• No results found

9.11 Status, utfordringer og tiltak i de

9.11.1 Status, utfordringer og tiltak

9.11.1.1 Oslopakke 3

A relação entre a posição da Praça Cívica na malha urbana e o processo histórico da centralidade77 em Goiânia será o foco deste

item. Utilizaremos o estudo de ALARCÓN (2004) que verifica “a medida de coincidência entre a centralidade morfológica (núcleo integrador) e a centralidade funcional (usos de comércio e serviços)” na capital ao longo do tempo, e analisaremos se a praça e o bairro em que se localiza, o Setor Central, ainda são parte integrante do núcleo de integração e do centro ativo.

Segundo ALARCÓN (2004), a consolidação do Setor Central como centro principal da nova capital ocorreu em meados das décadas 1960 e 197078 (figura 132). Na década de 1970, o centro adensou-se e consolidou-se como principal núcleo de concentração de

agências do poder público, instituições culturais, hotéis, restaurantes, escritórios, consultórios médicos e odontológicos (VAZ, 2002, p. 84 apud ALARCÓN, 2004). O Setor Central tornou-se o local de maior concentração do comércio, escritórios e principais serviços, enquanto o Setor Campinas ficou em segundo plano, com grandes armazéns de cereais e com um significativo comércio popular.

76 Foram feitas pesquisas no Arquivo Histórico do Estado e em dossiês de recortes de jornais da Secretaria de Planejamento Urbano; a partir daí foram selecionadas notícias relacionadas à Praça Cívica, relevantes para a construção do histórico do lugar.

77 A centralidade é definida por ALARCÓN (2004) segundo dois critérios: o morfológico (concentração das vias mais acessíveis na malha, ou seja, as mais integradas – pertencentes ao núcleo integrador) e o funcional (aglomeração de atividades de comércio e serviços).

78 Anteriormente a esse período (nas décadas de 1940 e 1950), a autora defende que existiam dois fortes núcleos de centralidade: Campinas (parcelamento pré-existente que se tornou cidade satélite de Goiânia e depois foi incorporada à cidade, que funcionava no início como coração e sustentáculo econômico) e Centro Antigo ou núcleo inicial da capital(que funcionava como núcleo comercial, de serviço e administrativo em desenvolvimento) (ALARCÓN, 2004).

Capítulo 4 – Praça Cívica, Goiânia

122

Nessa década, a centralidade morfológica permaneceu no eixo leste-oeste (Av. Anhanguera), mas surgiu um novo eixo de centralidade ao sul, nos setores Jardim Goiás (Av. 83, Av. B em direção ao futuro shopping Flamboyant), Bueno e Jardim América (Av. T – 7, Assis Chateaubriand, Av. Haiti e C 208).

Na década de 1980 ocorreu a expansão da centralidade do Setor Central para o Setor Oeste (figura 133). Com o forte adensamento dos Setores Central e Oeste, promoveu-se a descentralização das atividades centrais para a região sudeste, nos setores: Bela Vista, Alto do Bueno, Nova Suíça e Jardim América, ao longo da Av. T-63 (ARANTES, 2002 apud ALARCÓN, 2004). Nessa década, a população de baixa renda de Goiânia passou a buscar alternativas de moradia nos municípios vizinhos – Aparecida de Goiânia, Trindade, Senador Canedo e Hidrolândia – que se tornaram cidades dormitório, gerando grande deslocamento pendular. A construção do primeiro shopping da cidade, o Flamboyant, e a implantação do hipermercado Carrefour, promoveram a urbanização e valorização do Setor Jardim Goiás e entorno. Ocorreu o deslocamento de parte da elite do Setor Central para setores vizinhos – Setores Oeste, Universitário e Jardim Goiás. “Os setores Campinas e Vila Nova se consolidam como importantes subcentros e contrapontos ao Setor Central. Do ponto de vista morfológico, na década de 1980, o conjunto de linhas mais integradas cresceu na direção de três grandes eixos estruturais e com fortes atividades de comércio e serviços: a Av. Anhanguera, a Av. Assis Chateaubriand e T- 7 e a Av.85. Neste período, a centralidade funcional acompanha as vias mais integradas em Goiânia” (ALÁRCON, 2004).

A década de 1990 foi marcada pela proliferação dos condomínios fechados, principalmente na periferia sudeste da cidade e pelo deslocamento das camadas mais altas do Setor Central para outras regiões. A despeito da saída da elite do Setor Central, ALARCÓN (2004) assegura que ele continuou como a maior fonte de empregos na cidade, com forte vitalidade, e elevada valorização imobiliária. “As atividades de comércio, serviço e administrativas prevalecem no Setor Central. O que acontece é o surgimento de polos de importância secundária”.

Figura 132- Mapa axial de Goiânia, década de 1960. Fonte: ALARCÓN, 2004. Figura 133- Mapa axial de Goiânia na década de 1980. Fonte: ALARCÓN, 2004. Figura 134- Mapa axial de Goiânia, ano 2000. Crédito: Dimpu – Leyla Alárcon e Valério Medeiros.

