4 HVILKE BESTANDER ER BIOLOGISK VIKTIGE BESTANDER?
4.4 Noen forslag til bevaringsverdige bestander
Conforme propõe Pérez Oyarzún (2007) em seu livro, “Los hechos de la arquitectura”, o Pavilhão da Alemanha em Barcelona pode ser resumido em alguns elementos base:
02 muros de travertino romano, 02 muros de mármore verde, 01 muro de ônix amarelo,
05 painéis de vidro com peril de aço, 02 tetos planos,
08 pilares cruciformes de aço inoxidável polido, 02 espelhos d’água,
01 tapete preto,
01 cortina de veludo vermelha,
01 plinto/base revestido de mármore travertino romano, 01 banco ixo de mármore travertino romano,
01 escultura.
A princípio esta parece ser uma análise puramente material, contudo, o autor ao longo do texto faz menções a
elementos imateriais em relação a cada um destes objetos, por isso, usaremos a estrutura desta análise dos elementos como base para nossa análise.
Segundo Pérez Oyarzún (2007) é certo que nos encontramos frente a uma nova sensibilidade expressa através da arquitetura do Pavilhão de Barcelona. Por um lado à abstração das formas como elemento geométrico (planos e linhas) dos muros, coberturas, espelhos d’água e pilares inauguram o século das formas livres. Por outro lado, trabalhando juntamente com estas formas é possível observar os efeitos dos tratamentos dos materiais empregados, o trabalho de sombras, luz, transparências e relexos. Essa maneira de trabalhar os elementos arquitetônicos nos remete a alguns aforismos de Mies, como “Deus está nos detalhes” ou “o direito de cada parte ao seu esplendor”. Talvez a redução de elementos a quase nada “Less is More”.
Para Pérez Oyarzún (2007) ica evidente que questões como partido geral, eixo, hierarquia ou simetria (no sentido clássico do termo) não estão expressos no pavilhão. Vemos, porém, uma obra pensada em torno de ideias como equivalência, equilíbrio de tensões, coerência ou compensação que implicam indiretamente a uma noção de assimetria equilibrada.
Em contraponto com Oyarzún, sobre o efeito da simetria, temos o texto de Randall Ott, “The horizontal symmetry of Mies van der Rohe” (1993), o qual revela uma profunda ligação com a simetria e horizontalidade. Nas imagens ao lado podemos notar esta simetria na linha do horizonte.
Ott (1993, p. 120) levanta uma comparação com o De
Theo van Doesburg - Model of Maison Particulière (1923)
Stijl, no entanto, titula a simetria de Mies como horizontal e de Van Doesburg como isotrópica. Todavia, ambos procuram ignorar o vetor vertical da força da gravidade, ignorando o fator peso. Podemos veriicar isso nas citações abaixo destes dois arquitetos:
Achieves more or less loating effect (in so far as de possible from the constructional standpoint – this is a problem for engineering) which operates, as it were, opposition to natural gravity (VAN DOESBURG apud OTT, 1993, p. 121).
We took all the unnecessary weight out off the building to make them as light as possible. it is Often thought that heaviness is synonymous with strength. In my its is just the opposite (Mies van der Rohe apud OTT, 1993, p. 121).
Segundo Ott (1993) o movimento De Stijl criou um edifício omnidirecional, no sentido de ter as mesmas propriedades em todas as direções. E, por isso, não tem relação com a orientação do eixo horizontal, a gravidade aqui desaparece, pois os elementos parecem explodir a partir de um centro para diversos pontos. Já no Pavilhão de Barcelona, a linha horizontal que também proporciona uma resistência com a gravidade, faz com que os objetos pareçam lutuar deslizando de um lado para o outro.
Evans (1990) também levanta esta questão, dizendo que apesar da altura do pé direito ter sido deinida pela altura da placa de ônix, no centro, ou pela linha horizontal, está estabelecida na altura do olhar de uma pessoa de estatura média. O que cria uma sensação diferenciada em respeito ao equilíbrio.
