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Oppslutning i organisasjonen

4. IMPLEMENTERING AV TILTAKENE

4.2. Tiltaksintegrering

4.2.2. Oppslutning i organisasjonen

Entre os finais do século XIX e início da segunda metade do século XX, o empresário era abordado de forma diferente no domínio das teorias económicas, quando era encarado como uma entidade individual. Com o surgimento de grandes negócios, envolvendo, por exemplo, as ETN, a abordagem do tema empresário tornou-se mais complexo e originou outras formas

de encarar o problema. Penrose (1995) e Chandler (1997), que se baseiam em Schumpeter, deram corpo à nova abordagem. Para Penrose, ao contrário de Schumpeter, a função empresarial constitui um dos serviços produtivos que contribui para o crescimento das empresas e não a sua destruição, enquanto Chandler considera o empresário o arquitecto da empresa industrial moderna.

Penrose (1995: 31-2) define a firma como uma organização de administração e de aquisição de recursos produtivos e considera que o seu objectivo mais geral é organizar a utilização dos seus próprios recursos juntamente com aqueles que são adquiridos no exterior para produzir bens e serviços para o mercado com o propósito de realizar um lucro. De acordo com esta autora, as actividades económicas duma firma consistem na sua “oportunidade produtiva”, que abrange todas as possibilidades produtivas que o seu empresário detecta e pode aproveitar em benefício do crescimento da empresa. Para ela, o termo empresário é empregue no sentido funcional e refere-se a indivíduos ou grupo de pessoas que oferecem serviços empresariais para a firma. Os tais serviços empresariais são as contribuições dos executivos da firma para o seu bom funcionamento e dizem respeito à introdução e responsabilização, em nome da firma, de novas ideias, novos produtos, localização, mudanças tecnológicas, admissão de novos executivos para promoverem mudanças significativas na organização da administração da empresa, aumento de capital e escolha de método para a elaboração do plano de expansão do negócio e sua realização. Penrose distingue os serviços empresariais dos serviços de administração. A gestão da empresa cabe na esfera da responsabilidade das funções empresariais enquanto as tarefas dos serviços de administração dizem respeito à execução de ideias e propostas empresariais e à supervisão de operação do sector produtivo.

Penrose reflectiu sobre as possibilidades de crescimento das pequenas empresas. Constatou que as pequenas empresas sofrem importantes restrições nas oportunidades de crescimento que são impostas pelas condições externas, nomeadamente pelo poder competitivo das grandes firmas e restrições no acesso ao crédito e seu elevado preço (Penrose, 1995: 218-21). De acordo com a autora, as enormes desvantagens competitivas das pequenas firmas suscitaram reflexões de vários economistas tendo sido questionada a sua sobrevivência na medida em que são firmas que não crescem ou que não crescem muito. O grupo das pequenas firmas é caracterizado por pequena quantia de dinheiro para iniciar o negócio, uma elevada taxa de entrada, alta taxa de saída, baixa taxa de lucro e reduzido nível de progresso técnico, condições que não favorecem o seu crescimento para um outro patamar (das médias ou grandes empresas). E face a estes constrangimentos, a autora concluiu que as oportunidades

dessas firmas dependem de iniciativas dos empresários prospectivos que apenas dispõem de um pequeno montante de capital e estão confinados em áreas onde o único requisito para iniciar a actividade é uma quantia reduzida de dinheiro e talvez alguma experiencia, que, na verdade, são os mesmos requisitos dos inúmeros trabalhadores não qualificados (Penrose, 1995: 221). Ela chama de “interstícios da economia” aquelas oportunidades para o crescimento das pequenas entidades e consistem em espaços deixados em aberto pelas grandes empresas e que essas pequenas firmas aproveitam e acreditam que podem tirar algum proveito (Penrose, 1995: 222-23). Penrose afirma que esses “interstícios” surgem porque há um limite na taxa de expansão das firmas, incluindo as grandes empresas, que as pequenas empresas podem aproveitar. Um outro factor que contribui para as oportunidades das pequenas firmas é a difusão de novos conhecimentos tecnológicos que as pequenas entidades podem incorporar no seu processo produtivo e melhorar a sua performance (Penrose, 1995: 224).

A abordagem de Penrose parece resolver a dificuldade de Schumpeter em relação às grandes empresas que, segundo ele, destroem a função empresarial, ao introduzir a ideia da competência dos serviços empresariais para o crescimento da empresa, afastando, assim, os limites de gestão para o seu crescimento. Por outro lado, ela explicita um ambiente específico através do qual as pequenas empresas e empresários podem funcionar e crescer, o qual é diferente daquele em que os pequenos empreendimentos do sector informal do meio urbano em Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe operam, como veremos com maior profundidade no capítulo 4 deste trabalho.

