Del 2 Universell utforming og barns deltakelse i lokalsamfunnet
4.3 Norge og velferdsstaten
Esta pesquisa de recepção se realizou preliminarmente, para subsidiar a concepção museológica, parte inerente do processo.
O estudo de recepção tratou-se de uma pesquisa qualitativa desenvolvida com 25 alunos da Escola Municipal Padre Lúcio Floro como estratégia de participação do público no processo que se desenvolveu visando à construção de sentidos patrimoniais. A parceria se deu de fevereiro a agosto de 2011com encontros semanais. O estudo de recepção baseado em intervenções serviu como possibilidade metodológica de coleta de dados norteadores de uma comunicação inerente ao processo de musealização.
A escola se encontra no bairro Morro do José Menino em Santos. Um local com vista privilegiada para a orla da cidade. A classe social dos alunos vai de baixa à média baixa. A comunidade local é bastante atuante e organizada. Os moradores reivindicam mudanças locais e acompanham as ações do governo para colocá-las em prática. Boa parte dessa organização se dá por meio da irmandade católica local, que teve como um dos seus grandes apoiadores o Padre Lúcio Floro que deu nome à escola. As ações comunitárias também se dão por meio da Sociedade de
Melhoramentos, que aglutina os moradores mais atuantes dos vários segmentos como de outras religiosidades, por exemplo.
A escola Padre Lucio Floro foi construída e inaugurada em 2008, a pedido dos moradores da Sociedade de Melhoramentos que doou o terreno para a construção do prédio.
No local foi construída uma escola de período integral de quatro andares com duas classes de educação infantil e sete classes de ensino fundamental. A turma selecionada para a pesquisa, era em 2011, o único 4° ano da escola, eles têm aulas regulares com uma professora durante o período da manhã e à tarde participam de oficinas de: dança e capoeira, esporte educativo, hora do dever, hora do conto, inglês e espanhol, e artes plásticas.
Os alunos de 4° ano da Rede Municipal de Santos têm no seu Plano Anual de Curso de História e Geografia os conteúdos ligados à História e Geografia de Santos, tendo um dos assuntos o Porto. Por esse motivo a escolha desse ano para realizar o estudo de recepção. Outra particularidade que nos levou à escolha do grupo deu-se pelo contato do mesmo com os temas arqueologia, Patrimônio e historia de Santos, pois o ano anterior participou de dois projetos de patrimônio ligados à Secretaria Municipal de Educação.
Um deles foi o projeto do Engenho São Jorge dos Erasmos, desenvolvido pela professora Adriana Negreiros Campos em 2010, responsável (até 2012) pela área de História do Ensino Fundamental I da extinta Equipe Interdisciplinar da Secretaria Municipal de Educação de Santos. No programa a professora visitava as escolas e conversava previamente com as professoras titulares sobre a metodologia de educação patrimonial, a história e a arqueologia do Engenho São Jorge dos Erasmos e deixava por um período na escola um kit arqueológico montado pelos educadores do Museu de arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).
Eram dadas sugestões de atividades e várias orientações quanto ao uso do material. Depois as professoras visitavam o Engenho e em seguida levavam as crianças, após trabalho desenvolvido em sala. De volta à sala, novas atividades eram realizadas e o professor documentava as ações por meio de um portfólio contendo atividades realizadas pelos alunos com as reflexões do professor sobre elas. Essa documentação voltava para a professora Adriana Negreiros Campos
juntamente com a lista de alunos que visitaram o Engenho e uma ficha de avaliação do professor e outra das crianças preenchida coletivamente.
Os alunos também fizeram parte do programa educação patrimonial em Santos, uma parceria entre a extinta Equipe Interdisciplinar da Secretaria da Educação e o Condepasa (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos), desenvolvido pela professora Ana Maria Martins. A professora também realizava visitas na escola para conversar previamente com os professores e posteriormente em outras visitas desenvolvia atividades com os alunos voltadas para o tema Patrimônio e preservação. Estava incluída nesse projeto uma visita ao Centro Histórico da cidade de Santos e outra visita no Museu do Café.
Além de participarem desses dois projetos os alunos também realizaram um passeio de Bonde, ao Centro Histórico de Santos ampliando a visita realizada a pé.
Depois dos roteiros e encontros com a professora Ana Maria os alunos conheciam detalhadamente pontos do seu próprio bairro. No ano de 2010 quem acompanhou as turmas foi a bióloga Cibele Coelho, responsável pela Educação Ambiental do Orquidário Municipal de Santos.
Após as visitas os alunos escolhiam um bem cultural ou natural da própria comunidade para realizar um estudo e por fim concluíam as atividades com um pedido de tombamento. Esse projeto também foi registrado pelos professores de sala por meio de um portfólio com atividades, reflexões sobre elas e fotos.
Esses programas foram reformulados após curso com a equipe de educadores do MAE – USP no ano de 2008. A parceria se deu por conta do empréstimo do kit educativo do Engenho São Jorge dos Erasmos à Secretaria Municipal de Educação de Santos.
Além disso, a vista dessa escola para o restante da cidade é privilegiada. De todos os andares se têm uma visão panorâmica de toda a orla da praia, parte do Porto de Santos e a barra onde os navios esperam para atracar.
Figura 15: Vista da escola Padre Lúcio Floro. Fonte: Cristiane Eugênia Amarante.
Em síntese os alunos que participaram do estudo de recepção tinham informações sobre os temas pautados. No entanto, só poderíamos apreender a qualidade da relação do grupo com a arqueologia marítima para refletir sobre a musealização durante os encontros planejados para esta pesquisa conforme descrito em seguida. É importante esclarecer que essas experiências anteriores não impediriam que o estudo fosse realizado com o grupo, pois não acreditamos em uma recepção que não seja construção. Uma vez que recepção é um processo que vai além das experiências vivenciadas e mencionadas, ou seja, não há um “antes” e um “depois” a ser comparado. Por outro lado, as pessoas, mesmo as jovens, têm uma biografia, ou seja, elas não nascem ao encontrar a arqueologia.
Outra particularidade do estudo foi a oportunidade de parceria com a professora Ana Paula Pinho, regente da sala. A maior parte das filmagens foi realizada por ela, e também, algumas intervenções foram desempenhadas posteriormente à intervenção desta pesquisadora. A professora regente observava as falas posteriores dos alunos e relatava detalhes, o que facilitou perceber alguns aspectos que somente no período semanal dos encontros com o grupo não seriam perceptíveis. Essa parceria permitiu refletir sobre a importância de contar com mais uma visão nos momentos de intervenção, pois a professora, também teve um olhar de pesquisadora assinalando pontos importantes a serem observados.