3. METAFORTEORI I MUSIKK
3.4 Kognitiv metaforteori
Na década de 1980, teve início a organização política do legislativo e executivo. O Setor Rolim de Moura, que se tornou Distrito do município de Cacoal, em 1978, havia sido administrado, segundo o executor José Oliveira, por nove administradores do quadro do INCRA. A relação entre o regime militar e o grupo de administradores do quadro do INCRA, que dirigiam o Setor, era estreita. Ainda Distrito de Cacoal, Rolim de Moura recebeu a visita do Coronel Jorge Teixeira, Governador do então Território Federal de Rondônia. José Lopes de Oliveira registrou, do seguinte modo, esse acontecimento:
Por volta de junho de 1979 o novo Governador do Território Federal de Rondônia, encarregado da nobre missão de transformá-lo em Estado, visitou a nascente Vila Rolim de Moura do recém criado Município de Cacoal. Na oportunidade ficou impressionado com o que viu, o nascimento de uma cidade fora do eixo da BR 364, em franco crescimento populacional, apesar das inúmeras dificuldades [...] Dentre as observações feitas pelo senhor governador diante das reivindicações que a população apresentava, merece destaque o pessimismo do empreendedor governante ao avistar, já em cima de uma caminhão – palanque improvisado – sobre o trecho da linha 25 no setor urbano, hoje Avenida 25 de agosto [...] O saudoso governador, vendo aquela rua de imensa largura quase toda coberta por tocos, chavascais, atoleiros, etc., achou um absurdo e fez, na presença do responsável por aquele traçado arquitetônico, o então Executor do INCRA de Cacoal, o seguinte comentário: ―estou vido de Manaus onde fui Prefeito e tive muita dificuldade de organizar a cidade, principalmente para remover favelas do centro e asfaltar as principais ruas e avenidas, portanto, gostaria de saber quem foi o Cabeça de Jegue que teve a idéia de planejar uma rua com toda essa largura‖. E prosseguiu: ―não vai ter Prefeito no mundo que consiga urbanizar essa enorme avenida, é uma loucura isso aqui‖. Bem, a crítica, sem dúvida, foi recebida com desconforto, contrariedade, pois é difícil se admitir o erro. Mas, o responsável pela gigante avenida achou mais prudente ficar calado. Não se justificou nem quis confrontar a opinião do senhor governador, pois se estava diante de uma grande tocador de obras que manifestara a experiência que vivera na capital do Amazonas. Quem era o Executor do INCRA, um jovem, na época, com apenas 26 anos, para discutir com o festejado e respeitado Coronel da reserva do Exército brasileiro, quase sexagenário? (OLIVEIRA, 2010, p. 156-157).
A visita, pelo visto, objetivava conferir prestígio ao recém-criado município e funcionava como uma tentativa de cooptar mais pessoas e obter força social para a ditadura, haja vista o avanço do PMDB no Estado. A visita criava uma relação na qual se reforçava valores do regime militar, além de uma tentativa de recuperar seu prestígio diante das péssimas condições vivenciadas pelos trabalhadores e relatadas pelo executor. Isso fica claro na descrição do executor que, entre descrever as reivindicações que a população apresentou ao coronel, preferiu registrar, além das projeções deste em relação à nova cidade, a trajetória política e militar de Jorge Teixeira. A atitude do executor em não responder o coronel diante dos supostos questionamentos feitos em relação à avenida da cidade que abrira, projeta a ideia de como o coronel deveria ser reconhecido por aquela população e como suas propostas deveriam, sem questionamentos, críticas ou contestação, serem aceitas.
Ressalta-se, desse modo, que a base política conservadora alinhada à ditadura já se encontrava presente no grupo de funcionários do quadro do INCRA que administrou aquela localidade. Na ocasião da emancipação do município, foi realizado um plebiscito. No Jornal Tribuna Popular, ele ganhou atenção, assim como diversos temas relacionados ao avanço do PMDB no Estado, numa clara posição do jornal em relação a este partido. Pela análise realizada neste jornal, havia um espaço para denúncias realizadas pela igreja, com o intuito de realizar ataques e críticas ao governador Jorge Teixeira e à política militar. Em uma das críticas ao governador, inclusive, o proprietário do jornal recebeu um processo, o que resultou em sua divulgação no jornal, sendo a matéria retomada após a destituição do governador de seu cargo.
