5.1 Dependent Variables and Dataset
5.1.1 Notes on NAVCO 2.0 and the Dependent Variable
O chefe e a assessora da DE atribuem os bons resultados obtidos pela escola no ENEM à
seriedade no cumprimento dos planejamentos e dos programas curriculares. Além disso, os dois
gestores afirmaram que os resultados positivos obtidos ao longo dos últimos anos pelo CMB não
se devem ao fato de a equipe de gestores ser formada por militares, e sim à maneira como é
implementado e executado o planejamento. Observa-se, então, que os gestores consideram a
execução do planejamento como um fator que exige a mobilização de todos os sujeitos
envolvidos com sua execução, como se lê em Parente, sobre o planejamento estratégico.
É um processo participativo de mobilização de meios para o alcance dos objetivos comuns, exige descentra-lização e divisão de responsabilidades e atribuições; não pode ser confundido com elaboração de planos; é uma forma de administrar o presente com os olhos voltados para o futuro (Parente, 2003, p. 49).
Sobre o êxito dos alunos do CMB no ENEM, a equipe gestora atribui o bom resultado à
excelência da proposta pedagógica, ao método de gestão utilizado e à disciplina dos alunos.
Também influenciaram neste resultado o perfil acadêmico dos alunos e professores; o empenho e
a capacitação dos professores. Dois membros da equipe de gestores consideraram relevante o fato
desta ser formada por militares.
TABELA 4 – RAZÕES DA ELEVADA CLASSIFICAÇÃO DOS ALUNOS NO ENEM
Razão
Número de respostas
proposta pedagógica
método de gestão utilizado
disciplina
perfil do aluno
perfil do professor
empenho dos professores
5
4
4
3
3
3
capacitação dos professores
equipe de gestores formada por militares
outros
3
2
0
NOTA: a questão admitia mais de uma resposta
4. 12 AS PERSPECTIVAS FUTURAS PARA O CMB
Ao serem questionados sobre suas perspectivas em relação ao futuro da escola
pesquisada, o chefe e a assessora da DE, primeiramente, elogiaram os reflexos que o CMB
apresenta na sociedade; comentaram os resultados obtidos por seus alunos e ex-alunos em
exames nacionais, exames vestibulares e concursos públicos e, ainda, ressaltaram a projeção da
escola se comparada a outras, tanto públicas quanto particulares, no próprio DF. A assessora
considera que, ao longo de seus 30 anos, o CMB, mesmo mantendo sua filosofia tradicional,
pautada em valores da disciplina militar, soube manter-se atualizado e adaptar-se às necessidades
que a modernidade impôs; para o chefe da DE, há apenas um desafio: a falta de recursos
financeiros. Em sua opinião, se houvesse mais recursos financeiros, a escola seria realmente, uma
escola de ponta.
O grande obstáculo nosso é a falta de recurso, porque nós vivemos de orçamento público, o dinheiro que o aluno paga (APM), que é pouco, vai direto para o Tesouro Nacional, não fica na mão do nosso diretor, então, nós não temos a agilidade de uma escola particular; aqui, esse dinheiro que vai para o Tesouro Nacional, ele volta em forma de recurso orçamentário, sob vigilância do TCU, para ser licitado ou empenhado e são processos muito demorados, então, nem sempre nós damos as respostas que nossos profissionais querem com brevidade, por conta disso. Nós não temos a facilidade de uma escola particular para modernizar a escola com a velocidade que a gente quer. (Excerto da entrevista do Chefe da DE 28/03/2008).
Sobre uma perspectiva para o futuro da escola e a necessidade de se modificar a maneira
como vem sendo efetivada a gestão pedagógica, alguns dos membros da equipe de gestores
acreditam que não há necessidade de se modificar a maneira como a gestão ocorre, visto estar
sintonizada com as perspectivas atuais de ensino, porém, consideraram ser necessária a interação
de toda a equipe pedagógica, sempre, o que, segundo Oliveira (2007, p. 66), “é o princípio da
gestão pedagógica”.
Percebe-se, portanto, que “a qualidade da educação passa obrigatoriamente pelo
envolvimento e compromisso de todos os que compõem o cenário escolar (OLIVEIRA, 2007, p.
66).
V INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
Na análise dos dados resultantes da entrevista semi-estruturada com o chefe da DE e sua
assessora, e da aplicação de questionários aos demais participantes da pesquisa, foram
identificados três fatores que contribuem para a eficácia da gestão pedagógica do CMB. São eles
o papel do gestor, o planejamento e ainda a atuação eficiente da supervisão escolar, os quais
serão comentados a seguir.
5.1 O PAPEL DO GESTOR
A instituição educacional pesquisada, como já foi dito anteriormente, integra o Sistema
Federal de Ensino Básico, no entanto, apresenta peculiaridades no que diz respeito à maneira
como conduz sua gestão.
Por possuir o Exército Brasileiro como mantedora e, em virtude de toda história de sua
criação, os colégios que integram o SCMB apresentam o provimento do cargo de diretor de
ensino por meio de indicação. O indicado é um oficial de carreira no Exército Brasileiro cuja
patente é a de Coronel.
No caso da unidade do SCMB pesquisada, por ser a escola que abriga o maior efetivo em
número de alunos e também de profissionais, além de ser a maior das unidades, ocupar o cargo de
Comandante do CMB (o diretor de ensino) é, sem dúvida, um grande desafio, consequentemente,
os resultados que serão alcançados, se positivos, traduzem-se em louros a serem colhidos pelo
diretor de ensino.
