DEL I: INTRODUKSJON
1. Bakgrunn for oppgaven
De acordo com Culioli (2002,p.32), o sentido implica em primeiro lugar, desencadear no outro uma representação. Para ele, “essa representação será eventualmente externa, e se manifestará então mediante uma conduta determinada, ou poderá ser interna, por exemplo, em forma de um juízo ao qual somente teremos acesso de maneira mediada, induzida” (ibidem,p.32). Tal fenômeno parece ser o que permite a um sujeito representar e atuar sobre o mundo, sobre si mesmo ou sobre seus semelhantes. Também para esse teórico, “a referência é a exteriorização das próprias representações internas, mentais, por intermédio de um enunciado, de agenciamentos de marcadores, de tal maneira que sejam ativadas representações em outras pessoas, a partir de determinados marcadores” (ibidem, p.32). Quanto a esse tema, Rezende observa:
A atividade de linguagem, atividade simbólica dos seres humanos, é um constante posicionamento em relação à realidade extralingüística, feita pelos sujeitos com o auxílio de sistemas de representação, que são as línguas. Os sujeitos tentam, para si próprios, e para seus interlocutores, delimitar, construir, dar existência a certos objetos. Supomos que certos objetos existem, que possam vir a existir, que deixam de existir na experiência do nosso interlocutor. Como se trata de suposições de que esses objetos linguísticos, construídos por meio da atividade de linguagem, existam na experiência dos interlocutores, eles podem vir a ter uma existência autônoma, cujas referências não estão ligadas aos objetos e às propriedades dos objetos do extralingüístico. Ao mesmo tempo em que temos essa autonomia referencial, criada pela atividade de linguagem, que acaba por criar suposições-de-existência-de-objetos-na-experiência-dos interlocutores (nominalismo), temos também uma relativa dependência desses objetos criados, durante a atividade da linguagem, aos objetos e propriedades do extralingüístico (realidade física e mental) (realismo).
Culioli (2002,p.34) postula ainda que nós mesmos construímos nossas operações, nossas representações, nossas categorizações, e afirma que não há categorização fora da cultura, nem fora dos sujeitos e que, portanto, não há categorização fora do espaço intersubjetivo.
3.5.1 Atividades de Linguagem
A linguagem é uma capacidade própria do ser humano que lhe permite representar, referenciar e regular, possibilitando a construção da significação (CULIOLI,1990,p.14). Esse conceito configura-se como um dos pilares do programa de trabalho culioliano e é concretizado pelas atividades de representação, referenciação e regulação.
3.5.1.1 Representação
Puyuelo e Rondal (2007,p.54) explicitam que cada ser humano, desde a mais tenra idade, desenvolve a capacidade de estabelecer correspondência entre as marcas do modelo linguístico presente no ambiente que o circunda, em cada um dos contextos pragmáticos em que as mesmas foram utilizadas de maneira eficaz. Assim, esse indivíduo, no dizer de Culioli (2002,p.52), vai construindo representações mentais (nocionais), organizando as experiências que constrói com relação a tudo que o envolve (o mundo físico e mental – eventos, pessoas, objetos). Todo esse arsenal, no sentido de representações, servirá para alimentar o processo de categorização (fundamentado nos universos linguístico e extralinguístico) no qual se originam as noções (CULIOLI,2002,p.34). Daí podermos inferir que a representação é uma atividade simbólica, subjetiva, pois são formas estruturantes que representam algo extralinguístico na mente de cada indivíduo (ibidem,p.52). Cada noção remete a uma articulação léxico- gramatical que por sua vez refere a objetos, pessoas, eventos, etc. e está em relação com as representações “mentais”, cognitivas. Para Zavaglia:
A atividade de representação, individual e psicológica leva em consideração, além da manifestação verbalizada da linguagem, outros domínios que não são estritamente linguísticos. [...] a operação de representação é o próprio processo de categorização baseado nos universos extralinguístico e linguístico que se inicia por meio de processos cognitivos mais gerais, dando origem às noções com suas propriedades particulares. Esse processo de construção de representações não se dá apenas no domínio daquilo que é linguístico se compreende o extralinguístico não como sendo um universo
físico, da realidade, mas como universo simbólico, ele próprio um representante da realidade construída. (ZAVAGLIA,2002,p.21)
3.5.1.2 Referenciação
Ao refletir sobre a temática da referência, Culioli (1976,p.32-33) mostra que cada marca linguística tem equivalências no mundo físico e mental, estando estreitamente vinculadas a determinada situação enunciativa. Para ele, a atividade de referenciação se constitui em um sistema referencial que sustenta a estruturação do objeto do qual se fala e estabelece um espaço intersubjetivo necessário para o ato de construir/reconstruir sentido. Segundo Culioli (1976,p.32-33), a construção da referência ocorre, entre E (elemento do domínio linguístico) e E’ (elemento do domínio extralinguístico), por qualquer um dos enunciadores que produz um enunciado, agenciando-o de modo que dê ao coenunciador condições de edificar um sistema de coordenadas sustentador dos traços referenciais que serão conferidos a tal enunciado. “Não há correspondência termo a termo entre os enunciados e a realidade extralinguística: há construção de uma referenciação” (CULIOLI,1976,p.33). Resumidamente, “um dos enunciadores constrói a relação entre E e E’ e o outro participante da cena enunciativa tenta reconhecer tal relação” (ibidem,p.32). Nesse movimento, conforma- se a atividade de referenciação. Em texto que aborda essa temática, Rezende observa:
É preciso compreender que “carro” não é um objeto ingenuamente bem delimitado no espaço e que como linguistas trabalhamos com problemas ligados à atividade simbólica e não com problemas ligados diretamente à realidade física, pois quando produzimos/reconhecemos enunciados, podemos associar ao objeto “carro” outras experiências vividas. A referência dos objetos linguísticos não deve ser buscada de modo direto nos objetos do universo físico, mas é uma construção feita através da experiência individual sobre os objetos do mundo físico e mental. (REZENDE,1983,p.111).
3.5.1.3 Regulação
Considerando as várias acepções para o marcador “regular” em língua portuguesa, ter-se-á: disposto simetricamente, equilibrado, ajustado; do que se pode inferir, com base em Culioli (1999a,p.161-162), que a atividade de regulação - atividade epilinguística - edifica ajustamentos entre enunciador/coenunciador, tendo em vista sempre os níveis de representação e de referenciação. Culioli (1990, p.129) observa, ainda, que pelo fato de na gênese da significação figurarem as representações cognitivas peculiares a cada indivíduo, o sentido reconstruído, geralmente, não estará conformado integralmente com o sentido
construído. Em suma, os participantes da cena enunciativa regulam seus discursos para serem compreendidos mutuamente, se isso não acontece de imediato ocorre o mal-entendido (CULIOLI,1990,p.39; CULIOLI; DESCLÉS,1981,p.19-25), que só será superado na continuidade do diálogo, com os sucessivos ajustes até que os implicados na cena enunciativa sejam possuidores da mesma referência sobre determinada marca linguística ou situação. Com relação à operação de regulação, Culioli (1990,p.104 e 160;1999a,p.100) introduz o termo teleonomia que alude a processos mentais internos a exemplo de equilibração, estabilização e preponderância. Para Rezende (2000a,p.1): “o conceito de linguagem enquanto atividade de representação (psicológico), referenciação (sociológico) e regulação (psico-sociológico) é sinônimo de reflexão, cognição, pensamento”.