O Jornal Tribuna149 se encarregou de noticiar sobre a pressão exercida por um Deputado do PMDB, Renato Aragão, para que ocorresse o plesbicito em Rolim a fim de sua emancipação, demonstrando os objetivos que estavam sendo traçados em relação ao local. Na reportagem, a justificativa para a emancipação era noticiada considerando as demandas que o local atravessava, como a necessidade de tratamento de água, por exemplo. Com a emancipação, em 1983, Rolim de Moura passou a ser administrada por um médico e ex- vereador de Cacoal, Dr. Adegildo Aristides Ferreira. A urgência fez com que o primeiro prefeito fosse nomeado pelo Governador Jorge Teixeira. Certamente, a nomeação configurava uma tentativa de conseguir apoio da população para a eleição que, mais tarde, ocorreria.
Teixeira, desfrutando de seu poder enquanto governador, nomeou Adegildo, noticiado pelo Jornal Tribuna, como amigo do governador150. A nomeação não passou sem críticas no jornal Tribuna. Na reportagem ―Parlamentares dizem não à posse de Adegildo‖151, vários
parlamentares, dentre eles, Assis Canuto, do INCRA, colocaram-se contrários à nomeação, sob alegação de que o governador a teria realizado por conta própria.
Em 1984, em um Guiapress da cidade, é possível ter uma dimensão da situação estrutural da cidade ao tempo em que se auferia, ao administrador, a pessoa pela qual transformaria a cidade:
O Dr. Adegildo, 47 anos, muita disposição de trabalho, muito espírito cívico, está empenhado em implantar a infra-estrutura administrativa de Rolim de Moura, dotando-a das condições mínimas que assegurem o seu desenvolvimento ordenado e progressivo. Contando hoje com 5.150 residências urbanas, a maioria de madeira, Rolim de Moura, marcha aceleradamente para o futuro, atraindo gente de todos os rincões do País, principalmente do Paraná. [...] O movimento nas ruas enlameadas ou empoeiradas de Rolim de Moura é uma festa para os olhos dos visitantes, atônito e impressionado diante de tão vigorosa disposição de luta do povo que está construindo esta cidade diferente, que não tem nenhum garimpo, mas possui as melhores terras de Rondônia, excelentes para o cultivo do café, do arroz, do milho, do feijão e também da soja, despertando por isso no coração de todos as melhores esperanças de um futuro cheio de frutos, de bênção e de paz152.
As projeções sobre a nova cidade que não apresentava garimpo eram apostadas nas terras, consideradas as melhores de todo o Estado. A produção voltada a culturas de subsistência pautada no café, no arroz, no milho e no feijão que, inicialmente fora desenvolvida por trabalhadores que chegaram na década de 1970, já estava projetada com uma nova cultura, a soja, embora tenha prevalecido a pecuária extensiva. No mesmo Guiapress, o progresso e o desenvolvimento da cidade foram auferidos contraditoriamente à coragem e ao trabalho do povo e, ao mesmo tempo, à iniciativa particular:
O que está acontecendo em Rondônia, particularmente em Rolim de Moura, cidade caçula do Estado, com apenas 8 meses de emancipação administrativa e menos de sete anos de vida real, é um fenômeno sócio-econonômico digno de estudo e meditação. O sr. Delfim Neto deveria conhecer de perto Rolim de Moura, ele que vem tentando paralisar o País com sua política econômica recessiva e alienante. Talvez aqui o senhor Ministro recebesse a mais eloquente lição de fé no poder do trabalho e da confiança do povo no futuro do Brasil. esta pequena cidade, que não tem ainda nenhuma rua calçada, que cresce vertiginosamente impulsionada pelo espírito progressista dos seus habitantes, pelo ímpeto criativo dos que chegam
150 Reportagem ―Adegildo: o 1º prefeito de Rolim de Moura‖, Jornal Tribuna Popular, 11 a 18 de dezembro de 1983, p. 6.
151Reportagem ―Parlamentares dizem não à posse de Adegildo‖, Jornal Tribuna Popular, 04 de dezembro de 1983, p. 8.
