uma situação, que parece contar com um ‘sabor’ mais estático, quanto frente a um acontecimento dotado de uma conotação mais dinâmica. Esse termo engloba, portanto, ações (acontecimentos executados voluntariamente por um sujeito agente), processos (acontecimentos desencadeados espontaneamente ou causado por uma força externa ao processo) e estados (situações que se mantêm ao longo de um período). (MIGUEL,1999,p.3033-3034)

Detalhadamente, as classes propostas por Vendler (1967) são:

a) Atividades ou processos (activities – VENDLER,1967): são eventos dinâmicos que acontecem e se desenvolvem no tempo, sem requererem efetivamente uma culminação, ou seja, são atélicos (MOURE,1991), o evento não é delimitado, não há focalização de seus limites; trata-se, portanto, de situações dinâmico-durativas atélicas (não há referência ao apogeu de um evento, expressam a ação como não terminada).

b) Realizações ou resultados (accomplishments – VENDLER,1967): trata-se de eventos dinâmicos e delimitados que se desenvolvem obedecendo a um limite de tensão interna, ou seja, descrevem um processo que requer duratividade e término. Nesse caso, são acontecimentos télicos (MOURE,1991).

Ex: nadar quinhentos metros; ler a bíblia sagrada; escrever um bilhete; construir um muro.

c) Eventos pontuais (achèvements – VENDLER,1967): são acontecimentos dinâmicos, télicos (MOURE,1991), isto é, expressam a ação como terminada; implicam no cumprimento de um evento com duração breve. Trata-se de verbos pontuais (delimitados) que não denotam desenvolvimento temporal e produzem mudanças ou transição.

Ex: nascer, morrer, encontrar, reconhecer, descobrir, alcançar.

d) Eventos estativos ou estados (states – VENDLER,1967): são circunstâncias não dinâmicas e atélicas; concernem a situações estáticas que mantêm uma homogeneidade em cada intervalo de tempo, ao longo do qual se desenvolvem; não sofrem alterações temporais, são acontecimentos ilimitados quanto ao tempo. Ex: ser (inteligente, íntegro, baixo), saber, conhecer, amar.

Quanto a essa última classe, Elene de Miguel explicita:

Um estado é um evento que não ocorre, mas se manifesta; e se manifesta de forma homogênea em cada momento do período de tempo ao longo do qual se estende. Um estado, portanto, está lexicamente incapacitado para expressar mudanças ou procedimento durante o período de tempo em que se manifesta; pelo fato de não avançar, não pode dirigir-se em direção a um limite nem alcançá-lo. (MIGUEL,1999, p.3033-3034)

No que concerne à catalogação do verbo gustar como um estativo, Suzanne Vroon (2006), em um estudo sobre o aspecto semântico de verbos psicológicos em língua espanhola, observa:

Ao interpretar-se o uso dos clíticos le e les como um reflexo do caráter ‘estativo’ dos verbos aos quais acompanham, pode-se fazer um esboço de uma escala de verbos mais e menos estativos. Na tabela (2), que é uma seleção de verbos com porcentagem de le / les maior a 90, vemos que os verbos que tanto na tabela ‘hispânica’ (1a) como na ‘espanhola’ (1b) e na ‘mexicana’ (1c) têm esta porcentagem são: agradar, disgustar, encantarse,

gustar e preocuparse. Segundo esse critério, pois, são verbos de caráter estativo. 79 (VROON,2006, p.129; grifos da autora)

Islas (2007,p.194), em seus estudos sobre a estrutura dos eventos, observa que “na amostragem de verbos de Croft estão incluídos alguns verbos psicológicos. [...], por sua vez, dentro deles se poderia delimitar o subconjunto dos ‘verbos de emoção’ que implicam em um estado ou mudança de estado emocional (como são vistos aqui, temer, asustar, gustar)”. 80

Ao mostrar as dificuldades para classificar e justificar alguns predicados em língua espanhola, Martha Islas (2007,p.193) enfatiza que “o primeiro caso problemático é o dos estados, que não mostram ‘seu experienciador’ como sujeito”. Ela explicita, também, que um dos verbos estativos mencionados é gustar e demonstra a situação, esquematicamente:

(20) gustar, estado con experimentante objeto indirecto Los pasteles le gustan a Juan

Tema V Experimentante

Sujeto Objeto Indirecto

(ISLAS,2007, p.193)

Paralelamente, Maria Luisa Rivero (2008,p.14) faz menção a duas construções com verbos psicológicos e experienciadores dativos em língua espanhola. Enfatiza que a primeira construção com verbos como olvidarse (esquecer), antojarse (ansiar) e ocurrirse (ocorrer) é télica e não tem sofrido mudanças consideráveis, no que tange à história da língua espanhola. Ela registra, ainda, que a segunda construção psicológica, que na primeira etapa aparece com

placer, pesar, displacer e, posteriormente, com “apetecer e gustar ,entre outros verbos, é estativa, e vem mudando ao longo da história da língua” (ibidem,p.14). Conforme Rivero, essa segunda construção psicológica é atélica e remete a “verbos que contêm um objeto lógico (complemento) concebido como tema (estímulo) da emoção ou atividade psicológica” (ibidem,p.14). No dizer dessa estudiosa, “a construção estativa passa a adotar objetos lógicos

79 Si se interpreta el uso de los clíticos le y les como un reflejo del carácter ‘estativo’ de los verbos a que

acompañan, se puede hacer un esbozo de una escala de verbos más y menos estativos. En la tabla (2), que es una selección de los verbos con el porcentaje de le/les mayor a 90, vemos que los verbos que tanto en la tabla ‘hispánica’ (1a) como en la ‘española’ (1b) y la ‘mejicana’ (1c) tienen este porcentaje son: agradar, disgustar, encantar, gustar y preocupar. Según este criterio, pues, son verbos de carácter estativo.

80 En la muestra de verbos de Croft están, incluidos algunos verbos psicológicos. [...]; a su vez dentro de ellos podría delimitarse el subconjunto de los ‘verbos de emoción’ que implican un estado o cambio de estado emocional (como son vistos aquí, temer, asustar, gustar)”.

nominativos que concordam com o verbo, como se observa com apetecer e

gustar”(ibidem,p.14). 81

Essas considerações específicas sobre o perfil de verbo de estado, ou, de evento estativo, atribuído ao marcador gustar na língua espanhola, são imprescindíveis para estudá-lo à luz da Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas - TOPE.