• No results found

Oversikt over resultatene og utvikling av scenarioer

In document Førerstøttesystemer (sider 61-0)

3.2 Resultater

3.2.3 Oversikt over resultatene og utvikling av scenarioer

Após tornar pública a existência da Sociedade dos Cordelistas Mauditos, o grupo se reunia sistematicamente, como pode ser observado em sua produção posterior ao 1º de abril, no intuito de discutir e repensar os objetivos do movimento, os quais chegaram a uma lista de objetivos no texto “Pensando o movimento dos Mauditos”, de Fanka Santos e Salete Maria.

Dentre os principais objetivos elencados pela Sociedade dos Cordelistas Mauditos, destacamos os que mais se aproximam da proposta que assumimos ao buscar identificar uma trajetória enunciativa dos poetas mauditos. São eles:

• Diversificar os códigos estéticos na literatura de cordel;

• Trabalhar com a intertextualidade;

• Buscar na cultura da região os elementos revolucionários para composição do nosso

movimento maudito que se desdobra em shows, performances, oficinas, exposição e mesas-redondas;

• Criar novas formas visuais no cordel;

• Denunciar os costumes populares reacionários como a visão do negro, da mulher,

do homossexual, dentre outros;

• Incentivar a Arte como defesa da vida exercendo uma prática (eu)cológica

introduzindo a plantação da umburana (árvore que gera arte e faz a xilogravura) após as oficinas de gravura. 31

Ao se passarem três anos de existência do grupo, o qual vinha desenvolvendo trabalhos que corroborassem os seus objetivos, o professor Gilmar de Carvalho faz uma pequena avaliação do percurso da Sociedade até então. O texto aparece em um compêndio de nove cordéis produzidos pelo grupo em maio de 2003, em Juazeiro do Norte – CE.

Segundo Gilmar de Carvalho,

Ainda é cedo para uma avaliação definitiva da Sociedade dos Cordelistas Mauditos.

Três anos depois, o balanço é favorável. Eles interferiram, sacudiram a poeira, e chacoalharam a cena literária.

Colocaram o cordel de ponta-cabeça, subverteram regras, e mexeram com o que estava quieto. O avanço é feito de rupturas, e, neste sentido, os Mauditos são exemplares.

Chamaram a atenção para o que fazem, o que mostra que uma proposta para ser bem sucedida tem de ser coletiva, inovadora, e um substrato teórico.

Pós-modernos, sertanejos, politizados, os Mauditos souberam se apropriar da paródia, da citação e da auto-referência, encontrando na intertextualidade o ponto de partida para um novíssimo cordel.

Só o tempo dirá de seus acertos e de seus equívocos. No momento, o que se pode fazer é saudar a audácia de atualizar a tradição, de levar o chamado cordel (e o que eles fazem é cordel?) a outros limiares da linguagem, da experimentação, e da provocação.

Por tudo isso, viva os Mauditos. Tenho dito.

Gilmar de Carvalho aponta para duas dimensões importantes presentes no movimento da Sociedade dos Cordelistas Mauditos e que caracterizam o grupo. Uma delas é a intertextualidade e a outra é uma desconstrução que aponta para o novo,

dimensões que, ao se propor uma análise dos Mauditos não podem deixar de ser consideradas, tendo em vista a proposta de um redirecionamento do cordel por meio da linguagem.

A poética dos Mauditos enfatiza uma desconstrução dos elementos do imaginário sertanejo e uma não identificação direta aos discursos produzidos sobre o que é cultura popular, uma espécie de imaginário romântico que associa os folhetos e sua poética como produtos artesanais pré-dispostos a transformações no encontro com o mundo moderno. Enquadrando o cordel como pertencente a um sistema editorial, podemos perceber que ele tinha tudo de moderno em relação ao sistema literário, como: autor, editor, distribuidor. O popular, nesse sentido, aparece na produção dos Mauditos como idealizador do que seria “bom e natural” em oposição a um ideal clássico. Tais dicotomias como popular e erudito não são úteis para se pensar o cordel de uma perspectiva mais abrangente, dado o fato de se interpenetrarem no gênero cordel.

Passados 13 anos de existência da Sociedade dos Cordelistas Mauditos, ainda é cedo, a nosso ver, para uma avaliação definitiva, assim como o foi em três anos de sua existência, como bem destacou Gilmar de Carvalho. Parte dos integrantes se distanciou, outra parte seguiu pesquisando, produzindo e publicando cordéis em nome da Sociedade, seguindo seus objetivos, qual seja, de abrir novos espaços de discussão em torno de temáticas contemporâneas raramente contempladas nos folhetos tidos como “tradicionais”.

