Todo o arsenal de ferramentas educacionais possui uma finalidade essencial: dotar as pessoas, pelo modo mais ágil e fácil, de competências profissionais que lhes permitam transitar com segurança e eficácia no ambiente dos negócios. Na visão de MEISTER (1999, p. 13), são as seguintes as competências essenciais:
1. Aprender a aprender;
2. Comunicação e colaboração;
3. Raciocínio criativo e resolução de problemas; 4. Conhecimento tecnológico;
5. Conhecimento de negócios globais; 6. Desenvolvimento de liderança; 7. Auto-gerenciamento de carreira.
Identificadas tais competências e dado o seu alto nível de importância, torna- se necessário analisar e explicar o significado de cada uma e indicar quais conhecimentos, habilidades e atitudes devem ser incorporados ao desempenho profissional para que as competências essenciais sejam de fato adquiridas.
4.3.1 Aprendendo a Aprender
A primeira dessas competências básicas, aprendendo a aprender, diz respeito a adquirir e saber utilizar diversas técnicas mentais, entre as quais a capacidade analítica, o questionamento permanente, a inquietude perante o que não se entende
e o pensamento criativo de alternativas de solução. Além disso, é necessário praticar a abstração, ou seja, a capacidade de transferir o saber atual para diferentes situações; e ainda, experimentar os novos conhecimentos adquiridos em cursos, leituras e em vivências e relacionamentos profissionais. Por fim, realizar a verdadeira aprendizagem, por meio da absorção e da incorporação de tais saberes à vida pessoal.
A American Society of Training and Development (ASTD) apud Meister (1999, p. 106), explica a competência de aprender a aprender por meio de quatro habilidades: saber fazer as perguntas certas, saber discernir os pontos fundamentais de conceitos complexos, saber avaliar o conhecimento apropriado sobre algo e saber aplicar tais conhecimentos às atividades profissionais cotidianas.
4.3.2 Comunicação Colaborativa
Tomando-se como premissa a necessidade cada vez mais intensa das organizações atuarem de forma flexível, o aprendizado individual de tarefas específicas deixa de ser suficiente. É preciso então, investir não só nas habilidades interpessoais de comunicação, mas também no aprendizado em equipe, no estímulo ao compartilhamento de conhecimentos. Significa dizer relacionamentos mais amigáveis e saudáveis entre colegas de trabalho, clientes e fornecedores, sempre em busca da melhoria quantitativa e qualitativa do aprendizado colaborativo.
Independentemente do nível de capacitação técnica, o domínio de habilidades de comunicação torna-se um fator crítico para o sucesso de indivíduos e equipes de trabalho. E dentre essas, a capacidade para ouvir e dar atenção aos outros se caracteriza como a mais importante habilidade de comunicação e instrumento capaz de estabelecer e aprofundar relacionamentos profissionais e processos de aprendizado produtivos.
O grande produto desse aprendizado colaborativo é o conhecimento implícito, que pode ser explicado como a absorção de modos de execução de tarefas por meio da intuição e do bom senso, sem domínio de métodos racionalmente estruturados. São aquelas maneiras de realizar determinados trabalhos que as
pessoas desenvolvem sem qualquer treinamento específico, e que surgem espontaneamente com base nas trocas de experiências e contatos entre os indivíduos, e que são aprimoradas ao longo do tempo.
4.3.3 Criatividade e Iniciativa
A atuação em mercados dinâmicos exige respostas rápidas não somente dos gestores, mas também de profissionais de todos os níveis hierárquicos. A necessidade de descentralização das decisões requer pessoas treinadas em resolução de problemas e isso, por sua vez, exige habilidades criativas. O trabalhador não pode mais esperar que os gerentes definam todos os detalhes das tarefas, pois a redução de níveis hierárquicos os deixou sobrecarregados e prioritariamente voltados para temas estratégicos e táticos. Assim, compete cada vez mais aos trabalhadores tratar dos assuntos operacionais, desenvolvendo competências de iniciativa e percepção de oportunidades de melhoria de processos e de negócios.
