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2. SPRÅK SOM FORUTSETNING FOR ANALYSE

2.4 Peirceisk treenighet

2.4.3 Peirce tre grupper av tegntrikotomier

No processo de análise, procuramos identificar os significados da mudança que os trabalhadores evidenciaram, como foi viver esse processo nas condições encontradas e as alternativas diante da falta dos elementos apontados por eles, buscando compreender como participaram do projeto que estava colocado. Tendo em vista este horizonte, tomo o diálogo com a senhora Edirles e o senhor Luís como ponto de partida para as reflexões aqui propostas. Parte dos elementos que marcaram a participação desses trabalhadores foram narrados a partir dos significados atribuídos por eles nas relações vividas entre o Estado do Paraná, o deslocamento e as condições encontradas em Rondônia.

O contato com entrevistados ocorreu na Associação dos Idosos em Rolim de Moura. Ao me receber em sua casa, Edirles e Luís iniciam contando sobre as dificuldades enfrentadas na trajetória que fizeram até Rondônia. Não houve a necessidade de questões iniciais para o diálogo. Talvez por explicar-lhes que estava realizando uma pesquisa sobre os trabalhadores que se deslocaram para Rondônia nas décadas de 1970 e 1980 no momento do contato.

Luís, 76 anos, não recordou a data exata em que chegou ao Estado. Mas, a referência à cidade de Vilhena, na qual ele e outros trabalhadores, entre parentes e amigos se deslocaram, aponta para uma temporalidade na qual a BR 36450 ainda não havia sido construída, haja vista as condições narradas pelo trabalhador quanto ao deslocamento em meio as picadas abertas na mata:

Cátia: Então o senhor Luís veio primeiro?

Luís: eu vim na frente fiz dois barraquinho tudo lá na 38 (linha na área rural) barraco, marquei a posse, depois plantei, derrubei, plantei, quando o milho verde maduraro né aí eu fui buscá ela. Na picadinha [...] Nós vinha de Vilhena de a pé. De Vilhena nós vinha em dez, vinte, trinta homem, tudo com os cacaio nas costa. Em Santa Luzia só tinha três morador, e de lá só ia daqui de Rolim lá de a pé, só na picadinha não tinha estrada ainda51.

50 A decisão em construir a BR 364, ligando Cuiabá/MT a Porto Velho/RO e Rio Branco/AC foi tomada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1960. E só a partir de 1983 ela foi asfaltada.

O fato de Luís e, de várias outras pessoas, deslocarem-se no período sem os familiares revela, já de início, que o deslocamento era marcado por incertezas quanto ao novo lugar, o que assinala para dificuldades que ele certamente avaliou e preferiu evitar com relação à família. Por isso, a referência às ações que realizou ao chegar, como a marcação, a construção da moradia e o início da plantação, sinalizam para o que, para ele, significava alguma segurança familiar, condições que estavam colocadas também para outros.

O trajeto realizado desde a primeira cidade do Estado, para quem se desloca do Estado do Mato Grosso para Rondônia, foi percorrido a pé e o intuito era a busca de um local no qual pudesse realizar marcação. Registros feitos pelo INCRA revelam que no período já havia diversas ocupações na localidade. A distância percorrida por Luís, de aproximadamente 270 quilômetros, era dificultada não apenas pela falta de estradas. A saída para manter-se no lote marcado dependia de carregar consigo, em meio às picadas, uma espécie de mochila improvisada, com utensílios, ferramentas, roupas, mantimentos etc. Denominado de cacaio, essa mochila com objetos transportados nas costas foi, para esses homens, um grande desafio junto a abertura da mata fechada, haja vista que no imaginário52 social tal prática é lembrada para auferir o esforço e as dificuldades daqueles que a experimentaram. É comum na cidade ouvir referência às pessoas que se deslocaram para o Estado como aqueles que tiveram que andar em meio a picadas de cacaio nas costas.

