• No results found

Overview of forests and community members’ forest use in the study area

6. LOCAL PEOPLE’S LIVELIHOODS AND DEPENDENCENCE ON FOREST

6.2 Overview of forests and community members’ forest use in the study area

O ponto de partida para efeito do estudo comparativo, será o Pacto de Lausanne (PL/74), escrito por ocasião do “Congresso Internacional Sobre Evangelização Mundial” em Lausanne, Suíça, 1974, com o tema “Para que o mundo ouça a sua voz (de Deus)”. Ali o reverendo John R. W. Stott serviu como presidente da comissão de redação do Pacto “expressando profunda gratidão ao Sr. Samuel Escobar e outros”, que foram membros da referida comissão. R. Padilla se destacou dentre tantos outros preletores presentes no congresso, abordando o seguinte tema “A evangelização e o mundo”. A parte desta palestra que provocou os congressistas a pensarem na missão integral foi (PADILLA, 1992, p. 7) a seguinte:

Nossa maior necessidade é de um evangelho mais bíblico e uma igreja mais fiel. Poderemos nos despedir deste congresso com um belo conjunto de papéis e declarações que serão arquivados e esquecidos, e com a lembrança de um grande e impressionante encontro de âmbito mundial.

Ou poderemos sair daqui com a convicção de que temos fórmulas mágicas para a conversão das pessoas. Eu pessoalmente espero em Deus que possamos sair daqui com uma atitude de arrependimento no que diz respeito a nossa escravidão ao mundo e ao nosso arrogante triunfalismo, com o senso de nossa incapacidade de sermos libertos dos grilhões a que estamos atados e, apesar disso, com grande confiança em Deus, o Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós. A ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.

Em Lausanne (1974), como se percebe na citação acima, Padilha traz à tona o elemento do cuidado com a alma e também com o corpo de maneira indissociável, provocando uma reflexão séria e focada na missão integral. Zwetsch (2008, p. 151) escreveu que “nesse Congresso, Padilla fez parte de um grupo chamado discipulado radical que incentivou os participantes a assumirem a responsabilidade social como parte integrante da evangelização e não como uma simples opção circunstancial”.

Quanto a Stott, ele concentrou seu cuidado missionário em um “Jesus que veio servir e testemunhar” ao dizer que “essas duas atividades é que constituem a missão da igreja”, colocando seu esforço no anúncio do evangelho para pregar a salvação, como veremos logo abaixo. Ao comentar o objetivo do evangelho no PL/74, Stott (1984, p. 26) afirma que:

O objetivo da evangelização é a conversão, e a conversão implica uma mudança radical de estilo de vida, envolve o converso em pelo menos três novas e conscienciosas relações: com Cristo, com a igreja e com o mundo.

Feitos estes comentários, destaco as seguintes seções do PL/74: (seção nº 4) que trata da natureza da evangelização, (nº 5) que aborda a responsabilidade social cristã, (nº 6) sobre a igreja e a evangelização, (nº 7) sobre cooperação na evangelização, e (nº 9) que aborda a urgência da tarefa evangelística. Estas seções do PL/74 foram abordadas e comentadas tanto por Padilla quanto por Stott, permitindo assim fazer um comparativo entre a teologia da missão de ambos.

O método que utilizarei para comparar a Teologia da Missão Mundial de Stott com a da missão integral de Padilla, sob o prisma do PL/74, será, primeiro, citar a seção referente ao PL/74, e em seguida comentá-la dialogando com ambos, à luz do entendimento de cada autor, e comparar suas teologias.

No PL/74, seção nº 4, temos o seguinte:

Natureza do evangelismo: evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou dos mortos, segundo as Escrituras e agora como Senhor e Rei oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito Santo a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e também manter um diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade para entender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, para convencer as pessoas a vir a ele pessoalmente e reconciliar-se com Deus. Ao fazer o convite do evangelho, não temos o direito de esconder ou reduzir o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo a negar-se, tomar a sua cruz e se identificar com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.

