Chapter 8: Data Analysis and Findings
8.1 Institutional Capacity
8.1.2 Organizational Realignment
É comparar o ensino regular com o ensino especial, com o desejo de optar por aquele que melhor oferecer condições de desenvolvimento para a criança. É acreditar na melhor escolha de
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ensino para a criança, vê-la obter ganho, crescimento após iniciar as atividades escolares. É também avaliar e desejar que a inclusão escolar realmente aconteça nas escolas públicas.
5.4.1. Pesquisando as escolas
A escolha da escola vem após um período de busca, de esclarecimentos, que influenciam a decisão da família. Além daquilo que apreende pela busca, ouve conselhos de médicos ou amigos; experiências prévias da própria família ou de conhecidos. O desejo familiar é encontrar um local que compartilhe suas ideias e sua dedicação quanto à estimulação.
“... nós tivemos na APAE no começo, antes de decidir o que nós iríamos fazer, e eu nunca quis, eu ia fazer de tudo, como nós fizemos para não deixar ela na APAE, que eu acho que seria um atraso pra ela deixar ela lá” Pai2a
“A gente também procurou as escolas que tinham uma filosofia, uma metodologia, que não fosse parar tudo pra atender a [criança]. A gente queria que ela fosse pra escola, que eles respeitassem as individualidades (dela), as dificuldades, mas que não parasse tudo pra atendê-la. Que o lanchinho dela fosse o mesmo, a bronca que tivesse que dar fosse a mesma e o estímulo fosse o mesmo. (...) A escola que a gente procurou vinha ao encontro dessa necessidade nossa de estar deixando ela mais próxima possível da sociedade.” Pai4
“Nós optamos por não colocar na APAE, eu acho que a APAE faz, sem nenhuma crítica a APAE, acho importantíssimo esse atendimento, porém o que a gente acredita é que quanto mais próximo ela tiver da realidade, do amigo que ela vai encontrar no shopping, ou da sociedade mesmo, mais facilidade ela vai ter de se relacionar, as crianças vão estimular ela de uma forma diferente, na APAE, eu acho que ia ser uma coisa muito homogênea, então colocando na escola ela vai ter estímulos diferentes” Pai4
“Tinha uma mulher que tem uma filha com SD [na APAE] (...), ela falou: ‘fala pra sua
irmã levar lá que é uma beleza, a minha filha antes não falava nada, entrou na APAE, depois de um ano começou a falar de tudo, pode levar ela lá que é bom’.” Mãe7 “... mesmo porque colocar ele na escola foi uma longa pesquisa, conversar com a diretora, tudo, então quando a gente colocou ele na escola e gente já sabia que ele ia ser pelo menos bem aceito pela escola.” Mãe8
5.4.2. Colocando na balança
É identificar e avaliar o lado positivo e o negativo da escola de ensino regular pública, privada e das instituições de ensino especializado. A família que opta pelo ensino regular aponta como motivos principais a característica imitadora das crianças com síndrome de Down, acreditando que isso possa atrapalhar seu desenvolvimento quando próximos de crianças menos desenvolvidas; e a importância da socialização com outras crianças e do convívio com o ‘normal’. A que escolhe a escola de educação especial leva em conta a estrutura física, os
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profissionais envolvidos e a ausência de preconceito que poderia encontrar na escola de ensino regular. Aspectos positivos e negativos são apontados pela família tanto em relação à escola de ensino regular quanto à APAE, que, colocados em uma balança, fazem a família optar por uma delas.
“... acho que foi muito complicado na escola regular (...) até o prezinho eu acho que vai bem, depois disso não vai funcionar, no primeiro ano a professora já começa a se rebelar mais, ainda não são as crianças, mas a professora que ela tem mais conteúdo pra passar, são mais cobradas porque é uma sala de alfabetização, então elas não querem ter aquela criança dando trabalho pra ela, então ela começa a se rebelar, no segundo, terceiro ano começam a ser as próprias crianças que começam a vir com essa coisa do preconceito mais forte.” Mãe6
“Os problemas maiores acabam acontecendo com os pais das crianças. Igual quando ele estudou aqui na [escola X], (...) teve mãe que tirou a criança da escola por causa dele.” Mãe8
“O médico pediatra desde bebezinho já falou, aconselhou a não levar na APAE não. Não que a gente tenha algum preconceito, nada, mas ele falou: ‘ele tem que conviver cm criança normal porque se ele convive numa APAE lá tem outras crianças sem ser com SD, como eles imitam as outras pessoas, ele vai acabar imitando o que não é bom pra ele, tem que conviver com criança normal pra ele imitar o normal’.” Mãe5
5.4.3. Escola sendo estimulante
Esta subcategoria diz respeito à crença que a família tem de que tomou a decisão na escolha da escola, pois as crianças são bem recebidas e se desenvolvem satisfatoriamente. São os benefícios e vantagens do ensino escolhido, gerando resultados/frutos para a criança.