Para Luís, deixar a esposa e as filhas em Leônidas Marques, no Paraná, também significava poupar as crianças das possíveis adversidades que encontraria. Isso porque foi possível prever o que enfrentaria já que familiares haviam se deslocado primeiro e o informado sobre Rondônia. Essa questão talvez denote que o trabalhador não estava preocupado com o que encontraria, que a alternativa era arriscar:

Cátia: O senhor ficou quantos anos aqui sem ela? Edirles: Uns dez ano

Luís: mas ela ficou com as menina lá

Edirles: que elas era pequena e eu tinha medo de vim aqui, Rondônia? E eu não queria vim, quando eu vim eu quase que eu vortei, eu só não vortei porque daí ele já tinha muita coisa

Luís: cheguemo lá no Salto Rio Branco, eu Gabriel, o Carlito, pra lá era só sertão, aí abrimo pra direita e pra esquerda, dividimo, só marcação.

Edirles: mas era sofrido heim.

Luís: o acampamento era só dos cacaieiros, de Vilhena prá cá, era só picada, a gente tinha que ir a pé.

52 Nesta pesquisa, imaginário é compreendido a partir de sua materialidade social e não a partir de uma leitura abstrata, na qual se perde a complexidade do processo histórico. Segundo Lefebvre ―Quando o pensamento se perde no e pelo imaginário, é porque esse imaginário é manipulado. O imaginário é também um fato social‖ (LEFEBVRE, 2001, p. 127).

Cátia: Não tinha nada ainda construído?

Luís: Nada, nada, nada, de Vilhena pra cá só tinha só barraca, só barraquinha de palha, lona, coqueiro, folha de coqueiro. Quando dava chuva, cortava assim o coqueiro, tinha criança junto, comida.

Cátia: dez anos sem se ver? Luís: mas não era só eu minha fia

Edirles: mandava carta, era no tempo que mandava carta minha fia, não tinha telefone, nada.

Luís: na onde ela tava tinha cinquenta que conhecia nós lá, então ia um, vinha um trazia notícia

Cátia: E tinha lugar pra postar as cartas? Luís: Ji Paraná, de Ji Paraná ia pra Pimenta53.

O tempo em que Luís ficou se comunicando por cartas ou por meio de notícias de amigos é interpretado como uma condição vivida não apenas por ele e a esposa. Porém, durante a entrevista foi possível perceber a contrariedade de Edirles em se deslocar, o que ocorreu dez anos depois que Luís já estava em Rondônia:

Cátia: Quando vocês chegaram do Paraná?

Edirles: Quando nós chegamo aqui filha eu não alembro. Em Rolim só tinha uma casa coisada com folha de coqueiro aquela tabuinha de coqueiro assim de coqueiro e coberta de folha de coqueiro. Que é a onde eles fazia comida pro pessoal que enfrentava o mato. Que era onde era o restaurante que eles fazia comida e era rodeado de coqueiro e foi coberto de folha de coqueiro, ali eles faziam comida pro pessoal que vinha.

Cátia: Como vocês ficaram sabendo de Rondônia?

Edirles: Meu cunhado falou pra ele e ele veio. Mas eu quando cheguei aqui queria vortá embora, eu chorava, chorava, chorava. Vilhena, ele vinha, agora eu, já, já foi só de Santa Luzia. Até lá já é bastante heim. E a gente viajava minha fia de noite por dentro do matão, só aquela picadinha, os buro caregado de compra né, e daí quando chegava umas hora, a gente já três dia dentro do mato, pra chegá no baraco da gente, daí tinha que armá as rede, daí tinha que colocá um monte de pau assim e colocá fogo por causa das onça que ficava urando, mas eu morria de medo heim, ninguém dormia, só deitava descansar. Só na picada dentro do mato [...] Mais foi sofrido heim, quando alembro eu chego me arepiá.

Cátia: E como foi a vinda pra cá?

Edirles – ônibus, ném estrada boa num tinha, o ônibus vinha atolando e atolava, e desatolava e pousava nas estradas. Trouxe só, ó o que a gente trouxe, só do corpo, forro de cama, panela. Era igual barraca de cigano que nós tinha medo da onça né. Luís – veio só a mudança do corpo, só do corpo. Num era só nós, era 50 família, onde posava um era igual barraca de cigano. Era só picada não tinha... era só de a pé Cátia: E o que vocês desenvolviam no Paraná?