Para Stott (1984, p. 23), “o conteúdo do evangelho é o próprio Jesus Cristo, ele próprio, é a essência do evangelho” compreendido em dois eventos centrais, isto é, “sua morte e a ressurreição”. O autor se concentra nas boas novas de que Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para provar que seu sacrifício na cruz havia sido aceito por Deus e que não tinha morrido em vão. Quase que “automaticamente” quem “aceita Jesus” recebe os dons do perdão dos pecados (dado por Deus) e o dom libertador do Espírito, que nos liberta do egocentrismo para vivermos para Deus e para os outros. Neste ponto, Stott (1984, p. 24) complementa sua teologia dizendo que “para receber estes dons gratuitos, o homem precisa arrepender-se e crer, desviando do pecado, da mentira e dos ídolos, e confiando em Jesus Cristo como único Salvador (fé)”. As duas coisas são indissociáveis (PADILLA, apud Stott, 1984, p. 24): “a fé sem arrependimento não é fé redentora, mas presunçosa crendice” fazendo aqui sua única referência a R. Padilla.

No comparativo sobre a natureza do evangelho, Stott compreende que nele estão contidos elementos do Reino de Deus, do nascimento, vida e morte de Jesus, mas deixa claro que sua teologia aponta para a questão de que “Só Jesus Cristo Salva”. Ele afirma que “o objetivo da evangelização é a conversão”. Ao analisar esta afirmação, podemos observar que Stott prega a Jesus como Senhor e Salvador, fazendo da missão mundial uma forma de proselitismo, dando ênfase à proclamação da palavra e somente depois, isto é, em segundo lugar, à ação social pelo convertido. Este, ao prestar um serviço responsável no mundo, deixa o egocentrismo para se dedicar ao serviço sacrificial no

dedicar-se às boas obras para com seu próximo. Sua teologia muito se aproxima da do norte-americano Billy Graham, um dos líderes e patrocinadores do Congresso. Para Graham (1974, p. 36,37) a salvação da alma é prioritária:

Cristo levou em seu próprio corpo, na cruz, os pecados que nos algemavam. Ele morreu por nós e ressuscitou. Ele provou a verdade de todas as promessas de Deus feitas ao homem; e se você aceitar hoje a Jesus Cristo, pela fé, também poderá partir as algemas do pecado, e ficar em lugar seguro e livre, no conhecimento de que, através do amor de Cristo, sua alma está purificada do pecado e salva da condenação.

Billy Graham não chega sequer a abordar a questão social em seu modo de ver o evangelho, compreendendo que a atitude pessoal de “aceitar hoje a Jesus Cristo” tem uma dimensão e um tal efeito que elimina por completo o pecado individual. A salvação eterna fica assim garantida e as necessidades tanto espirituais quanto materiais são resolvidas. Na teologia de Graham não sobrou espaço para o serviço social, nem mesmo em segundo plano. Stott, no entanto, coloca o serviço social dentro da missão mundial, mesmo em segundo plano.

Já Padilla (2011, p. 1) compreende que “a evangelização bíblica é inseparável da responsabilidade social e política, o discipulado cristão e a unidade da igreja”. Em poucas palavras, ele aborda e inclui na proclamação da palavra – a pregação do Jesus Rei, Salvador, Senhor – o apelo ao compromisso de ser discípulo e pertencer a uma igreja e ao serviço social. Samuel Escobar, ao tratar da teologia da missão contextualizada no evangelho, possui compreensão semelhante à de Padilla. Ele (1992, p. 20) afirma:

Existe base suficiente na história da igreja e nos ensinamentos da Palavra de Deus para afirmar categoricamente que a preocupação pelo aspecto social do testemunho evangélico no mundo não é um abandono das verdades fundamentais do evangelho; pelo contrário, é levar às últimas consequências os ensinos a respeito de Deus, de Jesus Cristo, do homem e do mundo, que formam a base desse evangelho.