Chandler (1997: 3) qualifica uma empresa industrial moderna como aquela que é composta por muitas unidades produtivas com funções distintas, geridas por uma hierarquia de executivos assalariados, de nível médio e elevado, em regime de full-time. Eles monitorizam e controlam as tarefas destas unidades da empresa moderna e são esses executivos que constituem, para Chandler, uma nova classe de empresários. Em “Scale and Scope”, o autor afirma o seguinte:

“Once modern transportation and communication systems were in place, the new institution and the new type of economic man provided a central dynamic for continuing economic growth and transformation.” (Chandler, 1996: 2).

Essas firmas modernas não existiam nos EUA em 1840, mas tornaram-se entidades dominantes, a partir da Primeira Grande Guerra, e poderosas, nos anos 50 do século XX (cf. Chandler, 1997: 3). Elas correspondem a uma nova fase do capitalismo nos EUA e na Europa

(Chandler, 1996: 1). Essas grandes empresas distinguem-se das pequenas firmas que se caracterizam por serem numerosas pequenas empresas em nome individual ou em nome de um número reduzido de proprietários. Essas pequenas firmas são constituídas por um único ramo de negócio, têm, geralmente, uma única função económica, vendem um único tipo de produto e operam apenas numa determinada área geográfica. As actividades dessas pequenas empresas são coordenadas e monitorizadas pelo mercado e pelos mecanismos dos preços. Com o aparecimento das grandes entidades modernas, compostas por várias unidades sob o seu controlo, começaram a operar em diferentes zonas geográficas, realizando vários tipos de actividade económica e oferecendo uma gama variada de bens e serviços. As actividades económicas destas unidades e as transacções entre elas tornaram-se internalizadas. Elas passaram a ser monitorizadas e coordenadas pelos trabalhadores assalariados do que pelos mecanismos de mercado.

De acordo com Chandler (1997: 4), apesar do conhecimento da existência das grandes empresas modernas, os neoclássicos continuam a insistir que o processo de produção e de distribuição se realiza através das pequenas empresas tradicionais reguladas pela mão invisível do mercado. De acordo com esta teoria, a concorrência perfeita só pode ocorrer entre aquelas numerosas pequenas empresas, e é essa concorrência que constitui a via mais eficiente para coordenar as actividades económicas e a alocação óptima dos recursos produtivos. Mas a presença das empresas modernas puseram em causa a ortodoxia neoclássica na medida em que as suas multi-unidades empresariais geraram uma concorrência imperfeita e uma afectação não óptima dos recursos.

Este economista institucionalista preocupou-se mais com o estudo das histórias das instituições modernas, que considerou como o estudo da história duma instituição humana (Chandler, 1996: 9), do que com o estudo dos empresários individuais como o fizeram outros autores anteriormente referidos.

Contrariando os neoclássicos, que encaram a firma basicamente como uma unidade de produção e a teoria da empresa uma teoria de produção, apresenta a sua teoria da hierarquia de executivos que comanda o funcionamento da entidade.

Em “The Visible Hand”, Chandler (1997: 7) afirma que as modernas empresas substituíram as empresas tradicionais quanto à coordenação de administração, que passou a ser feita através da hierarquia de gestão, o que conduz ao maior crescimento da produtividade, baixo custo, e lucros elevados do que a coordenação pelos mecanismos do mercado. E isto ocorre porque as modernas empresas, ao contrário das pequenas entidades, internalizam as actividades que

realizam nas várias unidades empresariais bem como as transacções que efectuam entre si, fazendo baixar o custo, e aumentando o lucro, através da acção dos experientes gestores profissionais assalariados.

Aquele autor sustenta que, depois de estabelecida a hierarquia de gestores que realizam com êxito as suas tarefas, a hierarquia transforma-se, ela própria, num recurso com carácter de permanência, poder e crescimento contínuo (Chandler, 1997: 8). Em “The Dynamic Firm”, o autor afirma que a tecnologia não pode ser encarada como um simples resíduo mas sim como um conceito que envolve vários parâmetros (Chandler, 1999: 2). Sustenta que a mudança tecnológica nas empresas é um processo de crescimento que inicia no interior da firma, conduzido por elementos endógenos aos quais se juntam, também, elementos da sua envolvente regional. Pressões da competição, outras tecnologias novas e desafios de visionários emergentes da gestão parecem contribuir para acelerar o processo de inovação. Contrariamente à perspectiva de Schumpeter, as inovações em Chandler são contínuas e evolutivas e apoiam-se nas forças tradicionais da competição e outros elementos de pressão da envolvente da firma que favorecem as inovações. Diz ele que é questionável o processo de criação de inovações tecnológicas seguido por um período de exploração, na medida em que a sua teoria evolucionista de mudança tecnológica fundamenta-se na ideia de inovações contínuas e criativas. Argumenta que as empresas bem sucedidas não são apenas competitivas por saberem como melhorar para manterem-se competitivas mas sabem também como fazer para sustentar esses níveis de capacidade ou experiência ao longo do tempo para garantir a competitividade (Chandler, 1999: 3). Em “Strategy and Structure”, Chandler (1993: 299-301) afirma que não é a complexidade das entidades modernas em si que gera a inovação ou mudança nessas empresas mas sim o conhecimento e a capacidade técnica e profissional de gestores responsáveis das condições de inovação. E acrescenta que o processo de inovação nas empresas exige que as atitudes e actividades dos diferentes executivos afectem mudanças estruturais nas firmas (Chandler, 1993: 309). Por conseguinte, somente quando os executivos se ocupem diariamente nas suas tarefas produzem planos ou propostas úteis para a organização.

