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AVDELING IV ANDRE BESTEMMELSER

PÅGÅENDE TOLLPROSEDYRER Artikkel 43

Orientadora: Dinah Maria Isensse Callou

Co-orientador: Dermeval da Hora Oliveira

A pesquisa de Marques não é essencialmente sobre o dialeto carioca. O trabalho discute as vogais pretônicas em uma perspectiva diferente de estudos passados. Ela investiga a situação de contato dialetal, comparando a fala dos paraibanos residentes no Rio de Janeiro e a fala carioca, e de brasileiros e portugueses na cidade de Lisboa.

Os dados foram extraídos de dois corpora: o português falado no Rio de Janeiro por paraibanos radicados na cidade, e um de brasileiros residentes em Lisboa. O corpus formado por nativos da Paraíba foi composto pelo vernáculo produzido por vinte e um informantes e dos brasileiros residentes em Portugal, por dez informantes, todos homens.

Segundo a autora (p.61) as entrevistas foram realizadas com indivíduos selecionados aleatoriamente, para que se obtivesse “o máximo possível da espontaneidade do seu discurso”. Após a gravação das entrevistas a autora organizou os informantes por faixa etária, ano de escolarização e tempo de residência no local.

A autora fez um levantamento a partir das entrevistas, para determinar que tipos de vocábulos e morfemas apresentavam variação das vogais pretônicas orais e nasais, /e/ e /o/ e assim chegar a uma sistematização. Elegeu quatro grupo de variáveis linguísticas: vogal da sílaba seguinte, tonicidade da sílaba pretônica subsequente, contexto fonológico seguinte e subsequente. Foram analisados 5.313 ocorrências das vogais pretônicas /e/ e /o/, em contextos do tipo CV(consoante-vogal), CCV, CVC, CCVC. Para [e], foram 2.854 ocorrências e para [o] 2.454. As análises foram feitas apenas com base nas sílabas do tipo CV, porque, segundo a autora, foram nestas que ocorrerem o maior número de dados (60% do total observado) e, também, pelo fato de os outros tipos de sílaba já possuírem estruturas que condicionam a ocorrência ou não de determinada realização. Os dados foram submetidos ao pacote de programas VARBRUL (Pintzuk, 1988). Marques constata que o tempo de moradia é fator condicionante para a acomodação linguística, pois percebeu na fala dos paraibanos residentes no Rio de Janeiro por mais de cinco anos, mais acomodação do que os que residem a menos tempo. Infere, ainda, que a acomodação em relação aos paraibanos no Rio é mais rápida do que na fala nos brasileiros em Lisboa (p.145) e atribui esse fato à pressão social enfretanda pelos paraibanos em território brasileiro, o que não ocorre, da mesma maneira em terra estrangeira.

A linha teórica da tese é traçada sob o olhar dos estudos de Trudgill (1986), sobre os dialetos em contato, baseados na Teoria da Acomodação de Giles (1973), e a Teoria Sociolinguística Quantitativa (Labov, 1972). A autora investiga as vogais médias pretônicas, nessa situação de contato, por serem estas ponto de distinção nos dois países. É marca dialetal na fala paraibana pelo fato de ocorrer o abaixamento das vogais médias (Pereira, 2001) e em Portugal por ocorrer a supressão da pretônica. O seu estudo mostra que há acomodação linguística quanto à realização das vogais médias, tanto para os paraibanos residentes no Rio de Janeiro, quanto para os brasileiros residentes em Lisboa. A autora selecionou informantes no Brasil apenas de uma região, mas em Lisboa isso não ocorreu. Enquanto no Rio havia apenas informantes da Paraíba, em Lisboa eles eram provenientes de São Paulo, Paraná, Espirito Santo, Goiás e Pernambuco.

A autora constata que ambas as vogais pretônicas médias experimentam um processo de acomodação, no que diz respeito à fala dos migrantes paraibanos. Afirma que o contato dialetal não se processa igualmente quando se trata de variedades inter-regional e intercontinental. Embora a autora faça a análise de fatores linguísticos e não linguísticos, pouco os explora na sua conclusão.

