Sobre a proposta pedagógica da escola, o chefe da DE esclareceu que a mesma segue o
que dita a instituição mantenedora, o Exército Brasileiro, e está consubstanciada com o PGE o
qual vai sofrendo, anualmente, as mudanças necessárias a partir das propostas surgidas nas várias
situações escolares; com esta afirmação concorda a assessora, destacando que o CM é um colégio
centenário e já tem sua filosofia bem definida e uma proposta consolidada.
Observa-se que o planejamento é a base da proposta pedagógica da escola. Mesmo que o
colégio tenha sua proposta pautada em valores tradicionais, como é o caso das escolas que
compõem o SCMB, o que impera é o segmento das normas apresentadas no NPGE.
Quanto à periodicidade das discussões sobre o eixo norteador (concepções, prioridades,
objetivos) do projeto pedagógico da escola, os dois entrevistados, em sintonia, afirmaram que as
reuniões e discussões sobre este tema acontecem ao longo do ano, mas os encontros mais
importantes e decisivos acontecem, anualmente, no mês de julho, na sede da DEPA, no Rio de
Janeiro. Nessas reuniões, em que se reúnem todos os diretores de ensino dos CM do Brasil,
juntamente com seus chefes da DE, são discutidas todas as questões referentes ao planejamento
de ensino e ao currículo escolar.
Há também outra questão que a assessora considerou relevante para a qualidade do ensino
- as inspeções do órgão gestor do SCMB, a DEPA. A profissional apontou que as visitas de
inspeção funcionam como uma espécie de avaliação institucional o que é essencial para o sistema
e, especialmente, para o CMB, pois é o momento em que cada profissional, que atua na
instituição, tem seu trabalho reconhecido e valorizado. Segundo a profissional, este fator, além do
planejamento, é o que garante a qualidade no ensino da escola pesquisada. Tal enfoque converge
com a idéia sobre a importância da avaliação institucional:
A avaliação institucional visa ao aperfeiçoamento da qualidade da educação, isto é, do
ensino, da aprendizagem e da gestão institucional, com a finalidade de transformar a
escola atual em uma instituição comprometida com a aprendizagem de todos e com a
transformação da sociedade (BELLONI apud FERNANDES, 2002, p. 113).
Para o chefe da DE, os principais responsáveis pela gestão dessa instituição são os
membros da equipe de gestores e o comandante do colégio. Os professores e as supervisoras são
compromissados com suas atribuições, qualquer obstáculo será superado. Destacou a questão da
ausência da liderança como fator que pode, em determinadas situações, desequilibrar o sistema,
mas reforçou o fato de a equipe, como um todo, ser comprometida;
a gente sabe que mesmo os professores sendo muito bons, se a direção não for muito
boa, a liderança, a coisa pode desandar. Mas eu tenho uma máxima, minha, pessoal, que
quando os segmentos profissionais são muito compromissados, a direção pode até
claudicar que a escola não claudica, os segmentos conseguem manter a escola no padrão
que ela tem mesmo que a direção claudique (Excerto da entrevista do Chefe da DE
28/03/2008).
Já para a assessora da DE, é importante o papel de líder do diretor de ensino. Ela
considera que o controle que este profissional exerce sobre todos os segmentos da escola é que
torna a instituição equilibrada. Para ela, mesmo que as ações estejam descentralizadas, é mister
que o diretor de ensino esteja a par, oriente e supervisione, direta ou indiretamente, todos os
procedimentos pedagógicos e também administrativos da escola. Segundo (UNESCO, 1993, p.
145), “os diretores impõem-se como verdadeiros chefes dos estabelecimentos escolares e como
molas reais indispensáveis da educação e da vida nacional”.
Sobre o responsável pelas tomadas de decisão relativas às questões pedagógicas, os dois
entrevistados, em seus discursos, foram unânimes em afirmar que cada profissional está
envolvido, de certa forma, com as tomadas de decisão relativas às questões pedagógicas, desde o
diretor de ensino até o último elo da cadeia de comando, que é o professor em sala de aula. Vale
ressaltar que, para eles, como existe o NPGE, as normas já estão bem definidas e não há muito o
que discutir, apenas cumpri-las. Pode haver alguma discussão pedagógica, mesmo assim, o que
impera é a observação das normas. Inclusive, para o Chefe da DE, os excelentes índices de
desempenho apresentados pelos alunos estão relacionados à aplicação e segmento das normas por
todos que atuam na escola, o que confere com a proposição de Mezzomo (1994) de que a
qualidade de uma organização deve ser medida pelos resultados que alcança.