Edirles: nós tinha lanchonete e lá nós tava bem. Nós tinha lanchonete e era tão bom né. Mas daí quis e quis e quis, home você sabe gosta de andá em mato, mas lá nós tava bem. Mas nós não podemo se queixar o poquinho que nós temo dá pra viver né, tá bom, o poquinho que tem dá pra viver né.

Luís- tinha vários tipo de trabalho, tinha terra, tinha criação, tinha lanchonete. Aí as coisa começou apertá e aqui era bom e a gente queria adquirir as coisa aqui.

Cátia: Aí vocês não quiseram mais voltar?

Edirles – eu queria voltar, ele não queria. Daí veio bastante, mas só que eu queria vortá, eu queria.

Luís – aí o povo tava perto de nós, aí era amigo era parente era ... aí nós viemo, descobrimo aqui Rolim, Cacoal, Pimenta Bueno, Vilhena, prá cá de Vilhena era o ponto dos cacaieiro.

Edirles – carregava, ele nem sabia o que era cacaio, pensava que era uma fruta, é aquela mochila que eles faz né. Mais muita gente, por isso que a gente se animou54.

Edirles é uma senhora de 1970 anos. As lembranças quanto à localidade e à forma de deslocamento diferem de Luís devido à temporalidade na qual chegaram em Rondônia. Se, para Luís, ainda não havia estradas, para Edirles as dificuldades com o transporte indica que a BR 364 já havia sido aberta, porém, não asfaltada, por isso os atoleiros. Porém, Edirles também precisou enfrentar as picadas, embora de um lugar mais próximo, Santa Luzia e os perigos na mata até chegar à moradia construída por Luís, localizada em Alta Floresta.

O desejo em voltar é expresso por Edirles, embora procure positivar esse processo quando menciona ―tá bom, o poquinho que tem dá pra viver né‖. Para ela, a preferência era ter ficado no Paraná. Esse aspecto ganha força em sua fala frente ao fato de que, mesmo tendo passado mais de quarenta anos, ela relembra a vontade que teve de retornar, porém, justifica que, no presente, isso não é mais possível devido ao fato de ter construído sua vida e ter a família em Rondônia. No entanto, não é possível negar o impacto que a ida para Rondônia teve em sua vida, pois ao narrar, expressou por mais de uma vez durante a entrevista que ―eu chorava, chorava, chorava‖, ao chegar. Isso possui relação com as condições encontradas, as dificuldades vivenciadas no cuidado com as filhas e as alternativas que precisou construir diante das privações.

A tentativa de positivar a vida, contudo, não esconde o sofrimento e os sentimentos atribuídos por ela nessa relação, pois foi recorrente em sua fala afirmações como ―mas era sofrido heim‖, ou ―Nós entremo aqui com sofrimento, nós sofremo demais hein‖. Na fala de Edirles e Luís não ficam dúvidas de que o Paraná era um lugar melhor para se viver. Quando perguntados se não quiseram mais voltar, Luís justifica a permanência da família também ao fato de outras pessoas, entre parentes e amigos, terem chegado, o que pode ser compreendido como uma possibilidade de enfrentarem as dificuldades juntos.

A narrativa de ambos permite compreender a natureza do projeto no qual eles e outros trabalhadores que, na mesma condição e situação de classe, foram chamados a participar. As adversidades cotidianas encontradas por eles, silenciadas pelas reportagens que anunciava sobre Rondônia, são possíveis de serem apreendidas quando privilegiamos os sujeitos e suas práticas como objeto de estudo.

Além das propagandas e das notícias de familiares é preciso considerar os elementos que levaram Luís a sair do Paraná. O que teria levado o trabalhador a se deslocar senão as

projeções de melhorias, interpretada por ele, frente às dificuldades que menciona, passaram a ocorrer no Paraná, e a ideia divulgada que Rondônia estava a oferecer essa possibilidade junto ao sonho de ―adquirir as coisa aqui‖? Esse sonho compartilhado também por outras pessoas, que como apontam, passaram a chegar e era ―muita gente‖, os fez ficar. A referência às pessoas que passaram a chegar e permanecer no lugar encorajou-os, pois, a partir daí, passaram a constituir relações de vizinhança pautada na constituição de uma cultura baseada em sociabilidade e solidariedade. Sempre que perguntado sobre as dificuldades, seja pelo espaço de tempo sem ver a família ou as condições encontradas, Luís reforçou em sua fala que não estava sozinho, que aquelas eram condições colocadas a vários outros trabalhadores que, como ele, dispuseram-se ao desafio de buscar por melhorias em Rondônia.

