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Esta categoria final tem como base as categorias iniciais 8. Associação moderada da

interação entre investimentos; 9. Ponderação entre ganhos e perdas sem diferenças de pesos; 10. Imita parcialmente a tendência do mercado; 11. Ausência relativa de propensão para jogar; 12. Subestima suas informações e habilidades; 13. Ponderação das probabilidades; 14. Associação entre o valor pago e o valor esperado. O quadro 23 apresenta o processo de derivação desta categoria final.

Para o processo de transição destas categorias iniciais para a categoria final “processo

pseudorracional na formação da tomada de decisão”, pode-se inferir que estas categorias evidenciam que os investidores e analistas do mercado financeiro, frente a situações da tomada de decisão, embora considerem que optaram por uma decisão racional, portanto pensam que agem com ausência de influência de vieses comportamentais, isto não se confirma com as análise de suas respostas frentes aos questionamentos, que visam exatamente verificar o grau de racionalidade presente em cada resposta/posicionamento.

Assim, constata-se que estes investidores e analistas, embora se considerem racionais, sofrem influência em menor grau de vieses comportamentais, desta maneira não é possível afirmar que no processo de formação da tomada de decisão, esta seja racional, como também não é possível afirmar que este processo seja predominantemente comportamental, desta forma este processo é classificado como pseudorracional.

Quadro 17: Derivação da categoria final - Processo pseudorracional na formação da tomada de decisão

Fonte: Elaborado pelo autor

Para melhor compreensão da formação deste processo pseudorracional, resgata-se aqui um trecho de falas das entrevistas de cada categoria para exemplificar.

Associação moderada de interação entre investimentos: “É, eu tenho feito um pouco de

separação sim, às vezes um valor que eu quero preservar mais, assim, com mais garantia que eu sei que posso precisar de imediato, aí por exemplo, no caso da Caixa tem o E-Fundo, que é uma rentabilidade diária (diária) posso sacar no dia seguinte. Para alguma eventualidade, sempre deixava um pouco ali, mas, assim, a minha prioridade era sempre assim a parte de

ações mesmo na bolsa e imóveis na época que compensa. Era mais essa divisão assim. Caso

isto acontecesse, com certeza, retiraria o valor de uma aplicação e pagaria a fatura” (entrevista 14).

Neste trecho tem-se um enquadramento do investimento pela associação moderada entre ganhos e perdas no enquadramento de investimentos. Esta associação se dá pela alocação de

8 Associação moderada da interação entre investimentos.

Neste processo de formação da tomada de decisão, embora haja uma parcela de racionalidade no entendimento do investidor

e/ou analista, esta é influenciada pelo viés comportamental, portanto não há uma distinção clara de predominância entre o viés racional e o

viés comportamental.

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Ponderação entre ganhos e perdas sem diferenças de pesos.

Neste processo de formação da tomada de decisão, há uma aceitação de perdas e ganhos

sem que haja diferenças de pesos entre estas duas decisões e ainda ambas possuem um fuga

moderada ao arrependimento, desta forma embora não haja um peso diferente entre ganhos

e perdas, não significa que isto não seja considerado pelo investidor e/ou analista.

10 Imita parcialmente a tendencia do mercado.

Neste processo de formação da tomada de decisão, os comportamentos nas decisões de

investidores e analistas que não seguem estritamente o mercado.

11 Ausência relativa de propensão para jogar. decisão há uma ponderação das probabilidades.Neste processo de formação da tomada de

12 Subestima suas informações e habilidades.

Neste processo de formação da tomada de decisão, investidores e analistas possuem confiança moderada nas suas informações e habilidades, bem como possuem um otimismo

ou pessimismo moderado

13 Ponderação das probabilidades.

Neste processo de formação da tomada de decisão, investidores e analistas assumem uma

posição em que há uma ponderação de probabilidades e pensam nas suas transações

(investimentos) em termos conjunturais.

14 Associação entre o valor pago e o valor esperado.

Neste processo de formação da tomada de decisão, o investidor e o analista não percebem claramente a mudança de valor em termos reais,

mas não são totalmente alheios a esta percepção.

II. Processo pseudorracional na formação da tomada de

recurso (entrevista 14).

Ponderação entre ganhos e perdas sem diferenças de pesos: “Eu não estipulo um montante de

ganho ou perda, mas tem que compensar o risco envolvido, cada investidor tem sua expectativa ou mesmo seu limite de perda”. “Arrependimentos sempre existem, mas faz parte do trabalho, mas quando se segue uma estratégia então a influência negativa fica para traz. Não, porque a informação é disponível para todos, exceto os insiders, mas isto é um caso à parte, normalmente o mercado se ajusta, por isto temos que tomar cuidado nas nossas indicações” (entrevista 28). Aqui há uma ponderação entre ganhos e perdas em que o analista demonstra uma propensão moderada de arrepender-se no futuro pela decisão tomada (entrevista 28).

Imita parcialmente a tendência do mercado: “Eu realizo o que eu ganho por que eu acho que

dinheiro bom na bolsa é dinheiro no bolso, e não dinheiro no papel. Então você está ganhando 20%, fica lá esperando para ganhar 30, não, eu realizo os 20%, bota no bolso, faça meu fechamento, e vou pensar em outra coisa. Se eu estou perdendo, se eu fiz uma análise prévia como eu sempre faço, eu entendo que ao meu raciocínio é positivo e continua nela, eu continuo nela, dificilmente eu não coloco o stop” (entrevista 9).

