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La compagnie de Suez : Un État dans l’État ?

In document Les accords de Sèvres de 1956 (sider 45-0)

Neste capítulo será tratada a questão do sagrado no período medieval, ou seja, no momento em que Dante Alighieri escreve seu poema, apontando para as diferenças existentes entre esse período e o período no qual Alberto Martini realiza a sua edição ilustrada da obra dantesca.

Este estudo faz-se importante, uma vez que, como há uma grande diferença entre os séculos XIV e XX, DA, na composição de sua obra, estava impregnado de outros modelos de moral a serem seguidos, obviamente, já bastante distintos no momento em que AM ilustrou a obra. Sendo assim, observa-se a dificuldade no entendimento do momento histórico vivido por DA, tendo em vista o avanço de leis e regras sociais.

A discussão acerca do que venha a ser o Sagrado e o Profano é bastante rica e variada, interessando a uma série de saberes da teologia à antropologia. Corrobora ainda para essa questão o fato de os conceitos ligados a estas palavras terem sofrido alterações com o passar dos séculos, tendo em vista que, com o avançar das tecnologias e, principalmente, do pensamento do Homem, o mundo passa sempre por um processo de transformação. Logo aproximação dessa argumentação, a priori, não é nada fácil, tendo em vista que o foco desta tese é tratar destes temas a partir da Divina Comédia.

Na época de DA, no século XIV, tinha-se uma Igreja extremamente rígida, com sua moral e conduta, apesar de ser notório que nem sempre essa conduta moral era seguida, mesmo dentro da Igreja. Deste modo, DA possuía uma forma particular em relacionar pecados e beatitudes, advinda de sua educação dentro deste modelo Católico daquela época.

Logo, percebe-se em seu poema, que a base de sua escrita é ligada à ciência teológica ou jurídica daquela época, tendo como método a discussão e a argumentação racional, com base na escolástica. Dante como indicado no capítulo segundo vivenciara cada uma daquelas situações históricas descritas na DC, como, por exemplo, a corrupção do então Papa Bonifácio XIII. Por isso, como autor conseguiu separar bem aqueles personagens que para ele mereciam a salvação daqueles que mereciam punições, como base nas noções de profano sagrado, sendo os pecados e as beatidudes

eternas, ou ainda, alguns pecados podendo ser purgados em prol de uma purificação da alma.

A aproximação, de uma breve definição do que seria o Sagrado é encontrada em

Eliade (1992: 13) que informa que “Ora, a primeira definição que se pode dar ao sagrado é que ele se opõe ao profano”. Logo, será por meio da oposição entre os dois

termos que se poderá chegar ao entendimento de um e outro termo. O profano, então, tem por significado aquilo que transgride as regras sagradas, tornando-se contrário ao respeito que deve ser dado aquilo que é sagrado. Deste modo, numa época medieval, onde tudo que contradizia ou contrariava o que a Igreja tinha como dogma era pecado, é possível entender porque tantos dos pecados, que nos dias atuais nem são considerados pecados, eram punidos com tanta severidade anteriormente.

O sagrado é, então aquilo que tem um valor de importância para quem tem fé, e DA, tendo sido criado dentro da fé Católica, apresenta, na sua visão, aquilo que para ele era sagrado ou não. Desta maneira, colocou-se numa posição de juiz, ou de Deus, se é possível fazer esta comparação, já que era ele, como poeta, a julgar cada personagem de acordo com seus pecados, tendo em mente, ainda, que existiam diversos personagens com suas histórias reais ali narradas e avaliadas.

Eliade acrescenta ainda sobre este assunto que

[...] os modos de ser sagrado e profano dependem das diferentes posições que o homem conquistou no Cosmos e, consequentemente, interessam não só ao filósofo, mas também a todo investigador desejoso de conhecer as dimensões possíveis da existência humana. [...] O homem das sociedades tradicionais é, por assim dizer, um homo religiosus, mas seu comportamento enquadra-se no comportamento geral do homem e, por conseguinte, interessa à antropologia filosófica, à fenomenologia, à psicologia. (ELIADE: 1992, p. 15)

A esse propósito, pode ser observado que os termos sagrado e profano têm bastante relação com os questionamentos da suposta essencialidade humana natural ou cultural de a natureza humana estar ligada ou não às experiências religiosas e, portanto ao sagrado, como é o caminho indicado na Divina Comédia desse ‘homo religiosus’.

DA mostrou, por meio dos pecados e das beatitudes descritos na DC, os benefícios de se viver uma vida correta e os malefícios de seguir erroneamente, visto que:

[...] o homo religiosus acredita sempre que existe uma realidade absoluta, o sagrado, que transcende este mundo, que aqui se manifesta, santificando e o tornando o real. Crê, além disso, que a vida tem uma origem sagrada e que a existência humana atualiza todas as suas potencialidades na medida em que é religiosa, ou seja, participa da realidade. [...] Reatualizando a história sagrada, imitando o comportamento divino, o homem instala-se e mantém-se junto dos deuses, quer dizer, no real e no significativo. (ELIADE: 1992, p. 97)

Logo, tem-se que essa realidade absoluta, para o homo religiosus é a busca pela perfeição no seu caminho, tentando fugir das tentações e dos pecados para chegar o mais próximo de Deus. Dante, como personagem de sua maior obra, é esse tipo de homem, aquele que busca essa salvação para si e para a humanidade daquela época.

Percebe-se, então, que a questão do sagrado e do profano tem grande importância na Divina Comédia: basicamente ela é fundamentada nestas questões, em que, tudo que se faz em vida tem um reflexo no outro mundo, o dos mortos, conforme já assinalado anteriormente nesta Tese.

