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EXTREMELY FAST SIMULATIONS OF HEAT TRANSFER IN FLUIDIZED BEDS

NOMENCLATURE Latin Symbols

Este trabalho de pesquisa, com foco na inclusão escolar do aluno com NEE, se propôs a analisar se no processo ensino-aprendizagem, as ações pedagógicas desenvolvidas pelo professor, mediadas pela linguagem e por outras ferramentas culturais socialmente construídas no ambiente escolar, promovem a constituição social, bem como, a percepção desse aluno sobre si mesmo e sobre o outro. Para tanto, foi necessário um caminhar pelos dilemas da escola inclusiva, permeados pelas determinações da legislação, sentidos e significados sobre a inclusão dos participantes do processo ensino-aprendizagem, ações pedagógicas desenvolvidas na sala de aula e pelas relações dialéticas entre os sistemas de atividade.

Nesse caminhar pelos dilemas da escola inclusiva, foi possível perceber que a legislação determina que os alunos com NEE devem ser matriculados nas classes regulares de ensino e para isso, a escola inclusiva deve propiciar condições para o acolhimento desses alunos e proporcionar-lhes uma educação de qualidade. Porém, nos deparamos com uma inclusão de direito e não de fato, pois a escola matricula os alunos com NEE nas classes regulares de ensino (conforme asseguram as leis), mas a inclusão de fato é muito mais do que o aluno estar ocupando uma cadeira em sala de aula.

Inclusão, ao meu ver, é propiciar condições para que o aluno com NEE realmente se aproprie do conhecimento, para que possa enfrentar os desafios que o mundo lhe apresenta. Para se apropriar do conhecimento, o aluno precisa conhecer e vivenciar experiências diferenciadas em um ambiente heterogêneo, permeado de conflitos, que lhe permitam construir e reconstruir sua forma de ver o mundo e então se tornar um agente ativo na transformação das práticas sociais que deseja participar.

Para que esta inclusão ocorra de fato, acredito que as mudanças na escola inclusiva devem primeiramente acontecer no âmbito dos participantes do processo ensino- aprendizagem, ou seja, argumento que são necessárias muitas transformações na área da Educação e que um dos caminhos que podem ser seguidos é o da mudança daqueles que estão diretamente envolvidos com a sala de aula.

O que percebo hoje é que, pautados pelo senso comum, os professores tendem a igualar as diferenças reforçando as barreiras sociais, à medida que exercem pressão sobre os alunos com NEE para que se igualem ao tipo normal. Afora isso, esses sentidos e significados são construídos em função do impacto que a deficiência causa na sociedade. A

reação a esse impacto é também negativa para o desenvolvimento cognitivo dos alunos com NEE, pois pode levar a um complexo de inferioridade, a sua não participação em atividades coletivas, à vontade de sair da escola, como no caso do aluno focal desta pesquisa, e muitas outras implicações.

Portanto, os alunos com NEE devem ser vistos pelos demais como parceiros, embora em alguns casos necessitem de um suporte diferenciado, como a máquina braile, ou ainda de mais tempo para escrever ou ler, porque têm condições de aprender e superar a si mesmos. É importante reconhecer essa necessidade de ações diferenciadas por parte da escola e da comunidade, pois os alunos com NEE ao serem levados a se perceberem como “iguais” aos demais, podem não só se sentirem inferiores (pois dificilmente conseguirão se igualar aos demais), como principalmente não se apropriarem do conhecimento proposto pela escola, deixando assim de se superarem e atingirem diferentes estágios de desenvolvimento que os possibilitem a agir de forma inclusiva, nas diferentes práticas sociais a que têm acesso.

Como apontam os resultados deste trabalho de pesquisa, a escola dita inclusiva se vê a frente do desafio de repensar suas praticas pedagógicas. Esse repensar precisa ser pautado nas formas de ação colaborativa e assim determinar o nível de desenvolvimento potencial da criança, propiciando um movimento de construir e reconstruir das ações pedagógicas, no qual o professor e alunos podem planejar conjuntamente as tarefas a serem trabalhadas.

