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La nouvelle de la nationalisation du canal de Suez et la situation à Paris et

In document Les accords de Sèvres de 1956 (sider 63-66)

Desde sua constituição em 1946, na Universidade de Michigan, até seu desenvolvimento aqui no Brasil impulsionado por muitas linhas de pesquisa, programas de Pós-Graduação ou área de concentração, eventos e publicações desde 1965, a LA se constituiu como área produtora de conhecimento (MOITA LOPES, 2009). Em linhas gerais, aborda questões sobre as práticas de uso da linguagem, quer relativas ao ensino/aprendizagem de línguas ou outras situações de uso com foco mais recentes advindos das demandas sociais.

Em se tratando do percurso de constituição a LA, em retrospecto realizado por Moita Lopes (2009, p.16), sinaliza que houve três grandes momentos que marcam viradas durante esse processo de consolidação enquanto área de pesquisa.

O primeiro momento tem relação direta com a separação entre o que se entendia por aplicação da Linguística e a Linguística Aplicada. Até meados dos anos 70, não se tinha uma distinção clara entre LA e a aplicação da Linguística o que levou a duas visões: a LA vinculada ao contexto educacional (em sua maioria, relativas ao ensino de Inglês) e a necessidade de uma teoria que a desvinculasse definitivamente da Linguística. A ênfase dada a LA se refere à resolução de problemas reais a partir da linguagem em oposição ao cunho teórico imprimido pela Linguística. Assim, uma nova perspectiva de desvinculação entre LA e a Linguística se torna de fato vivenciada pelos pesquisadores, constituindo um amplo campo de atuação da LA nos estudos linguísticos.

A segunda virada tornou-se marco de influência das linhas socioculturais de Vygostky e Bakhtin, cujo foco central foi ampliar o campo de atuação da LA envolvendo pesquisas sobre o ensino de língua materna, letramentos, currículo, no contexto educacional em detrimento do que se pesquisava. Agregou também pesquisas de outros contextos institucionais que possibilitaram reorganizar os métodos e teorias que abrangessem tais estudos a partir das pesquisas com uso dos discursos. Sobre este ponto, destacamos a relevância desses conceitos para o trabalho desenvolvido nesta tese, portanto aderir às concepções dialógicas de Bakhtin quanto aos conceitos de letramento.

Retomando o histórico da LA, a ampliação do leque de pesquisas possibilitado pela ampliação do campo de atuação acrescidas das demandas provenientes dos anseios da sociedade moderna trouxe outras perspectivas para a LA. Em 1996, Moita Lopes sugere uma LA que possibilite refletir sobre outras formas de conhecimento e outras questões de pesquisa que sejam responsivas às práticas sociais da modernidade. Essa nova LA traz as compreensões do papel do discurso na constituição do sujeito, do sujeito como múltiplo e conflitante, da necessidade de reflexividade na produção de conhecimento (PENNYCOOK, 2006, p.78), considerada como LA transgressiva no qual o uso da linguagem é um ato de identidade que possibilita a existência da língua passível de posicionamento crítico, político, comprometida e engajada em práticas problematizadoras.

Partimos do pressuposto de que a finalidade dos estudos em Linguística Aplicada é fornecer subsídios para que os envolvidos na situação de uso linguístico em análise, reflitam sobre esse processo de modo crítico e problematizador.

Diante do exposto, apontamos a contribuição específica da LA para a pesquisa sobre o letramento acadêmico dos licenciandos de Linguagens. Neste caso específico, partimos de um contexto de formação interdisciplinar para compreender os aspectos inerentes ao processo de ensino/aprendizagem de espanhol como língua estrangeira. O sujeito pesquisado encontra-se em processo de formação para posteriormente também assumir a docência.

Essa posição fundamenta-se no disposto por Moita Lopes (2009, p.19), no qual o objeto de investigação da (LA) é a linguagem como prática social, seja no contexto de aprendizagem de língua materna ou outra língua, seja em qualquer outro contexto onde surjam questões relevantes sobre o uso da linguagem. Quando pensamos a formação interdisciplinar com um foco que em tese atenderia os anseios de atuação docente em sala de

aula, estamos permeados por discursos e práticas sociais que formam o curso de Linguagens e Códigos, daí a necessidade de nos debruçamos sobre esses aspectos discursivos.