152 A cidade e sua história. Administrador Adegildo Aristides Ferreira – 1984 (Guiapress da cidade). Fonte presente na Biblioteca Municipal de Rolim de Moura/RO.
diariamente vindos de diversas regiões do País, principalmente do Paraná, é um retrato vivo da determinação e da coragem de povo heroico e amante da paz e do trabalho. O projeto Rolim de Moura, implantado pelo INCRA em julho de 1977, quando foi localizada e demarcada a área da futura cidade, cujas primeiras datas (lotes) foram entregues aos pioneiros em 10 de agosto do mesmo ano, encontrou nesta região da qual faz parte Cacoal, as terras mais férteis e produtivas do Estado. O interesse pessoal do Gov. Jorge Teixeira, cuja administração positiva e dinâmica é reconhecida e louvada por toda a comunidade, até pelos seus adversários políticos, tem se constituído num fator altamente favorável ao desenvolvimento surpreendente de Rolim de Moura. Mas apesar dessa posição simpática do Governador, o progresso fantástico desta cidade menina é consequência do esforço consciente e arrojado da iniciativa privada particular. Não há estradas satisfatórias para escoamento da crescente produção agrícola. Falta quase tudo em matéria de infra- estrutura administrativa. Começam a chegar as primeiras máquinas pesadas para a Prefeitura recém-criada. O administrador do município, o médico Adegildo Aristides Ferreira, com quem conversamos longamente, é um homem sinceramente empenhado em fazer de Rolim de Moura uma cidade autêntica. Quase tudo está por fazer. O maior problema da região amazônica é o da falta de energia elétrica suficiente. Toda a energia da região é gerada com usinas a base de petróleo. As chuvas abundantes na região, se por um lado contribuem para uma imensa produção agrícola, por outro lado arruínam as estradas precárias que vão sendo implantadas pelo poder público. Mesmo assim, esta jovem cidade recebe em média 30 famílias por semana, que vem de vários pontos do Brasil, trazendo como bagagem muito sonho, muita esperança e muita vontade de trabalhar e de vencer. Como Cacoal, de cujo domínio administrativo se emancipou recentemente, Rolim de Moura é um hino de esperança, uma página vibrante de fé no poder do trabalho e um atestado de confiança na futura grandeza do Brasil. Saudamos entusiasticamente os denotados pioneiros, os vanguardeiros do progresso desta região extraordinária e, por não poder citar todos os seus nomes, homenageamo-los na pessoa dos servidores municipais João Batista Lopes e sua digníssima esposa, D. Enilde do Carmos Lopes, a primeira professora de Rolim de Moura, cujo amor à cidade que ajudaram a fundar, é um exemplo vivo e eloquente de civismo de fé nos destinos do País. Avante, Rolim de Moura, Deus te abençoe e guarde, cidade-fenômeno, cidade-vigor, cidade símbolo de Rondônia e do novo Brasil que os bandeirantes de hoje estão construindo aqui153.
A noção de cidade esboçada e planejada estava atrelada a regulamentações que acompanham o processo de urbanização; torná-la asfaltada, dotá-la de características tipicamente urbanas, com aparato burocrático-administrativo. Tais regulamentações buscam imprimir novos hábitos, alterando modos de viver advindos das relações dos sujeitos com o campo. A cidade já estava constituída por diversas ocupações, porém, a referência aos primeiros habitantes é atribuída a ―pioneiros‖ que teriam recebido os primeiros lotes como um marco de início da cidade. Por isso, a necessidade das classes dominantes, no presente, em perpetuarem o mito do pioneiro como forma de silenciar relações de disputas e de poder que estavam colocadas. Eleitos pela classe dominante para representar os que chegaram, a apropriação desta história encontra cada vez menos sustentação diante às mudanças engendradas nesse processo que assinala para uma cidade que se constituiu historicamente nas
153 Rolim de Moura um fenômeno amazônico. Rolim de Moura: Guiapress, 1984. Fonte presente na Biblioteca Municipal de Rolim de Moura/RO.
relações sociais marcadas pelo conflito de classes, em processos de ocupação e na disputa pelo direito a ela e à produção de suas memórias.