A partir dessa perspectiva a atividade aula, através dos seus conflitos, deveria impulsionar o sistema de atividade escolar, para que este orquestre e reorquestre suas práticas sociais. Por sua vez, o sistema de atividade escolar na interação com outros sistemas de atividade, também provocará orquestrações e reorquestrações que vão se apresentar como novos significados e formas de atividades.

Esta pesquisa, ao revelar a necessidade de um trabalho pedagógico que se articule pela integração de diversos sistemas de atividade, através da Teoria da Atividade (Engeström 1999), nos remete aos ciclos expansivos que projetam o objeto da atividade para a transformação. Essa projeção permite que aconteçam as relações dialéticas entre os sistemas de atividades, a partir daí, através dos conflitos permeados pela dialogicidade e

multivocalidade dos sujeitos envolvidos, provocam as transformações, tanto no objeto da atividade como no próprio sistema de atividade.

Também, apoiada nos estudos sobre defectologia de Vygotsky (1920-1930/1987), procurei argumentar nesta pesquisa a importância de não segregar os alunos com NEE em espaços que não promovam o conviver com a diferença, privando não só esses alunos de um desenvolvimento cognitivo e cultural, como também os outros alunos e o professor, bem como, a comunidade escolar como um todo.

Olhando ainda retrospectivamente para este trabalho, posso dizer que, como diretora de escola, a princípio, tinha uma preocupação com a interpretação da legislação e como essa interpretação estava interferindo no andamento dos trabalhos da unidade escolar. Porém, não demorei muito para perceber que a inclusão escolar dos alunos com NEE não se limita somente a um cumprimento da lei, posto que também envolve os sentidos e significados atribuídos à inclusão escolar, que são social e historicamente construídos, permeados pelas diversas vozes envolvidas. As vozes que clamam por uma não segregação, por uma educação de qualidade e por uma quebra das barreiras sociais que não atingem somente alunos com NEE, visto que os problemas de aprendizagem não são vinculados somente a fatores orgânicos, mas também podem existir em função de fatores sociais.

Entendo que em todo trabalho de pesquisa existem fatores internos ou externos que limitam o trabalho do pesquisador. Nesta pesquisa, acredito que a minha posição hierárquica superior em relação aos participantes da pesquisa, ou seja, como diretora da escola, pode ter sido um fator limitante em relação às discussões sobre as ações pedagógicas do professor e mesmo na entrevista com o aluno participante. Entretanto, ao partir do pressuposto de que não há significados fixos e dados a priori, assumo que os resultados desta pesquisa foram construídos a partir de minha interação com o professor e os alunos da classe escolhida e, que o processo aqui apresentado teve contribuições importantes para a formação de uma compreensão diferente da sala de aula para todos nós envolvidos.

Nesta reflexão final de meu trabalho, acho importante também ressaltar que encontrei na Lingüística Aplicada o caminho que permitiu a compreensão dos dilemas enfrentados pela escola inclusiva e pelos participantes do processo ensino-aprendizagem. Através do estudo do uso da linguagem como instrumento mediador, foi possível

questionar como ocorre o processo ensino-aprendizagem e também, propor formas diferenciadas para oferecer um ensino de qualidade e promover a inclusão dos alunos com NEE. Acredito que dessa forma, foi possível atingir os objetivos propostos nesse trabalho de pesquisa.

Entendo também, que esta pesquisa não responde a todas as perguntas relativas a inclusão escolar dos alunos com NEE, mas o levantamento dos sentidos e significados atribuídos a inclusão escolar e ações pedagógicas desenvolvidas pelo professor me remete a trabalhos futuros, pautados em formas de ações colaborativas, que propiciem a efetivação das mudanças necessárias para que a escola inclusiva promova uma inclusão de fato.

Para concluir, acredito que o professor, ao agir colaborativamente com os seus pares e alunos, tem o poder de provocar essas mudanças no contexto escolar, por meio de ações pedagógicas que permitam um construir e reconstruir dos sentidos e significados atribuídos à inclusão escolar. Isso permitirá, não só mudanças nas práticas sociais construídas dentro do contexto escolar, como também, na interação entre o sistema de atividade escolar e os outros sistemas, práticas sociais pautadas no respeito pela diversidade.