5. Erfaring
5.2. Operasjonstyper
Nesta seção são abordadas as questões das entrevistas dirigidas aos gestores dos cursos: diretores, coordenadores e docentes, para verificar em que medida houve contribuição da realização da Avaliação Multidisciplinar Cumulativa, visto que um dos objetivos da avaliação é subsidiar a gestão do PPC na sua totalidade, na forma como se organizam as disciplinas e o perfil do egresso proposto no projeto. Quando as questões são elaboradas, isto deve ser evidenciado para que o resultado possa ser discutido no Núcleo Docente Estruturante (NDE) e no Colegiado do curso para verificar se há necessidade de intervenção.
Quadro 2- Contribuições da AMC
Diretores e coordenadores Docentes
. subsidiar as decisões na gestão do PPC
. revisão das práticas pedagógicas . elaboração de questões do tipo operatório . mudanças nas práticas pedagógicas em sala
Dos dois diretores e seis coordenadores entrevistados, quatro afirmaram ter dificuldade em utilizar os dados gerados, devido a pouca participação de alunos enquadrados no semestre que antecede os estágios, bem como devido à pequena adesão dos professores ao processo: Hoje eu tenho dificuldade de utilizar os resultados da AMC, geralmente os alunos
que são do semestre de enquadramento têm uma participação menor [...] aí eu não consigo detectar se ele realmente está conseguindo integrar os conhecimentos (P.4); [...] infelizmente ainda não teve adesão, tanto por parte dos professores como dos alunos (P.7).
A avaliação, como propulsora da qualidade, é propositiva e capaz de estimular mudanças. Segundo Cunha (2009, p. 204), “Sua dimensão afetiva é desencadeadora de energias que se somam positivamente à perspectiva das inovações e alternativas criativas”.
Embora [...] a maioria das coordenações ainda não (tenha chegado) ao momento de
tomar os seus resultados e rever a matriz curricular ou aquele conteúdo no seu próprio curso
[...] em alguns cursos [...] tivemos uma riqueza muito grande [...] nas últimas AMCs,
avançaram no sentido de construir questões mais interdisciplinares, então eu acho que esse foi um avanço muito grande. (P.2)
Ainda em relação às mudanças nas práticas pedagógicas, o P.2 conclui [...] aqueles
professores que têm mais tempo na mesma disciplina e no curso, eles, principalmente a partir do reforço dado pela Assessoria Pedagógica naqueles cursos de formação continuada sobre
questões operatórias, os professores vêm mudando, não só a forma de elaborar a questão, mas o processo. (P.2).
Neste sentido, Ronca e Terzi (1991, p. 29) concluem “A prova é um reflexo da aula! Aulas onde não se pensa, onde não se argumenta, provocam, sem dúvida, provas onde não se argumenta, não se pensa”.
Quando perguntado aos docentes se houve mudança no processo de avaliação adotado por eles, quatro responderam que sim e um afirmou que não houve modificação [...] porque
eu já vinha trabalhando com este tipo de questão operatória nas avaliações. (P.13). Para o
P.12 [...] contribuiu totalmente. A partir do momento que começou a AMC, que a gente
começou a realmente entender o que é uma questão operatória, especialmente depois que eu tive a oportunidade de participar de todas as oficinas, eu já emprego [...] é difícil porque o processo de elaboração tem as suas dificuldades, [...] para mim foi um crescimento muito grande. (P.12)
Foi possível perceber nas respostas dos docentes que, embora eles ainda encontrem muitas dificuldades, reclamem do trabalho para construir as questões e as provas não serem totalmente operatórias, compreenderam a importância da AMC e estão mudando a sua prática de avaliação. Segundo Luckesi (2011, p. 177),
A avaliação da aprendizagem só funcionará bem se houver clareza do que se deseja (projeto político-pedagógico), se houver investimento e dedicação na produção dos resultados por parte de quem realiza a ação (execução) e se a avaliação funcionar como meio de investigar e, se necessário, intervir na realidade pedagógica, em busca do melhor resultado.
4.2.4 A AMC e a cultura de avaliação Segundo o SINAES,
[...] se a avaliação é um processo que busca melhorar a qualidade, aumentar a quantidade do serviço público educacional e elevar a eficácia institucional, a conscientização dos agentes e a efetividade acadêmica e social, então, implementar a cultura de avaliação é uma exigência ética” (SINAES, 2007, p. 93).