Quase tudo estava por fazer, mas já se assinalava que a iniciativa privada, presente na cidade, teria um lugar especial na ―nobre missão rumo ao progresso‖. As marcas dos trabalhadores estavam e continuariam silenciadas e encobertas pela noção a-histórica de pioneiros, ocultando as lutas e as experiências firmadas na constituição da nova cidade. Na fonte, o maior problema identificado era a falta de energia. Esta demanda seria resolvida a partir da década de 1990, com a construção das PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) do Grupo Cassol Energia, como veremos.
Com Adegildo, as primeiras ações foram no sentido de realizar um processo de canalização de rios e igarapés. A instituição municipal, levada à frente pelo PDS, foi uma forma de canalizar os projetos frustrados do INCRA, transferindo-os para o âmbito do município e do Estado. Assim, é preciso compreender que, a partir da instituição municipal, teve início um processo de mudanças na organização e na burocratização local. A institucionalização, porém, não significou o término das disputas e de conflitos locais.
Em 1984, três meses antes da primeira eleição municipal, o Jornal Tribuna Popular, em uma crítica ao governador Jorge Teixeira, emitiu a seguinte reportagem, em tom de propaganda política:
[...] De acordo com o deputado (Renato Aragão) o povo está a cada dia mais decepcionado com o governo que além de deixar esta região no abandono não dá pelo menos perspectivas de melhoras. ―Estivemos também em Santa Luzia e vimos naquele distrito a falta de estradas, as queixas dos colonos quanto a financiamentos agrícolas. Tanto Rolim de Moura quanto o distrito de Santa Luzia vão marchar juntos com o PMBD, concluiu154.
A falta de estradas e outras demandas que estavam colocadas se tornou a bandeira levantada pelo PMDB na localidade para deslegitimar o coronel. Essa fragilidade foi atribuída à má administração realizada até então pelo INCRA, que recebia duras críticas, noticiadas no Jornal Tribuna, o que demonstra a posição política adotada por esse veículo de comunicação no período. Para o PMDB, eleger o primeiro vereador pelo Partido no Estado significava fincar suas bases políticas na localidade e, para isso, a aposta estava no eleitorado do campo:
O clima de esperança dentro do PMDB é muito grande, pois se for eleito um candidato seu a prefeito, será o primeiro prefeito eleito por um partido de oposição dentro do Estado de RO [...] O único Partido já organizado em todo o Estado que
154 Reportagem ―Aragão confia na vitória do PMDB em Rolim‖, Jornal Tribuna Popular, 22 de setembro de 1984, p. 5.
não irá participar destas próximas eleições é o Partido dos trabalhadores, devido principalmente a falta de organização entre petebistas que não adiantaram em regularizar o PT a tempo de concorrer [...] O grosso do eleitorado no vizinho município se encontra na zona rural e é desta parte da população que poderá vir as principais surpresas nas eleições em Rolim155.
A entrevistada Edirles relembrou, durante a entrevista, as visitas que recebia quando morava no campo, situando, assim, a constituição do campo político pelo PMDB na localidade:
Edirles: Esse Júnior, que é Deputado, Expedito Júnior, ia lá nesse sítio que nós tinha. Ó, ia lá comer galinha frita, ele a esposa dele, o Valdir com as esposa dele, que daí já tinha abrido a estrada, estrada ruim mas já tinha abrido aí eles ia de carro, tinha esses carro que podia passar por meio do mato né, eu matava duas três galinha, fritava pra eles. As mesa da gente, não tinha tábua pra fazer mesa lá, fazia daquelas tora, cortava com motorzinho fazia aquela prancha né, era a mesa, os banquinho, mas todo mundo era unido e ele ia lá no nosso barraco, era barraco, rodeado dessas prancha156.
Para Edirles, tais políticos são lembrados como aqueles que faziam parte dos momentos em que se reuniam em almoços de domingo. Enquanto que a ação denota a preparação do terreno político no qual projetavam se eleger – o campo, na memória de Edirles, ela adquire significados que, destituídos de interesses, apresentavam-se como uma visita de cortesia.