A requalificação do Setor Central foi bastante discutida a partir da década de 1990, mas somente concretizada a partir de 2000. A partir de então, foram feitas diferentes propostas79de renovação para o “Centro”, e realizados trabalhos80 com foco na requalificação da área em parceria com a prefeitura. Conforme aponta ALARCÓN (2004, p. 70), “existem assim muitas propostas, mas pouca atuação em relação à quantidade de projetos existentes”. Algumas obras, intervenções e reformas foram executadas em alguns pontos do Setor Central – como a requalificação da Avenida Goiás, que promoveu mudanças no seu canteiro central.

79 Dentre as propostas, estão: a promoção de eventos culturais como dinamizadores da vida urbana e encontro social; a inserção de edifícios modernos, como shoppings verticais; e a proposta impulsionada pelos diretores lojistas para a implementação de novas vagas de estacionamento, construç ão de edifícios-garagem e remodelação da Av. Anhanguera com fiação subterrânea e mudança de sentido da Av. Paranaíba. “A reforma de imóveis, a flexibilização do horário comercial, a eliminação de obstáculos nas calçadas e um policiamento mais eficiente, também são questões solicitadas”. (ALARCÓN, 2004, p. 69)

Capítulo 4 – Praça Cívica, Goiânia

124

Ao finalizar a análise do histórico das centralidades de Goiânia, ALARCÓN (2004, p. 72), conclui que a configuração do núcleo integrador mudou ao longo do tempo, acompanhando o crescimento da malha urbana, e que “as vias mais integradas da cidade de cada período anteciparam a posterior implantação de centros funcionais (comércio e serviços)”. Por isso, os centros funcionais e morfológicos da cidade sempre tenderam a coincidir.

Ao analisar o arranjo da estrutura urbana da nova capital goiana (figura 134), MEDEIROS (2006, p. 190) observa a continuidade81 de

sua trama urbana, associada pelo autor aos desenhos planejados que, “predominantemente, tendem a estarem locados em sítios planos, produzindo ocupações contínuas em sua grande maioria”. A mancha urbana contínua é característica de cidades fundadas como um todo, em oposição às cidades que são implantadas em terrenos que interferem em sua distribuição territorial, provocando descontinuidade da mancha urbana. A representação linear de Goiânia traz, portanto, um exemplo de uma malha contínua, também característica de cidades mais compactas e com maior densidade.

MEDEIROS (2006) avalia também aspectos de Zoneamento e Centralidade ao analisar variáveis82 que contemplam o exame das

coincidências ou afastamentos entre o núcleo de integração e o centro antigo. Ao investigar o comportamento do centro antigo de vários sistemas urbanos, o autor identifica três situações: 1- os centros antigos que permanecem coincidentes com o núcleo de integração; 2- os que perderam posição relativa enquanto núcleos de integração, mas permanecem como centro periférico ou subcentro; e 3- os que apresentam índices inferiores ou próximos da média da cidade, estando à margem do que seria o centro ativo atual ou núcleo de integração – produto de novos eixos e vetores de crescimento (MEDEIROS, 2006, p. 349).

Goiânia insere-se no primeiro grupo, pois seu centro antigo – o Setor Central, bairro em que se localiza a Praça Cívica – é parte do núcleo de integração do sistema (figuras 135 e 136). Segundo MEDEIROS (2006, p. 349), isto acontece porque o centro antigo é o centro geométrico de uma malha tendente a ortogonal e contínua, com pouca fragmentação. Os achados indicam que Goiânia não

81 O autor analisa algumas cidades brasileiras considerando a continuidade ou descontinuidade de sua trama urbana. Avaliam-se as características de compactação ou fragmentação das malhas viárias por meio da representação linear, considerando a estruturação do tecido urbano (MEDEIROS, 2006. p. 285).

82 São exploradas as seguintes variáveis do grupo Zoneamento e Centralidade: (1) a forma do núcleo de integração e as coincidênc ias espaciais (2) entre (2.1) o núcleo de integração e o centro geométrico; (2.2) o núcleo de integração e o centro antigo; e (2.3) o centro antigo e o centro geométrico (MEDEIROS, 2006. p. 361).

sofreu deslocamento do centro antigo, nem o processo de decadência que acompanha esse movimento nas áreas centrais. O centro antigo da capital ainda possui o status de centro ativo urbano, o que contribui para a urbanidade da Praça Cívica.

Figura 135- O Setor Central e Campinas, que constituem os núcleos pioneiros de Goiânia, apresentam ótima acessibilidade topológica – ou seja, estão no núcleo de integração do sistema urbano analisado. Figura 136- Detalhe do mapa axial com Setor Central em destaque – vias bem integradas levam à Praça Cívica (a Rua Dez em vermelho e as Avenidas Araguaia, Goiás, Tocantins, 83 e 84 em laranja). Crédito: Valério Medeiros.

Capítulo 4 – Praça Cívica, Goiânia

126

No item anterior, mencionamos a mudança da Prefeitura Municipal da Praça Cívica para o Paço Municipal e das Secretarias Municipais do “Centro” também para o Paço Municipal. O complexo de edifícios administrativos foi construído a alguns quilômetros do Setor Central e da Praça Cívica, em local que apresenta crescente valorização desde a década de 1980, reforçando as dinâmicas de mercado e a centralidade da área. Podemos dizer que, assim como em Belo Horizonte, essa foi uma ação do governo no sentido de colaborar para o esvaziamento do centro antigo (Setor Central, que felizmente ainda constitui um centro ativo), e para o fortalecimento de novas centralidades.