Os espaços do pavilhão nos dão a sensação de continuidade e luidez, não apenas pelo desencontro de seus planos, mas pelos relexos gerados através dos mesmos, formando uma imagem quase que poética.
A partir desta pequena análise introdutória, podemos então separar nossa lista inicial de elementos e analisar cada parte que compõe o pavilhão separadamente, assim como sugere Pérez Oyarzún (2007).
Imagem de 2013 Fonte : a autora Imagem de 1929. Fonte: MoMA
Embasamento
Uma base com 56,68x18,53m, compondo 1050,28m² dispõe de laminas de mármore travertino sem polir com 108,5cm de lado e 1,20m de altura, segundo Mies esta altura foi resultado da falta de mármores para a construção.
Quanto à técnica de execução do projeto em 1929, se tem conhecimento de algumas descritas em cartas trocadas na época, mas uma em especíico da qual os barceloneses se orgulham é dizer que a base foi feita com a antiga técnica catalã de pequenas abóbodas, como podemos veriicar nas imagens abaixo.
O deslocamento do acesso principal para a escada lateral, em desencontro com a porta principal de entrada, permite que o eixo imaginário principal seja rotacionado para diagonal da base, atravessando o espelho d’água externo e indo de encontro à porta principal. Transcendendo radicalmente a maneira convencional de se entra nos edifícios e mesmo assim ainda conseguindo respeitar a frontalidade do pavilhão.
Os painéis de mármore.
Right from the beginning I had a clear idea of what to do with that pavilion. But nothing was ixed yet, it was still a bit hazy. But then when I visited the showrooms of a marble irm at Hamburg, I said: “Tell me, haven’t you got something else, something really beautiful?” I thought of that freestanding wall I had, and so they said: “Well, we have a big block of onyx. But that block is sold—to the North German Lloyd.” They want to make big vases from it for the dining room in a new steamer. So I said: ‘Listen, let me see it, ‘ and they at once shouted: ‘No, no, no, that can’t be done, for Heaven’s sake you mustn’t touch that marvellous piece.” But I said: “Just give me a hammer, will you, and I’ll show you how we used to do that at home.” So reluctantly they brought a hammer, and they were curious whether I would want to chip away a corner. But no, I hit the block hard just once right in the middle, and off came a thin slab the size of my hand. ‘Now go and polish it at once so that I can see it.” And so we decided to use onyx. We ixed the quantities and brought the stone” (SPAETH, 1985, p. 62)
Segundo os arquitetos, (SOLÀ-MORALES RUBÍO; CIRICI; RAMOS,1993, p.13) o Mármore travertino foi usado como revestimento da base/pódio, de alguns painéis e do banco. A empresa que confeccionou estas peças chamava Köstner & Gottschalk, na época amplamente divulgada na feira. As plantas de paginação foram conseguidas nesta empresa e com ele pode-se entender melhor sobre paginação. As peças do piso tinham modulação de 1,10x1,10m e tinham correções através das juntas para que estes se ajustassem a uma grelha. Diferente de como alguns dizem, Mies se deu a liberdade de não seguir modulações. Estes ajustes mostram ao contrário, que existia sim uma modulação em grelha mas para cada elemento
Desenho do muro e banco de mármore Fonte: MoMA
Imagem da construção em 1929. Fonte: MoMA
utilizado e não uma grelha comum a todos Os dois painéis de travertino romano. Peças com 103cm (1/3 da altura) por 218cm (dois módulos da base do piso). Estes painéis na verdade não coincidem com a grelha do piso.
Já os painéis de travertino tinha a modulação de 2,20x1,10m com uma espessura de 3cm e com uma estrutura metálica interna que sustentavam as placas, tendo em sua laterais blocos maciços de pedra para dar um melhor acabamento.
Este sistema também era usado para sustentar as placas de mármore verde. Existiam dois tipos de mármore verde no pavilhão. Nos anos vinte chamava-se Mármore Tinos aqueles que procediam das cantareiras gregas e de Mármore dos Alpes aqueles que vinham do Valle do Aosta.