Nessa linha a LA traz um aporte teórico-metodológico que possibilita e enriquece o viés de alcance desta tese. Assim, tratamos a seguir dos princípios que norteiam nossa perspectiva de pesquisa com aplicação dos conceitos da LA.

Nosso foco são os acadêmicos do curso de Linguagens e Códigos em formação que já cursaram as disciplinas de Língua Espanhola. A formação desse sujeito pesquisado tem relação direta com o processo de implantação e vivencia no curso de Linguagens no Município de São Bernardo - MA, o que sinaliza para uma concepção de sujeito e formação histórica discursiva desses licenciandos.

Partimos da noção de sujeito, a partir do viés teórico da LA que dispõe sobre uma visão do sujeito social em sua heterogeneidade, fluidez e mutações, advindas do processo de pós-modernidade, na qual o processo de afirmação passa por vários momentos de desconstruções e construções possíveis pelo contexto acadêmico (MOITA LOPES, 2009, p.21). É social a atividade discursiva do sujeito da LA, em função de que somos os discursos em que circulamos, o que nos mobiliza para modificações constantes no aqui e agora da vida contemporânea.

Esse sujeito encontra-se marcado pela não vivência de contexto em que a língua espanhola tenha uma presença de falantes da língua. Outro fator é a não oferta do espanhol como disciplina no currículo do Ensino Fundamental e Médio da região do Baixo Parnaíba, o que nesse caso implica uma parcela expressiva dos licenciandos na UFMA.

Há uma confluência entre a pesquisa em LA e os pressupostos da AD, principalmente quando nos posicionamos sobre a abordagem dialógica que será encaminhada por esta tese. O que confirma o caráter interdisciplinar da LA nesta proposição sobre o letramento acadêmico da licenciatura interdisciplinar em análise, justificando sua aplicação teórica e necessária para compreensão dos fenômenos linguísticos.

No âmbito educacional a discursividade pressupõe um cabedal de estruturas linguísticas que vão se consolidando até a inserção no âmbito acadêmico. Dependendo dos estímulos linguísticos vivenciados em relação às práticas de letramentos, se supõe maior adequação desse sujeito no contexto acadêmico do ensino superior, caso esse que iremos verificar com a aplicação dos instrumentos de coleta de corpus.

Pensar uma formação acadêmica interdisciplinar implica refletir em vários discursos que vão se estruturando para formar um docente com uma abordagem didática interdisciplinar, porém será que de fato isso se materializa.

Em se tentando dirimir tal tema, que tanto a LA quanto a AD são instrumentos fundamentais para auxiliar no entendimento sobre os processos discursivos do letramento acadêmico em contexto interdisciplinar, há que se realizar uma pesquisa direta dos fenômenos em ação.

A LA possibilita, a partir de instrumento de coleta discursiva, obter dados com os quais poderemos afirmar informações do processo de letramento acadêmico em LE e sua implicação na formação teórico – prática. Esses resultados serão analisados à luz de perspectivas que têm o sujeito e suas imagens como processos contínuos de tomadas e retomadas de atividades frente às demandas da sociedade contemporânea, nas quais o cerne desta situação constitui-se discursivamente por estes sujeitos. Nesse contexto, a língua torna- se reflexo de uma cultura e de um determinado comportamento social, daí a necessidade de áreas como a Psicolinguística, a Sociolinguística, a Pragmática, a AD, as Ciências da Educação, as Ciências Sociais entre outras áreas necessárias à compreensão do objeto pesquisado.

Tratamos sobre as concepções pertinentes à Análise do Discurso (doravante AD) e sua relevância para tratamento dos discursos aqui analisados.A noção teórica que assumimos tem relação direta com dispositivo de análise que elaboramos para esta tese, no qual assumimos o discurso como processos dialógicos, no qual o sentido resulta das intenções, conscientes do falante, que regula seu enunciado em função do seu interlocutor.

Isso ocorre em se analisando os discursos que constitui o âmbito de atuação e formação de uma licenciatura interdisciplinar, sem a prerrogativa de compreender somente aspectos da língua – gramática, mas compreendendo como os licenciandos veem a formação interdisciplinar em Linguagens e qual o lugar do espanhol nesta estrutura acadêmica.

Retomemos um pouco a história da AD para contextualização dessa posição. O início da Análise do Discurso se efetiva na França, possui como seu principal precursor Michel Pêcheux, em fins da década de 60. Nessa época, o auge de concepções se fixava no estruturalismo, como paradigma de compreensão do mundo, das noções e para explicar os fenômenos em geral, no qual o sujeito era excluído. Essa exclusão do sujeito é que provocou a

necessidade de reflexão sobre tal posição e a proposição de repensar a análise do objeto científico, que até então correspondia a uma língua objetivada, padronizada.