Valdir Raup foi o primeiro prefeito eleito de Rolim de Moura pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), em 1984, partido de oposição ao bloco político dominante liderado pelo PDS (Partido Democrático Social), e Expedito Júnior157, primeiro vereador. A aposta na área rural divulgada na imprensa em 1984, não era à toa, a ação do candidato a prefeito Valdir Raupp já vinha sendo construída. Na véspera das eleições, o jornal Tribuna Popular noticiou que o PMDB teria montado até um esquema caso as chuvas se colocassem como empecilho à locomoção dos eleitores da área rural, haja vista a falta ou as péssimas condições das estradas. Sem mencionar qual seria o esquema, a hipótese é a de que as pessoas seriam transportadas de algum modo até a cidade para que pudessem votar. A reportagem ainda faz referência à disputa política existente com o PDS:
[...] Os coordenadores da campanha peemedebista em Rolim afirmaram a nossa reportagem que no caso de grande incidente de chuvas no período eleitoral o Partido
155 Reportagem ―Eleições em Rolim de Moura‖, Jornal Tribuna Popular, 27 de outubro de 1984, p. 2. 156 Entrevista realizada com Luís e Edirles em 21 de abril de 2016.
157 Natural de Guararapes/SP, foi vereador de Rolim de Moura (1984-1986), Deputado Federal por três mandatos. Senador por RO de 2007 a 2009.
já tem um esquema montado para esta eventualidade. Para os mesmos, é de tal importância que o Partido conte com todos os votos que virão do setor rural de Rolim, pois é justamente neste setor da população rolimourense que o PMDB conta com a vitória. No comício, o Deputado Ronaldo Aragão teceu deveras críticas aos aventureiros que de uma hora para outra começam a adentrar à frente Liberal. Críticas estas que forma uma clara alusão ao apoio do candidato do PDS, Almir Melo à Frente Liberal, apoio este segundo os peemedebistas, de última hora158.
Ganha a eleição, o jornal Tribuna Popular, em comemoração, anuncia a vitória e a vantagem de votos que Raupp e o PMBD abriram em relação ao PDS e ao PTB. Intitulada ―PMDB faz barba e bigode em Rolim‖, a reportagem informa que, além de Valdir Raupp, foram eleitos, no período, mais oito vereadores pelo PMDB e cinco pelo PDS:
Com um total de 4.642 votos, o PMBD conquistou em Rolim de Moura uma retumbante vitória quando por ocasião das eleições realizadas naquele vizinho município. Valdir Raupp de Matos é o novo prefeito eleito daquele município, recebendo um total de 4077, ou seja, mais de 95% de todo o total de votos auferidos ao Partido. Esta enorme vantagem do candidato peemedebista é atribuída principalmente a sua grande popularidade entre o eleitorado rolimourense. O PMDB continuou na sua trilha vitoriosa elegendo também oito vereadores, obtendo assim a maioria entre a edilidade de Rolim. O PDS conquistou um total de 2.657, sendo que deste total mais da metade foram conferidos ao candidato Altamir Melo [...] O PTB não conseguiu nem mesmo eleger um representante para ocupar uma cadeira na câmara municipal, sendo a sua participação neste pleito quase que nula, haja vista o pouquíssimo número de votos obtidos pela legenda [...] Pela legenda pedessista foram eleitos um total de cinco vereadores159.
A vitória eleitoral do PMDB em Rondônia possui relação com o processo de mudança política do país que consolidou o ―fim‖ da ditadura em 1985. A aliança democrática que constituiu a ―Nova República‖, a partir de 1982, estabeleceu os primeiros governos estaduais do PMDB. Teve início a incorporação de Movimentos da dinâmica do próprio Estado. O PMDB abre-se para diversas demandas como mecanismo para capturar força política, questão já colocada em São Paulo e discutida por Eder Sader.
Em Rondônia, de uma base política que representava as forças que já atuavam alinhadas à ditadura militar, constitui-se, a partir de 1984, outra base política conservadora eleita pela população, culminando, assim, na formação de um campo político conservador, porém, marcado por lutas e disputas. Consideramos que parte dos que elegeram essa base política foram aqueles que se deslocaram na década de 1980, munidos de capital e que participariam do processo de reorganização do campo a partir desse período.
158 Reportagem ―Em Rolim a campanha esquenta e o PMDB monta esquema para o dia 9‖. Jornal Tribuna