O Mármore Tinos, abaixo, revestia o painel da entrada, perto do fosso luminoso.
Imagem 2013 Fonte: a autora
E o Mármore dos Alpes, (imagem ao lado, data 2013- fonte: a autora), revestiam os painéis que envolvem o espelho d’água menor.
No entanto, dentre as peças de pedra compradas, a mais signiicativa era o Ônix Doré15, o qual Mies comprou em um
marmorista em Hamburgo.
Desde que tive a ideia do edifício comecei a olhar ao meu redor. Tínhamos muito pouco tempo. Estávamos em pleno inverno e não podíamos extrair mármore das cantareiras porque estava úmido por dentro, com o frio se congelaria e partiria em pedaços. Tínhamos que buscar encontrar uma peça que ja estivesse seca., e tivemos que buscar em grandes depósitos onde encontrei um bloco de ônix. O bloco tinha um tamanho especiico de modo que só cabia a possibilidade de usar o dobro da altura do bloco. Mais tarde o pavilhão foi construído com a altura equivalente ao dobro do bloco de ônix, este foi o modulo (MIES apud Puentes, 2006, p. 29).
A procedência é, provavelmente, de algum ponto norte da África como Marrocos e, sem dúvida, segundo os autores do projeto de reconstrução, que percorreram muitas jazidas de ônix para usar na construção, provavelmente, devem ter saído da região de Orán, atual Argélia. Segundo consta, estas peças de ônix foram trazidas para decorar com transatlântico e Mies reservou pessoalmente. Este painel por si só já era uma escultura com seus desenhos e brilho.
Os dois painéis em mármore verde que envolvem a
15 ANEXO XI- Sobre o mito da parede de ônix.
Painel Ônix - 1929. Fonte: MoMA Painel Ônix - 2013. Fonte: a autora Imagem 2013 Fonte: a autora
área coberta do pavilhão e um painel de ônix amarelo ao centro com as peças de mármore espelhadas formam um desenho contínuo dos veios.
Cinco muros eram de estrutura metálica revestidos de lâminas de mármore plana com cantoneiras (peca dobrada) na lateral. Nota-se aqui que as extremidades dos painéis eram confeccionadas com um bloco maciço de mármore, o que proporcionava um detalhe primoroso, pois os veios do mármore são contínuos e contornam a quina do painel, sugerindo que todo ele fosse de mármore maciço. Assim com os ambiente luem no espaço, os veios também parecem luir entre as faces do painel.
Cartas trocadas entre os responsáveis pelo pavilhão e Lilly Reich16 mostram que, devido ao corte de gastos, o muro
externo de travertino foi feito de estuque pintado de verde e amarelo, que de nada se parecia com os materiais que estavam faltando. Talvez seja por isso que não temos registro da área externa do pavilhão de 1929.
Nota-se nesta imagem o tratamento da parte de trás do muro.
PAINÉIS DE VIDRO
Um painel duplo de vidro leitoso branco, guarnição de aço inox, subdividido em duas partes cada, formam a única entrada de luz, bem ao centro do pavilhão com iluminação zenital. Ainda, ao analisar as plantas preliminares, notamos que o retângulo luminoso, ao centro da planta, praticamente não foi alterado com a evolução do projeto, propondo que possivelmente este tenha sido um elemento importante a ser deinido ao início do projeto.
O motivo de sua existência é desconhecido, mas este ponto de luz nos remete tanto a Santo Agostinho, que em seus discursos passa a acrescentar a ideia de luminosidade no belo, como a Frank Llyod Wright e as Casas da Pradaria, onde as lareiras eram locadas ao centro das casas em todos os andares e funcionavam como ponto de partida dos cômodos a sua volta. Como mostra as imagens abaixo:
Comparativo da imagem (superior) de 1929 com a imagem (inferior) de 2013.
Fonte: Mies van der Rohe Archives – MoMa NYC e a autora.
Esquema localizando as lareiras na planta da Casa Robie.