Esta primeira categoria final é resultado da junção de 7 categorias iniciais. 1. Utilização
de indicadores econômicos e financeiros; 2. Utilização de indicadores macroeconômicos e de mercado; 3. Análise perspectiva (gráfica); 4. Associação acentuada da interação entre investimentos; 5. Aceite de perdas certas e ausência de fuga ao arrependimento; 6. Ausência acentuada de propensão para jogar; 7. Percepção de mudanças de valores em termos reais.
No quadro 16 apresenta-se ao processo de derivação da 1ª categoria final, bem como o conceito norteador de ligação das categorias iniciais a está categoria final
Quadro 16: Derivação da categoria final - Processo racional de formação da tomada de decisão
Fonte: Elaborado pelo autor
O processo de transição das três primeiras categorias iniciais para a categoria final, pode ser descrita como uma “análise prospectiva”, pois estas categorias evidenciam se, e em que grau, os investidores e analistas do mercado financeiro utilizam estes indicadores em seus processos de formação de tomada de decisão.
Esta análise constitui-se numa síntese da visão preditiva do investidor e/ou analista do mercado financeiro, que a partir da análise de negócios, da análise contábil e da análise financeira, faz previsões sobre o futuro da empresa. Para isto, a técnica mais comum é a projeção das demonstrações contábeis, bem como a análise de indicadores de valoração da
Conceito Norteador Categoria Final
1 Utilização de indicadores econômicos e financeiros
As decisões são tomadas tendo como base os indicadores das informações relacionadas à
empresa e ao negócio. 2 Utilização de indicadores
macroeonômicos e do mercado
As decisões são tomadas tendo como base os indicadores das informações relacionadas ao
ambiente macro e do mercado. 3 Análise perspectiva (gráfica)
As decisões são tomadas tendo como base a análise técnica (gráfica), do comportamento do
ativo no mercado financeiro 4 Associação acentuada da
interação entre investimentos
A tomada de decisão é realizada quando há uma associação contundente de interação entre
investimentos
5
Aceite de perdas certas e ausência de fuga ao arrependimento
A tomada de decisão é realizada com o aceite de perdas certas, quando há uma ponderação entre
ganhos e perdas sem diferença de pesos, associada a ausência de sentimento de fuga ao
arrependimento. 6 Ausência acentuada de
propensão para jogar
A tomada de decisão é realizada com a ponderação das probabilidades e a ausência de
propensão para jogar 7 Percepção de mudanças de
valores em termos reais.
A tomada de decisão é realizada com a associação entre o valor pago e o valor esperado e a percepção de mudanças de valores
em termos reais. Categorias Iniciais
I. Processo racional na formação da tomada de decisão
empresa está inserida.
Embora haja uma grande diferença entre as duas primeiras categorias iniciais, cuja base é a análise fundamentalista em relação a terceira categoria inicial, a qual tem por base a análise técnica, ambas estão suportadas pela racionalidade do investidor e/ou analista do mercado.
Nestas três categorias iniciais, pode-se inferir que “o processo de formação da tomada de decisão é suportado pelo uso de informações disponíveis aos agentes do mercado financeiro”, esta afirmação pode ser identificada no trecho da fala do entrevistado
“Olha, eu costumo olhar todos os principais indicadores, eu te diria que não tem assim um ou outro, mas é o conjunto de indicadores que vai me dar mais segurança sobre esta ou aquela empresa” (entrevista 29).
Voltemos a primeira categoria inicial, “utilização de indicadores econômicos e financeiros” pela inferência realizada nesta categoria, percebe-se que os investidores, quando questionados sobre quais indicadores relacionados à empresa, ao negócio e ao mercado eram os mais importantes para a formação de tomada de decisão, suas respostas na maioria das vezes em relação a empresa foi citar um ou dois indicadores, mas o principal fator apontado foi a utilização de índices de liquidez e a situação patrimonial.
Se considerarmos que os participantes desta pesquisa, principalmente os investidores são ou foram possuidores de ações com patrimônio líquido negativo, como explicar a opção por este tipo de investimento já que o que importa em essência para estes investidores é a capacidade de liquidez da empresa e o seu patrimônio líquido ser positivo, portanto não teria sentido investir em empresas cujo patrimônio líquido tecnicamente não existe mais. Porém, para justificar este tipo de investimento, dentre os entrevistados resgata-se o seguinte trecho de fala:
Todas as nossas recomendações têm fundamento, a gente estuda a empresa, a gente visita a empresa, a gente tem um grau de convicção grande pra poder recomendar. Então as pessoas olham como oportunidade e um grande potencial de valorização já que são empresas pouco... que o mercado não dá uma atenção especial. Porque são pequenas, porque são... tem baixa liquidez. Mas a gente enxerga valor nelas e recomenda (entrevista 23).