Pensar as relações de sociabilidade no interior de um contexto vivido enquanto privação permite problematizar os discursos que compreendem esse processo apenas pelo seu viés político. Privilegiar os sujeitos e suas práticas possibilita apreender a dimensão cultural construída no período e, como nesse fazer-se, precisaram reelaborar para enfrentar novas práticas no cotidiano, nos modos de se organizar e viver.

As pessoas chegavam de diversos lugares e em condições semelhantes, traziam consigo o necessário como roupas e alguns utensílios. Os deslocamentos ocorriam de ônibus ou por meio de transporte denominado ―pau de arara‖ e custava diversos dias para chegar frente às péssimas condições da BR 364 que, sem asfalto, mesclava as dificuldades entre o areão em tempo de seca e a lama em tempos chuvosos.

É compreensível o desejo de Luís em buscar por melhorias. A referência às diversas formas de trabalho desenvolvidas no Paraná não significavam segurança à família, ao contrário, é indício de que as coisas não iam bem. Se considerarmos as condições climáticas do Sul, ter roça ou criação não é sinônimo de sobrevivência garantida. E mesmo com a lanchonete, Luís situa que ―as coisas começô apertá‖.

Embora os deslocamentos ocorressem de diversas partes do país, diversas fontes atestam que sua maior parte vinha da região Sul do país. Nesse processo, muitos viveram em Rondônia um segundo ou terceiro processo de deslocamento. Muitos saíram de algum Estado rumo ao Paraná nas décadas de 40 a 60, como é o caso de pessoas que saíram de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e ocuparam o Oeste do Paraná nesse período. No Paraná, frente ao processo de mecanização e expulsão, muitos buscaram por novos horizontes em outros Estados. Várias entrevistas apontam que antes de chegarem a Rondônia passaram por Estados como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Acre. Em outras, embora a procedência seja de

Estados como Espírito ou Minas Gerais, em algum momento passaram pelo Paraná antes de se deslocarem para Rondônia.

No dia em que a entrevista foi realizada, Edirles havia realizado um cateterismo e mostrou-me a quantidade de remédios que fazia uso em virtude de diversas patologias. Ao contar sobre as filhas e do cuidado que duas mais próximas possuem com eles, Luís se emocionou ao lembrar-se do suicídio de seu filho ocorrido ainda quando estavam no Paraná. Este filho pertencia a Luís fruto de seu primeiro casamento. O sentimento de perda junto ao desejo de conseguir melhorias possui relação com os motivos que o fez buscar novos horizontes. O deslocamento de Luís também pode ter sido um refúgio, haja vista sua emoção durante a entrevista ao lembrar-se da perda sofrida. Esse acontecimento, junto aos problemas de saúde narrados, podem ser interpretados como uma forma de relembrarem as dificuldades enfrentadas, como uma avaliação sobre suas trajetórias.

Com algum recurso visualizaram em Rondônia a oportunidade de melhorias a partir da possibilidade de adquirirem terra por meio do INCRA. No enredo de suas falas, o casal constrói a relação entre o Paraná e Rondônia demonstrando a opção que fizeram no processo de relações sociais estabelecidas nesses lugares, e a decisão tomada por eles está atrelada às condições sociais que queriam ver melhoradas ou a busca em deixar para trás um sentimento que lhe incomodava, no caso de Luís. Apesar de Edirles querer voltar ao Paraná, Luís já havia conseguido adquirir terra, já havia cultivado, tinha criação, havia amigos e parentes e isso é interpretado por ela como motivos que a fez ficar. Assim, o sentido que esse processo adquire em suas vidas se relaciona à possibilidade de conquistarem melhorias, mas não apenas isso. Se considerarmos a história de Luís, a mudança significou a busca de deixar para trás um sofrimento, uma perda, a tentativa de reconstituir sua vida e da família em outro local, embora o tempo não tenha apagado as lembranças. Nessa história, é possível que Edirles tenha compartilhado do sentimento de Luís. Isso a fez ficar e buscar construir a vida juntos.

