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Mothers as decision makers

De acordo com Bausch, Haughey e Hourihan (2002), weblogs são páginas que consistem de vários posts ou pedaços distintos de informação por página que são ordinariamente dispostos numa cronologia reversa do mais recente no topo da página para o mais antigo no seu rodapé.

Seguindo uma perspectiva histórica, os blogs surgiram conforme Clyde (2004) indica, quando foi desenvolvido o software Blogger31 disponibilizado pela Pyra Labs em 1999. Ainda Clyde (2004) destaca, porém que Kevin Werbach, escreveu em 2001, um artigo lembrando que páginas web pessoais e diários online tem coexistido desde o início da World Wide Web sendo o primeiro chamado de Weblogs em 1997, quando Jorn Barger a definiu em seu sítio web Robot

Wisdow32 (BRANUM, 2003). De toda forma, todos concordam que os blogs se tornaram mais acessíveis e populares quando, em 1999, surgiu o software para a criação e editoração.

A abreviação da palavra “Weblog” para “Blog” ocorreu quando Peter Merholz, em 1999, anunciou em seu sítio web33 que ele iria adotar a pronuncia “wee-blog” (BLOOD, 2000), que foi inevitavelmente abreviada para “blog” (FLEISHMAN, 2001).

Em 2004, o Merriam Webster Online Dictionary declarou blog a palavra número um do ano. De acordo com uma pesquisa da revista The Economist (2006), há um novo blog sendo criado a cada segundo todos os dias, na blogosfera, e isso dobra de tamanho a cada mês.

A efervescência em torno dos blogs fez crescer o seu uso em várias instâncias, seja nas empresas ou nas atividades pessoais. O sítio web Technorati apresenta anualmente uma pesquisa para saber o tamanho da blogosfera. As estatísticas mais recentes34, do ano de 2010, que foram respondidas por 7200 blogueiros, indicam que 49% deles são provenientes de blogs dos EUA, 29% de blogs da União Europeia, Ásia e Pacífico 12%, México e Canadá 7%, e a América do Sul que representava somente 3% do total dos blogs monitorados por este sítio web. As estatísticas de 2012, segundo refere Z. Johnson (2012), mostravam que, nos Estados Unidos, havia 42 milhões de blogs criados na plataforma Wordpress, sendo que, se observamos outras plataformas de blog, a

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Site Blogger : Disponível em: <http://www.blogger.com>. Acesso em: 18 abr. 2013. O software de blogs foi comprado posteriormente pela empresa Google.

32

Site Robot Wisdow Jorn Barger: Disponível em: <http://robotwisdom2.blogspot.com.br/>. Acesso em: 05 nov. 2013.

33

Site Peter Merholz: Disponível em: <http://www.peterme.com>. Acesso em: 05 nov. 2013.

34

Estado da Blogosfera em 2010: Disponível em: <http://technorati.com/blogging/article/state-of-the-blogosphere- 2010-introduction/>. Acesso em: 05 nov. 2013.

distribuição indicava que 43% utilizavam Wordpress, 35% blogger, 16% Tumblr+Typepad+Posterous e 6% utilizavam outras plataformas.

Segundo Herrera Varela (2005), os blogs são classificados em diversos tipos: consoante o formato (que possui os tipos áudioblog, vlog, fotolog e moblog); segundo a autoria pessoal, coletiva ou corporativa; conforme o conteúdo (miscelânea, temática ou metablog). Esta tipologia de Herrera Varela (2005) pode ser vista na figura 8.

Figura 8 – Tipologia dos blogs

Fonte: Herrera Varela (2005); adaptação nossa.

Existem, contudo, outras taxonomias adotadas para blogs que distinguem três tipos básicos de blogs: filters, personal journals e notebooks. O conteúdo dos filters é formado por assuntos que retratam algo externo ao autor (como exemplo, eventos mundiais e acontecimentos online), enquanto o conteúdo dos personal journals mostra o autor no seu mundo interno (pensamentos do autor e realizações pessoais), enquanto os notebooks são uma mescla dos dois anteriores, e são reconhecidos por uma redação mais longa e centrada (HERRING et al., 2004).

Por último Herring et al. (2004) classificam quatro categorias que podem ser assim visualizadas: journal, filter, k-log e mixed que serão observadas com suas características no quadro

Quadro 6– Blogs categorias e características Categoria Características

Journal O conteúdo publicado é relativo ao mundo interior do autor, como realizações pessoais ou pensamentos próprios. São conhecidos como diários online.