A decisão deste investidor não está associada a um seguimento irrestrito a tendência do mercado, portanto este imita parcialmente outros investidores. Nesta categoria também há um aceite de perdas certas (entrevista 9).

Ausência relativa de propensão para jogar: “Então o preço em si da ação não faz diferença, o que faz diferença é o tamanho da capitalização do mercado da empresa, e aí eu estou assumindo que as empresas de capitalização baixa têm as informações disponíveis no mercado, primeiro a gente acompanha. Aí nesse caso é isso, quanto menos gente acompanhando, mais detalhado fica seu salário” (entrevista 25).

Nesta categoria o analista faz uma referência do valor atual do ativo, com o seu valor intrínseco, afirma que estes ativos de baixo valor, frequentemente estão associados a empresas com patrimônio líquido negativo e normalmente são ativos de pouca liquidez, o que em tese, segundo ele deve favorecer quem está acompanhando este ativo, já que possivelmente ele está mal precificado (entrevista 25).

Subestima suas informações e habilidades: “Não diria que penso dessa forma, mas isso é

sempre uma análise muito pessoal qual você faz análise de uma ação. É, eu confio mais na minha informação. Apesar de sempre acompanhar também a informação de outras pessoas. A princípio quando se entra, você tem que estar preparado para perder” (entrevista 1).

Há uma confiança moderada nas informações e habilidades por parte do investidor, da mesma forma não há um otimismo exacerbado e ainda há um aceite de perdas, enfraquecendo o viés de fuga ao arrependimento (entrevista 1).

Ponderações das probabilidades: “Vender agora, porque o mercado já precificou esta situação, se houver maior ganho depois da divulgação não deve ser muito não. Mas tem uma situação aí, eu não deixo chegar a este ponto, quando a empresa começa a dar sinais de que está indo mal, eu recomendo sair imediatamente, ai depende do investidor se ele quer continuar” (entrevista 29).

patrimônio líquido negativo, ela demonstrou que está atrelada aos vieses comportamentais, aversão à perda e a fuga ao arrependimento, assim a ausência ou a presença moderada do efeito disjunção, pode ser justificada pela presença destes vieses (entrevista 29).

Associação entre o valor pago e o valor esperado: “Olha, aí essa pergunta é bem complexa porque eu acho que se do nada ela chegasse nos 50, eu ia ficar meio cauteloso, eu acho que eu não venderia, eu ia ficar menos inclinado, eu acho” (entrevista 15).

Em temos de valores reais e nominais, há uma percepção de alteração com ponderação de relevância relativa, principalmente de informações que possam modificar o valor real deste ativo (entrevista15),

O enquadramento dos investimentos com: i) associação moderada da interação entre estes; ii) o aceite moderado da perda associado à uma ponderação entre ganhos e perdas sem diferença de pesos e a ausência moderada de sentimento de fuga ao arrependimento; iii) a ausência moderada do efeito manada com acompanhamento parcial da tendência do mercado; iv) a ausência relativa de propensão para jogar; v) o aceite de que as informações e habilidades dos investidores e analistas não são superiores aos demais participantes do mercado, bem como os investidores e analistas não possuem otimismo exagerado; vi) a ponderação das probabilidades, na tomada de decisão de sair e/ou continuar com um ativo, e; vii) a associação moderada entre o valor pago e o valor esperado, e a percepção moderada de mudanças de valores em termos reais, neste estudo são classificados como pseudorracionais.

Nos estudos de Kahneman e Tversky (1979) e Nofsinger (2006), efeito da contabilidade mental; Kahneman e Tverski (1979) e Kahneman (2012), aversão a perdas; Shefrin e Statman (1985) e Halfeld e Torres (2001), fuga ao arrependimento; Tversky e Shafir (1992), efeito disjunção; Han e Kumar (2013) e Bali et al. (2011), efeito loteria; Cipriani e Guarino (2008) e Kahneman (2012), efeito manada; Odean (1998); Benartzi et. al., (1999) e Kahneman (2012), excesso de confiança e otimismo; e Shafir et. al., (1997); Cardoso et. al., (2010); e Engsted e Pederson (2016) efeito da ilusão monetária, estas categorias que ora convergem para a categoria final “processo pseudorracional na formação da tomada de decisão”, são consideradas comportamentais.

Como apresentado na categoria final “processo racional na formação da tomada de

decisão”, assume-se os pressupostos da HME, de que as decisões dos investidores e analistas são racionais. Aqui nesta categoria final o que se propõe embora para os investidores e analistas seus posicionamentos sejam racionais, estes estão imbuídos de certos aspectos comportamentais, portanto seu processo de formação da tomada de decisão é pseudorracional.

categoria final seguinte, este estudo contempla em sua plenitude os aspectos comportamentais na formação da tomada de decisão. O que se propõe aqui é trazer para a discussão a proposta deste estudo: “de que os investidores e os analistas do mercado, no processo de construção de

estratégias de investimentos em relação a ações de empresas com patrimônio líquido negativo, fundamentam suas decisões em questões racionais e objetivam maximizar o resultado do investimento, em conformidade com a moderna teoria de finanças. Todavia, não será ignorado que algumas destas decisões podem estar erradas e, conforme a teoria das finanças comportamentais, estes erros não são aleatórios, dos quais uma parcela pode ser explicada com base em questões emocionais. A tese a ser defendida é de que a formação do processo da tomada de decisão por parte de agentes do mercado financeiro, trata-se de um processo de decisão parcialmente racional, pois este processo é afetado por aspectos comportamentais”.