• No results found

F OKUS PÅ OG BEVISSTGJØRING AV DET KVENSKE SPRÅKET , OG DEN KVENSKE KULTUREN . E N

2. BYGDE- OG SPRÅKHISTORIE

2.4 F OKUS PÅ OG BEVISSTGJØRING AV DET KVENSKE SPRÅKET , OG DEN KVENSKE KULTUREN . E N

Procurou-se determinar como ocorreu a participação dos moradores à época do início das discussões para a implantação dos sistemas, pelo Projeto São José e, posteriormente, para a gestão do SISAR. As equipes que visitavam as comunidades eram compostas por técnicos do São José e do SISAR.

A maioria dos entrevistados disse que alguém da família (ou o cônjuge, ou o avô, ou avó ou filho) ou o próprio entrevistado participou diretamente de muitas reuniões, à época do início da implantação dos sistemas de abastecimento, que depois se associaram ao SISAR, como ilustrado pela fala a seguir:

Sempre quem participava das reuniões era a minha vó. Um tempo eu cheguei a participar já depois de adulto, participar de algumas reuniões que teve na igreja com o pessoal do SISAR que vinha mostrar as vantagens, como era o fornecimento, qual era a disponibilidade melhor para a gente e daí, então, eu comecei a perceber que seria um mecanismo importante para a população (Moradora 3) – Aranaú.

As reuniões, na época, eram para a constituição das associações e/ou para começarem a ouvir e entender sobre o sistema a ser construído; reuniões para discussão do projeto de engenharia; para discussão sobre o valor da conta, sobre as tarefas dos moradores (por exemplo, construir valas, fazer a instalação de tubulação dentro dos lotes e dentro das casas, cuidarem da operação do sistema, escolha de operador, etc.); reuniões sobre os benefícios e importância do sistema de abastecimento; sobre a melhoria das condições de saúde, sobre hábitos de higiene. As reuniões eram realizadas junto à associação de cada comunidade, pelo pessoal do SISAR (técnicos sociais), engenheiros e técnicos do Projeto São José (para a construção do sistema propriamente dito). Quando a associação não existia, as reuniões ocorriam com os moradores que compareciam. Paralelamente a essas reuniões “técnicas” havia algumas mais específicas para a formação das associações comunitárias. Eram épocas de mobilização e movimentação nas comunidades, como atestam diversos discursos:

154

Ia muita gente porque as pessoas queriam que viesse a água (Moradora 22) – Salgado dos Mendes.

(...) a obra era o que estimulava as pessoas a se mobilizar, quer dizer, tinha toda uma empolgação para aquele momento porque a obra o pessoal estava muito tempo pedindo, era uma necessidade a água (Entrevistado – GESAR).

Também havia participação direta, nessas reuniões, de “futuras” lideranças (porque, à época, vários operadores e presidentes atuais eram apenas membros das comunidades, não ocupando cargos nas associações), numa demonstração de interesse e de engajamento, usual nos líderes. Evidentemente, nem todos os entrevistados participaram dessas reuniões, como mostra o trecho abaixo:

Sabia das reuniões, mas não participava. É que às vezes a gente se descuidava (...) (Morador 25) – Trapiá.

Observe-se que o morador faz a defesa de sua face ao usar o verbo “descuidar”, minimizando a importância de sua não-participação.

A relevância da água, para populações historicamente esquecidas pelos serviços públicos, e moradoras de regiões com condições geográficas tão adversas era tão significativa que entrevistados falam em “empolgação”, “felicidade”, “sonho”. Isso fazia do tema da implantação de serviços de abastecimento de água, pelo SISAR, um acontecimento e um marco, que explicam, em grande parte, a participação da população das diversas comunidades. Como, por sua vez, a participação social era um dos pressupostos conceituais para o SISAR, os técnicos responsáveis procuravam agregar o maior número possível de pessoas. A responsabilidade por essa agregação era dividida com as associações comunitárias (quando essas já existiam) ou com as lideranças comunitárias que estavam, elas próprias, sendo convidadas para a formação de uma associação que pudesse representar os moradores e pudesse ser a interlocutora do SISAR e a co-responsável pela implantação e operação dos sistemas.

As reuniões foram várias, porque se discutiam questões não só diretamente ligadas ao sistema de abastecimento (fontes mais prováveis, tipo ou modelo de sistema, poços existentes, titularidade das terras onde ficavam os poços, documentação necessária para regularização, terreno para construção de reservatório, ETA, qualidade da água, sustentabilidade financeira dos sistemas), mas também temas correlatos como benefícios à saúde, questões ambientais

155 como cuidados com os mananciais (especialmente quando esses eram superficiais), associativismo e cooperativismo, participação comunitária, dentre outros. Cartilhas, dinâmicas de grupo, palestras, rodas de discussão, materiais gráficos, são exemplos de materiais e métodos então utilizados. A ideia subjacente era de que, através de reuniões sistemáticas e regulares, aliadas a visitas às comunidades, para conversas com as associações e seus membros e cursos para os membros das associações, construir-se-iam conceitos70 como

os de participação social, organização comunitária, assunção de responsabilidade para com os sistemas, importância do acompanhamento da gestão dos sistemas, pagamento de tarifa, sustentabilidade financeira, transparência, saúde preventiva, associativismo, dentre outros, aumentando o vínculo entre as pessoas e fortalecendo o capital social de cada comunidade. Em relação às associações, uma vez constituídas, ou regularizadas as já existentes, seus dirigentes, agentes de saúde, educadores e operadores passavam por um curso de 40horas sobre educação sanitária. Esses participantes tinham como papel e responsabilidade ministrarem curso semelhante, supervisionados pela CAGECE, para suas comunidades de origem, no momento da entrega do sistema de água e mais uma vez, na entrega das obras de esgotamento sanitário. Cabia ainda, aos educadores locais, em suas escolas, organizarem o “Dia do Saneamento”, em que alunos, coordenados pelos professores, trabalhavam, com sua comunidade, o tema Saneamento, a partir de poesias, jograis, redações, paródias musicais, desenhos, colagens, etc. (BRITTO, 1998). O objetivo dessas ações desenvolvidas pelas comunidades era que elas se apropriassem dos conceitos essenciais para a gestão dos sistemas.