O trabalho do chefe da DE e de sua assessora é supervisionado pelo diretor de ensino, o
comandante do CMB, constantemente. Ambos os profissionais afirmaram que toda e qualquer
ação dentro da instituição é de conhecimento deste gestor principal. Tal situação confere com a
visão que tem Oliveira do perfil e funções do gestor: “Um gestor escolar precisa observar os
membros de sua equipe, com quem anda ‘ao lado de’ e não ‘acima de’. Saber ouvi-los é
essencial. É preciso construir uma relação de confiança e sinceridade com os componentes da
comunidade escolar” (OLIVEIRA, 2007, p. 44).
No tocante à periodicidade das discussões sobre o eixo norteador (concepções,
prioridades, objetivos) do projeto pedagógico da escola, ou seja, o planejamento e os seus ajustes,
três participantes da equipe de gestores julgaram ser este tema objeto das reuniões semestrais que
acontecem na DEPA, no Rio de Janeiro. Os demais consideram tais encontros como semanais,
referindo-se às reuniões de coordenação de série e disciplina que, obrigatoriamente, ocorrem
nesta frequência.
Quanto à supervisão do diretor de ensino, do vice-diretor de ensino ou do chefe da DE, no
trabalho realizado pela equipe de gestores, todos informaram que existe a intervenção desses
profissionais em seu trabalho, visando à melhoria do ensino por meio da troca de ideias e
orientações durante as reuniões, além do fornecimento de normas e diretrizes. Na prática, cada
membro da equipe de gestores ocupa uma função que, ao final, está subordinada aos três gestores
principais, conforme se vê no organograma das unidades de ensino do SCMB. No entanto, cada
membro da equipe tem a autonomia necessária para tomada de decisões no que tange a sua
prática de trabalho diária.
Sobre os aspectos positivos na execução da gestão da instituição pesquisada, o chefe e a
assessora da DE citaram o planejamento e sua execução como sendo os fatores essenciais da
gestão pedagógica. Para o chefe da DE, o fato de o planejamento ser elaborado com no mínimo
seis meses de antecedência do próximo ano letivo, haver a fiscalização da DEPA sobre o
cumprimento deste planejamento e, além disso, o compromisso e a seriedade de todos os
profissionais no cumprimento integral dos planejamentos e programas curriculares é o que torna a
gestão pedagógica eficaz. Para a assessora da DE, como já há o planejamento, trabalha-se com
tranqüilidade, não se tem, conforme cita Lück (2000, p. 8), “a impressão de se estar sempre
apagando incêndio”.
Quando questionados a respeito da responsabilidade pela elaboração, implementação e
avaliação dos projetos na escola, prática recorrente no ano letivo, as respostas dos membros da
equipe de gestores foram contrastantes. Um considerou que a elaboração fica a cargo do
professor e o chefe da DE viabiliza a execução dos projetos; outro considerou que o chefe da DE
elabora, juntamente com o subdiretor de ensino, e os professores viabilizam os projetos; um
terceiro considerou que a elaboração fica por conta do chefe da DE, do DEP e do DEPA e, a
execução fica por conta do professor; um outro respondente afirmou que os projetos são tanto
elaborados quanto implementados pelos professores.
Essa diferença de opiniões pode ser explicada pelo fato da elaboração, implementação e
avaliação dos projetos realizados na escola oferecerem diversas possibilidades. Qualquer um dos
membros citados têm autonomia para tomada de decisões no que tange ao desenvolvimento dos
projetos; inclusive, há diversos projetos que são desenvolvidos pelos próprios alunos. No caso de
um projeto envolver apoio logístico, financeiro ou ainda externo, a DE deve ser informada e pode
auxiliar na viabilização dos mesmos.
Alguns projetos de sucesso tiveram início na própria sala de aula e depois, em virtude de
uma repercussão positiva, projetaram-se a todas as unidades do SCMB. Por fim, há espaço para
participação de todos por meio de projetos, mas esta deve ser planejada e, principalmente,
documentada.
Em relação à aplicação da metodologia dos projetos, Lück (2004) prevê várias vantagens
do método para gestão pedagógica, dentre elas, fornece alcance de objetivos; o compromisso e o
comprometimento com a ação e com a busca dos resultados; a superação da postura de
acomodação e a promoção de novos desafios a serem enfrentados.