Filter O autor do blog realiza uma navegação prévia em determinadas fontes na web e utiliza seu blog como filtro, publicando material que julga ser de interesse de seus leitores. Conta, normalmente, com referências (links) para a fonte utilizada. K-log Blog com a finalidade de disseminação de conhecimento. A informação publicada

é normalmente primária. Os k-logs normalmente tratam sobre tecnologia.

Mixed Blog pertencente a duas ou mais categorias.

Fonte: (FERREIRA; DUQUE, 2007).

De acordo com Araújo P. (2009), a apropriação do sistema pelas pessoas tornou os blogs instrumento de comunicação social muito eficaz e de fácil acesso. O resultado disso é que passa a existir uma nova interação social dos sujeitos, que acontece por meio dos comentários, onde o fluxo de informação e comunicação é direcionado de acordo com a “postagem” do blogueiro.

Como consequência do crescimento do uso dos blogs pela sociedade, surgiram os

microblogs, sendo um dos mais conhecidos o Twitter, segundo o sítio web Alexa35. O Twitter foi considerado o nono colocado entre os sítios web mais populares do mundo, em setembro de 2011, contudo, em 2012, pesquisa da ComScore noticiada no sítio web TERRA TECNOLOGIA (2012)36 mostrava que, apesar de ter uma versão em português, o Twitter não criou serviços. Assim esta falta de inovação pesava no seu decréscimo no número de acessos que caiu de 12,9 milhões em julho de 2011 para 9,7 milhões em julho de 2012.

O Twitter é uma plataforma de microblog porque tem como característica principal franquear ao usuário só postar texto com até 140 caracteres. Para Thelwall, Buckley e Paltoglou (2011), o potencial de socialização e disseminação da informação é grande, pois uma das características principais do Twitter é a possibilidade de fazer o Retweet, onde o usuário repassa um

tweet para os seus seguidores (followers). Isto faz com que cada usuário que possui um grupo de

seguidores diferentes repasse a informação da forma original ou a transforme em um novo formato, acrescentando ou diminuindo a informação.

Outra característica comunicacional interessante no Twitter é a hashtag. Segundo Efron (2011), a hashtag é uma metatag que se inicia com o caractere #, é projetada para ajudar outros usuários a encontrar um post ou um assunto, frequentemente marcando o tópico do tweet ou pretendendo obter audiência com os usuários.

35

Alexa Top Sites: Disponível em: <http://www.alexa.com/topsites>. Acesso em: 17 set. 2013.

36

TERRA TECNOLOGIA. Twitter tem queda de 24% em acessos no Brasil. 03 set. 2012. Disponível em: <http://tecnologia.terra.com.br/internet/twitter-tem-queda-de-24-em-acessos-no-

Em termos ainda de características do Twitter, Naaman; Becker e Gravano (2011) destacam a possibilidade de acompanhamento de tendências por meio de conteúdo, produzido e compartilhado por uma região geográfica específica, que reflitam o interesse e o pensamento dos seus usuários, bem como daquilo que lhes chama a sua atenção. Assim, os autores identificaram características relacionadas às tendências que podem advir de fatores internos (endógenos) ou externos (exógenos) ao Twitter conforme a seguir:

Fatores Externos (Exógenos)

I. Eventos difundidos pela mídia como um todo:

a. eventos difundidos pela mídia local: “ufc” (evento de artes marciais);

b. eventos difundidos pela mídia nacional ou global: “Lost Finale” (final do seriado Lost); II. Eventos de notícias globais:

a. notícias de última hora (Breaking News): “earthquake” (Terremoto no Chile), “Malvinas”; b. notícias do cotidiano: “HCR” (health care reform – reforma dos planos de saúde);

III. Feriados nacionais e dias especiais: “Halloween”, “Valentine’s”, “Semana Santa”, “Dia

Internacional del Libro Infantil y Juvenil”; e

IV. Eventos de participação local: a. eventos planejados: “maratona”;

b. eventos não planejados: “chuva”, “neve em Madri”.

Fatores Internos (Endógenos)

I. Memes37: #enancib2011, “Luiza Canadá” (Meme referente à propaganda de uma construtora pernambucana que virou febre na internet);

II. Retweets: (usuários repassam um tweet de um popular usuário);

III. Atividades de uma comunidade de fãs: “2pac” (aniversário de morte do artista Tupac Shakur). Fonte: Original de Becker e Gravano (2011) adaptado pelo autor.

Desta forma, as bibliotecas podem usufruir destas possibilidades de gerar tendências para promover eventos, dias nacionais ou internacionais voltados para a área de leitura, ou, quem sabe, ser notícia dentro de uma localidade geográfica.