Chandler refere que em cada uma das unidades modernas há um gabinete que coordena as suas actividades, que inclui o sistema contabilístico, e podem ser auditadas separadamente como se fossem uma entidade e não parte da grande empresa. Em teoria, elas podem operar como uma empresa independente. As firmas que pertencem a esta categoria são aquelas que conseguiram realizar, ao mesmo tempo, os seguintes três tipos de investimentos

interdependentes: 1 – investimento no sector produtivo de maneira a criar unidades fabris com suficiente dimensão para explorar as grandes potencialidades tecnológicas e economias de escala; 2 – investimento em marketing, dentro e fora do país, de maneira a criar redes de distribuição para garantir o escoamento de toda a produção, e 3 – investimento em gestão visando contratar e treinar gerentes para administrar as unidades produtivas dimensionadas e o pessoal do sector produtivo e de distribuição bem como coordenar e monitorizar estas duas funções empresariais e planear e afectar recursos para ulterior produção e distribuição. Os primeiros empresários que criaram essas empresas realizaram aqueles três tipos de investimentos, passaram a ter grandes vantagens competitivas na medida em que as suas empresas tornaram-se indústrias oligopolísticas e constituíram-se em empresas industriais modernas (Chandler, 1996: 8 e 34).

Este autor distingue os empresários dos proprietários e estes dos administradores e diz que a história institucional explicada no seu livro é a história dos êxitos dos gerentes e das várias decisões tomadas pelos empresários individuais, proprietários e executivos (Chandler, 1996: 9). Afirma que os empresários que não realizarem aqueles três investimentos em simultâneo ou o realizam fora do tempo perderão a capacidade competitiva e fracassarão.

Os estudos de Chandler parecem indicar que o papel do empresário e da pequena empresa na criação de novas indústrias depende das inovações das grandes empresas. Isso significa que o crescimento das pequenas unidades empresariais industriais está limitado às actividades das grandes firmas inovadoras, ou aos espaços por elas deixados em aberto (Penrose, 1995: 222). Esta perspectiva de abordagem é defendida pelos especialistas que se centram no “ciclo de vida da indústria”, o qual vai de baixas barreiras à entrada, na fase inicial, até à formação de uma estrutura oligopolística, limitando, portanto, o crescimento das pequenas empresas. Enquanto outros autores argumentam que há actividades em que, desde o início, foram dominadas pelas grandes empresas modernas como as indústrias de computadores e de semicondutores.

A teoria de Chandler sobre a capacidade de inovação das grandes firmas modernas face às pequenas empresas é controversa. Embora seja inquestionável que as grandes firmas tenham maior capacidade para criar e introduzir inovações tecnológicas, não nos parece defensável que as pequenas empresas não possam ser bem sucedidas em inovações em determinadas actividades, como, por exemplo, nas indústrias de informação e comunicação, biotecnologia e energias alternativas. Também é questionável o argumento segundo o qual as grandes empresas substituem as pequenas entidades. O aparecimento das grandes firmas corresponde

a uma fase específica do desenvolvimento do capitalismo, mas as pequenas empresas continuam a desempenhar um papel fundamental na economia dos países, não só em termos de rendimento mas, sobretudo, de emprego e coesão social. Por outro lado, o exercício de actividades das grandes empresas exige a presença das pequenas firmas fornecedoras de bens e serviços para o seu funcionamento. Em África, como veremos, foi justamente o aparecimento das pequenas firmas informais do meio urbano que vieram resolver um problema que o governo e empresas do sector formal não puderam dar resposta: a sobrevivência das pessoas e a transformação sociocultural que lhe está subjacente. Este assunto constitui tema privilegiado desta investigação cujos casos de estudo serão tratados no capítulo 4 deste trabalho.