Sunflower Lemma
9.1 Modular partition
Como já foi referido, as escolas da igreja desempenharam um papel de liderança na história da educação das mulheres chinesas. A fundação de escolas missionárias foi o início da educação feminina na China. A história do estabelecimento de escolas de meninas por missionários é, até certo ponto, a história da ascensão da educação das mulheres chinesas modernas (Wang, 2001).
A Sociedade de Promoção da Educação Feminina no Oriente foi fundada em Londres em 25 de julho de 1834. Tratava-se de uma comunidade religiosa feminina, que enviou missionários e professores para as escolas da China e de países vizinhos. Uma delas foi Mary Ann Aldersey, que chegou à China em 1842 e fundou uma escola para meninas em Ningbo (宁波, níngbō), Zhejiang (浙江, zhèjiāng), em 1844. Foi a primeira escola feminina fundada por missionários estrangeiros na China continental, e também foi o início da educação moderna das mulheres chinesas (Li, 1987).
31 Charles Fourier (1772-1837) foi um filósofo francês da primeira metade do século XIX, influente pensador
socialista e um dos fundadores do socialismo utópico. Fourier é creditado como tendo originado a palavra "feminismo" em 1837.
Outros foram inspirados por Aldersey, concordando na necessidade de desenvolver os conhecimentos das mulheres chinesas. Surgiram assim outras escolas femininas junto dos portos comerciais e noutras cidades (Chen, 2009).
Figura 7 - Mary Ann Aldersey (1797–1868)32
Com a crescente expansão capitalista, mais e mais escolas femininas foram fundadas por igrejas ocidentais na China. Entre 1844 e 1860, missionários estrangeiros construíram mais de uma dúzia de escolas para as meninas, a maioria de ensino médio. O estabelecimento dessas escolas permitiu às mulheres chinesas receberem a primeira educação escolar (Xiong, 2011).
32 http://www.pipspatch.com/2012/12/29/mary-ann-aldersey-and-the-first-girls-school-in-china/comment-
Diretório de escolas femininas da China entre 1844-186033
33 Chen, X. 陈欣, Chénxīn. (2009). A Influência Sobre a Criação da Escola Missionária Feminina na Dinastia Qing
清末教会女校的创兴及其影响研究, Qīngmò jiàohuì nǚxiào de chuàngxīng jí qí yǐngxiǎng yánjiū. (Dissertação de mestrado). Universidade Normal de Liaoning: Liaoning.
Ano Localização Nome da escola Fundador Observações
1844 Ningbo Escola de Meninas de Ningbo
Mary Ann Aldersey 1844 Hongkong Internato para
Meninas
Igreja Batista Britânica, Henrietta Hall Shuck 1846 Hongkong Escola de Meninas de
Ying Wa
Sociedade Missionária de Londres
1847 Cantão Internato para Meninas
Andrew Patton Happer 1850 Shangai Escola de Meninas Congregacionalismo,
Elijah Coleman Bridgman
Mudou para Escola Secundária de Shangai nº 9
1850 Shangai Escola de Meninas Igreja Batista Britânica 1850 Fuzhou Escola de Meninas de
Fuzhou
Metodismo, Robert Samuel Maclay 1851 Shangai Escola de Meninas Igreja Episcopal dos
Estados Unidos
Mudou para Escola Feminina de Santa Maria
1851 Hongkong Escola de Meninas Igreja Batista Britânica
1853 Shangai Escola de Meninas Igreja Católica da França Mudou para Escola Secundária de Penglai 1853 Cantão Escola de tempo
integral para mulheres
Andrew Patton Happer
1854 Fuzhou Internato para Meninas
Congregacionalismo, Justus Doolittle 1854 Cantão Escola de Meninas Metodismo 1855 Shangai Escola de tempo
integral para mulheres
Presbiterianismo
1855 Shangai Escola de Meninas de Xuhui
Igreja Católica da França Mudou para nº. 4 Escola Secundária de Shangai
1857 Ningbo Escola de Meninas Presbiterianismo 1859 Fuzhou Escola de Meninas de
Yuying
Os conteúdos de aprendizagem das escolas para meninas incluíam os Quatro livros34, a Bíblia, matemática, geografia, história, biologia, fisiologia, etc. Mas os temas
centrais seriam a Bíblia e os clássicos confucionistas chineses (Chen, 1979). No início havia muitas dificuldades e o desenvolvimento foi extremamente lento. Por um lado, como as escolas estavam ligadas aos missionários e os chineses odiavam os “agressores capitalistas estrangeiros”, sentiam relutância em enviar as suas filhas para a escola. Por outro lado, o povo estava profundamente condicionado pelos conceitos tradicionais, que impediam as mulheres de irem à escola.
