2.6 Tematisk analyse
2.6.2 Koding
Neste viés há uma tendência das pessoas em adotarem uma estruturação das informações na forma que estas informações lhes são apresentadas e avaliam a partir daí as opções conforme elas são contidas nessa estruturação, apresentações alternativas destas mesmas opções podem resultar em escolhas diferentes.
Com os resultados apresentados na figura 8, percebe-se que o comportamento de investidores e analistas em relação à Ilusão monetária, tem no processo comportamental sua maior incidência com 19/31 observações. O processo pseudorracional, tem 08/31 observações. Já para o processo Racional há 4/31 observações. Na figura 16 apresenta-se o processo de derivação da 8ª categoria pré-definida às categorias finais.
Figura 16: Processo de derivação das categorias de análise 8ª questão
Fonte: Elaborado pelo Autor
4.3.8.1 Percepção de mudanças de valores em termos reais.
Para esta categoria inicial a ideia central da questão norteadora é que, passados os dois anos do início do investimento e o investidor e o analista percebessem a mudança de valor em termos reais e não apenas nominais, então este é classificado como racional, pois há de se considerar nesta questão a inflação do período. Relacionado a esta percepção de mudanças de valores em termos reais, destaca-se os seguintes trechos das falas dos entrevistados.
“Mais inclinado a venda com uma possível análise de reajuste do preço para compensar o período de 2 anos” (entrevista 19).
Categoria préviamente definida: Ilusão monetátia
Questão 8: Há dois anos atrás você havia definido que o valor de venda de determinada empresa era R$ 50 /ação. Aparentemente esta semana a ação irá chegar neste valor e nenhum fato novo
surgiu. Continua (mais, menos ou igualmente inclinado) com suas ações à venda por R$ 50?
Categorias Iniciais Categorias Finais Percepção de mudanças de valores
em termos reais
Processo racional na formação da tomada de decisão. Associação entre o valor pago e o
valor esperado
Processo pseudorracional na formação da tomada de decisão.
Ausência de percepção de mudanças de valores em termos
reais
Processo comportamental na formação da tomada de decisão
tive vários exemplos desses há pouco tempo na carteira. A gente faz o estudo, faz o modelo de fluxo de caixa de contábil, vê quanto que aquela empresa vale, né, aquela de valor presente, respeitando esse preço a gente recomenda a venda” (entrevista 23).
Explicitamente não há ocorrência de investidores e analistas que tenham percebido a mudança de valor em termos reais. Já implicitamente a posição “racional” do investidor foi atrelado ao tempo, porém isto pode suscitar dúvidas se este considera na construção da resposta a percepção de mudanças de valores em termos reais. A entrevista 19 deixa isto mais claro, quando condiciona a venda a um reajuste de valor face o tempo decorrido. Já o analista atrela implicitamente a ausência deste viés “ilusão monetária”, ao valor justo da ação, neste sentido pelas características de suas habilidades e atividades, este deve estar considerando o valor real deste ativo e não somente o seu valor nominal.
Os resultados extraídos das falas destes entrevistados são corroborados pelos estudos de Fehr e Tyran, (2001).
4.3.8.2 Associação entre o valor pago e o valor esperado
Diferente da primeira abordagem desta questão, aqui o que se apresenta é que o investidor e o analista não percebem claramente a mudança de valor em termos reais, mas não são totalmente alheios a esta percepção, desta forma, estes são classificados como pseudorracionais. Relacionado à esta pseudopercepção de mudanças de valores em termos reais, destacam-se os seguintes trechos das falas dos entrevistados.
“Se ela me desse o retorno esperado, com certeza eu venderia né, com certeza você, eu realizaria o lucro. Propenso a vender, se ela, se eu comprei ela por R$25,00 e a tendência era chegar aos R$50,00. Quando você tem uma informação mais concreta de que aquele, aquele movimento da ação é a tendência de alta, você segura, agora se você não tem essa convicção, vai lá e realiza o lucro que você te deu, eu normalmente faço assim” (entrevista 2).
“É que eu não faço valuation, então da forma que eu trabalho eu nunca diria com dois anos de antecedência, né, eu não sei o que vai acontecer nos dois anos, então obviamente em dois anos tem o que, 8 trimestres que a empresa reportou resultados, então tudo que eu sabia dois anos atrás vai ser completamente diferente hoje. Então se eu já não tinha uma noção de valor há dois anos atrás, eu também não tenho hoje, então eu decido, como o mercado é líquido, você pode decidir isso no dia a dia, eu prefiro decidir na hora do que, digamos, colocar um limite ao meu próprio processo decisório definindo um preço pra eu entrar ou sair” (entrevista 25) O investidor (entrevista 2) faz uma ponderação de valor por relevância relativa, pois este assume um valor pago sobre o qual projetou um retorno, desta forma ao chegar neste retorno esperado, a percepção aqui não está na mudança de valor em termos reais.
O analista (entrevista 25) considera o tempo (2 anos), para fixar valor de retorno esperado, como muito longo e fora da atual realidade do mercado financeiro, e que pela sua
maneira sua percepção está atrelada ao valor que este analista considera justo e ajustado pelos resultados de oito trimestres (2 anos) de acompanhamento.
Os casos expostos podem ser considerados como um mecanismo subjacente à ilusão monetária, pois estes comportamentos ocorrem quando os indivíduos consideram múltiplas representações simultaneamente ao invés de avaliar as opções em termos de representações simples, baseiam-se na combinação de diferentes representações induzidas para a tomada de decisão, sendo que cada uma das representações é ponderada por sua relevância relativa. (SHAFIR et. al., 1997).
4.3.8.2 Ausência de percepção de mudanças de valores em termos reais
Diferente da primeira abordagem em que o investidor e o analista percebem claramente a mudança de valor em termos reais e da segunda abordagem aonde esta percepção embora não seja clara, ela não é alheia a esta percepção de mudança de valor em termos reais, aqui não há por parte do investidor e do analista qualquer percepção de mudança de valor em termos reais, prevalece o valor nominal, embora haja o tempo de dois anos que deveria ser levado em consideração, notadamente se considerarmos a inflação período.
Relacionado a esta falta de percepção de mudanças de valores em termos reais, destacam-se os seguintes trechos das falas dos investidores.
“Eu estaria igualmente inclinado, se fosse o valor que já tinha determinado” (entrevistas 7; 10; 12; 13; 14 e 22).
Para os investidores (entrevistas 7; 10; 12; 13; 14 e 22), o que importa é que o investimento chegou na meta pré-estabelecida. Para os analistas destaca-se o seguinte trecho da fala das entrevistas:
“Se for determinado que o valor de venda é este, claro que sim estaria igualmente inclinado a recomendar a venda deste ativo” (entrevista 27 e 31).
Para os analistas (entrevistas 27 e 31), se o valor da ação chegou no valor pré- estabelecido esta deverá ser realizada. Desta forma considera-se que não há ocorrência de investidores e analistas que tenham percebido a mudança de valor em termos reais, quer seja de forma explícita ou implícita, como abordado nas categorias anteriores sobre o tema ilusão monetária. Os resultados extraídos das falas destes entrevistados são corroborados pelos estudos de Fehr e Tyran, (2001).
Finalizado a análise de conteúdo das categorias iniciais, tendo como referência a questão norteadora, na sequencia apresenta-se a derivação destas categorias iniciais para as categorias finais.