AVDELING IV ANDRE BESTEMMELSER
PÅGÅENDE POLITISAMARBEID OG STRAFFERETTSLIG SAMARBEID Artikkel 58
Orientador: Celso Ferreira Cunha
Posterior ao estudo de Mota (1979), tivemos a primeira tese de doutorado sobre as vogais médias pretônicas da região Nordeste. A pesquisa da professora Myriam Barbosa da Silva (1989), realizada na UFRJ e até hoje é um dos trabalhos mais significativos sobre o assunto. A pesquisadora investigou a variação entre as vogais altas, médias e baixas no dialeto de Salvador, descrevendo a realização de /D/ e /N/.
Logo de início, a autora afirma que o seu trabalho é apenas uma tentativa de descrever as características do dialeto, entretanto, ela vai muito mais além, pois elabora um quadro de regras (apresentado mais adiante), para explicitar a variação vocálica que ocorre quando se produz as vogais médias em posição pretônica, no dialeto de Salvador. O estudo foi realizado com os dados do corpus do Projeto Norma Urbana Culta (Nurc) sobre o dialeto urbano de Salvador. Diferente do trabalho de Mota os dados têm o tratamento estatístico sustentado pelo modelo da sociolinguística quantitativa. Foram utilizados os programas Varbrul 2 e Swaninc.
A autora estabeleceu dois conjuntos de regras para analisar a variação vocálica no dialeto: uma regra categórica e outra variável. As regras categóricas foram subdivididas em quatro: uma de elevação (RCE) e três de timbre (RCT), assim explicitadas::
A RCE torna alto todo E em posição inicial absoluta, seguido de S implosivo como
iscola, iscuro (...) [e], a RCT-1, torna média toda vogal E que precede uma
consoante palatal em verbos e deverbais da primeira conjugação, como fechar,
fechadura, planejar, planejamento; A RCT-2, torna qualquer vogal pretônica, O
ou E, em uma vogal média quando E precede outra vogal média não-nasal, qualquer que seja o padrão silábico em que esteja inserida, como cêrveja, côrreio,
ôrelha, môer e viôlência ; e a RC-3 tornam baixas todas as pretônicas a que não se
As regras variáveis também são organizadas em quatro tipos: três de elevação (RVE) e uma de timbre (RVT). Estas são concorrentes das regras categóricas, pois ocorrem nos mesmos contextos. Enquanto as regras de elevação fazem com que as pretônicas se tornem preferencialmente altas, as de timbre tornam-nas médias sob certas circunstâncias, especialmente por motivação social, fato este que não foi muito fundamentado porque a amostra não continha dados socialmente diversificados.
4.4.1.4 Dissertação: As pretônicas médias em comunidades rurais do semi-árido baiano. 2004.
Autora: Adriana de Santana Soares - Universidade Federal da Bahia. Bahia. Orientadora: Myrian Barbosa da Silva
A pesquisa de Adriana de Santana Soares, sobre o dialeto baiano, retoma a discussão da regularidade na realização das pretônicas, investigando dados da fala rural. Analisa a realização das vogais médias em contexto C__(C)$C, em uma comunidade rural de Jeremoabo, município localizado na zona fisiográfica do semiárido baiano (Tapera, Casinhas e Lagoa do Inácio). Foram examinados 36 inquerítos fônicos, 12 de cada comunidade. A autora utilizou a Teoria da Variação como suporte teórico e o pacote Varbrul na versão 2000, para a análise dos dados. A amostra analisada foi composta por 6.937 dados, sendo, 4.116 de ocorrências da vogal média anterior e 2.821 da posterior. Na amostra, foram selecionados cinco fatores linguísticos (altura e zona de articulação da vogal subsequente, tonicidade da vogal subsequente, zona de articulação da consoante precedente e seguinte, atonicidade da variável dependente) e cinco não linguisticos (gênero, faixa etária, escolaridade, comunidade e identidade do informante).
Inicialmente constatou que as vogais baixas [e+ o\ eram predominantes no dialeto, com um percentual de 53% e 49% respectivamente. As vogais médias fechadas e altas estavam em equilíbrio, correspondendo a 25% para as vogais anteriores e 23% para as posteriores. A autora conclui, retomando os conceitos de regra categórica de timbre (RCTRCT) e de regra variávelvariável de elevação (RCERCE), que tais regras se aplicavam ao dialeto estudado. Afirma, então, que a RCTRCT
atua sobre a vogal não-alta tornando-a baixa em qualquer contexto, exceto quando precede vogais médias da sílaba seguinte ou consoantes palatais em verbos deverbais da 1ª conjugação, ou quando conserva o traço [- baixo] da vogal acentuada da palavra primitiva. (p.127)
Soares afirma que a regra de elevação, comum nos dialetos do português brasileiro, provoca o alteamento da pretônica, antes de qualquer vogal, mas preferencialmente nos contextos de vogais altas e às vezes antes de vogal baixa. As consoantes alveolares e palatais precendentes, e palatais e velares seguintes favorecem a elevação de [e] e velares e labiais precedentes e alveolares e velares seguintes, possibilitam a elevação de [o].
