5.2 Statistical Model
5.2.4 Control Variables
A crescente importância que vem sendo conferida a uma educação infantil de qualidade, aliada ao que a ciência tem divulgado, nos últimos anos, sobre o desenvolvimento da criança desde o período da gestação até aos seis anos de vida, impõem a necessidade de compreender o desenvolvimento infantil de forma mais ampla. Para Oliveira, Z. (2007), o entendimento sobre como o ser humano se desenvolve constitui um importante mecanismo que pode favorecer a promoção de experiências pedagógicas de qualidade na educação infantil.
No mesmo sentido, Sigolo (2006) afirma que o conhecimento sobre o desenvolvimento humano é uma das principais diretrizes para a formação dos profissionais que atuam na educação da criança pequena. Segundo a autora, além de ser um conteúdo necessário, este conhecimento pode promover a diferença na qualidade do trabalho a ser desenvolvido nas instituições de educação infantil.
De acordo com Galvão e Ghesti (2003), quase todos os psicólogos que estudaram o desenvolvimento infantil, mesmo sob diferentes perspectivas, discutiram o papel e a influência da escola nos primeiros anos de vida. A educação infantil tem um papel fundamental na formação do indivíduo, por ser esta a fase da vida humana em que são constituídos os alicerces de todas as aprendizagens futuras. Valle e Guzzo (2004) ressaltam que as instituições de educação infantil devem ser o ambiente, por excelência, para o aproveitamento do potencial da criança e para a promoção do seu desenvolvimento.
O processo de desenvolvimento da criança pequena despertou a atenção de vários teóricos, e cada um deles direcionou seus estudos a um aspecto específico. Segundo Barros (1997), estudiosos como Rousseau, Pestalozzi, Herbart e Froebel já manifestavam interesse em investigar o comportamento e o desenvolvimento na fase infantil. No entanto, é importante destacar que os estudos sobre esta temática começaram a se expandir a relativamente pouco tempo.
Galvão e Ghesti lembram que foi a partir do surgimento de uma nova concepção de criança que o desenvolvimento infantil assumiu outra dimensão. Isto porque, até o século XVII, predominava o conceito de criança como um adulto em miniatura, acreditava-se que os sentimentos, o raciocínio e as ações infantis não se diferenciavam daqueles dos adultos. Felipe (2001) aponta que os avanços produzidos por áreas do conhecimento tais como a medicina, a
biologia, a psicologia, a sociologia, a antropologia e a pedagogia, trouxeram importantes alterações na forma de pensar e agir em relação à criança.
Ao realizar uma análise das implicações decorrentes de concepções sobre o desenvolvimento humano para a educação infantil, Oliveira, Z. (2007) destaca os estudos de Vygotsky e Wallon. Do ponto de vista da autora, estes teóricos impulsionaram o conhecimento sobre a forma de a criança ser e modificar-se. Além disso, atualmente, segundo Oliveira, são percebidas as influências das interpretações teóricas desses autores entre os pesquisadores da área deeducação infantil.
Por sua vez, Felipe (2001) assinala que as teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon, embora divergentes em alguns aspectos, têm possibilitado uma nova compreensão do desenvolvimento infantil que vem exercendo significativa influência nas ações empreendidas por muitas instituições de educação infantil no Brasil.
Segundo Tarradellas Piferrer (2004), no campo da psicologia, e sob diferentes perspectivas, as propostas de Piaget, Bruner, Wallon, Vygotsky, entre outros, centram-se no fato de que o desenvolvimento humano é um processo de construção dinâmica que se fundamenta no intercâmbio entre o indivíduo e seu meio. Para os autores Piaget, Vygotsky e Wallon, a capacidade de aprender e de conhecer se constrói a partir das trocas que são estabelecidas entre o sujeito e o meio.
Neste sentido, de acordo com as teorias sociointeracionistas, o desenvolvimento infantil é um processo dinâmico, já que as crianças não são apenas receptoras das informações (FELIPE, 2001). Galvão e Ghesti (2003) mencionam que a perspectiva interacionista do desenvolvimento, que enfatiza a importância da escola nos primeiros anos de vida, é mais bem evidenciada por autores como Mead, Vygotsky e Bruner.
A perspectiva teórica do sociointeracionismo destaca o papel do adulto no desenvolvimento infantil. Pensando sobre esta questão, Felipe afirma que o profissional de educação infantil deve propiciar para a criança um ambiente que favoreça experiências diversificadas e enriquecedoras. Na análise de Tarradellas Piferrer (2004), os adultos, pais e educadores, representam figuras fundamentais no processo de desenvolvimento e aprendizagem das crianças, já que essas pessoas participam de forma intencional e sistemática de suas vidas. A esse respeito, Medrano Mir (2004) adverte que as interações entre as crianças e os adultos não devem ser de qualquer jeito. Segundo afirma a autora, é importante que estas interações sejam de qualidade, ou seja, positivas.
De acordo com Valle e Guzzo (2004), a influência que a figura do professor exerce junto à criança na educação infantil é um aspecto essencial que deve ser considerado e discutido. No mesmo sentido, Galvão e Ghesti (2003) corroboram esta questão e acrescentam que este profissional precisa ter uma formação que contemple as concepções de desenvolvimento da criança nesta faixa etária, pois uma formação adequada constitui uma das principais ações em benefício do desenvolvimento infantil. Por isso, conforme os autores, torna-se imprescindível que os professores conheçam os estágios do desenvolvimento pelos quais passam as crianças, já que caberá a eles proporcionar os estímulos adequados a cada etapa.
O desenvolvimento infantil é um processo complexo que compreende várias etapas com características próprias. Sob esta perspectiva,Oliveira, Z. (2007) mostra que o professor, além de conhecer as teorias sobre o desenvolvimento da criança, deve conhecer e valorizar o potencial de aprendizagem das atividades que são desenvolvidas no âmbito da educação infantil. Cória-Sabini (2004) complementa que, em qualquer etapa do desenvolvimento, é preciso não apenas conhecer as mudanças cognitivas, sociais, emocionais e biológicas, mas também qual o impacto que cada uma delas pode ter sobre todas as outras.
Defis Peix (2004) defende o ponto de vista de que o trabalho na educação infantil deve ser precedido de uma intencionalidade educativa. Para a autora, o desenvolvimento, as necessidades e os interesses das crianças constituem aspectos primordiais e orientadores das propostas pedagógicas e, conseqüentemente da atuação docente. Tarradellas Piferrer (2004) recomenda que o planejamento das ações pedagógicas considere, entre outras coisas, as características evolutivas da criança, a influência de fatores tais como: o ambiente, os interesses, as motivações e os diferentes ritmos de aprendizagem de cada uma.