Para Cunha, quando se considera a avaliação um processo cultural, deve-se implantar um ciclo permanente de avaliação com estruturas capazes de dar suporte ao processo avaliativo. Segundo a autora, seria interessante incluir na rotina da avaliação institucional pesquisas sobre as experiências vividas no processo de avaliação.
Foi perguntado aos gestores se a AMC pode contribuir para consolidar uma cultura de avaliação e as respostas podem ser assim categorizadas: a)- Já contribuiu (já existe uma cultura de avaliação); b) ela pode contribuir e, c) ela irá contribuir se...
A primeira categoria Já contribuiu encontra alguns adeptos: para (P.1), o processo de
avaliação na instituição tem conquistado espaço cada vez maior [...] à medida que os resultados vão aparecendo, não só desta avaliação, mas da avaliação in loco, ENADE, avaliação da CPA [...] e as pessoas vão percebendo que elas estão sendo melhores a partir disso, a cultura vai sendo assimilada.
A avaliação institucional “[...] só é possível quando referendada num projeto pedagógico claro e assumido coletivamente pelos que fazem a instituição” (Cunha, 2005, p. 209). Por isso, quanto maior for a participação na definição desse projeto, maior será o compromisso da comunidade acadêmica com o alcance dos objetivos propostos.
- [...] depois que se criou a cultura de avaliação dentro do curso, depois que os professores
entenderam essa importância, eles esperam por este resultado (P.4)
- [...] como é que ela pode contribuir, e de fato já está contribuindo, é a gente utilizar isso
para cobrar do professor, nas avaliações mais questões operatórias [...] você já está criando uma cultura [...] visando à qualidade mesmo e à diferença do pensamento do aluno, conectar uma ideia à outra, fazer a ligação (P.7).
A implantação da AMC, se ainda não trouxe soluções para todos os problemas, ajudou a refletir sobre as ações que estavam sendo desenvolvidas e algumas precisavam ser revistas.
Na segunda categoria ela pode contribuir, segundo o (P.3), de várias maneiras: [...]
mostrar que avaliação não é punição, provocar reflexões em busca de melhorias, incentivar o trabalho em parceria, divulgar as contribuições geradas pelo processo para melhorias no curso e na formação.
A AMC surgiu como mais um instrumento de avaliação institucional e trouxe todas estas possibilidades. Certamente, trata-se de uma atividade que precisa do envolvimento de toda a comunidade acadêmica para realizar todas as mudanças. A esse respeito, Cunha (2005, p. 204) afirma:
O imaginário social tem sido alimentado por uma concepção de avaliação punitiva [...] à medida que a avaliação representar, com algum destaque, uma possibilidade de valorização do positivo, tornar-se-á um dispositivo potencial de mudança.
Na opinião de (P.13), a AMC é um dos instrumentos mais ricos da CPA para
avaliação do curso em termos de produção e (P.12) completa eu acho que a AMC ter esse aspecto mais geral, mais global de integração; ela é, pelo menos, a semente que está sendo colocada para poder desenvolver este pensamento.
Na fala de alguns professores entrevistados, pode-se perceber que eles assumiram a AMC como uma prática de avaliação que ultrapassa a mera função regulatória e legalista e, também, como uma possibilidade de integração do currículo.
Já na terceira categoria ela pode contribuir se..., o (P.5) sintetiza ela pode contribuir
para a melhoria do curso, do PPC e para o NDE pensar o curso... É um instrumento de avaliação muito precioso, mas para criar essa cultura é preciso que os alunos participem; ela pode contribuir se a gente mudar essa percepção dos professores, mudar a prática [...]
Novamente há uma constatação da possibilidade de contribuição, mas vinculada à efetiva participação de professores e alunos, estes últimos responsáveis pela geração dos dados.
- [...] é um instrumento institucional de avaliação muito válido, porém a forma como ela é
utilizada hoje, não funciona. Então, de que forma ela pode: primeiro, esclarecimento a professores e coordenadores, depois, por trás disso, em grupo de trabalho sério, dedicado só a isto [...] para cuidar desde a preparação do professor, um curso de capacitação [...] até a análise dos dados (P.8).
O professor sugere que a organização seja feita por uma equipe, que cuidaria desde a capacitação dos professores até a análise dos dados gerados. É preciso uma reflexão maior a este respeito no sentido de avaliar se esta decisão atenderia aos objetivos de uma avaliação formativa, considerando que um dos princípios fundantes da proposta do SINAES (2007) é que os processos de avaliação sejam contínuos e permanentes, internalizados como cultura de melhoramento e emancipação.