Outro ponto relativo ao universo da Ciência da Informação, mais precisamente a recuperação da informação, envolve o uso destas redes sociais para detectar informação. De acordo com Efron (2011), a moderna recuperação da informação tem considerado o uso de vários tipos de novas mídias no sentido de ajudar as pessoas a encontrar informação que está aumentando em vários cenários. Entre estas novas mídias, podemos levar em consideração os microblogs; contudo, Efron (2011) observa que existem alguns problemas a serem discutidos para que a recuperação da

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Meme: é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma se autopropagar. Hoje em dia, um "meme" na internet é entendido popularmente como um conteúdo que vira febre e é reproduzido por todo mundo. (WIKIPÉDIA, 2012)

informação em microblogs tenha o êxito esperado; isto porque as pessoas buscam neles informação em dois sentidos: no primeiro, os usuários de microblogs emitem questões para os seus seguidores no sentido de que alguma pessoa possa responder a ela; no segundo, os usuários conduzem uma busca sobre o conteúdo de um microblog na esperança de descobrir uma informação relevante e preexistente. (SULLIVAN, 2009).

Assim, nos últimos anos, com a possibilidade de recuperar informação nos blogs, a sua popularidade evoluiu de forma constante. Segundo Sifry (2006) apud Goodfellow e Graham (2007), o número de blogs pessoais e institucionais aumentou drasticamente nos últimos anos. Para Goodfellow e Graham (2007), as razões primordiais para a popularidade dos blogs são: o blog é barato e livre para se produzir conteúdo; não requer software proprietário para ser instalado; não exige habilidades de especialista em computação; e seu conteúdo pode ser atualizado e facilmente disseminado; os leitores podem obter notificações instantâneas de novos posts usando a tecnologia RSS; e comentários do blog podem ser postados por qualquer um, produzindo um diálogo entre leitores e escritores.

Neste sentido, o conteúdo dos blogs apresenta algumas características interessantes. De acordo com Bar-Ilan (2005), frequentemente os posts de um blog (as entradas individuais) contêm

links para sítios web ou blogs; estes posts têm o propósito básico de debater o conteúdo destes links

ou, simplesmente, informar aos leitores do blog sobre a existência destes sítios web. Em outros tipos de posts de blog não existem links, ou seja, são simplesmente diários pessoais na web.

Esta capacidade de se conectar com outros sítios web e fazer comentários sobre outros conteúdo traz alguns benefícios. Segundo Hammond (2010), um dos benefícios da adoção de um

blog pela biblioteca é informar aos seus usuários sobre os seus serviços permitindo ainda obter um feedback por meio dos comentários destes usuários. Além disso, os blogs permitem ao usuário fazer

revisões sobre notícias que o bibliotecário publica no blog da biblioteca.

Existem, no entanto, algumas questões que precisam ser resolvidas quando se pretende adotar blogs em bibliotecas. Frequentemente, conforme Schrecker (2008), os bibliotecários são incapazes de atualizar o sítio web da sua biblioteca sem a ajuda de um especialista em tecnologia da informação do campus universitário e, assim, deixam de buscar opções no sentido de fornecer rápido acesso à informação para os seus usuários. Para complementar a questão, Schrecker (2008) mostra que há muitas diferenças entre blogs e uma página web comum; os blogs têm a capacidade de ser interativos e as páginas do sítio web comum são estáticas. Assim, Schrecker (2008) conclui, dizendo que, quando os blogs são utilizados junto com o sítio web da biblioteca universitária, eles são capazes de melhorar a presença da biblioteca na web e oferecem a oportunidade de conversação e comunicação.

Em termos de benefícios, McIntyre e Nicolle (2008, p. 688) observam, que tanto externa quanto internamente, um dos benefícios dos blogs para a biblioteca é a criação de um arquivo que pode ser pesquisado pelo software do blog. Isto se traduz numa fonte de conhecimento valiosa, que preserva a informação institucional e a torna disponível de acordo com sua necessidade. A figura 9 mostra dois exemplos de arquivos em blogs. O lado esquerdo expressa a sequência mensal sem a quantidade de itens e o lado direito exibe com a quantidade de itens postados.

Figura 9 – Arquivo de posts do Wordpress e do Blogger

Fonte: Elaborada pelo Autor.

O resultado destes benefícios, de acordo comMcIntyre e Nicolle (2008, p. 688), é que, nas bibliotecas universitárias, a oferta de serviços remotos está aumentando e, assim, os clientes não precisam visitar a biblioteca fisicamente; com isso, as redes sociais oferecem oportunidade de fazer conexões e desenvolver conversações com um público selecionado.