Embora apontem para as relações de sociabilidade que construíram, quando Luís menciona sobre as ações dos trabalhadores nas transformações protagonizadas por eles, além das dificuldades, o tom no qual se refere ao INCRA permite a percepção sobre o que a falta ou, posteriormente, a presença da autarquia tenha representado para eles:

Cátia: E aqui em Rolim de Moura?

Luís – é só marcação também, tudo, mas era muita gente minha filha do céu, era milhões de famílias com os cacainhos nas costas, não as família, só os homem, de Pimenta Bueno prá cá, de Vilhena prá cá, tudo abrindo no braço. Cacaieiro e comida nos ombros dos cavalo trazia. Pra você contá minha filha vai o dia inteiro e se você escrevê você enche uns tantos caderno [...] Aqui era só mato, só bicho. INCRA, não

tinha nada, depois tomaram conhecimento [...] O povo foi fazendo Rondônia, só manual, ele não dava condição (INCRA) [...] Bastante gente, a turma formô Rondônia, quem abriu55.

É preciso um cuidado com a colocação de Luís que atribui ao povo à construção da localidade, ela tem servido a algumas interpretações como justificativa para explicar a configuração que o Setor adquiriu no presente. Isso ficou claro ao buscar, nos espaços da cidade, como na prefeitura e no cartório, por mapas que oferecessem uma dimensão sobre o setor Rolim de Moura. A resposta oferecida foi ao encontro da questão apontada por Luís, de que nunca houve um projeto e que foi o povo quem construiu a localidade. A diferença é que, enquanto Luís evidencia o protagonismo dos trabalhadores, setores dominantes se utilizam do protagonismo para silenciar possíveis disputas e conflitos.

Porém, atribuir aos trabalhadores à construção de Rondônia consiste em uma crítica de Luís à autarquia e as condições que ficaram submetidos. No período que Luís se deslocou, o INCRA ainda não havia cortado os lotes. O trabalho de topografia ocorreu depois, quando já estavam cultivando. As dificuldades e o trabalho foi tamanha que frente a tantas experiências possíveis, Luís menciona que precisaria ―o dia inteiro‖ para contar e, se registrasse, seria possível escrever ―uns tantos caderno‖. Concordo com Luís, no sentido de que suas experiências nas relações que foram estabelecendo demonstram o modo como participaram do projeto e a distância das promessas que eram divulgadas ou das condições que vivenciavam no Sul. Esses elementos permitem registrar suas histórias e recompor parte do processo vivenciado por muitos que como eles precisaram encontrar alternativas ao que estava posto. Para isso, os significados contidos em suas narrativas ajudam a compreender o que foi, para eles, viver esse processo:

Cátia: Então em 80 já estava aberta a cidade?

Edirles – já, daí já tinha as casinha, nós entremo aqui no Rolim era mata, picada só. E a gente plantô aquela batata cará, eu vim conhecer aqui em Rondônia, porque daí o trigo que trazia não durava, e a gente acostumado a comer pão, daí a gente ralava aquele cará, sofria, ralava tudo aquele cará e daí misturava um pouquinho de trigo pra fazer o pão pra comer, porque a gente acostumado com pão, aí fazia depois com mandioca, fazia aquele bolo lá no Paraná nós não fazia isso. Aí depois que começou abrir misturava um pouco de fubá com um pouquinho de trigo e dava um pão gostoso hein, cada pãozão naqueles fogaozão de baro. O fermento quando eles iam num lugar aí que tinha eles comprava aqueles pedaço assim, aí esse aí quando vinha nesse lugar que tinha ele levava umas três barra assim fermento de barra, agora eu acho que nem tem mais, aí cê sabe o que a gente fazia? Não tinha geladeira, energia, nada, a onde tinha o tanque assim que corria água a gente fazia aquele buraco e daí colocava dentro das lata, e enterrava ali, com o fermento, mas era um fermento tão bom que você colocava você fazia seis pão colocava duas colher mas dava aquelas