A AD surge então como uma ação/atitude transformadora, que visava combater o excessivo formalismo dos estudos linguísticos deslocando sua atenção para os conceitos de língua, historicidade e sujeito, que estavam à margem das preocupações da época. Houve momentos bem delineados histórico e conceitualmente da AD, que influenciaram nos delineamentos das pesquisas com esse dispositivo de análise.

Nesse percurso, Narzetti (2012, p.12) sinaliza que os conceitos bakhtinianos só começaram a ser usados na AD francesa no início dos anos 80. Inicialmente, com referência ao conceito de heterogeneidade a partir das contribuições de Authier - Revuz;e, posteriormente, há uma ampliação da referência a Bakhtin e ao seu Círculo a partir de outros conceitos como diálogo/dialogismo e o de gêneros discursivos.

No Brasil, a Análise do Discurso expandiu sua atuação nas ciências humanas, como a História, a Filosofia, a Sociologia e a Psicanálise, entre outras áreas do conhecimento o que possibilitou ter acesso a vários dispositivos de análises. Vários são os campos de atuação, incluindo temas sociais(consumismo, movimentos sociais, busca de direitos, imigração, política, econômico, corrupção, publicidade), diferentes tipos de discurso (científico, acadêmico, jurídico, pedagógico, cotidiano, político, religioso), ou por temas de ordem metalinguística (o autor e seu papel de autoria, o sujeito do discurso, o ensino de línguas, o verbal e o não verbal), consolidando assim, sua atuação no âmbito da pesquisa nas ciências humanas.

Como visto, o quadro teórico-epistemológico da AD, é considerado vasto e complexo, o que causa certa tensão para quem se apropria de tais conceitos em processo de análise, como faremos nesta tese. Daí a necessidade da noção teórica de responsividade, aplicada ao contexto acadêmico interdisciplinar, por entender que buscar a abordagem bakhtiniana possibilita experiências mais dialógicas e persuasivas que criem possibilidades para reflexões sobre os processos de Letramentos Acadêmicos, em contexto interdisciplinar.

O conceito de ato ou ação responsável traz em sua constituição a ideia de plano unitário singular para adquirir a dupla responsabilidade tanto pelo conteúdo (responsabilidade especial) como pelo ser (responsabilidade moral) (BAKHTIN, 1993, p.20).

No que diz respeito ao contexto tratado nesta tese, essa posição possibilita afirmar sobre a dupla inscrição do licenciando de linguagens em relação a sua formação. Inicialmente, pela necessidade de compreender a estrutura acadêmica que compõe o contexto universitário;

posteriormente, por empreender esforços de aprendizagem nos 5 (cinco) componentes de conhecimentos da área de Linguagens e Códigos que constitui a habilitação interdisciplinar.

Nessa perspectiva, cabe a reflexão em relação ao que se constitui um ato responsável em se pensando a formação acadêmica em língua espanhola na abordagem interdisciplinar. Tal proposição, encaminha para o conceito de ato responsável, como já delineado anteriormente, na medida em que realizamos entrevista com licenciandos para compreender a constituição de significados que revelam posicionamentos em relação à situação interdisciplinar e a formação em espanhol.

Entendemos a necessidade de vivenciar a formação em contexto interdisciplinar para que o discurso dos licenciandos dê pistas de possíveis encaminhamentos que poderiam ser conduzidos, cientes de que

[...] É necessário reconduzir a teoria em direção não a construções teóricas e à vida pensada por meio destas, mas ao existir como evento moral, em seu cumprir-se real – à razão prática –o que, responsavelmente, faz quem quer que conheça, aceitando a responsabilidade de cada um dos atos de sua cognição em sua integralidade, isto é, na medida em que o ato cognitivo como meu ato faça parte, com todo o seu conteúdo, da unidade da minha responsabilidade, na qual e pela qual eu realmente vivo e realizo atos. (BAKHTIN, 1920-24/2010, p. 58)

É no interior das relações discursivas que se efetiva os atos de responsividades. No caso da formação em espanhol na abordagem interdisciplinar, há uma estreita relação entre o que se concebe como letramentos advindos de outras formações até a entrada na universidade, e posteriormente, como a academia possibilitou múltiplos letramentos tanto em língua materna como em língua estrangeira.

