CFD MODELING OF DYNAMIC EMULSION STABILITY
MODEL DESCRIPTION
Quais as ações pedagógicas desenvolvidas pelo professor que visam promover a inclusão do aluno com necessidades educacionais especiais?
Para responder a primeira pergunta, faço primeiro uma descrição da atividade, que permite uma visão geral do seu contexto e também utilizo os dados transcritos da aula gravada, constantes no anexo 1, página 101. Conforme exposto anteriormente, uso como categorias de análise a distribuição de turnos e as escolhas lexicais presentes nos recortes.
À medida que os alunos foram entrando na sala de aula, o professor distribuiu as autorizações para a pesquisa. Os alunos entram na sala conversando e colocando as carteiras onde querem sentar, perto dos colegas ou do lado ou em círculo. O aluno R senta na primeira carteira sozinho. Os outros alunos se distribuem pela classe sentando próximos aos colegas. A aluna com deficiência visual (baixa visão)21 senta na primeira carteira,
também próxima a algumas colegas. Antes de iniciar a aula o professor faz uma brincadeira sobre a gravação e finge estar se arrumando. O professor inicia a aula mesmo sem todos os alunos presentes. Ele se posiciona na frente da sala e inicia a sua explicação. Os alunos que estão sentados prestam a atenção e os outros vão chegando em silêncio e sentando. Enquanto o professor explica, o grupo de meninas sentadas na frente conversa baixinho, mas logo pára e volta sua atenção para a explicação. A aluna com deficiência visual está mexendo na mochila, tira o estojo e olha pela janela. O professor se movimenta na frente da sala, devagar e faz gestos enquanto fala. O aluno R olha para o professor e depois olha para a folha que recebeu e começa a ler a autorização. Os alunos vão tirando o caderno da mochila enquanto o professor vai distribuindo a folha com os exercícios. Durante esses momentos, duas alunas chegam na sala, pegam uma folha que está com a colega, olham e procuram lugar para sentar. Resolvem sentar juntas e formar um grupo próximo à aluna deficiente visual que continua sentada na sua carteira e se volta para trás para conversar
21 Baixa visão – considera-se desde condições de indicar projeção de luz até o grau em que a redução da
com elas. Alguns alunos ficam sozinhos, outros em duplas e outros em grupos maiores. R pega o material na mochila. Ainda tem alunos chegando na sala, a aula já começou há uns dez minutos. A classe fica disposta com grupos de alunos na frente e no fundo da sala e o aluno R sentado sozinho na frente. O professor se aproxima do grupo de meninas na frente para saber que horas são. A aluna com deficiência visual está olhando um álbum de fotografia e o professor se aproxima dela com algumas folhas e convence a aluna a se juntar ao grupo que está sentado próximo dela. R olha para o exercício, olha para a lousa, olha para a câmera filmadora e olha seu caderno. A pedido da pesquisadora, o professor entrega algumas autorizações para alguns alunos que não tinham ainda. Os alunos ficam em seus grupos e duplas fazendo o exercício e conversando em voz baixa. O aluno A e o aluno F andam pela sala, indo até os outros grupos para saber como eles estão fazendo o exercício. O professor, de vez em quando, vem até a pesquisadora para explicar o porquê está trabalhando dessa forma com eles. Quando os alunos solicitam a presença do professor no grupo ou mesmo vão até ele para obter alguma explicação, ele explica o que tem que fazer passo a passo. O professor anda pela sala e vai aos grupos, mesmo que eles não peçam. Também vai até o aluno R e explica o que deve ser feito e o aluno R não pergunta nada, somente sinaliza com gestos que está atento à explicação de P. Os alunos trocam idéias entre si e vão até a carteira dos colegas. Quando o professor percebe que muitos alunos estão com dúvida sobre o mesmo ponto, ele resolve dar uma explicação geral, para toda a sala. Na hora que o professor está fazendo a chamada, a aluna C sempre fala para o professor qual aluno faltou. O aluno R olha para todos os lados da sala, pega a calculadora, faz algumas contas e continua sozinho. Ao final da aula, quando o professor pede para o aluno RI recolher os trabalhos, um aluno já está com a mochila nas costas, pronto para sair. Quando dá o sinal, todos saem da sala sem maiores tumultos.
A partir da descrição da atividade, retomo as palavras de Engeström (1999), quando caracteriza a atividade como “uma formação coletiva, sistêmica e com uma estrutura mediacional complexa” e também que “as contradições e lutas ocorrem na definição do motivo e do objeto da atividade que demandam o controle do poder e da atividade em andamento”. Nessa perspectiva, a aula gravada é considerada uma atividade, coletiva e sistêmica, na qual tanto os alunos quanto o professor parecem estar engajados nas ações de sala de aula, pois os alunos prestam atenção, conversam sobre o exercício proposto, fazem
perguntas ao professor, o professor dá explicações, - não só quando solicitado - além de passar pelos grupos para ver o andamento dos trabalhos. Apresenta uma sistematização não só na organização temática, como na organização do espaço físico. Com relação à organização temática, o professor tem um planejamento temático com um tópico discursivo definido e limitado. E na organização do espaço físico, a aula acontece em uma sala com as carteiras dispostas em fileiras e a mesa do professor se encontra na frente da sala. Pela análise das ações em sala de aula, é possível dizer que o professor e alunos aceitam tal condição, visto que, esse é o entendimento do gênero aula, construído socialmente na comunidade escolar. Percebe-se também, ainda segundo a perspectiva de Engeström, contradições quanto à definição do motivo e do objeto daquela atividade, reveladas pelas ações do professor e dos alunos.
Analisando agora as ações desenvolvidas sob a perspectiva lingüística, mais especificamente nesta pesquisa, pela categoria de análise de turnos, é possível perceber que, o professor ao se posicionar na frente da sala de aula, determinar o tópico discursivo, orientar e direcionar as atividades a serem realizadas, assume o papel de controlador da atividade. Essa assimetria observada pela análise de turnos, parece apontar para a divisão de papéis e para as regras estabelecidas naquele contexto, onde o professor assume o papel de condutor da ação pedagógica, oferecendo assim, poucos espaços para negociação com os alunos que parecem aceitar tal condição.
Isso pode ser exemplificado no Excerto 1 Excerto 1, anexo 1, p. 102:
4- vamos sentar (+)