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Mot en ny forståelse av innovasjonsprosesser

Sentada em uma das mesas da grande biblioteca universitária, procurava dar sentido metodológico a esta pesquisa. Príncipe andava entre os corredores procurando referências bibliográficas. Escolher um método coerente com nossos propósitos quase sempre não é fácil. Estávamos implicados em nós mesmos, mas com os olhos voltados para todas as direções e eles se localizavam nas costas. A epistemologia Vó Benita não nos permitia cravar nossas raízes em qualquer estrada. Era preciso escolher e escolher bem.

Depois de algum tempo conversando sobre essa complexidade do ponto de vista epistemológico e metodológico, fizemos nossas escolhas nas palavras de Príncipe: “– O que queremos priorizar nesse caminho a percorrer é o trabalho coletivo. Estamos querendo uma pesquisa intencionalmente formativa e que ao mesmo tempo possibilite a construção de dispositivos metodológicos no chão da escola com efeito transformador no tocante às ideias e às práticas pedagógicas sobre cosmovisão africana. Esse é um grande desafio. Para tanto, sugiro o encontro de vários tipos de raízes-caminho. Vamos investir no método da pesquisa- -formação a partir das ideias da pesquisadora Christine Josso (2004), com enraizamentos na

sociopoética de Gauthier (2000). Esse encontro de raízes vai possibilitar-nos algo inesperado, creio”.

Daquela forma, Príncipe desafiou-nos a realizar uma verdadeira “bricolagem de concepções epistemológicas e metodológicas capazes de também se transformarem no processo”, a exemplo do que nos ensina SANTOS (2005). Seus argumentos são convincentes, já que não pretendíamos impor ao campo de pesquisa estratégias preestabelecidas. Pretendíamos partilhar essa responsabilidade com as participantes, fazendo da prática e de seus elementos complexos material de pesquisa. Príncipe complementou meu pensamento: “– Essa conversa faz lembrar Edgar Morin quando fala que “o método não precede a experiência, o método emerge durante a experiência e se apresenta ao final, talvez para uma nova viagem” (MORIN, 2003, p. 20). Por isso, estamos optando por uma modalidade de pesquisa em que o pesquisador, ou pesquisadora, faz o jogo de dentro do campo de pesquisa, como na capoeira (SANTOS, 2005), elaborando em processo, juntamente com os sujeitos envolvidos, o conhecimento e o próprio método”.

Eu e Príncipe passamos a conhecer a pesquisa-formação a partir da tese de doutorado intitulada Educação Inline: cibercultura e pesquisa-formação na prática docente defendida em 2005 na Bahia pela professora Edméa Oliveira dos Santos. Através de sua tese, fomos motivados a vasculhar mais informações sobre o referido método. Meu amigo chegou à mesa da biblioteca com mais ideias: “– Encontrei mais elementos sobre pesquisa-formação: atualmente, seu maior expoente é a pesquisadora antropóloga e socióloga suíça Christine Josso. De acordo com Bragança (2007), a pesquisa-formação tem origem na pesquisa-ação, já que prima pelo envolvimento do pesquisador na transformação tanto do ponto de vista individual quanto coletivo”.

De acordo Josso, a pesquisa-formação

busca um efetivo envolvimento dos pesquisadores no movimento de transformação individual e coletiva, trazendo uma variedade de atividades no campo da disciplina de base do pesquisador, no campo empírico, bem como do ponto de vista da possibilidade de transformação social (JOSSO, 1991, p. 42).

A experiência é outra aproximação da pesquisa-formação com a pesquisa-ação. Ambas diferem da tendência positivista de separação do sujeito e do elemento alvo da pesquisa, já que é exatamente no movimento do encontro, da ação coletiva e da partilha do processo de investigação que o conhecimento é produzido (JOSSO, 1991).

-formação poder-nos-ia render muito êxito. Envolvida por esse espírito de procurar conhecer o método, achei muito interessante o que nos adverte Bragança, quando fala que é a própria experiência vivida de forma intensa que “pode produzir conscientização como processo que não pode ser ensinado, mas que é vivido de maneira muito pessoal pelo sujeito – um movimento que leva a busca de transformação” (2009, p. 42).

Ao acontecer dessa forma, a pesquisa acaba por desenvolver processos formativos e autoformativos, tanto para o pesquisador quanto para os demais sujeitos envolvidos. Em um contexto de interação efetivamente humana, o desenvolvimento do trabalho de investigação é uma experiência de troca e construção de saberes constantes.

Naquele momento, Príncipe, de cabeça baixa, selecionava trechos e complementou: “– Christine Josso propõe a narrativa como procedimento metodológico potencializador de movimentos formativos para os sujeitos envolvidos na pesquisa-formação a partir de dois eixos: a história de vida como projeto em busca do conhecimento de si, que vasculha as várias dimensões da vida do sujeito no passado, presente e futuro; e a abordagem biográfica que se limita a produção de material em determinado tema de pesquisa” (FISCHER, 2006).

A originalidade da metodologia de pesquisa-formação situa-se, em primeiro lugar, em nossa constante preocupação com que os autores de narrativas consigam atingir uma produção de conhecimentos que tenha sentido para eles e que eles próprios se inscrevam num projeto de conhecimento que os institua como sujeitos (JOSSO, 2004, p.25).

Lendo a citação acima para o amigo, prossegui. A autora sugere que o pesquisador- -formador utilize a abordagem em caráter de narrativas (orais e escritas) que ocorrem em encontros (individuais e coletivos) com os sujeitos, desde que esse movimento metodológico de pesquisa constitua-se também em uma estratégia de formação.

Príncipe fez uma importante citação de Christine Josso procurando esclarecer a especificidade metodológica da pesquisa-formação:

a fim de que o trabalho biográfico realizado em nossas pesquisas não seja confundido e/ou reduzido a uma ação exclusivamente introspectiva, algumas observações sobre nosso cenário de pesquisa-formação permitirão precisar as modalidades de elaboração da história e do trabalho de análise dessas histórias narradas. O dispositivo-cenário parte da idéia de que a compreensão do processo de formação implica um processo de conhecimento ao longo do qual os participantes construirão sua história, a partir de uma série de etapas, alternando trabalho individual e trabalho em grupo. Assim, a reflexão sobre os processos de formação só é produtiva na medida em que os participantes investem ativamente cada etapa de trabalho neles mesmo, bem como nas interações que o grupo oferece (2007, p. 420).

Fomos então partir em busca de cruzá-la com outras referências na tentativa de complementar nossa metodologia. Assim teceríamos as suas dobras com zelo.