“... e várias coisas também que ele aprendeu, ele aprendeu ir no banheiro lá, a comer sozinho, tudo na escola, muita coisa ele aprendeu na escola, bebê no copo sem ser de canudinho, me ajudou, isso aí a escola me ajudou muito.” Mãe3
“Então desde depois de 1 ano que ela começou ir na escola e a gente percebeu que ela por exemplo: o sentar dela não atrasou, ela sentou na época certa (...) mas eu acho que por causa desse estímulo da escola que ela tinha, ela foi muito bem estimulada, eu acho que foi muito importante, que nós acertamos em colocá-la numa escola regular.” Pai4
“Na escola eles receberam muito bem, os pais nunca questionaram e eu sempre me coloquei à disposição da escola... A gente sabe que a turma pode ganhar com ela, a turma pode aprender, as crianças podem aprender por ela ser diferente. A gente pensa nela, mas também pensa nas pessoas.” Mãe4
“... foi pra escola com 2 anos e meio, foi no maternal com 11 crianças, depois ele ficou 6 meses aí fechou a escola. Aí a professora levou a gente pra conhecer a [outra escola] e até fiquei preocupada, porque a escola que ele tava tinha 11 e ele ia numa sala que tinha 20. Eu falei ‘como que vai ser que ele tava começando a falar?’ Mas pra surpresa nossa foi a melhor coisa que nós fizemos, por numa escola grande porque lá
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ele se soltou, soltou a voz de vez, começou a ter um desenvolvimento muito grande porque convivia com muito mais crianças, porque na escola no total tinha 100 crianças.” Mãe5
“(Estimulação na APAE) foi bom, foi ótimo, que ela era muito molinha, então foi um trabalho que eles fizeram lá que ajudou ela a ter controle do corpo, pra mim foi muito bom.” Mãe6
5.4.4. Avaliando a inclusão na escola pública
Reflete a experiência negativa que a família apresenta ao colocar a criança na escola pública. Trata-se de uma reivindicação dos pais para que as escolas se preparem no sentido de que realmente ocorra a inclusão escolar, já que a realidade que vivenciaram foi oposta às suas expectativas. É perceber a escola despreparada, desestruturada, sem recursos humanos e organizacionais. Eles questionam, também, se a aceitação da criança na mesma ocorre apenas por se tratar de uma lei, de uma obrigação.
“O governo fala da inclusão da criança especial na escola, só que a escola não está preparada para isso, entendeu? Nós colocamos, ela foi um ano na escola municipal, só que não consegue desenvolver ela, porque não tem uma pessoa pra cuidar dela, é um professor pra 30 alunos. Se ela usasse fralda não iria ter alguém lá pra trocar ela, ou dar remédio no caso, que tem muitas crianças que precisam. O que aconteceu, nós ficamos um ano aqui [na escola municipal] e essa aqui [a mãe] tinha que ir todo dia na escola pra ajudar o acompanhamento dela, porque a professora não dava conta dela.” Pai2a
“Nós tivemos que pôr ele numa escola pública. Aí sim nós tivemos problemas, porque a escola pública não tem condições de aceitar, não está preparada para inclusão. Não que as outras estejam, mas a particular você paga, tem poucos alunos, a professora consegue dominar a sala, que geralmente é 10, 11 crianças no máximo. Aí quando ele foi pra essa escola pública, aí 30 e poucas crianças na sala, aí ficou complicado, e aí ele ficou acho que 3 meses só, e nós tivemos que tirar ele. (...) a professora não conseguiu lidar com ele, eles não faziam nada com ele. Ele chegava, do jeito que ele chegava eles jogavam um colchonete no chão e ele ficava lá deitado o tempo todo, do jeito que ele queria ficar ele ficava. ... Porque você fica pensando eles estão aceitando ele só porque é uma obrigação, só porque é uma lei de ter que aceitar.” Mãe8
“[Criança Down] foi numa escola pública e aí o pai dele até se revoltou porque isolaram ele, não trabalharam com ele assim, (...) não davam incentivo porque achou que era Down e então não incentivaram, (...) tem que incentivar, se deixar lá num canto...” Prima5