5 RESULTATER OG ANALYSE
5.2 Påvirkning på eget arbeid
A interação e colaboração presentes em uma equipe proporcionam melhor qualidade nos trabalhos realizados, pois o resultado da interação entre uma equipe de pessoas é melhor que a simples soma das contribuições individuais de cada membro (CAMPOS et al, 2003). Corroborando com esta idéia, Fuks, Gerosa e Lucena (2003) relatam que a colaboração no trabalho cria um ambiente de complementação das capacidades, conhecimentos, habilidades e esforços individuais. Nesta troca de conhecimentos cada participante trabalha seus conceitos, analisando-os e refinando-os. Além disso, Benbunan-Fich e Hiltz (1999 apud FUKS, GEROSA e LUCENA, 2003) destacam que trabalhar em equipe também traz motivação para seus membros, pois a equipe estará observando, comentando e avaliando o trabalho de cada um dos envolvidos.
A colaboração, seja ela síncrona, assíncrona, distribuída ou colocada, envolve três fatores fundamentais para sua efetividade, que em conjunto são chamados de modelo 3C: coordenação, comunicação e cooperação (Figura 6). De acordo com o modelo, a comunicação entre os indivíduos acontece durante o diálogo, que é organizado pela coordenação e acontece em um ambiente de suporte à cooperação. Em muitos casos, há a necessidade de renegociação, voltando à comunicação e cooperação, gerando assim um aspecto cíclico na
colaboração. Cada informação gerada neste ciclo é disponibilizada à equipe por meio de elementos de percepção (FUKS, GEROSA e LUCENA, 2003).
Figura 6: Modelo de colaboração 3C (FUKS, GEROSA e LUCENA, 2003).
Neste ciclo de interações os membros da equipe conseguem discutir e cooperar suas idéias e conhecimentos, refinando-os de maneira a encontrar soluções adequadas e direcionadas ao objetivo do trabalho (comunicação e cooperação), assim como estruturar e organizar as atividades de interação (coordenação). A coordenação do processo inclui atividades tais como: (i) ordenação dos compromissos assumidos nas conversações entre os participantes, (ii) disponibilização das informações sobre o que está acontecendo e sobre o que as outras pessoas estão fazendo, (iii) direção da discussão e conflitos inter-pessoais que possam prejudicar o grupo. Entretanto, mesmo trabalhando estes elementos, ainda existem alguns problemas que são freqüentes em discussões apoiadas por computador, tais como (PIMENTEL, FUKS e LUCENA, 2004):
o confusão conversacional, com falta de continuidade das mensagens resultando em textos não lineares;
o dificuldade em manter o foco, onde os participantes desviam suas idéias do objetivo inicial da discussão e;
o grande quantidade de mensagens sendo produzidas dinamicamente, dificultando a leitura e compreensão das mesmas.
Stohr e Konsynski (1997 apud BACELO e BECKER, 1997) destacam outros problemas encontrados em ambientes de colaboração, tais como:
o dificuldade de encontrar um horário e local comuns e adequados a todos os membros do grupo;
o dificuldade de participação ativa e igualitária de todos os membros do grupo; o dificuldade para conduzir a reunião de modo que esta seja objetiva, e que não tome
inutilmente o tempo das pessoas e;
o dificuldade de convergir para uma solução satisfatória.
Uma grande parte dos problemas citados acima pode ser amenizada ou até mesmo eliminada se a atividade a ser realizada puder ser feita por meio da colaboração assíncrona, pois ela auxilia (SOUZA e GOMES, 2003): (i) na participação em locais e horas adequados a cada membro da equipe, (ii) na condução das reuniões de maneira produtiva por meio de controles de quantidades de mensagens, (iii) no controle do direcionamento para o objetivo da discussão, (iv) no controle de convergência das soluções, (v) na leitura e análise, podendo os indivíduos responderem com maior reflexão sobre as discussões colocadas pelo grupo.
Conforme descrito no início deste capítulo, o ambiente proposto neste trabalho faz uso da colaboração assíncrona, visando diminuir os problemas acima citados e também por suas necessidades específicas de colaboração a médio prazo, utilizando, para isso, a “arquitetura” AC-Híbrida, descrita na próxima seção.
3.2.3.
“Arquitetura” de colaboração assíncrona AC-Híbrida
A “arquitetura” AC-Híbrida, sendo “A” de assíncrono e “C” de colaborativo, (CASTRO et al, 2004) é uma das bases conceituais do projeto MODELA, mencionado no capítulo 1 deste trabalho. É uma “arquitetura” inspirada no padrão Modelo-Visão-Controle (GAMMA et al, 1995) e adaptada para ser utilizada em um ambiente de colaboração assíncrona, apresentada na Figura 7.
Figura 7: “Arquitetura” AC-HÍBRIDA.
Na Figura 7 podem ser observados os seguintes elementos:
o clientes – representam a “máquina” dos membros da equipe de discussão; o servidor - representa a “máquina” controlada pelo coordenador da equipe;
o modelo individual - representa a área em que cada cliente (membro da equipe) pode organizar suas idéias de maneira privada, onde somente ele mesmo tem acesso, até que esteja pronto para submetê-las à equipe;
o modelo global – representa a área de consenso do grupo, ou seja, idéias que já foram discutidas, analisadas e validadas, podendo ser chamada de memória corrente da equipe, onde todos têm acesso para consulta. É um modelo estável, mas passível de alterações/evoluções a partir de novas idéias e discussões da equipe;
o modelo de colaboração – representa a área de compartilhamento de novas sugestões, idéias, observações, fatos, problemas, soluções, etc. entre os membros da equipe. Nesta área, uma idéia elaborada no Modelo Individual é submetida à equipe para que seja discutida até que chegue a um consenso. Após o consenso, as idéias são transferidas para o Modelo Global.
Conforme explicado anteriormente, o modelo de colaboração da “arquitetura” AC- Híbrida utiliza a abordagem assíncrona para permitir uma maior reflexão sobre as questões discutidas no ambiente. Entretanto, as colaborações assíncronas podem apresentar alguns problemas na estruturação das mensagens, dificultando o entendimento e a participação das pessoas, conforme descrito na seção 3.2.2. Para reduzir alguns destes problemas, podem ser utilizados modelos de argumentação ou categorização de mensagens, organizando e padronizando a colaboração entre membros de uma equipe. Dentre os modelos encontrados na
literatura, o mais clássico, referenciado e utilizado é o Issue Based Information Systems (IBIS) e, portanto, escolhido para utilização neste trabalho.