Escobar aponta para a mesma direção de Padilha mostrando que, ao se praticar o serviço social por meio da igreja, sob nenhuma hipótese, a proclamação da palavra será enfraquecida, prejudicada. Pelo contrário, diz ele, é na prática do evangelho integral, que se insere o ser humano dentro da missão integral, contribuindo para que a presença de Jesus no mundo se revele com mais vigor.

Sendo assim, analisando a seção nº 4 do PL/74 sobre a natureza do evangelho, pude perceber que existem contidos nesta seção, três elementos importantes: a fé em que Jesus é o único Salvador e Senhor – não existe salvação fora do seu senhorio; o custo de ser discípulo de Cristo – na condição de que cada um deve levar sua própria cruz e dispor de tempo e recursos para praticar a evangelização; a identificação com a nova comunidade, isto é, a igreja – para fazer parte de um grupo social de forma consciente de suas responsabilidades tanto na proclamação da palavra quanto das práticas das ações sociais. O termo “Reino de Deus” não aparece nesta seção, mas a palavra “rei” leva-nos a crer que de forma indireta ele está ali incluso. A visão de Stott fica mais limitada à proclamação da palavra com o objetivo de converter pessoas ao cristianismo, enquanto Padilla inclui na evangelização a pregação, o serviço social, a ação política, o compromisso pessoal de ser discípulo e o coletivo de pertencer a uma igreja tendo em vista a reconciliação pessoal com Deus.

Quanto à responsabilidade social cristã expressa no PL/74 em sua seção nº 5 temos:

A responsabilidade social cristã: afirmamos que Deus é o Criador e Juiz de todos os homens. Portanto, nós devemos compartilhar sua preocupação pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação de todos os homens de todos os tipos de opressão. A humanidade foi feita à imagem de Deus e toda pessoa, independentemente da sua raça, religião, cor, cultura, classe, gênero ou idade, possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, não explorada. Também nos arrependemos de nossa negligência e por ter algumas vezes considerado a evangelização e a preocupação social como coisas mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja o mesmo que reconciliação com Deus, o compromisso social não seja o mesmo que o evangelismo, nem libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e ação social e política fazem parte do nosso dever cristão. Ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre todas as formas de alienação, de opressão e discriminação, e não deve ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar, mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando em todas as nossas responsabilidades, pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.

Stott comenta que as obras sociais já foram em tempos passados, ou seja, no século XIX na Inglaterra, objeto de preocupação dos cristãos e que hoje (na época de Lausanne/74) nossa tendência como cristãos está divorciando a evangelização da ação social. Ele reconhece que nossa atenção está quase que exclusivamente concentrada na proclamação da palavra no sentido de pregar apenas a salvação da alma. Para Stott (1984, p. 28-31) essa seção nº 5 do PL/74 tem em seu contexto as doutrinas principais do dever social cristão, as quais são: a doutrina de Deus – ele não está apenas interessado na igreja mas em todo mundo; a doutrina do homem – a responsabilidade social e a evangelização são parte do nosso dever cristão; a doutrina da salvação – que significa a libertação do mal social e individual; e por último, a doutrina do reino – o cidadão que recebeu a Cristo nasceu de novo para este reino.

Outro autor norte-americano que se aproxima da teologia de Stott, é Howard Snyder. Esta aproximação se dá pelo fato de que ele também divide a missão em proclamação da palavra e ação social. No entanto, o anúncio do evangelho por meio da pregação deve ser priorizado (cf. SNYDER, 1997, p. 47):

A prioridade para com os pobres é a evangelização, vivendo e transmitindo as boas novas. Nosso interesse deve estar, em primeira instância, na verdade central da mensagem do evangelho: reconciliação com Deus por meio do sangue de Jesus Cristo.