Neste caso o analista busca identificar na empresa indicadores preditivos de que esta empresa possui indicativo de reversão de patrimônio líquido negativo, portanto, segundo eles, este ativo está sub precificado e possui potencial de proporcionar retorno positivos no futuro. Da mesma maneira isto pode ser explicado e/ou aceite em relação à análise técnica, cuja estudo de comportamentos passado justifica a tendência de ganho futuro. Estas análises prospectivas estão em consonância com os estudos de Palepo et. al., (2004); Damodaram, (2004); Iudícibus, (2009) e Murphy, (1986).
interação entre investimentos; 5. Aceite de perdas certas e ausência de fuga ao arrependimento; 6. Ausência acentuada de propensão para jogar; e 7. Percepção de mudanças de valores em termos reais, para a categoria final “processo racional de formação da tomada de decisão”, pode-se inferir que estas categorias evidenciam que os investidores e analistas do mercado financeira, frente a situações da tomada de decisão, optem pela decisão racional, portanto agem com ausência de influência de vieses comportamentais.
Assim, pressupõem-se que as pessoas são racionais, que efetivamente todas as informações são processadas pelos agentes decisórios e que os mercados são eficientes, de maneira que cada decisão é tomada de modo a maximizar sua utilidade esperada. Neste sentido o processo de formação da tomada de decisão é suportado pela ausência de vieses comportamentais.
A associação contundente entre ganhos e perdas no enquadramento de investimentos, o aceite de perdas certas em que o investidor e/ou analista não demonstre que possa arrepender- se no futuro pela decisão tomada, associada a uma negação a simplesmente apostar num determinado investimento e ainda que o indivíduo perceba quando há mudanças de valores em termos reais mesmo que não haja mudanças em termos nominais, caracteriza uma análise racional da situação para a tomada de decisão. Resgata-se aqui um trecho de falas das entrevistas de cada categoria para exemplificar.
“Olha, assim, de forma específica, não, mas eu faço sim um direcionamento. Eu resgato de uma das aplicações. Eu resgato daquela aplicação que rende menos juros” (entrevista 15).
O enquadramento do investimento pelo resultado, o aceite da perda com racionalidade, a ponderação entre ganhos e perdas sem diferença de pesos, a ausência de sentimento de fuga ao arrependimento, a ponderação das probabilidades, a ausência de propensão para jogar, a associação entre o valor pago e o valor esperado, e a percepção de mudanças de valores em termos reais, nesta categoria final embora presentes em seus estudos, são consideradas negações aos pressupostos dos estudos de Nofsinger (2006), relativo ao efeito da contabilidade mental; Kahneman e Tverski (1979), relativo a aversão a perdas; Shefrin e Statman (1985), relativo a fuga ao arrependimento; e Engsted e Pederson (2016) relativo ao efeito da ilusão monetária.
Ainda pode ser inferido a racionalidade do investidor e do analista em relação ao efeito manada:
“Iria analisar primeiro, ver o porquê deste movimento e daí tomar minha decisão de vender ou não” (entrevista 19).
“Todas as ações devem ser monitoradas, iria fazer uma análise e a partir disto tomaria a decisão, que pode ser de venda em ambas ou só numa delas” (entrevista 28).
financeiro no processo de formação da tomada de decisão é considerada como uma análise racional da situação.
Nesta categoria final, a análise deste estudo assume que o processo de formação da tomada de decisão do investidor e do analista do mercado financeiro é racional quando estes utilizam as informações disponíveis ou possíveis de serem extraídas por qualquer agente, uma vez que em se tratando dos indicadores de desempenho tanto da empresa quanto do mercado financeiro, estes indicadores são públicos. Isto significa assumir que os preços das ações refletem adequadamente quaisquer informações disponíveis aos investidores e analistas, a qual é base da HME (FAMA, 1970; FAMA e FRENCH, 1992; 1993; 1995 E 1996),
Ainda, o investidor e/ou analista ao utilizarem todas as informações disponíveis e de não terem as suas decisões subordinadas a vieses comportamentais, estes não estão sujeitos à racionalidade limitada no processo de formação da tomada de decisão.