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Innsamling av data

DEL II: TEORETISKE BEGREPER OG GRUNNLAG FOR ANALYSE

4. Metode

4.2 Innsamling av data

Segundo Rezende (2000a,p.192), considerando-se como preconstructo uma léxis e, tendo por exemplo < alguien – gustar – vinos > para enunciados como, Neruda gusta vinos ,ou, A Neruda le gustan los vinos, é necessário que se considere a possibilidade de que uma pergunta tematize qualquer um dos três elementos da léxis. Ela enfatiza a necessidade de observarmos que há um agente causador mais amplo que o sujeito do enunciado, no caso

Neruda, o qual figura como o responsável pela atribuição de propriedades. Ocorre, portanto, a representação de uma “realidade percebida e enunciada dita pelo sujeito enunciador, segundo sua percepção”. (REZENDE,2000a,p.192). Trata-se, portanto, do sujeito teórico (So / S1) proposto por Culioli (1990,p.145-155).

Ao tratar da relação predicativa, evidenciamos, com base em Culioli (1999a,p.104- 105) que a tematização de qualquer um dos termos da relação (x R y) não é feita de forma aleatória, mas segundo a percepção do enunciador, que leva em conta toda a cena enunciativa,

os preconstructos situacionais e o coenunciador. Considerando as ocorrências elencadas no

corpus desta pesquisa, observamos que, no caso do marcador gustar no sentido de

“agradar”/”aprazer”, os enunciados que o envolvem apresentam uma estrutura atípica na língua espanhola (Me gustan los estudiantes / A la niña le gustan los chocolates /A nosotros

nos gusta viajar / Me gustas tú);115 constatamos nos referidos exemplos que o enunciador se posiciona com grande envolvimento, utilizando-se da modalidade apreciativa, já que, com esse valor, gustar, como noção, faz referência a um estado emocional (interno), suscitando subjetividades, gerado por uma experiência sensorial que proporciona satisfação, ou seja, é prazeroso. Enfim, gustar marca que “aquilo” que se gosta é bom, agradável. O sujeito, portanto, é atraído por algo/alguém que lhe agrada/apraz, confirmando-se, assim, que esse marcador remete a uma qualificação positiva.

Ao discorrer sobre as modalidades na perspectiva da TOPE, Vignaux explicita: Antoine Culioli distingue quatro tipos de modalidades. As modalidades 1 são as de asserção (afirmação ou negação), de interrogação e de ênfase. O lugar dessas modalidades de asserção é primordial porque contém a importância dos fenômenos de tematização ao nível predicativo. As modalidades 2 são as da necessidade ou do possível, do eventual ou do provável até a da certeza. As modalidades 3 vão constituir a dimensão apreciativa ou afetiva centrada sobre o sujeito enunciador. Por seu intermédio poderão se construir todas as distâncias, as avaliações, os julgamentos autocentrados (eu, penso que, eu digo pessoalmente que). As modalidades 4 são as que ‘marcam a relação intersujeitos, entre o enunciador e um coenunciador’. (VIGNAUX,1995,p.573-574)

Apesar da sequência ou ordem das modalidades apresentadas, inferimos que não se deve considerar as modalidades isoladamente, pois conforme Vignaux (1995), “a questão fundamental é a das combinações entre essas modalidades, visto que toda enunciação tem o objetivo de construir uma certa representação de coisas, e de estabelecer uma relação intersubjetiva, contendo discursos anteriores ou futuros” (ibidem,p.574). Porém, quanto à modalidade 3 (apreciativa), Culioli (1994,p.121) enfatiza: “a modalidade apreciativa pode ser parcialmente associada à modalidade do tipo 2 (epistêmica) ou 1 (assertiva), e também à do tipo 4 (intersubjetiva), mas ela de fato constitui o seu próprio domínio”. Groussier e Rivière (1996,p.18) definem a modalidade apreciativa como a apreciação favorável ou desfavorável, o julgamento da normalidade ou da anormalidade, a expressão da conformidade ou da não- conformidade de um enunciador. Portanto, na modalidade apreciativa, a posição do enunciador é preponderantemente a de expressar um juízo qualitativo. Assim, ele poderá,

propositalmente, envolver-se ou distanciar-se daquilo que está proferindo; tais posicionamentos dependem dos tipos de procedimentos que o enunciador adota no momento da enunciação.

Tendo em vista que, a modalidade consiste na determinação enunciativa de uma léxis predicada, através da qual o enunciador indica em que medida ele atribui ao que predica um valor referencial (GROUSSIER; RIVIÈRE,1996,p.20), é de grande importância considerar o modo como se posiciona o enunciador, na cena enunciativa, ou, com relação à predicação. Isso porque, conforme Kerbrat-Orecchioni (1997,p.93), cada indivíduo carrega consigo valores e critérios culturais, que são exteriorizados em suas atitudes e expressões em forma de aceitação, de reprovação, de críticas. Enfim, deixa transparecer o modo de interpretar o mundo que o circunda.