Para resolver estes problemas, as escolas implementaram inicialmente a educação gratuita. A escola chegou a subsidiar as meninas que frequentavam a escola, para atrair alunas. Mesmo assim, a Escola de Meninas de Ningbo recrutou apenas algumas alunas no primeiro ano, 15 no segundo ano e, após sete anos, o número de alunas aumentou para 40. Até que, na década de 1880, as escolas da igreja se tornaram populares.
Após a segunda Guerra do Ó pio (1856-1860), as potências ocidentais expandiram o poder político e os direitos económicos na China, com benefícios para as atividades missionárias. Em 1868, o Tratado de Burlingame, assinado entre os Estados Unidos e a China, estipulou que os americanos podiam criar escolas no país, onde os estrangeiros vivessem de acordo com as regras (Wang, 1957). Isso permitiu que estrangeiros abrissem escolas formais.
A partir de então, as igrejas passaram a poder pregar não apenas nas localidades portuárias, mas também estabelecer igrejas livremente em várias províncias. O número de alunas aumentou e os níveis de ensino expandiram-se, passando a abranger também escolas secundárias e universidades. De acordo com o relatório da “Conferência Missionária Cristã na China” realizada em Shangai em 1877, havia 82 escolas femininas de tempo integral em 1876, com 1.307 alunas, 39 internatos femininos e 794 estudantes (Du, 1995).
34 Os quatro livros (四书, sìshū) são textos clássicos do confucionismo: O grande ensino, A Doutrina do Meio,
Após meio século de desenvolvimento, nascia o ensino superior dirigido às mulheres, surgindo universidades influentes como a Universidade Feminina do Norte da China (1905), a Universidade Feminina do Sul da China (1907) e a Faculdade de mulheres de Jinling (1915). Ao mesmo tempo, o número de estudantes no estrangeiro aumentava gradualmente.
No final do século XIX, quatro jovens foram estudar para o exterior, elas foram as primeiras estudantes do sexo feminino a irem para os Estados Unidos. A primeira foi Jin Yamei (金雅妹, jīn yǎmèi), uma mulher influenciada desde a infância pela educação religiosa. Ela nasceu numa família de pastores em Zhejiang (浙江, zhèjiāng) em 1864, mas os seus pais morreram quando era pequena e a menina foi adotada pelo Dr. Divie Bethune McCartee, um missionário americano. Em 1881, Jin foi para os Estados Unidos para estudar medicina. Ela graduou-se na Faculdade de Medicina Feminina de Nova York em 1885, tornando-se a primeira mulher chinesa a receber um diploma universitário nos Estados Unidos (William & Akiko, 2016). A segunda foi He Jinying (何金英, hé jīnyīng) de Fuzhou (福州, fúzhōu), que se formou na Universidade Médica Feminina da Filadélfia em 1892, regressando à China um ano depois. Juntamente com Kang Aide (康爱德, kāng àidé) e Shi Meiyu (石美玉, shí měiyǜ), elas foram pioneiras na medicina chinesa moderna, criando uma tendência precursora para as mulheres estudarem no exterior, ao mesmo tempo que valorizaram socialmente as mulheres intelectuais (Chu, 1934).