4.3.2.2 Dissertação: Análise acústica das vogais pretônicas [-bx] no falar do Rio de Janeiro. 2010

Autora: Luana Maria Siqueira Machado – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Orientadora: Profª. Doutora Dinah Callou

Co-orientador: Prof. Doutor João Moraes

Luana M. S. Machado, em sua dissertação de mestrado, defendida em 2010, sobre a fala carioca, se vale de uma outra abordagem sobre as pretônicas médias, utilizando como suporte teórico a fonética acústica. Propõe-se a estabelecer uma diferença entre a vogal derivada (vogal pretônica média que se torna alta) e a vogal subjacente como p[i]rata, postulando uma possível diferença na realização de tais vogais. Investiga a diferença resultante do processo de variação vocálica, aquela provocada por harmonia vocálica, como p[i]rigo e a que resulta de assimilação consonântica, como p[e]queno. A hipótese inicial da pesquisa prevê uma diferença entre vogais derivadas e subjacentes, sugerindo uma vogal intermediária entre as duas. A análise mostra que não há diferença, em termos acústicos, entre a pretônica alta derivada e a vogal tônica alta. Machado faz a análise acústica dos dados, realizada no laboratório de fonética da UFRJ, com 8 informantes, divididos nos gêneros masculino e feminino. Também realizou análise estatística de alguns fatores selecionados, utilizando o Goldvarb X. É uma pesquisa interessante que mostra outras possibilidades de discussão para o sistema pretônico medial do português do Brasil.

4.3.2 São Paulo

Em relação aos estudos realizados sobre o dialeto paulista, encontrei três dissertações de mestrado. Apenas uma investiga a fala culta de São Paulo (Zani, 2009) as outras duas analisam o dialeto da região noroeste do estado, Silveira (2008) e Carmo (2009). Optando por uma ordem cronológica de finalização das pesquisas, iniciarei a discussão pelo

trabalho de Ana Amélia Menegasso da Silveira (2008), que investiga o alçamento vocálico no dialeto de São Jose do Rio Preto.

4.3.2.1 Dissertação - As vogais pretônicas na fala culta do noroeste paulista. 2008. Autora: Ana Amélia Menegasso Da Silveira - Universidade Estadual Paulista, São Paulo. Orientadora: Luciani Ester Tenani

Silveira (2008), tendo como suporte o modelo da sociolinguística quantitativa, se propõe a realizar uma análise descritiva do que acontece com as vogais em posição pretônica considerando a influência de fatores estruturais, como vogal da sílaba tônica, distância, tipo de sílaba, nasalidade e tonicidade da vogal. Foram selecionadas quatro faixas etárias (16 a 25 anos, 26 a 35, 36 a 55 e mais de 55), e excluídas as variáveis gênero, renda e escolaridade, pois a pesquisa buscava confirmar se a idade do indivíduo era significativa para a verificação de possíveis mudanças em tempo aparente, ou para “observar se a variação é apenas uma questão de gradação etária, como observa Celia (2004) para os dados de uma variedade capixaba.” (p. 61). Entretanto, o programa estatístico utilizado (Varbrul), não selecionou o fator considerado (faixa etária) e Silveira conclui que este fator não foi relevante para o estudo. Diante disso decide excluir todos os fatores sociais da sua análise e considerar apenas os fatores linguísticos (cf.p.63).

Na apresentação dos resultados a autora, inicialmente, mostra o baixo percentual de aplicação da regra de alçamento no dialeto estudado. Foram 13% para /e/ e 14% para /o/. Embora ela afirme que, no caso de ocorrência do alçamento, o comportamento das pretônicas anterior e posterior seja distinto e que haja duas regras diferentes para o alçamento, conforme a vogal focalizada (e/o), isso não afeta a ocorrência de ambas no estudo, pois como se percebe pelo resultado exposto acima, não há, praticamente, diferença na ocorrência das duas vogais. Silveira (2008) diz que:

enquanto utiliza-se da harmonização vocálica para analisar grande parte dos casos de elevação da vogal anterior, caracteriza o processo de redução como o principal desencadeador do alteamento da posterior (...). (p. 34)

Dessa forma apresenta os fatores linguísticos que foram mais favoráveis para a elevação das vogais /e/ e /o/. O primeiro fator é a vogal alta na sílaba tônica, o segundo, a consoante precedente labial para /o/ e velar para /e/, o terceiro é a consoante seguinte labial e palatal para /o/ e a consoante velar para /e/. Por último, apresentou o fator tipo de sílaba, em que analisou quatro estruturas silábicas onde se encontra a pretônica: sílaba aberta (CV), sílaba

aberta com dois elementos (CCV), sílaba travada por arquifonema nasal (CVN) e a estrutura CVC, sílaba travada por /R/, /l/ e /S/.

Na análise do tipo silábico a autora afirma que a estrutura da sílaba aberta CV se mostrou favorável ao alçamento das duas vogais (e/o). Observa, ainda, que a estrutura (CVN), com elemento nasal na mesma sílaba, apresentou-se como importante fator para o alteamento de /e/, mas não para o alteamento de /o/. No caso de /o/, a estrutura de sílaba mais atuante foi (CVC), quando a consoante é uma fricativa ou vibrante. A autora conclui que a atonicidade permanente da pretônica, mostrou-se como a condição ideal para a aplicação da regra do alçamento, tanto em /e/, quanto em /o/ (p.123).

4.3.2.2 Dissertação: As vogais médias pretônicas nos verbos da fala culta do interior