Assim, na modalidade apreciativa, o enunciador utiliza marcas linguísticas que remetem a juízos de valor impregnadas daquilo que ele expressa. A emoção, a afetividade, os sentimentos, de modo geral (cognitivamente), estão latentes ao emitirmos um enunciado do tipo (Me gustan los estudiantes / A ella le gustan las manzanas / A nosotros nos gusta viajar/

Me gustas tú).116 A ideia de que o discurso de um indivíduo está impregnado das influências recebidas, tanto no que concerne à cultura quanto à educação, balizadoras de seus atos, ou ainda, de que tudo está amalgamado no ato individual de apropriação da língua, já era defendida por Benveniste (1974). Portanto, o sujeito enunciador expressa sempre algo apoiado em traços e assimilações culturais e em gostos e valores pessoais.

No que tange a juízos de valor e ao verbo gustar, consideremos o estudo proposto por Kerbrat-Orecchioni (1997,p.91-157), sobre axiologização e modalização. O termo axiologia está vinculado ao âmbito da filosofia e, geralmente, trata do estudo de alguma espécie de valor (moral, conceitos valorativos, etc.). Daí conceituar-se axioma como premissa máxima ou sentença de valor universal. Axiologia e axiológico, etimologicamente, vêm do grego, áxios – valor, dignidade (AURÉLIO,2010,p.209), e estão relacionados à constituição valorativa, no sentido amplo da palavra.

Seguindo nessa mesma linha de raciocínio, Kerbrat-Orecchioni (1997), ao tratar da enunciação e subjetividade na linguagem, faz uso do termo “axiológico” no estudo de substantivos, adjetivos e verbos, associando o valor axiológico de algumas unidades lexicais ao seu valor referencial. A autora defende que a utilização de termos afetivo-axiológicos “enunciam um juízo de valor e um compromisso emocional do falante” (ibidem,p.93) e

observa que os termos axiológicos serão, naturalmente, mais numerosos nos enunciados de intenção avaliativa (apreciativa). Acresce que, com relação ao sujeito da enunciação, o “funcionamento dos axiológicos é, portanto, análogo ao de outros qualificativos e determinam juízo de valor, positivo ou negativo” (KERBRAT-ORECCHIONI,1997p.101-102).

A referida estudiosa, ainda, explicita que os termos axiológicos/avaliativos refletem a subjetividade do enunciador, “pois é ele que, em última instância, toma a seu cargo a sequência enunciada” (ibidem,p.125). A seguir, empreende um estudo sobre verbos que denotam valorização subjetiva como estados de ânimo, avaliações intelectuais e indicativos de sentimentos. Ao explicar o que são processos subjetivos, Kerbrat-Orecchioni (1997) enfatiza que “alguns verbos como ‘gustar’ estão marcados subjetivamente, de forma mais clara que outros (ibidem,p.125)”. Ela observa que isso acontece tanto quando implica algo bom (Me

gustan las amapolas)117, ou algo que parece paradoxal, como em Me gustan las películas

malas118(ibidem,p.125).

Ao tratar dos verbos de sentimento, Kerbrat-Orecchioni (1997,p.134) postula que são simultaneamente afetivos e axiológicos, pelo fato de expressarem uma disposição favorável ou desfavorável, por parte do agente do processo, com relação a seu objeto, realizando uma avaliação positiva ou negativa. E, em seguida, detalha:

- disposição favorável de x frente a y → y es bueno para x:

gustar, apreciar, desear, querer, ansiar, amar.

- disposição desfavorável de x frente a y → y no es bueno para x: odiar, detestar, aburirse, temer, etc.

(ibidem,p.134)

Kerbrat-Orecchioni (1997,p.131-132) observa, ainda, que o estudo dos verbos “subjetivos” implica um tipo de distinção, de acordo com as seguintes indagações:

(1) Quem faz o juízo avaliativo?

- Um participante do processo, em geral, o agente que em alguns casos pode coincidir ou não com o sujeito da enunciação.

(2) O que é avaliado?

- O objeto do processo que pode ser uma coisa, um evento ou um indivíduo: - ( a x le gusta y)

- (x odia y)

117 Agradam-me as amapolas

(3) Qual a natureza do processo avaliativo? - Bom/mal (domínio do axiológico).

- Falso/verdadeiro/incerto (problema de modalização).

Tais considerações corroboram nossa suposição de que a modalidade apreciativa é fator determinante para que possamos entender, com mais clareza, enunciados que envolvem o marcador gustar na língua espanhola, já que este denota subjetividade afetiva. Conforme Kerbrat-Orecchioni (1997), deve-se considerar subjetivas todas aquelas “expressões que indicam que o sujeito da enunciação se encontra implicado emocionalmente no conteúdo de seu enunciado” (ibidem,p.162).