Nas ciências sociais tem havido um crescente interesse pela Teoria Institucional. Três dessas teorias têm sido utilizadas na literatura contábil: Velha Economia Institucional (cujo objeto de análise é a instituição como regras); Nova Economia Institucional (cujo objeto de análise são os custos de transação); e Nova Sociologia Institucional (cujo objeto de análise são os fenômenos do Isomorfismo e Legitimação). Essas teorias têm diferentes origens e raízes intelectuais, mas compartilham uma preocupação com as instituições e com as mudanças institucionais. Todas oferecem conhecimentos que são úteis para conceituar a mudança na contabilidade de gestão, mas a Velha Economia Institucional proporciona um foco em rotinas organizacionais e em sua institucionalização (BURNS; SCAPENS, 2000). No Quadro 1, estão apresentadas as diferentes vertentes da Teoria Institucional:
Quadro 1 - Diferentes vertentes da Teoria Institucional Vertentes Principais
autores
Características Enfoque nas organizações
Velha Economia Institucional - Fundada por Veblen (1898; 1971); - Seguida por Commons (1931); - Estudos mais recentes foram realizados por North (1990); Hodgson (1988; 1993); Scapens (1994); Burns (1996; 1997; 2000).
- Objeto de análise: instituições como regras;
- As instituições sociais, a cultura e as rotinas dão origem a certas formas de seleção.
- Relacionada com o surgimento, continuidade e mudança das instituições ao longo do tempo;
- Foco em rotinas organizacionais e sua institucionalização;
- Observa os fenômenos em relação aos processos;
- Vê a forma de por que e como as coisas se tornam o que são, ou não são, ao longo do tempo;
- O poder e a política fazem parte da análise dos resultados;
- Os resultados são fundamentados nos processos fenomenológicos dos indivíduos e consequentemente da sociedade.
- A instituição dentro da organização individual está enraizada na Teoria Econômica Neoclássica;
- Adequada para estudos de mudança institucional; - As condições do
comportamento do indivíduo na instituição são a ênfase no processo de evolução econômica e transformação tecnológica; - Evolução de instituições é a que cria um ambiente hospitaleiro para soluções cooperativas a trocas prevendo um crescimento econômico. Nova Economia Institucional - Obras de Williamson (1991); North (1992; 1993).
- Objeto de análise: os custos de transação;
- Teoria econômica neoclássica estática; - Assume dadas instituições;
- Centra-se em micro instituições dentro das organizações;
- As transações e os custos associados a esta estrutura definem diferentes modos institucionais de organização, assim como a tecnologia.
- Tem dificuldade em analisar os processos de mudança;
- Busca origens e funções das diversas estruturas da empresa e do mercado, incorporando desde pequenos grupos de trabalho até complexas corporações
modernas;
- Preocupa-se com as falhas de mercado. Nova Sociologia Institucional - Obras de Dimaggio e Powell (1991); Scott e Christensen, (1995).
- Objeto de análise: fenômeno do Isomorfismo e Legitimação;
- Centra-se mais em macro instituições.
- Incide predominantemente sobre os efeitos das instituições extra organizacionais (sociais, econômicos e políticos); - Preocupa-se sobre as práticas das organizações de modo mais geral.
Fonte: Adaptado de Burns (2000, p. 570).
Burns (2000) traça uma trajetória das diferentes vertentes da Teoria Institucional. A Velha Economia Institucional (VEBLEN, 1898; 1971; COMMONS, 1931; NORTH, 1990; HODGSON, 1988; 1993), observa os fenômenos em relação aos processos, a forma como as coisas se tornam o que são ao longo do tempo. O poder e a política são fundamentados nos processos fenomenológicos dos indivíduos e da sociedade.
O autor continua a análise com a Nova Economia Institucional (WILLIAMSON, 1991; NORTH, 1992; 1993), que tem como base a teoria econômica neoclássica estática, que não deve ser confundida com a Nova Sociologia Institucional (DIMAGGIO; POWELL, 1991; SCOTT; CHRISTENSEN, 1995), pois, segundo Burns (2000, p. 570), a Nova Economia
Institucional “tende a assumir dadas instituições, enquanto a primeira está relacionada com o surgimento, continuidade e mudança das instituições ao longo do tempo”. A Nova Sociologia Institucional tende a se concentrar mais em macro-instituições, enquanto a Velha Economia Institucional centra-se, adicionalmente, em micro instituições dentro das organizações (SCAPENS, 1994; BURNS, 1996; 1997).
Para Ayres (1951), no velho institucionalismo tem-se o aspecto antropológico que pode ser compreendido em conjunto com o seu aspecto comportamental. Deve-se entender não o fato da mudança, mas, sim, como isso acontece. Se a natureza humana não é antecedente à estrutura social, então, é completamente inútil tentar encontrar uma explicação do desenvolvimento da referida estrutura por meio de processos que começam com uma suposição contrária. De acordo com Ayres, “além disso, se a própria natureza humana é um fenômeno social, que explicação alternativa deve, necessariamente, ser expressa em termos de forças sociais” (AYRES, 1951, p. 50).
Para Rutherford (2001, p. 190), no novo institucionalismo, a discussão não está concentrada apenas em “regras e estruturas de governança formal, mas também de regras informais e as redes sociais e destas relações”. Dessa forma, existe uma religação da economia com a sociologia e a Economia Institucional. Porém, o relevante é observar que “as instituições importam muito, [...] as instituições moldam o comportamento econômico e os resultados são determinados por forças econômicas, políticas, e fatores ideológicos” (RUTHERFORD, 2001, p. 190).
Como visão teórica para explorar processos de mudança contábil, a adoção da Velha Economia Institucional, na visão de Burns (2000, p. 570), compreende “instituições como a forma de pensar comum dos indivíduos em uma sociedade”. Na constituição de instituições estão as rotinas que “compreendem o comportamento baseado em regras, que se baseia em várias vezes na sequência dessas regras”. As rotinas com o passar do tempo são mais impulsionadas pelo “conhecimento tácito que os indivíduos adquirem através da monitorização reflexiva do comportamento passado” (BURNS, 2000, p. 570). Dessa forma, pode-se depreender que as rotinas surgem dos hábitos de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos que fazem parte de instituições.
Após a exposição das diferentes vertentes da Teoria Institucional e com a definição da linha seguida por este estudo, o Velho Institucionalismo, na subseção a seguir, apresentam-se os pressupostos que são utilizados para o embasamento teórico desta tese.