Oppsummering av Komparativ verdsettelse
13 Oppsummering og handlingsstrategi
Nas próximas narrativas, exploramos a associação de mal-entendidos pelos interagentes a momentos de incompreensão linguística ou de associações equivocadas na tradução literal de vocabulário. Iniciamos com a narrativa de Dhiego, um estudante do 4º ano do curso de Letras da universidade brasileira, contexto desta pesquisa. Conforme Dhiego, ao utilizar a palavra “tempo” em uma pergunta, em referência ao sentido cronológico (“Por quanto tempo?”), gerou um mal-entendido (compreensão equivocada) na compreensão de seu par, que associou o vocábulo ao sentido de tempo meteorológico.
N6 – Dhiego: Um dos mal-entendidos perceptíveis durante as sessões refere-se à natureza linguística da não-equivalência semântica com a palavra TEMPO em português para o inglês, podendo
tanto denotar hora, como o clima. Para chegar a uma pergunta que possa causar ambiguidade, o
parceiro falava sobre uma viagem a uma cidade da Europa, até que lhe perguntei "Por quanto tempo?" Pressupondo já por quanto tempo ele havia permanecido por lá. A resposta foi: "Ah, muito frio!". O
parceiro confundiu, portanto, os significados, devido ao caráter homógrafo da palavra. Creio que um
fator anterior decorrente da nossa conversa tenha intensificado esse entendimento. Anteriormente, havíamos conversado sobre o tempo tanto cá como lá. Na ocasião, expliquei a diferença e destaquei que, se houver a presença de uma palavra que expressa quantidade "quanto", já presume-se que se trata de uma determinada extensão de hora ou período.
O equívoco na significação da palavra se deu também pelo contexto da interação, já que, previamente, ambos haviam falado sobre o tempo meteorológico dos respectivos países. Esse mal-entendido, assim definido pelo interagente pela resposta equivocada para sua pergunta, foi identificado e negociado pelos interagentes, a partir da explicação sobre as diferenças de uso de ambos os sentidos. Na análise dessa narrativa, destacamos a experiência de Dhiego com parcerias de teletandem. Conforme descrito pelo interagente no formulário de sua narrativa, ele realizou 11 parcerias (o número de sessões orais não foi compartilhado).
A descrição precisa, por meio do uso de termos específicos de uma perspectiva sintática e semântica de análise linguística, sugere uma possível atenção do interagente para esses níveis de análise durante a interação. Isso porque, ao identificar a ocorrência de uma compreensão equivocada, ele conseguiu explicar as diferenças semânticas e contextuais do uso do vocábulo. Além disso, observamos que pode haver também, na elaboração dessa narrativa, uma preocupação implícita do interagente em descrever o mal-entendido
apresentando-se discursivamente como alguém que domina conhecimentos teóricos do campo da linguística, de modo a destacar a importância do nível linguístico da emergência de mal-entendido. Nesse sentido, a própria compreensão da narrativa, como um instrumento de pesquisa acadêmica, pode ter contribuído para a construção de uma descrição bem delimitada e específica em relação aos conhecimentos linguísticos apresentados.
A narrativa de Denise, a seguir, apresenta uma relação semelhante à situação apresentada por Dhiego. O mal-entendido descrito por ela é atribuído ao duplo sentido da palavra “fast food”, que pode ser relacionada a comidas de rua ou de grandes redes de sanduíches ou referir-se a comidas congeladas.
N9 – Denise: Na interação com Truman, meus desentendimentos foram linguísticos. Como, por
exemplo "fast food". Meu parceiro traduziu "fast food' para "comidas rápidas", e eu, meio confusa, tentei responder. Pensei que eram comidas congeladas, que pelo menos para mim, são conhecidas como "comidas rápidas". Só depois quando ele comentou que ele e os amigos comiam
comidas rápidas de madrugada entendi que "comida rápida" era Mc Donald, Subway etc. Eu expliquei a diferença pro meu parceiro e ele pareceu entender.
Uma outra experiência nesta interação foi quando meu parceiro me perguntou se eu gostava de
"batucadas". Relacionei com capoeira e mandei vídeos, falei um pouco sobre o assunto e também sobre o carnaval (escolas de samba), meu parceiro ficou encantadíssimo. Depois, na mediação, chegamos a conclusão que, talvez, pelo professor não ser brasileiro, o seu conhecimento sobre nós é bem “turistês”.