Se antes o treinamento ocorria apenas em sala de aula, em processo teórico apartado da execução prática do trabalho, atualmente a capacitação tende a acontecer cada vez mais no próprio ambiente de trabalho, por meio da chamada aprendizagem em ação, em que os profissionais são expostos a situações reais de trabalho e/ou simulações baseadas em casos reais, sendo chamados a apresentar soluções também reais.
4.3.4 Habilidades Tecnológicas
Diz respeito à utilização da tecnologia como instrumento que permite potencializar a aprendizagem. As empresas mais avançadas em educação corporativa lançam mão dos recursos tecnológicos para democratizar o acesso a informações e treinamento em serviço, o que reduz os custos de capacitação e de deslocamento aos centros de aprendizagem.
Tais recursos contemplam o uso da internet, intranet, fóruns virtuais para discussão de temas indicados pela empresa, FAQ (Frequently Asked Questions). Porém, para ter condições de participar dessas novas metodologias de aprendizado o trabalhador precisará desenvolver habilidades tecnológicas que lhe permitam o acesso a essas novas formas de aprender. A IBM criou uma rede de relacionamento interno denominada Blue Pages, na qual cada empregado dispõe de uma página onde indica os seus conhecimentos especializados e os projetos nos quais está trabalhando. Além disso, recentemente a empresa lançou a Bluepedia, uma espécie de biblioteca virtual livre, na qual todos os funcionários podem gerar conteúdo e atualizar informações existentes.
Outra grande vantagem do uso de ferramentas de aprendizagem on-line é a possibilidade de constante atualização dos conteúdos, permitindo a disponibilização imediata e simultânea dos conhecimentos mais recentes, de forma rápida e a baixo custo.
4.3.5 A Internacionalização dos Negócios
Além de todas as competências tradicionais, tais como finanças, marketing, recursos humanos, tecnologia, surge uma nova, a experiência em negócios internacionais, decorrente da globalização dos negócios. Essa competência inclui o domínio de línguas estrangeiras, vivência profissional em outros países, conhecimentos de comércio exterior e da cadeia global de suprimentos.
A crescente competição gerada pela globalização exige ainda dos profissionais o conhecimento apurado de estratégias de expansão externa, dos padrões contábeis internacionais e de métodos de avaliação de potencial de negócios. Além disso, é imprescindível o acompanhamento das tendências tecnológicas e dos lançamentos de produtos e estratégias de concorrentes ao redor do mundo, o que permitirá a adoção de ações ou reações com a presteza necessária.
4.3.6 Criando Líderes
A gestão de empresas modernas e inseridas em ambientes de alta competição mercadológica requer novas formas de conduzir pessoas rumo aos objetivos. A atuação de gestores não pode mais se limitar ao simples gerenciamento de tarefas, por meio da limitada fórmula de planejamento e controle. É preciso ir além: treinar, delegar e descentralizar funções gerenciais, em suma, desenvolver novas lideranças. E para isso, motivar a equipe torna-se a prioridade gerencial, criando o campo fértil para o surgimento de atitudes empreendedoras compatíveis com o perfil de volatilidade do novo mundo dos negócios.
Compete às empresas investir fortemente em programas de desenvolvimento de lideranças, como meio de aperfeiçoar o desempenho dos líderes atuais e, principalmente, de formar os líderes do futuro, seja no horizonte próximo ou distante.
4.3.7 A Escolha da Carreira
Modifica-se a relação empresa/empregado no que se refere às responsabilidades pela formação profissional. As pessoas passam a ter mais espaço e mais possibilidades para identificar seus projetos de carreira, suas necessidades de treinamento e as formas mais eficientes para supri-las. As organizações criam e disponibilizam “trilhas de desenvolvimento”, formadas por conjuntos de competências alinhadas às estratégias de negócios e as respectivas ações de capacitação necessárias para obtê-las. Os funcionários podem então escolher dentre as trilhas aquelas que melhor se enquadrem em seus planos de desenvolvimento e de ascensão profissional.
5 A UNIVERSIDADE CORPORATIVA