4.2 Beregningsforutsetninger
5.1.1 Framtidig utbredelse av de fem førerstøttesystemene:
A Análise do Discurso, doravante AD, constitui-se, atualmente, como uma área profícua de pesquisa no campo das ciências humanas, articulando inquietações surgidas em campos do saber como a Linguística, por meio do diálogo interdisciplinar em torno de questões abertas pelo Estruturalismo. Desse modo, a AD pressupõe teórica e metodologicamente a Linguística, acrescentando ao corte saussureano o real da história ao real da língua, de forma que o homem faz a história, sem, no entanto, esta lhe ser transparente.
No final dos anos 60 do século XX, as ciências humanas, especificamente a Linguística, estavam inseridas no período áureo do estruturalismo. A Europa Ocidental
vivenciava, no campo social, um período próspero, assim como aflorava o aumento de desigualdades e discriminação social. Tais fatores contribuíram para o surgimento de movimentos de contestação e de rebeldia, sendo essa década conhecida como a da contestação.
Maio de 196832 “marca a emergência de novos valores: um desejo de liberdade individual, de expressão pessoal que refuta as hierarquias, as tutelas e as tradições” (COURTINE, 2006, p. 104). A França constituía-se como um dos centros desses acontecimentos, onde começam a surgir as primeiras fissuras na hegemonia do estruturalismo. “O movimento de maio de 68 e as novas interrogações que surgiram de súbito no âmbito das ciências humanas foram decisivos para subverter o paradigma então reinante” (FERREIRA, 2007, p. 14).
Na França, intelectuais como Foucault, Deleuze, Pêcheux, Lacan, Benveniste, entre outros debatiam, principalmente, sobre assuntos que gravitavam em torno do estruturalismo e do marxismo. Com isso, surgia a problemática do discurso no interior da Linguística francesa. Courtine (2006) destaca que, na época, “o discurso flutuava perdido no espaço. Maio de 68 produziu uma exasperação da circulação dos discursos, sobre as ondas, sobre os muros e na rua. Mas, também, no silêncio das escrivaninhas universitárias” (p. 9).
As condições sócio-históricas da época e os debates filosóficos permitiram a apresentação da AD como uma disciplina de intervenção no meio social, político e histórico. Para Charaudeau e Maingueneau (2006, p. 43), atribui-se ao termo definições as mais variadas. São consideradas muito amplas, quando ele é visto como um equivalente de “estudo do discurso” ou restritivas, quando diz respeito às disciplinas que tomam o discurso como objeto.
Ao ser compreendida como “estudos do discurso”, sem outra especificação mais precisa, a AD refere-se ao estudo da linguagem como atividade ancorada em um contexto, produtora de unidades transfrásticas33, que utiliza a linguagem com
32 No dia 2 de maio de 1968, estudantes franceses da Universidade de Nanterre fizeram um protesto
contra a divisão dos dormitórios entre homens e mulheres. Na verdade, esse simples motivo estava arraigado em uma nova geração que reivindicava o fim de posturas conservadoras. O movimento de maio de 1968, na França, tornou-se ícone de uma época, a qual a renovação dos valores veio acompanhada pela proeminente força de uma cultura jovem. O movimento de Maio de 68 indicou uma mudança de comportamentos. As artes, a filosofia e as relações afetivas seriam o espaço de ação de um mundo marcado por mudanças.
33 A extenção da linguística frástica aos encadeamentos mínimos de proposições, de frases (raramente
finalidades sociais, expressivas e referenciais. Ainda segundo Charaudeau & Maingueneau (2006), incluem-se, nessa perspectiva, abordagens diversas como as teorias de Análise Crítica do Discurso de Van Dijk (1985), a Análise de Conversação, a Etnografia da Comunicação, a Sóciolinguística Interacional de Gumperz.
A AD como estudo da conversação será subdividida, segundo Levinson (1983) em duas correntes: a “discourse analysis”, que está fundada na Análise Linguística de textos conversacionais e a “conversation analysis”, que estaria na esfera da Etnomedologia34, considerada a análise conversacional propriamente dita.
Charaudeau e Maingueneau (2006, p. 44) destacam, ainda, outra compreensão do termo Análise do Discurso com um ponto de vista específico sobre o discurso. Para Maingueneau,35 a análise do discurso não tem por objeto “nem organização textual em si mesma, nem a situação de comunicação”, mas deve “pensar o dispositivo de enunciação que associa uma organização textual e um lugar social determinados.
Ao ser entendida como uma das disciplinas que estudam o discurso, a AD pode se interessar pelos mesmos corpora que a própria sociolinguística, a análise conversacional. O que irá diferenciar todas essas tendências é a forma de abordagem, o ponto de vista teórico/metodológico e, por conseguinte, o dispositivo analítico.
De acordo com o que é postulado por Charaudeau e Maingueneau (2006), a AD seria um conjunto muito eclético de diversas tendências, devido à abertura de um diálogo entre diferentes disciplinas que trabalham com o discurso e com as diversas correntes de Análise do Discurso. Os autores sintetizam sua classificação, distinguindo quatro polos de tendências em AD, a saber: 1) Os trabalhos que inscrevem o discurso no quadro da interação social; 2) os trabalhos que privilegiam o estudo das situações de comunicação linguageira e, portanto, o estudo dos gêneros de discurso. E nesse enquadramos o cordel como um gênero do discurso, gênero hibrido, multimodal; 3) os trabalhos que articulam os funcionamentos discursivos com condições de produção de conhecimentos ou com posicionamentos ideológicos; e 4) os trabalhos que colocam em primeiro plano a organização textual ou a seleção de marcas de enunciação.
macrossintaxe (Berrendonner, 1999ª), anáforas e os conectores. CHARAUDEAU & MAINGUENEAU, 2006, p. 482.
34 A Etnometodologia é uma corrente da sociologia, da qual deriva a análise da conversação. Surgida na
Califórnia, Sacks é tido como um dos fundadores da etnometodologia.
35 MAINGUENEAU, Dominique. (1991), I’ Analyse Du discours, Introduction aux lectures de l’archive,
Paris, Hachette; nll. Ed. (1997): L’Analyse Du discours, Paris, Hachette. Apud: CHARAUDEAU, Patrick; MAINGUENEAU, Dominique. Dicionário de análise do discurso. São Paulo: Contexto, 2006.
A presente pesquisa utiliza-se das duas primeiras tendências como base para a análise do corpus. Para isso, torna-se necessário tecer algumas especificações a respeito da teoria da enunciação, a título de esclarecimento e situacionalidade epistemológica acerca de duas perspectivas de análise da linguagem: as teorias enunciativas de Mikhail Bakhtin e de Émile Benveniste. Desse modo, apresenta-se como cada um dos autores formula o princípio fundador de sua teorização.