A experiência descrita por Denise indica a implicação, dentre outros fatores possíveis, das diferenças de conhecimentos de mundo entre os interagentes. No entanto, no desenvolvimento da conversa, as diferenças evidenciadas no decorrer do diálogo, pelas informações contextuais apresentadas pelo parceiro, permitem à interagente identificar as diferenças nos sentidos evocados por “fast food”. Assim, o mal-entendido, localizado na primeira interpretação de Denise, ao basear-se em suas referências para a tradução de “fast food”, é solucionado de modo indireto e explicado por ela após identificar as diferenças nos sentidos evocados. Nesse sentido, embora os sentidos nunca sejam completos, no caso dessa negociação, o ajuste de sentidos permitiu a continuação do diálogo.
A segunda experiência descrita por Denise, relacionada à pergunta do parceiro sobre “batucadas” não é descrita em detalhes para a compreensão de como a situação de negociação é associada a mal-entendidos. No entanto, o julgamento do conhecimento do professor do par, que sugeriu a pergunta sobre “batucadas”, sugere que, para a interagente, a pergunta implicava em uma visão estereotipada do contexto brasileiro (“[...] Depois, na mediação, chegamos a conclusão que, talvez, pelo professor não ser brasileiro, o seu
conhecimento sobre nós é bem “turistês”). Além disso, Denise menciona a abordagem desse tema no contexto da mediação. Aparentemente, a mediação ajudou a interagente a produzir sentidos sobre a ocorrência na interação de modo a auxiliá-la a chegar a uma “conclusão” sobre as causas das sugestão do tema “batucadas” pelo professor do parceiro. Portanto, podemos inferir a importância da mediação como um contexto para a ressignificação e problematização das questões referentes às sessões orais.
O mal-entendido descrito por Gabriel indica uma das possíveis consequências desse fenômeno apontada no embasamento teórico e na abordagem do tema nesta tese: o efeito cômico (GARAND, 2009). Gabriel descreve uma interação realizada em trio, com duas interagentes, uma de origem colombiana e outra de Nicarágua. O mal-entendido caracteriza- se nessa interação pelo uso de Gabriel da palavra “pinga”.
N7 – Gabriel: Em umas das interações com a (nome) de naturalidade colombiana e que mora
nos EUA a 13 anos e outra menina a qual não lembro o nome, natural da Nicarágua e que mora a 4 anos nos EUA, quando falávamos sobre feriados elas me perguntaram se no feriado de 7 de setembro nos tínhamos o habito de sair nas ruas comemorar e tomar cachaça (aguardente), pois eles tem esse habito, eu respondi que aqui não temos o costume de sair para comemorar e que eu não tomava pinga. Quando falei pinga elas começaram a dar risadas eu fiquei sem saber o que
era, quando perguntei elas não queria me responder até que a Juliana escreveu no chat que pinga em espanhol é um nome vulgar para o aparelho reprodutivo masculino.
Na parceria de Gabriel, como ambas as interagentes eram falantes de espanhol, associaram a palavra ao seu uso vulgar na língua espanhola relacionada ao orgão genital masculino. Embora não tenha sido um uso errôneo de Gabriel, já que estavam no turno de português e a palavra adquire outro sentido, totalmente distante da língua portuguesa em suas diferentes variantes, o constrangimento inicial e a comicidade gerada foram interpretados pelo interagente como um mal-entendido. O constrangimento causado, involuntariamente, por Gabriel e a reação das interagentes são marcados pela resistência da parte delas em traduzir com naturalidade a palavra “pinga”, em espanhol, para o correspondente em português, “pênis”, ou similar (“quando perguntei elas não queria me responder até que a Juliana escreveu no chat [...]”). O constrangimento causado, aparentemente impede que os usos dessa palavra em espanhol sejam explicados e contextualizados (quem usa, em que contexto, em qual situação, quais os efeitos e variações de sentido etc.).
Na constituição do mal-entendido acima, o constrangimento ao se referirem naturalmente à palavra “pênis” na interação (e também na descrição apresentada por Gabriel
na narrativa) é um indício das implicações dos níveis sócio-discursivos no diálogo entre o trio de interagentes. Em diferentes contextos sociais e situações comunicativas, a abordagem de temas referentes à sexualidade pode ser considerada inapropriada, referente à vida privada e um “tabu”. No caso da interação em questão, que ocorreu entre Gabriel e duas interagentes, sua presença como uma figura masculina pode ter contribuído para a resistência descrita em relação a suas interagentes.
A seguir, trazemos dois mal-entendidos apresentados por Denise e Antonio, a partir de experiências conflituosas e de choque de expectativas.