O catecismo da Igreja Católica aponta que são sete pecados capitais: a soberba, a gula, a avareza, a ira, a luxúria, a preguiça e a inveja. Entretanto, para esta investigação serão estudados somente três deles, que são: a luxúria, a soberba e a avareza, contrários diretamente às beatitudes da castidade, humildade e generosidade, que são três das qualidades mais defendidas pela Igreja, além de serem aquelas pregadas por São Francisco de Assis. Para um melhor entendimento, esses pecados e beatitudes possuem relação direta com as ilustrações dos cantos a serem analisados mais adiante. A luxúria é um dos pecados considerados dos mais tentadores e sua parte positiva é o prazer. Não é que ela seja completamente um pecado: ela torna-se pecado quando se transforma em vício, em excesso. De acordo com Savater:

[...] o limite da luxúria é o ponto em que causa dano a outro. Fazer sexo com crianças é ruim pelo dano que lhes faz. Não é mau desfrutar, mas é, sim, censurável causar mal a outro. Antes se condenava o prazer, e agora o dano e

a dor que são produzidos. É a visão progressista dos pecados. (SAVATER: 2005, p. 101)

Esta citação, até mesmo forte, aponta para um caso extremo, aquele do sexo praticado com crianças. Contudo, se tal pecado for transportado para a época medieval de DA, este fato seria absurdo, ademais como o é também hoje. Sabe-se que este pecado foi apresentado por DA na DC, como um caso de traição, aliás, de suposta traição, envolvendo Paolo e Francesca, no canto V do Inferno. Ou seja, o ato do adultério, naquele momento histórico, era tão pecaminoso, sendo colocado no inferno, que quer dizer que estas almas não teriam nem ao menos a possibilidade de se purgarem disso, eram verdadeiros condenados.

Dentro dos limites da religião Católica, a qual DA professava, dizia-se, segundo

Savater (2005: 102) que “[...] a educação católica impunha a frase: “Isso não se faz porque é pecado””. Então, não somente para este pecado, como para todos os outros, a

Igreja era muito rígida e DA seguia esses preceitos.

É preciso deixar claro ainda que este pecado foi subdividido em outros pela fé cristã, e são eles: a polução voluntária, a sodomia, a fornicação, o rapto, o estupro, o bestialismo, o incesto, o sacrilégio, e o adultério.

Mas, por que esse pecado é tão repudiado pela Igreja? A resposta é simples: a cópula, para a Igreja, é a maneira de se reproduzir a espécie e nada mais e, portanto, os atos de prazer relacionados ao sexo são extremamente condenáveis. Savater afirma a esse respeito que:

Deve-se renunciar ao sexo como instrumento de dominação, imposição, maus-tratos e exigência, mas não se abster dele como elemento prazeroso. [...] A castidade só é boa por aquilo a que se renuncia, então não existe mais virtude do que “ter deixado de...”. [...] a única coisa que dá prestígio à castidade é aquilo que não se faz, quer dizer, a não-ação. (SAVATER: 2005, p. 104)

Ou seja, no episódio mencionado anteriormente, os personagens Paolo e Francesca, não teriam como ser julgados por DA de outra maneira, uma vez que eles, supostamente, enquadravam-se nesta situação de adultério.

O segundo pecado estudado é a soberba, ou seja, aquele que “é, basicamente, o desejo de colocar-se acima dos demais” (SAVATER: 2005, p. 35).

A soberba é

considerada um pecado supra-capital, a escolástica o situava como o primeiro

na lista dos vícios capitais. Isso porque princípio básico do pecado é o desvio

da reta da apropriação do bem, que é a semelhança com a bondade divina.

Quando, ao contrário dessa semelhança, ocorre a busca da desordem, da

distorção da excelência divina é a soberba. Isso porque a soberba, é entendida

como a recusa da superioridade de Deus, que fornece uma norma, a sua

recusa é a projeção da soberba ou de qualquer outro pecado aliado a esta. A

soberba, conforme afirma (

AQUINO, Santo Tomás de. Sobre o Mal. Tradução Carlos Ancêde Nougué; Apresentação Paulo Faitanin. Rio de Janeiro: Sétimo Selo, 2005. Tomo I. ________. Suma de Teología. Tradução José Martorell Capó. Madrid: Biblioteca de Autores Cristianos, 2001. v. I.

) é mais do que um pecado capital é a

matriz de todos os pecados.

Neste pecado também existem as gradações, que vão desde pequenos momentos de soberba até os mais extremos, quando se humilha o outro. Uma das principais características do soberbo na DC é exatamente aquela de sofrer aquilo que ele provocou, ou seja, a vergonha. Eles têm profundo horror de passarem vergonha, no entanto, adoram envergonhar.

A maneira mais simples de evitar a soberba é tentar, ao máximo, ser realista. Comparar-se ao seu semelhante e ver que é igual a ele é demais para o soberbo, porém, para aquele que quer vencer este vício, é um caminho, pois se está chegando perto do que é a humildade, onde todos são iguais perante o ser maior que é Deus.

Já o terceiro pecado, a avareza, consiste em dar mais importância ao dinheiro do que a qualquer outra coisa. Uma pessoa avara não consegue dar valor à relação humana, pois só pensa em guardar seu dinheiro, como forma de acúmulo e não para usá-lo em algum momento. Savater afirma que:

O avaro era aquele que levava a poupança a situações grotescas. Não atendia bem a seus seres queridos, nem a si próprio. A única coisa que o interessava

era acumular um capital que não usava para nada. A característica do avaro é a de esterilizar o dinheiro, que, em lugar de estar em movimento, fica parado. Dessa maneira ele transforma um elemento fluido e útil em algo totalmente inservível. (SAVATER: 2005, p. 59)

O termo

avareza

, de acordo com a significação originária, se refere a

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