Impera o fato de que este futuro gestor não tem quase, senão nenhuma, experiência na
área pedagógica. É um oficial militar, treinado para desempenhar quaisquer funções e realizá-las
da melhor maneira possível, todavia, não é um educador e muito menos teve formação
pedagógica. Vê-se, portanto, o quão desafiador é ocupar o cargo em análise e qual será o nível
das exigências para que a atuação desse profissional aponte reflexos positivos. Mas vale ressaltar
que um oficial superior, mesmo não sendo um educador, por força do regulamento militar,
participa de um intenso programa de formação continuada, dessa forma, possui uma
familiaridade com o processo educativo.
Segundo Mendonça (2000, p. 179), o provimento do cargo de diretor por indicação, numa
escola pública, poderá ocorrer mediante uma formação técnico-profissional do indicado para
ocupação do cargo. No SCMB não é assim que ocorre. O futuro diretor de ensino, embora não
tenha nenhuma experiência no campo da educação, deverá, por si só, interar-se de todos os
processos administrativos e pedagógicos em desenvolvimento na escola e ele dá início a este
processo bem ante de assumir o posto que lhe foi confiado.
Certamente esse profissional contará com uma equipe de gestores que está no colégio há
mais tempo e estará pronta para auxiliá-lo. Esse fator torna as atividades do diretor de ensino bem
menos complexas e a insegurança natural, que poderia surgir em virtude de um novo desafio
profissional, passa a ser melhor controlada.
A maioria dos pesquisados já atua na instituição há, no mínimo, cinco anos. Os
entrevistados estão na escola, o chefe da DE, há vinte e cinco anos e sua assessora, há dezoito
anos, mas, mesmo assim, ainda que tendo acompanhado o comando bienal de tantos diretores de
ensino, ambos consideraram que o papel deste impulsiona a qualidade dos processos
educacionais.
O diretor de ensino de uma unidade do SCMB vislumbra, ao ocupar tal cargo, à ascensão
na carreira de oficial do Exército Brasileiro. Sendo assim, consciente de que esta conquista
pessoal é consequência de ações realmente acertadas e seguras, no exercício da função de diretor
de ensino, tais profissionais são motivados a sempre fazerem o melhor e a exigirem de sua equipe
de apoio também as melhores atuações, as quais poderão levar aos melhores resultados. A
repercussão dos resultados positivos é que poderão garantir a ascensão tão desejada na carreia
militar, para todos os envolvidos.
O encarreiramento no Exército é regido por normas que são fielmente cumpridas. Muitos
iniciam a carreira, entretanto, poucos chegam ao topo dela. A ascensão aos postos mais elevados,
como não poderia deixar de ser, é fortemente disputada. Um fator preponderante nessa disputa é
o reconhecimento do mérito na tarefa executada. Para desempenhar com excelência suas funções,
o gestor necessita do concurso da equipe que comanda.
A construção de um processo educativo de qualidade e historicamente relevante implica um processo participativo de gestão, que constitui o compromisso pedagógico–social da administração da educação em nível de escola (WITTMAN, 2008, p. 149).
Para Oliveira (2007, p. 45), “um bom gestor escolar pode criar uma atmosfera confiável e,
portanto, estável para implementar projetos e mudanças a partir do desempenho dessa liderança”;
sendo assim, é natural que para ter o suporte comprometido da sua equipe de gestores, o diretor
de ensino tenha uma postura participativa, seja disposto, entusiasmado, interessado e,
principalmente, seja capaz de incentivar a participação de todos na execução dos projetos da
escola.
Todos os participantes desta pesquisa afirmaram que há, em suas atividades, a
participação do diretor de ensino, o que confere com a proposição de Santos (2002, p. 39): “O
diretor de escola deve estar perfeitamente integrado ao processo coordenando e aprovando todas
as iniciativas para o êxito da proposta pedagógica.”
É importante considerar o fato de que toda unidade do SCMB é também um quartel e seu
gestor, portanto, ao assumir tal cargo, tem suas funções ligadas não só aos aspectos pedagógicos,
mas também aos administrativos que fazem a escola funcionar.
No CMB, observa-se que o Chefe da DE, que já exerceu as mais diversas funções na
instituição, é o grande aliado do diretor de ensino no que tange à gestão dos processos
pedagógicos da escola. Ele sim conhece bem a rotina da escola e sabe definir cada um dos
processos em que se baseiam o funcionamento da instituição.
O chefe da DE é o gestor que está mais próximo dos processos pedagógicos, inclusive, em
relação à localização física que ocupa na instituição, a qual é mais próxima dos professores e dos
alunos do que o próprio diretor de ensino. Toda e qualquer ação pedagógica deve ser analisada,
principalmente, pela DE, antes de se encaminhar ao gabinete do comandante.
A fim de dinamizar todos esses processos e de dar o suporte técnico aos assuntos
educacionais, o chefe da DE conta com o apoio de sua assessoria pedagógica, cuja experiência é
larga no próprio CMB.
A interferência do diretor de ensino em meu trabalho é constante. A ligação é frequente, constante e intensa. Todos os dias, para a gente desenvolver bem a parte pedagógica, nós precisamos do suporte da administração e algumas decisões, mesmo na área pedagógica, é ele (o comandante) que tem que bater o martelo, mas, pedagogicamente, o chefe da DE tem muita, muita responsabilidade (Excerto da entrevista do Chefe da DE 28/03/2008).