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KAPITTEL 4 – Nasjonal Samlings myndighet i Stange og Romedal

4.3 Per Oppegaard – Sipos lakei

A escolha do método de um estudo baseia-se na problemática levantada, a partir de conceitos e perspectivas que atribuem sentido e explicação à realidade focalizada. Conforme Charon(2)

pensar no conceito perspectiva, inevitavelmente nos remete ao problema da verdade, já que literalmente pensar a respeito de alguma perspectiva leva-nos à conclusão de que para seres humanos uma verdade sobre qualquer realidade é impossível num sentido absoluto.

Assim, a escolha de um referencial teórico oferece um instrumento de trabalho e uma perspectiva de olhar para o fenômeno em uma ótica determinada por esse referencial. Quando aplicamos o termo referencial teórico, falamos da maneira de olhar o mundo e dos pressupostos sobre o que se considera importante e que orientam o pensamento e a pesquisa(40).

Perspectivas não são percepções, mas guias para nossas percepções. Elas influenciam o que vemos e como interpretamos aquilo que vemos. São ‘óculos ou lentes’ que usamos para ver a realidade, composta de estrutura conceitual, conjunto de afirmações, valores e idéias, os quais influenciam nossa percepção e ação em determinada situação(40).

O interesse pela compreensão do raciocínio clínico do enfermeiro foi despertado em mim desde o início das disciplinas do mestrado. Ao estudar neurociência e informática, fiquei interessada em desenvolver um estudo de raciocínio diagnóstico baseado no modelo de árvore de decisão e, subseqüentemente, disponibilizá-lo em forma de software. A complexidade

da tarefa, o pouco conhecimento e o difícil acesso aos sistemas computadorizados me fizeram desistir da idéia. Segui então, minha trajetória de formação em pesquisa incorporando um referencial positivista, confortável no paradigma cartesiano predominante, apesar de reconhecer a abordagem dos métodos qualitativos como extremamente válida e pertinente aos fenômenos da enfermagem.

Os conhecimentos adquiridos sobre os diagnósticos de enfermagem e o uso dos mesmos no ensino de graduação (Saúde do Adulto), foram me dando algumas certezas sobre o uso do processo de enfermagem na prática do cuidado. Ficou consolidada a idéia de que, o uso da classificação dos diagnósticos da NANDA, ou outra, é de fundamental importância para a enfermagem, por oferecer uma linguagem padronizada que permite identificar o foco de ação do enfermeiro, documentar a prática e oferecer subsídios para a pesquisa.

Entretanto, sempre tive claro que a maior contribuição dos diagnósticos de enfermagem é o resgate e a validação do julgamento clínico do enfermeiro. Os processos de julgamento, tomada de decisão e determinação de resultados esperados são essenciais para que o profissional se estruture-se diante da equipe, do paciente/família e da sociedade a quem presta serviços.

Ao decidir estudar o julgamento clínico, tive que enfrentar do desafio de apreender outras correntes filosóficas ou referenciais teóricos, já que a perspectiva sob a qual queria estudar o tema não permitia considerá- lo em termos de decomposição analítica. Para a construção desse trabalho,

foi necessário construir primeiramente em minha mente um pensamento mais reflexivo e aberto, utilizando diferentes lentes para visualizar a realidade da enfermagem.

Quando se pensa em raciocínio clínico ou julgamento clínico, visualiza-se um fenômeno complexo que envolve cognição, valores, relações e significados. Muitos enfoques foram dados na pesquisa a esse tema, mas parece claro que esses estudos optaram por enfoques voltados ora para o aspecto cognitivo, ora para o aspecto intuitivo do processo, mesmo estabelecendo uma ligação estrita entre eles. Para este estudo, foi proposto um olhar que incorpore o fenômeno de forma mais aberta, buscando compreender o processo de julgamento clínico realizado pelo enfermeiro, diante das demandas de cuidado de seus pacientes.

Para tanto, fez-se necessária a escolha de um referencial que pudesse embasar a análise do fenômeno, em função de suas próprias características. A complexidade do fenômeno estudado pareceu ser compatível com o Interacionismo Simbólico, que traz à luz as questões dos processos ocorridos no interior da pessoa, na atribuição de significado às interações que vivencia.

O Interacionismo é a base teórica da Teoria Fundamentada nos Dados (Grounded Theory), desenvolvida por Glaser e Strauss em 1967, “para atender questões suscitadas na sociologia sobre o entendimento do

comportamento humano fundamentada no paradigma quantitativo e na

fundamentada nos dados é gerar teorias explanatórias do comportamento humano(41).

O Interacionismo Simbólico ressalta que o comportamento humano desenvolve-se por meio da interação com outros, por um processo contínuo de negociação e renegociação. As pessoas constroem sua própria realidade dos símbolos ao seu redor, pela interação com esses símbolos. Portanto, são participantes ativos na determinação de significados para uma situação(41).

Consideramos a idéia de que o julgamento clínico do enfermeiro ocorre em um continuum cognição-intuição, sendo, portanto, construído individualmente por meio da interação com o paciente, conhecimento clínico e experiência. Esse processo envolve, todo o tempo, a atribuição de valores e significados, além de resultar da compreensão da realidade de cada indivíduo. O entendimento de que a Interação Simbólica é uma teoria sobre o comportamento humano, que tem como ponto central o significado dos eventos para as pessoas no ambiente natural, leva-nos a crer que essa perspectiva conduza à apreensão da experiência do raciocínio clínico do enfermeiro em sua interação com o paciente e na definição de suas ações, concomitantes à identificação das necessidades do mesmo.

Essa teoria aplica-se a estudos que envolvam os aspectos internos ou experiências do comportamento humano partindo da premissa que ‘o significado guia o comportamento’, de modo que ‘a realidade ou significado da situação é criada pela pessoa e leva à ação e às conseqüências dessa ação’(1).

A partir disso, compreender a experiência do julgamento clínico do enfermeiro, no momento em que ele encontra o paciente e estabelece uma interação com o mesmo em busca do cuidado, é compreender que processos interpretativos internos determinam os significados atribuídos pelo mesmo, à realidade ou necessidade apresentada pelo paciente.

O Interacionismo Simbólico parece ser referencial teórico compatível com o objetivo do estudo e então, julgamos necessária a fundamentação do mesmo para o embasamento da análise dos dados a serem coletados.