Há uma lógica na sequência curricular dada nas licenciaturas aqui observadas, isto é, da UFRJ, UERJ e UFF em tratar os conhecimentos necessários a uma formação integral do licenciando ou bacharel em Letras- Espanhol. Tais currículos, dentro de suas especificidades, desenvolvem construtos teóricos e possibilitam intervenções práticas que dão bases para uma atuação responsiva de seus licenciandos no ato de atuar com o uso da língua espanhola, não obstante entendemos que não se constitui único modelo de organização curricular.

Em se tratando de relações discursivas, cotejamos as noções de discursividades e dialogismo também a partir de Bakhtin (2014, 1997).

A linguagem, a partir de seu signo linguístico, deve ser entendida como fenômeno ideológico. Nessa linha de argumentação, o conceito de discursividade como signo ideológico torna-se o principal instrumento da interação entre os sujeitos (BAKHTIN, 2014, p. 74).

Delineamos que a filosofia da linguagem só pode ser interpretada adequadamente à luz do que constituímos por signo linguístico.

Desse modo, entendemos a discursividade como um processo que expõe, em seu caráter sócio-histórico-cultural e ideológico, a dinâmica na produção de múltiplos sentidos que constitui as ações de ensinar e aprender línguas. O licenciando é considerado sob o aspecto da posição em constante incompletude, no sentido de busca de percepções sobre como o outro se posiciona frente ao ato de ensinar e aprender, para constituir sua própria percepção responsiva de atuação profissional no âmbito educativo. Essa dupla inscrição que nos levou a esta tese, numa tentativa de dar voz às práticas enunciativas dos licenciandos em formação no componente de espanhol pela abordagem interdisciplinar.

Retomamos a ideia do outro na concepção de dialogismo. A noção de dialogismo sinaliza a ideia de escrita em que se entra em contato com o outro – a partir da leitura. O discurso dos outros “participantes ativos da comunicação verbal” (BAKHTIN, 1997, p.320), faz parte integrante no domínio da linguagem. Na perspectiva bakhtiniana, o princípio dialógico é o elemento fundante da linguagem, é considerado um princípio constitutivo e intrínseco da comunicação verbal. Esse processo dialógico da linguagem direciona para uma dupla inscrição do sujeito que se acrescentam: o primeiro, da interação verbal entre o enunciador e o enunciatário, isso ocorre no espaço do texto; e, o segundo o da intertextualidade no interior do discurso, pois remete a outros textos e experiências já vividas. No primeiro aspecto, o elemento que estabelece a relação entre os sujeitos e propicia a experiência da interação entre interlocutores é a linguagem. Assim, o sujeito posiciona-se numa relação dialógica entre os integrantes do discurso o eu e o outro, no texto. Nessa perspectiva, delineia-se uma relação de alteridade, em que a adesão ao outro é necessária para que haja sentido. Há sempre em nosso discurso a perspectiva da (s) voz (es) do (s) outro(s).

No segundo aspecto, verifica-se que o sujeito, como vimos anteriormente, não é a origem de seu enunciar. Desse modo, o sentido não é originado no instante da enunciação, pois integra um contínuum, em que “aquele que pratica ato de compreensão passa a ser participante do diálogo” (BAKHTIN, 1997, p.354), desse modo, sendo o enunciado “[...] um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados” (BAKHTIN, 1997, p.291). O texto, por sua vez, é tessitura polifônica, elaborada por fios dialógicos de vozes que disputam entre si, se adicionam ou replicam mutuamente.

Tais conceitos postos, retomamos nossa proposta em torno dos letramentos. Considerando o caráter dialógico do texto acadêmico escrito, há, portanto, uma necessidade do licenciando de perceber essas nuanças tanto em língua materna quanto em língua estrangeira. O continuum de vozes presentes tanto na leitura quanto na produção de gêneros acadêmicos é considerado fator de sentido, quando devidamente acessado pelo licenciando, no aprendizado de línguas. As ressonâncias dessas experiências é que compõem as imagens posteriores, em torno dos conhecimentos adquiridos durante formação na universidade, com aplicação direta em usos sociais e na prática educativa, isto é, no caso dos licenciandos.

No próximo item, discorremos sobre os estudos do Letramento e sua relação com as perspectivas dialógicas bakhtiniana.

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