Assim, para estabelecer uma linha de trabalho dos bibliotecários com as redes sociais, Cooper e May (2009, p. 90) destacaram em uma pesquisa numa biblioteca universitária, onde cada bibliotecário na universidade compartilha serviços de referência, instrução/formação de usuários e função no desenvolvimento de coleção e, também, a prática comum de escrever no blog. Neste sentido, o diretor da biblioteca universitária decidiu que escrever (post em inglês) no blog é um projeto compartilhado por todos os bibliotecários. É importante notar que algumas bibliotecas brasileiras estão adotando modelo diferente deste, pois no Brasil a função de publicar uma notícia se torna algo institucional onde tudo tem que passar pelo crivo de um funcionário que, na maioria das vezes, faz parte de um setor de comunicação e, assim, tem a profissão de jornalista.

Ainda sob este enfoque da biblioteca universitária, McIntyre e Nicolle (2008, p. 683), verificaram, em um estudo na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, que esta oferece duas possibilidades de comunicação para os blogs nas bibliotecas, sendo o blog interno usado para comunicar e gerenciar a informação para os funcionários do sistema de bibliotecas, enquanto um

blog externo serve para comunicar o conteúdo e atualizar os serviços da biblioteca junto à

comunidade acadêmica. Neste tipo de modelo, é possível então utilizar um setor de comunicação institucional para trabalhar no blog externo.

Portanto, ao iniciar um projeto de adoção de redes sociais, alguns aspectos devem ser observados. Segundo Andergassen et al. (2009), quatro pontos principais poderiam ser identificados como motivadores para iniciar um blog: a) escrever - em geral, escrever/publicar na Internet é um fator base para iniciar um blog; b) tecnologia - poucos estudantes originalmente têm interesse em testar novas tecnologias. Há uma diferença entre querer testar uma nova tecnologia e ter que testar uma nova tecnologia por questões de trabalho; c) comunicação - quando se está distante, o blog é visto como uma ferramenta adequada para se comunicar com amigos/família; d) socialização - para fazer contatos sociais em plataformas da web, é muito importante direcionar muitos estudantes para fazer o engajamento na Internet.

Alguns aspectos preponderantes, contudo, foram também observados por Andergassen et al. (2009). Neste sentido, três razões são vistas como fatores condicionantes para prevenir estudantes com o uso de blogs: a)falta de informação - é um fator na hora de decidir por usar um blog; b) falta de urgência e comunicação pessoal - aqui os blogs são comparados a serviços de mensagem instantânea como o MSN38, que é o preferido pelos estudantes; c) perda da privacidade por meio de

blogs - ao usar um blog, várias pessoas ao exporem sua privacidade, acabam ficando expostas.

Ainda em termos de considerações importantes sobre blogs, algumas razões sugerem, de acordo com Andergassen et al. (2009), por que muitos estudantes param de usar o blog: a) falta de privacidade e imediatismo - pode ser explicada porque muitos estudantes preferem utilizar serviços de mensagens instantâneas em vez de usar blogs; b) interface do software: há indícios de que a interface do blog não é intuitiva o suficiente; c) falta de interação - ao perder a interação com os usuários que seguem o blog, o autor para de atualizá-lo constantemente. Assim, é necessário que se tomem medidas para evitar este tipo de situação nos blogs de bibliotecas, para que eles deixem de ser utilizados como ferramenta de comunicação.

Em termos de aspectos positivos, Draper e Turnage (2008) destacam que as BU estão usando blogs, com algumas experiências mais exitosas do que outras. Os blogs de bibliotecas que

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são populares possuem normalmente os seguintes temas: notícias e eventos; marketing em bibliotecas; e comunicação interna.

No Brasil, algumas bibliotecas já adotam estes conceitos, como, por exemplo, o blog da Biblioteca da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP-ECA)39, que possibilita aos usuários postarem uma notícia e também informa algo sobre a biblioteca, o horário de funcionamento, como chegar, novas aquisições de filmes, discos, imagens, livros, TCC e partituras. Além disso, o blog traz links para o Twitter da biblioteca da ECA USP e organiza as informações por serviços, produções da Escola e Assuntos Gerais conforme a figura 10:

Figura 10 – Blog da biblioteca da ECA USP

Fonte: USP ECA BIBLIOTECA (2012).

Outra ferramenta que tem a filosofia da Web 2.0, e que se confunde muitas vezes com os

blogs, são as wikis. Na seção a seguir, destacaremos suas particularidades e benefícios no sentido de

expandir o nível de aprendizado nas bibliotecas.