Dentre os fatores sociais, apenas a faixa etária sofreu influência na aplicação da RVE. Os outros fatores, gênero, escolaridade e comunidade não atuaram na aplicação da regra. Os resultados mostram que os idosos tendem a elevar mais a pretônica do que os jovens e medianos.
Quanto à RVT, que transforma em médias as pretônicas que seriam baixas, a autora diz que sua aplicação em Jeremoabo é bem menor do que em Salvador, e que os jovens tendem a aplicá-la mais do que os idosos e medianos. No caso de Salvador, a autora atribui o fato de as vogais não rebaixarem em determinados contextos esperados, à influência dos meios de comunicação. Como em Jeremoabo não há tanta influência dos meios de comunicação, a ocorrência de médias baixas em comparação com a capital baiana é maior. Enfim a autora diz que os contextos linguísticos são importantes na aplicação dessa regra para as pretônicas médias. Aponta a presença de vogais altas na sílaba seguinte e vogal átona na sílaba subsequentes, bem como consoantes laterais, como favorecedores para a variação vocálica medial neste dialeto.
4.4.1.5 Dissertação: As vogais médias pretônicas na fala do pessoense urbano. Autora: Regina Celi Mendes Pereira-Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 1997. Orientador: Demerval da Hora de Oliveira
Passo a descrever agora o estudo concluído em 1997, sobre o dialeto paraibano. A professora Regina Celis Pereira36 analisa a fala do pessoense urbano” (Dialeto de João
Pessoa-Paraíba) e investigou o comportamento das pretônicas médias em sílaba inicial e nos padrões CV e CVC. O corpus da pesquisa foi constituído por 15.080 ocorrências, 8.679 para a média [-post] e 6.401 para a média [+post], da fala de 60 informantes. Os dados foram estratificados por faixa etária (15-25anos, 26-49 e 49 anos em diante) e anos de escolarização, que compreendem: analfabetos, Ensino Fundamental 1 (1 a 4 anos de escolaridade), Ensino Fundamental 2 (5 a 8 anos), Ensino Médio (9 a 11 anos) e Universitários (+de 11 anos). A
36 Não tive acesso à dissertação da autora, mas a pesquisa foi publicada em livro e a autora enviou-me um
autora excluiu as ocorrências das vogais pretônicas em posição inicial absoluta, hiatos, prefixos, contextos fonológicos em que ocorre a nasalização das vogais pretônicas, substantivos próprios e siglas. O estudo mostra o comportamento variável das médias pretônicas, posteriores e anteriores. Mesmo havendo predominância das pretônicas abertas, as altas e fechadas concorrem de forma significativa na variação vocálica neste dialeto. Observa- se que as pretônicas abertas ocorrem preferencialmente, quando a vogal tônica é da mesma altura ou quando é uma não alta nasal (ã, ẽ, õ). Também ocorrem casos significativos de abertura, se a vogal tônica é /u/, e especificamente para /ó/, quando a tônica é [ũ] como c[ó]luna, pr[ó]funda, aplicando a regra de “harmonização vocálica”. Quanto ao alçamento da média pretônica, a autora mostrou que as variantes altas [i] e [u] ocorrem categoricamente se a vogal tônica é [ĩ], como em: m[i]nina, d[u]mingo; e, predominantemente, se for /i/: p[i]dia, p[u]lítica. Aponta, ainda, que as alveolares (sibilantes) e as palatais seguintes condicionam a aplicação do alçamento, conforme atestam algumas das pesquisas supracitadas. Contrariando a sua hipótese inicial, em que ela pensava encontrar mais vogais médias abertas, seus dados mostraram uma ocorrência significativa de variantes elevadas e fechadas. Ao comparar os seus resultados com os de Silva (1989), Pereira (1997) conclui que “em termos gerais e percentuais o pessoense eleva e fecha mais as vogais, ao mesmo tempo em que abre menos que os soteropolitanos (p.125)”.
4.4.1.5 Tese: As vogais médias pretônicas no falar popular de Fortaleza: uma abordagem