4. IMPLEMENTERING AV TILTAKENE
4.1. Tiltakslojalitet
4.1.1. Drømmeskolen
4.1.1.4. Drømmeklassen 1 og 2
O recente crescimento dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), onde a China domina, parece alterar as relações centro - periferia que hoje se tornaram menos definidas do que no passado quando surgiram as designações “Primeiro Mundo” e “Terceiro Mundo”.
As novas economias emergentes onde se inclui os BRIC e países exportadores de petróleos como Arábia Saudita e Venezuela, tornam a economia global um sistema mais complexo, dinâmico e, de certa forma, imprevisível.
Com a China a ganhar terreno, e os países do centro, onde se incluem os EUA, cuja crise se acentuou a partir de 2002, e a Europa quase a roçar a recessão, muitos Estados do centro tornaram-se vulneráveis às mudanças económicas, e estão mais propensos a adoptar políticas proteccionistas no comércio e diminuir as importações do que a favorecer o comércio livre global. Esta mudança de estratégia penaliza fortemente os países pobres que dependem do comércio internacional para financiar o seu desenvolvimento. Por outro lado, a China enfrenta importantes obstáculos internos, designadamente no seu sector empresarial estatizado, sistema financeiro, infra-estrutura inadequada, sociais, institucionais e militares (Nye, 2005: 40) que
precisa vencer. É num tal contexto que se pode colocar uma dupla questão a saber: em que medida poderá a China contribuir para o desenvolvimento dos países africanos? E como poderão os países africanos aproveitar a experiência chinesa para promover o seu desenvolvimento no quadro da actual globalização?
Apesar das suas dificuldades internas, a trajectória recente parece mostrar uma China tendencialmente mais virada para o exterior, muito direccionada para África. Provavelmente teremos uma China a navegar em duas direcções em simultâneo: para o seu interior e para o exterior.
O interesse imediato da China não é o desenvolvimento dos países africanos mas interessa a China o desenvolvimento de África e o crescimento da sua população por constituir um mercado potencial para o escoamento da sua manufactura. Para manter o ritmo de crescimento da produção das suas muitas fábricas, principalmente as do sector externo da economia, a China precisa do mercado externo num duplo sentido: mercado abundante em oferta das matérias-primas para as suas necessidades e mercado para o escoamento de uma quantidade crescente dos seus bens manufacturados de baixo, médio e elevado valor acrescentado. É esta necessidade que, no imediato, obriga a China a estreitar relações de cooperação com países africanos dos quais pode obter mais recursos, provavelmente em condições mais vantajosas, que necessita para sustentar as suas fábricas, diversificando, assim, as fontes de oferta dessas matérias-primas, de maneira a evitar situações de ruptura de stock que estrangularia o complexo sistema produtivo chinês (Rosinha, 2009). Por conseguinte, o que move a China a aumentar e reforçar a sua presença em África são os seus próprios interesses económicos – mercado de oferta das matérias-primas e de colocação de bens manufacturados. Consequentemente, contrariando a teoria neoclássica, a China não está de igual modo nem actua da mesma forma em todos os países africanos onde opera. A presença varia em função dos seus interesses económicos, de o que esses países podem oferecer tanto no curto como no médio e longo prazos, independentemente de questões de natureza política ou ideológica, social, ambiental ou de direitos humanos. Prevalece o económico sobre as demais dimensões.
Apesar da robustez dos bancos asiáticos em divisas, alguns economistas e instituições ocidentais admitem uma desaceleração da economia asiática nos tempos futuros, quando o efeito fiscal do intervencionismo do Estado que mantêm as despesas do consumidor em crescimento diminuir ou extinguir (The Economist, 15 Agosto 2009: 58). E não havendo certezas sobre o futuro da economia chinesa, os países africanos, entre os quais os pequenos
Estados insulares (Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe), devem actuar com cautelas nas decisões a tomar quanto à estratégia de desenvolvimento e inserção na economia mundial. Consequentemente, uma viragem completa ao Oriente pode ser perigoso e resultar em danos irreparáveis para estas pequenas economias. A opção deve orientar-se para uma diversificação da cooperação sem comprometer os laços tradicionais de cooperação ou espaços de integração económica internacionais.
Relativamente aos pequenos Estados insulares, os especialistas afirmam que o seu desempenho económico é influenciado, em grande medida, pelas diferenças no nível de desenvolvimento das regiões mais próximas (cf. Armstrong e al., 1998; Read, 2001). Dito de outra forma, as regiões mais desenvolvidas e prósperas favorecem o desenvolvimento dos pequenos territórios insulares situados na sua vizinhança. Isso quer dizer que uma região pobre, como é o caso de África subsariana, não tem dinâmicas para influenciar o desenvolvimento das ilhas localizadas nas suas proximidades. Isso significa que países como S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde devem repensar novas formas de integração económica internacional estratégicas que convirá que sejam feitas fora do seu contexto regional na medida em que tanto a CEEAC como a CEDEAO não dispõem de dinâmicas para influenciar o seu desenvolvimento, devido a elevada pobreza dessas regiões. Estêvão (2007) sugere uma orientação europeia para a internacionalização da economia de Cabo Verde.
Embora a China tenha manifestado abertamente o interesse em apoiar o desenvolvimento dos países africanos, o melhor caminho que esses países devem seguir é não ficar à espera da ajuda chinesa mas sim aprender a sua experiência e com a ajuda do Ocidente e de outras fontes, inclusive da China, promover o desenvolvimento sustentável.
De acordo com os especialistas, no início das reformas, as autoridades chinesas preocuparam- se em criar parcerias entre empresas chinesas e empresas estrangeiras originando a transferência de novos conhecimentos e tecnologias (ver Murteira, 2003: 110). Por outro lado, a ideia de abertura ao exterior funcionou como um meio de aprendizagem e qualificação do sistema económico chinês, uma abertura à economia baseada no conhecimento. Esta talvez seja uma das lições a extrair pelos países africanos na actual fase da globalização.
Para Joseph Stiglitz (2004: 240), o sucesso dos casos das transições de países como a China deveu-se ao facto de terem adoptado uma estratégia mais gradualista o que lhes permitiu fazer reformas mais profundas e mais rápidas, e também por esses trabalhos terem sido “(…) «feitos em casa», concebidos pelas pessoas do país, sensíveis às necessidades e preocupações da sua população”. Estes países “(…) nunca permitiram que fosse a ideologia e os modelos
dos manuais a determinar a sua política”(Stiglitz, 2004: 242). Países como a Hungria, Eslovénia e Polónia provaram que não é a terapia de choque, recomendada pelo FMI, mas sim, as políticas gradualistas que eram menos penosas no curto prazo, que proporcionavam maior estabilidade política e social e cresciam a taxas mais elevadas no longo prazo (Stiglitz, 2004: 243).
Por conseguinte, é aprendendo com a experiência da China e dos países que adoptaram a estratégia gradualista, assente em realidades específicas locais e nas necessidades das populações, e com a pronta ajuda da Europa, que os países africanos poderão melhor promover o seu desenvolvimento sustentado. Particularmente em relação a S. Tomé e Príncipe e Cabo Verde, a atenção deverá concentrar-se, sobretudo, nos empresários locais do sector informal e suas dinâmicas como factor de desenvolvimento, assunto que constitui o objecto de reflexão do presente estudo.