Snyder coloca a evangelização, isto é, a pregação da palavra, como pedra fundamental da evangelização na missão mundial a ponto até de se esquecer por completo da questão do serviço social. Ele insiste nesta postura ao afirmar que (SNYDER, 1997, p. 47) “em nossa preocupação pelos pobres, corremos sério risco de negligenciar ou acabar retendo a coisa mais importante: a própria mensagem do evangelho”, e continua afirmando: “nada do que podemos fazer pelos pobres é mais relevante do que a evangelização”.

Já Padilla compreende que de maneira notória o PL/74 seção nº 5, elimina a dicotomia entre evangelização e responsabilidade social e política. A responsabilidade social dos cristãos fundamentada na doutrina de Deus, do homem, da salvação e do Reino, recebe no PL/74 um lugar de proeminência (PADILLA, 2011, p. 1): “os cristãos devem compartilhar a preocupação de Deus por justiça e reconciliação com toda a humanidade e pela libertação do homem de todo tipo de opressão”. Essa concepção de

missão que não pode separar, priorizar ou simplesmente riscar o serviço social, é compartilhada por Escobar (1992, p. 42) quando afirma: “não podemos separar o evangelho da demonstração desse evangelho. Quero dizer, o serviço cristão não é optativo, não é algo que podemos fazer se o quisermos. É a marca da nova vida”.

Analisando e comparando esta seção nº 5 do PL/74, compreendo que Stott coloca em evidência a salvação de almas por meio da pregação do evangelho, quando a igreja sai ao mundo para ali fazer sua missão; ele faz referência à evangelização e à ação social, mas não dá ênfase a esta. Ele coloca que evangelismo não é ação social nem política. Quanto ao reino de Deus, ele adverte, citando Mateus (6.33), que devemos “buscar primeiro o reino de Deus e sua justiça”, para sermos “sal da terra”, pois “a fé sem obras é morta”. No entanto, Padilla (2011, p. 2) compreende esta seção do PL/74 como afirmando que “a evangelização e a ação social e política (são) parte integral de nosso dever cristão” e que “não se deve dar lugar a uma concepção unilateral de missão da igreja baseada no divórcio antibíblico entre a proclamação (kerygma) e o serviço (diakonia)”.

A seção nº 6 do PL/74 declara:

A igreja e a evangelização: afirmamos que Cristo envia seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial no mundo. Necessitamos sair de nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não cristã. Na missão da Igreja de evangelismo o serviço sacrificial vem em primeiro lugar. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A Igreja está no coração do propósito cósmico de Deus e é o instrumento que ele tem designado para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a cruz deve, ela própria, ser marcada pela cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou a falta de uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, incluindo a promoção e finanças. A igreja é a comunidade do povo de Deus, ao invés de uma instituição, e não deve se identificar com uma cultura, sistema social ou político, nem com ideologias humanas.

Stott (1984, p. 32-34), ao comentar esta seção do PL/74 reconhece que a missão de Cristo no mundo é ser modelo para a missão da igreja, porque “quando o Filho de Deus foi enviado ao mundo, ele não ficou à parte da vida dos sofrimentos do mundo”. Mais adiante ele diz que “essa tarefa inclui tanto a ação evangelística como a social, de

maneira que a igreja, normalmente, não precisa optar por uma delas”. O evangelho integral contempla aqui tanto a proclamação da palavra quanto o serviço social a ser desenvolvido pela igreja de Cristo. Sobre a igreja ele alerta que se desejamos ser ouvidos e levados a sério, precisamos praticar o que pregamos e ser possuidores de uma honestidade escrupulosa em todas as coisas que fazemos.

Michael Green, outro participante e orador em Lausanne, alinhado a Stott em termos teológicos, compartilha sua opinião sobre a igreja de hoje, fazendo referência à igreja primitiva (GREEN, 2000, p. 194) afirmando:

A igreja também era a comunhão dos crentes, sendo o arrependimento e a fé as condições para ser aceito. E não é menos verdade que a igreja é a comunidade do Espírito, e que a única maneira de fazer parte desta comunidade é dar ao Espírito de Jesus acesso a nossa vida.