A maioria continua produzindo dentro dos conceitos da sociedade. Salete Maria alimenta seu blog Cordelirando; Soneca, Hélio e Nicodemos continuam escrevendo cordéis. Fanka continua escrevendo e publicando ensaios sobre o cordel de autoria feminina, o que parece se configurar como uma vertente do movimento. Os Mauditos não são somente cordéis e gravuras, mas sim uma produção crítica que objetiva desconstruir paradigmas e dar voz às minorias e aos excluídos.

Fanka Santos é formada em Letras e especialista em Literatura pela Universidade Regional do Cariri – URCA, mestra em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará – UFC e doutora em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB, pesquisadora, agitadora cultural. Foi coordenadora cultural do Serviço Social do Comércio – SESC, destacando-se pela criação do projeto SESCordel, um projeto de edição cujo objetivo principal é publicar a produção literária de cordelistas, para fomentar e promover a literatura de cordel na região do Cariri e no Brasil. Autora

dos livros Romaria de versos: Mulheres autoras cearenses (2008), pelo Prêmio Edital das Artes da SECULT Ceará e Água da mesma onda: a peleja poética epistolar entre a poetisa Bastinha E O poeta Patativa do Assaré (2011). Atualmente é professora da Universidade Federal do Ceará – Campus Cariri.

Salete Maria tem formação em Direito e atualmente reside em Salvador – Bahia. É docente do Bacharelado em Gênero e Diversidade da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Possui cordéis premiados pela Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB, recitados pela poetisa Deth Haak e musicados pela cantora Socorro Lira. Sua obra serviu de inspiração para o cineasta Vagner Almeida e seu trabalho é utilizado em cursos, palestras e debates. Sua produção é múltipla em sua temática, com destaque para a ênfase nos direitos humanos, sobretudo de mulheres e homossexuais. Em seu blog Cordelirando sua obra é descrita como “emancipatória e contra preconceitos”.

Hamurábi Batista é cordelista, xilógrafo e coordenador do Centro de Cultura Popular Mestre Noza, em Juazeiro do Norte – CE. Publicou cordéis com os pseudônimos como Manoel Messias e Francisco Matêu e em 1995 fez um cordel sobre o Parque Ecológico da Timbaúba, utilizando seu próprio nome. Continua produzindo cordéis e atualmente criou uma série de folhetos intitulados Kama Sutra com os subtítulos Gay, Lésbico e Hetero que em suas páginas trazem ilustrações do próprio autor e o mesmo texto para os três folhetos. Assim como Salete Maria, Hamurábi faz parte do “Coletivo Camaradas”.

Junior Boca Maudita é brincante de Reisado e mantém uma forte ligação com os Mestres e grupos de Cultura Popular tradicional da região do Cariri. Como produtor cultural trabalhou para SECULT (Secretaria de Cultura do Estado), SESC, Centro Cultural BNB, entre outros. Ajudou a desenvolver, e por vários anos, foi responsável pela Mostra de Cultura Popular de Tradicional (Terreiradas), que acontece dentro da Mostra SESC Cariri de Cultura. Em sua trajetória ganhou festivais, e apresentou-se em várias regiões do Brasil e no exterior. Um dos fundadores da banda Dr. Raiz, hoje vive em trânsito pelo pais, mas possui residência no estado de São Paulo. Mantêm dois blogs, o Caboclo de Asas, com temas diversos e o Poesia Cariri, com temas diretamente ligados ao que escreve em relação a região.

Grandes debates foram travados e importantes pesquisas vêm sendo desenvolvidas sobre o legado dos Mauditos. A cena literária não é mais a mesma após

as interferências desses “novos” cordelistas. Sua produção, embasada na intertextualidade, incomoda muitos cordelistas e leitores/ouvintes do cordel tradicional.

Os Mauditos são uma realidade e concebem a literatura de forma plural, dinâmica e atual. Assim como a Sociedade promove transformações na cena literária, é necessário que o pesquisador de literatura de cordel possa compreender a dimensão da oralidade presente nos folhetos e considerar a produção dessa poética. Desse modo, não repetiriam apenas bases críticas e teóricas construídas no passado.

In document Førerstøttesystemer (sider 61-0)