M. Green está afirmando sobre a igreja que o arrependimento e a fé são os elementos que permitem ao “novo convertido” ingressar nela. Não existe, portanto, um foco no entrar no Reino de Deus, mas sim na igreja. Esta maneira de pensar a evangelização a ser realizada pela igreja está mais voltada para a compreensão de que entrar para a igreja seja semelhante – e até mesmo igual – a entrar no Reino de Deus. Isto pode levar à conclusão de que conversão pode ser interpretada de forma separada do discipulado.

Padilla (2011, p. 2) comenta que o PL/74 é claro ao apontar para uma conversão inseparável do discipulado, isto é, quem se converte passa a ser discípulo. Isso envolve uma mudança radical em seu estilo de vida, considerando que os cristãos têm a obrigação de ilustrar a mensagem de Cristo com suas próprias vidas, afirmando que “uma igreja que prega a cruz, deve estar ela mesma marcada pela cruz”. Mais adiante ele dá sentido a essa seção do Pacto, indicando que é uma obrigação da igreja levar um evangelho genuíno de fé viva em Deus, no amor aos homens e exemplar honradez, incluindo a promoção e o envolvimento com as questões econômicas e sociais.

Escobar tem uma percepção teológica do compromisso da igreja com o anúncio do evangelho muito semelhante ao pensamento de Padilla. Escobar (1992, p. 26) afirma:

O testemunho da comunidade cristã não se dá no ar, dá-se no mundo, em bairros concretos, de cidades concretas, de sociedades concretas. Dá-se, não a homens abstratos, e sim a homens de carne e osso que vivem dentro de determinadas estruturas sociais, que sofrem, gozam, iludem-se e se desiludem, lutam e esperam.

Este serviço, para Escobar, acontece na concretude da vida, na luta diária pela sobrevivência, onde o discípulo deve estar atuando, levando o evangelho e também cuidando da parte social, atento às necessidades dos carentes que precisam das coisas necessárias para se manterem vivos no momento presente e com dignidade nesta vida terrena.

Ainda na análise da seção nº 6 do PL/74, Stott (1984, p. 33) volta a afirmar que a proclamação da palavra para salvar almas é mais importante, isto é, está em primeiro lugar em relação ao serviço social, ao dizer que: “mas se for necessário optar, então a evangelização é primordial”. O aspecto financeiro da igreja não é comentado por Stott. No entanto, Padilla vê uma amplitude maior nessa seção do PL/74, que vai além da proclamação da palavra – no sentido apenas de salvar almas – e inclui o fato de que a igreja deve tratar das coisas que envolvam finanças, ou seja, a promoção do serviço social aos necessitados.

Em se tratando da seção nº 7 do PL/74, temos o seguinte:

Cooperação na evangelização: Afirmamos que a unidade visível da Igreja na verdade é o propósito de Deus. A evangelização também nos convoca à unidade, porque nossa unidade reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, no entanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não necessariamente servir à causa da evangelização. No entanto, nós que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão de trabalho e testemunho. Confessamos que nosso testemunho por vezes tem sido marcado por um individualismo pecaminoso e duplicação desnecessária. Nós nos comprometemos a buscar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Urge o desenvolvimento da cooperação regional e funcional para o avanço da missão da Igreja, o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo e partilha de recursos e experiência.

Stott (1984, p. 34-37) trata da unidade da missão referida na seção nº 7 do PL/74, afirmando que “nossa mensagem é de amor e paz, mas ela sempre se esvazia

quando não estamos vivendo em amor e paz”. Isto pode demonstrar total falta de unidade entre os cristãos numa região. Para ele, “a única unidade que agrada a Deus é a unidade na verdade”, é o estarmos em comunhão na igreja pela verdade de Jesus. Na